domingo, 30 de junho de 2019

TJ10 - JOSÉ RONALD BERTAGNOLLI (4)


JOSÉ RONALD BERTAGNOLI (reedição)


Gaurama-RS, 17 de março de 1948!
Nasce José Ronald Bertagnoli, o segundo filho do casal Pedro e Nelly Alzira Hartman Bertagnolli.
 Antes dele, nascera Elaine, depois Eliane, Paulo, Lúcia e Beto.

Ronald, como era por todos conhecido, nasceu guerreiro. Já aos dois anos de idade parecia querer participar das lides campesinas e, entre os oito e os dez, se “atirou” na área administrativa. Com competência!

No planalto médio riograndense, norte gaúcho, perto de Coxilha em Butiá Grande, inicia a história da Cabanha Butiá, com a chegada do patriarca da família em 1950: o comerciante Pedro Bertagnolli, atraído por um programa federal de incentivos à triticultura, lançou-se de corpo e alma à agricultura. Morador em Gaurama ia diàriamente de trem para Coxilha, completando percurso de 18 km a pé até chegar à propriedade que passara a explorar com os sócios Amandio Sperb e João Bonilla, onde resolveram plantar trigo.


A primeira lavoura, de 400 ha sem qualquer infra-estrutura e conhecimento limitado, obteve resultado compensador. Na segunda safra a plantação ocupava área aproximada de 500 ha, agora estruturada para o bom andamento do cultivo, os trigais prometendo lucros e uma vida melhor. A boa colheita aumentou os sonhos de grandes ganhos: a terra estava correspondendo!

As boas sabras de 1951 e 1952, com a variedade Fontana, fizeram este pioneiro no cultivo extensivo do trigo e na sua mecanização no sul do país adquirir sua primeira fêmea Jersey – de nome “Boneca”- visando o fornecimento de leite aos seus trabalhadores. O gosto e o apego pela raça foi crescendo e Pedro adquiriu vacas puras, já pensando na diversificação “em pequena escala”. Por volta de 1952, sempre que Pedro viajava Ronald adoecia e, por aconselhamento médico “para não perder o filho”, foram morar na fazenda situada entre os rios Passo Fundo e Caraguá.

Na soja nos anos 60, e na agricultura diversificada em 80 com a produção selecionada de sementes de trigo e de soja, na seleção e melhoramento de bovinos Jersey, eqüinos Crioulo, e ovinos Suffolk, está o sucesso agropecuário dos Bertagnolli, e de José Ronald em especial. 

Aos dez anos de idade, em 1958, dito por seu pai, o jovem Ronald já administrava parte da fazenda. Estudando na escola montada para os filhos dos funcionários na Fazenda Butiá, depois foi para a Escola Conceição, em Passo Fundo. Sua precoce ajuda a Pedro foi fundamental para tornarem-se uma referência nacional na agropecuária, também o milho cultivado em larga escala.


Observando, desde o início, possuir a vaca Jersey qualidades valorizando-a perante a pecuária e indústria leiteira, Ronald acompanhou, desde 1962, o trabalho paterno nas antigas e “quentes” exposições no Parque do Menino Deus, na capital gaúcha, “tomando gosto pela coisa”. Antes de criador de Jersey Pedro Bertagnolli era suinocultor, expondo por diversas vezes no antigo Menino Deus (Porto Alegre). O nome de “Butiá” foi escolhido face à grande quantidade de butiazeiros existentes na Coxilha. Em 2 de janeiro de 1960, Pedro Bertagnolli foi aceito  como sócio da  Associação de Criadores de Gado Jersey do RS, tornando-se seu diretor regional em duas gestões. Em 1962, no Menino Deus expôs 1 jersey, nos três anos seguintes 2 em cada evento.


A primeira importação da Ilha de Jersey, um touro e duas novilhas, foi em 1964. Quatro anos após repetiram a operação. O verdadeiro melhoramento genético da Jersey iniciou em 1968, numa época em que ainda não era utilizada a inseminação artificial na propriedade, com a importação do touro CLEMEND CONCORD, da Ilha de Jersey, juntamente com duas fêmeas do criatório de H.W.Mailard & Son.

Clemend Concord entrava “com muito trato, bonito” nas exposições do Menino Deus, mas sempre perdendo no julgamento. Ronald perguntou para um juiz o que havia, porque não vencia, obtendo a resposta de que “o touro estava excessivamente gordo”. A partir dessa conversa, Clement Concord venceu duas estaduais seguidas, e o jovem abnegado passou a estudar profundamente a raça Jersey.

