sábado, 19 de setembro de 2020

TJ40 - CARMEN PETERSEN DIAS DA COSTA

DEFINIÇÃO: "Taura da Raça Jersey é o indivíduo valente, arrojado, destemido, valoroso, forte, guapo, resistente, enérgico, folgazão, expansivo, perito em algum assunto ligado à raça, que está sempre disposto a tudo. Na história brasileira da raça Jersey temos, tivemos e teremos, muitos tauras, homens e mulheres,  criadores, melhoristas, geneticistas, zootecnistas (agrônomos, veterinários, zootecnistas e práticos), diretores de associações de criadores e colaboradores, que passaram a ser divulgados neste blog. Os primeiros foram postados no blogdojerseyrs.blogspot.com , deste mesmo autor.


Carmen Petersen Dias da Costa é uma das grandes personalidades da raça Jersey contemporânea. Junto com seu marido, Ulrico Muccillo Beck, possui uma das mais eficientes propriedades leiteiras que conheço. Ela no trabalho direto e no planejamento com os animais, êle cuidando da parte agrícola e alimentação.


Carmen e Rico

Vejam seu depoimento completo, numa entrevista em 2017 para esta postagem:

 "Nasci em Porto Alegre a 30 de outubro de 1965, família de minha mãe de Porto Alegre, e família de meu pai de Pelotas. Me formei em Direito na UNICRUZ em 1990, tarde porque, quando fiz 17 anos, queria muito cursar Veterinária mas minha mãe não me deixou sair de Cruz Alta. Então na época, como queria trabalhar com animais, vim para a fazenda, e não admitia fazer outra faculdade."



"Aproveitei o momento em que meu pai comprou uma área de terras em Formosa (GO) e precisou ir atender lá, e me estabeleci aqui. Na época era lavoura e suínos. Foi difícil no início, pois os empregados não me aceitavam como patroa, alguns acabei mandando embora. Tive o respaldo de meu pai que, no fundo, estava achando muito bom eu começando a tomar pé da vida campeira, mas não reconhecia isso para minha mãe."

Carmen com seu pai (e) e sogro

"Criei cavalos Crioulos, aprendi a domar, e era uma apaixonada mas, financeiramente, não iria me sustentar. Continuava com a suinocultura, mas meu sonho sempre foi trabalhar com bovinos, então conversei com meu pai e ele me disse: 'Faça uma faculdade, aí veremos'. Então resolvi fazer Direito que me traria conhecimento para a vida. Fiz a faculdade à noite, sempre trabalhando aqui."

"Quando minha mãe viu que eu não iria abrir mão da fazenda por nada, e que não tinha vocação para cidade apesar dela me fazer estudar piano, ballet, e sonhar que eu fazendo Direito iria acabar sendo Juíza, acabou se rendendo aos meus 'caprichos' - segundo ela. Então decidi diminuir a lavoura e terminar com a suinocultura que, na época, estava de arrasto, para criar bovinos." 

"O que criar numa área que não é grande? Depois de pesquisar um pouco, cheguei à conclusão que seria Jersey. Assim, dois ano antes de me formar, minha mãe me deu o dinheiro para comprar 2 vacas em Bagé, de afixo Macaco da Grota, e ganhei de meu padrinho, João Jardim, que criava Jersey, uma novilha prenhe - ela morreu no parto, e a cria era macho." 


João Jardim (d) e a esposa, May (e), com Carmen e sua mãe

"Adquiri, de Mário Macedo, duas vacas. Em setembro de 1989 nasceu
a primeira Jersey VENTANA, e também minha filha ANTÔNIA - que foi criada no meio das Jersey e, cedo, já tirava leite à mão."

Antônia e Carmen

"Minha primeira entrega, para a ELEGÊ, foi de 30 litros (hoje, 2017, são mais de 1200 litros/dia)."

"Me formei, entreguei o diploma a meus pais, e passei a morar, definitivamente, na Cabanha Ventana, eu e minha filha. Hoje, mesmo tendo vendido 90 vacas em lactação (inclusive para Roraima), meu rebanho possui 133 Jersey - de nascendo a morrendo."

"Respondendo então tua primeira pergunta, Carlos, acho que a vocação é minha mesmo, nasceu comigo, pois fui contra tudo para ficar na fazenda. Não conheci meu avô Antônio Joaquim Dias da Costa que construiu a casa que moro na fazenda, e sei que tirou leite de uma Jersey em Porto Alegre em plena avenida Independência quando criança. Tenho por ele um fascínio, um respeito e um amor muito grande. Acho que nos daríamos muito bem pois, com o passar do tempo, fui descobrindo que tenho muitas coisas dele. Tenho a mania de fazer agenda da Cabanha, nela tem tudo o que acontece e é escrito no dia, mais tarde descobri que ele fazia diários da fazenda, coisa que meu pai nunca me ensinou, e acredito ser uma vocação de sangue (se é que isso existe)." 

"Ah! Não consegui fazer Veterinária, mas insemino, faço cesariana, a prática me tornou uma quase profissional."