Em 1969 outros animais vieram da Ilha, inclusive o importante touro BROADFIELDS VEDAS HIGH MOON (filho de Broadfields Vedas Star Lad, neto materno de Supreme Vedas Design – seis vezes campeã de produção de leite e teor de gordura, por isso apelidada de “Rainha da Ilha”). No Menino Deus, em nome de Pedro Bertagnolli foram inscritos 7 jersey, obtendo o Reservado de Grande Campeonato com o touro Don Rufino Concord do Butiá.

No ano de 1971, “seu” Pedro apresentou 6 jersey em Esteio. Na 1ª EXPOINTER, 1972, em nome de Ronald Bertagnolli foram inscritos 13 animais, obtendo os títulos de Grande Campeão com Broadfields Vedas High Moon (imp.), e o de Reservado de Grande Campeã com Laranja Estrêla do Butiá. No ano seguinte, Ronald inscreve 11 “Butiás”.

Em 1974 uma importação de matrizes da Inglaterra foi realizada, vindo um touro e três fêmeas. Em Esteio, causando uma grande surpresa à assistência, o inglês Tom H.Bradley adjudicou o título de grande campeã Jersey a uma terneira, Nandi Vedas do Butiá, tendo a cabanha ainda conquistado o reservado de vaca jovem, o campeonato terneira menor, o reservado touro dois anos, o campeonato touro sênior e o grande campeonato para machos com Broadfields Vedas High Moon (bi-campeão), adquirido de F.A.Anthoine. A Butiá inscrevera 17 jersey. 


1979 foi o ano da estréia da Butiá como “Cabanha Leiteira do Ano” em Esteio, na 42ª Exposição Estadual de Animais, Ronald comentando: “é a primeira vez que um expositor da raça Jersey obtém esse prêmio, até o momento sempre na mão dos criadores da raça Holandesa”. O troféu foi entregue pela sra.Nilza Caldas Garcia.

Em Esteio expondo 29 jersey, ano de 1985, não lhe fugiu o grande campeonato com vaca de criação do dr.Ney Maahs Ferreira (talvez o maior conhecedor de linhagens da raça Jersey de todos os tempos), 3V Astrid Surville Torono. José Ronald foi o Diretor Regional da ACGJRS em Passo Fundo, mandato de 1985/86.


Importações do Canadá e dos EUA (1986), e da Nova Zelândia (1992), foram investimentos que ajudaram na qualificação de seu rebanho detentor, até 2004 na Expointer/RS, de 21 Grande Campeonatos Fêmeas, 24 títulos de Melhor Criador, e diversas Cabanha do Ano em Bovinos Leiteiros, ainda marcando recordes de produção nos concursos leiteiros. 



Em sete participações na Exposição Nacional da Raça Jersey em São Paulo (parques de Água Branca e de Água Funda), obteve o prêmio de Melhor Criador, alem dos Grandes Campeonatos e Campeonatos de categorias, só deixando de lá comparecer quando, conforme declarou ao autor deste blog, julgou-se injustiçado por alterações indevidas no regulamento de exposições, em sua última participação ainda obtendo os principais títulos na Água Funda-SP.


Honestidade técnica nunca lhe faltou, externando a todos seus problemas ligados à agropecuária, sempre procurando a causa, e achando a solução. Para seu irmão Beto, e para os filhos, que o acompanhavam, Ronald não escondia o que sabia, orientando-lhes com segurança e simplicidade.

Segundo irmão em uma família de seis filhos, Ronald teve ligação forte com a terra e o que fosse relacionado ao campo. Aliando a formação acadêmica em Administração e em Agronomia, com a experiência do dia-a-dia tornou-se uma autoridade, sendo jurado em dezenas de concursos de animais no Brasil, na Inglaterra, no Canadá, na Nova Zelândia, na Argentina, e no Uruguai. Da Associação de Criadores de Gado Jersey do Rio Grande do Sul foi vice-presidente em duas gestões, tendo recusado a indicação para concorrer à presidência “por ficar a sede muito longe de sua região de atuação”.


Católico, seu precoce sepultamento ocorreu no dia 25 de dezembro de 2004, no cemitério particular da própria cabanha onde jaz seu pai Pedro, “o patriarca”, falecido em 2001, a quem tanto admirava.