A casa,  construída pelo avô Joaquim em 1935.

"Porque a raça Jersey? Na época optei achando que elas comiam menos (doce ilusão) pois não sabia nada da raça e também porque não gosto da Holandesa ( me perdoa a franqueza ). Hoje te respondo que a Jersey é a única raça que reúne longevidade, sanidade, precocidade, rusticidade, fertilidade e docilidade, além de ter o melhor leite. Faz jus ao ditado LEITE DE RAÇA.  Sem esquecer, ainda, a carne, que é a mais saborosa de todas, o que me encantou com a raça e hoje me torna uma defensora e apaixonada. Não troco minhas amarelinhas por nada deste mundo."



 "Meu objetivo?  Continuar criando esta raça com muito respeito e amor, raça esta que me dá prazer, que me sustenta e que a cada dia me renova. Torcendo que minha sobrinha Marina Jaeger Petersen Dias da Costa Sampaio seja minha sucessora, uma vez que minha filha Antônia gosta muito de passear aqui, mas não quer esta vida. É formada em História e traçou outra direção que eu tenho que respeitar."

Marina, a sobrinha "sucessora"

Dez quilômetros antes da cidade de Cruz Alta (estrada Santa Maria – Cruz Alta) há um trevo com entrada apenas para a direita. Tem uma placa em que diz “Salto do Jacuí”. 

 

Rio Jacui, vista da estrada de acesso à Cabanha Ventana

 Após entrar à direita, percorre 14 quilômetros pelo asfalto, passando em frente à empresa Grandespe, localizada à direita. Em seguida, há outro trevo, identificado por uma placa em que diz 'Corticeira'. Neste trevo deve-se dobrar à esquerda. Após percorrer seis quilômetros, tem, à direita, uma floresta de eucalipto. Passando por esta floresta, chega-se à Cabanha Ventana, identifica por uma placa, dependura em um pinheiro. 


 A Cabanha Ventana é uma propriedade tradicional na criação de Jersey na região de Cruz Alta. Os participantes de importante encontro organizado pela Ventana e ACGJRS, apoiado pelo Sindicato Rural de Cruz Alta, em dezembro de 2013 conheceram suas instalações, compreendendo como funciona seu adiantado manejo e a nutrição das vacas, naquele momento sem pasto devido ao clima, atingindo média de 20 litros de leite por animal/dia (em 2020 chegando a 27 litros/dia), com muito baixo CCS (Contagem de Células Somáticas) e CBT (Contagem Bacteriana Total), e apresentando teor de sólidos excelente. Naquele momento, o rebanho estava constituído de  110 Jerseys.




 

Diversos temas foram abordados no período da manhã, na sede do Sindicato Rural de Cruz Alta. O almoço foi servido no Núcleo de Criadores de Cavalos Crioulos, no Parque de Exposições do Sindicato. Após, os participantes foram para a Cabanha Ventana.

Carmen explicando para Gerzy e Ângela, Marcelo presente, sobre sua seleção

O objetivo do Dia de Campo em Cruz Alta, congregar os produtores da raça, foi totalmente atingido, trocando informações e experiências, e oportunizando a visita num estabelecimento-referência na criação de Jersey da região Noroeste do Estado. 

 A propriedade de Carmem é conhecida pelo alto nível dos animais que cria, com resultados exemplares, confirmados nas mostras de Jersey de que participa, competindo em uma região de alta produtividade. Sua participação em exposições sempre foi ótima, adorando os concursos leiteiros mas alegando que "precisam ser limpos". 


Carmen não gosta muito de participar dos julgamentos zootécnicos nas exposições, embora tenha sido bem sucedida naqueles em que seus animais foram apresentados...



... mas adora os Torneios Leiteiros, dos quais sempre está no "pódium" com excelentes produções.




"No noroeste do Rio Grande do Sul é onde se centraliza a maior quantidade do leite produzido no estado e, quem por lá passar, deve conhecer a CABANHA VENTANA e suas belas e produtivas Jersey, há alguns anos selecionadas genômicamente - com sucesso - principalmente levando em conta o melhoramento de seus aparelhos mamários e produção."




Na Fenadi (Ijui), em 2006, a Ventana obteve o 1º e 2º lugar concurso leiteiro até 36 meses, e 2º lugar acima de 36, e ainda em julgamento de vacas: campeã ubere adulto e campeã úbere jovem, campeã conjunto vacas, grande campeã e reservada de campeã. Tudo isto somente com 3 animais!!! Depois, em 2007, 2008, 2010, 2012, 2016, etc, sempre brilhou.

 





Destacada produtora regional, estadual, mereceu em 2016 o prêmio da AGL em Porto Alegre.

 



Suas instalações, sempre atualizadas, tem retorno rápido graças à alta produtividade de suas vacas.





Carmen é apaixonada pelas suas Jersey e, carismática e ativa, agrada a todos que com ela convivem. Nas redes sociais ligadas à raça Jersey, diàriamente (e cedo) está se manifestanto com sua alegria  e otimismo contagiantes.




Gaúcha de coração, assim comemora o 20 de setembro!




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