O rebanho atual da raça Jersey, composto por mais de 100 vacas PO em ordenha alimentadas a pasto, tem média anual acima de 4700 kg de leite/animal. Feno, silagem, pasto nativo melhorado, pastagens artificiais, ainda sem irrigação, e concentrado, são a base de sua alimentação. Caroline Bertagnolli, filha de Ronald e veterinária por formação, hoje conduz um dos mais importantes patrimônios genéticos da Jersey no Brasil. Após cinco anos ausente nas exposições especializadas, voltou a competir conquistando o Grande Campeonato e o seu Reservado em Itajubá-MG, na primeira mostra do Circuito Nacional da Raça Jersey. Em Esteio, após 2009, não mais foram expostAs as JERSEY BUTIÁ.


De seu grande amigo Mauro Roos Eichler, jersista parceiro de longas jornadas, Ronald mereceu o seguinte texto especial para o livro “RONALD, O JERSISTA”, escrito pelo autor deste blog.

“SAUDADES DE RONALD BERTAGNOLLI


Recordar José Ronald Bertagnolli é como olhar para uma harmoniosa fazenda modelo, repleta de pastagens de trevo com azévem, coxilhas de trigo e cevada a balançar suas espigas pelo vento, aos grãos colhidos na safra anterior rigorosamente empilhado num armazém tecnologicamente construído. A visão de cercas alambradas a perder de vista, rodeadas de estradas corretamente construídas. Vislumbrar as lindas vacas Jersey pastejando em piquetes do tipo Voisin não têm como não recordar, os detalhes fazem a diferença.


Assim foi Ronald: pioneiro em tecnologia de ponta na agricultura e pecuária. Com cultivos de inverno, verão e forrageiras que naquela época pouco acreditava serem produtivas. A pecuária tecnicamente perfeita com a criação de produtivas vacas Jersey, seus cavalos da raça crioula, e o criatório de ovinos Sullfok. Seus conhecimentos estratégicos eram diversificar ao máximo a propriedade para poder enfrentar os desafios da natureza e do homem.

Em todos os lugares deste Brasil é fácil relembrar dele. É só observar os detalhes acima mencionados e logo vem a colocação: apreendi com o alemão Ronald na Cabanha Butiá.

Ele tinha a característica do empreendedorismo em sua mente, pioneirismo amplo nos negócios, com responsabilidade e sem medo de errar. Quando em 1971, freqüentávamos a Universidade, Ronald era daqueles alunos que já sabia o que o professor ensinava.  Ele tinha um grande mestre atrás de sua vida, o pai seu Pedro. Outro incansável agropecuarista.

Nem geadas, granizos, vendavais ou políticas governamentais erradas o dobravam. Sempre tinha alternativas e saídas.

Ronald era conhecido como Mr. Bertagnolli no Canadá, onde foi jurado e deixou recordações e amigos.

Do Estado de Wyoming ao Texas, do Uruguai passando pela Argentina ao Chile e na Nova Zelândia ele será lembrado pelo seu profissionalismo em seus ensinamentos e a honestidade nos negócios.

Numa tarde na província de Quebec, juntos estávamos adquirindo algumas matrizes Jersey, ele tinha em mente adquirir 12 fêmeas e disse-me: Sabes de uma coisa, eu vou comprar mais, quero 50 vacas com prenhes positiva, só assim atingirei meu objetivo de produção leiteira mais rapidamente e terei as crias já com todo o melhoramento genético embutido, tudo isto no inicio da década dos anos 80.  Mas e o dinheiro para pagar? Vou conseguir financiamento junto aos bancos. Seu Pedro ficou sem cabelos, alias já estava.

Assim era ele, arrojado e acreditava naquilo que fazia em parceria com seu pai.

Quantos ministros, governadores, representantes das associações e entidades deste Brasil consultaram-no. A sabedoria em atrair centenas de agricultores para o inúmero dia de campo. Ele competia em exposições não só para ser um campeão, ele queria que todos olhassem o que tinha por trás de um grande campeão.


José Ronald Bertaganolli partiu precocemente, mas sua marca ficou. E por gerações permanecerá, mostrando a todos como se produz corretamente alimentos para este País.”



quarta-feira, 26 de junho de 2019

TJ9 - CLARET CUNHA (40)


TAURAS DA RAÇA JERSEY – CLARET CUNHA

D.Luiza e Cássio, na frente da casa onde nasceu Claret,
na rua Rui Barbos, 1952.
Claret Cunha nasceu em Campinas-SP a 16 de maio de 1952, filho de Carlo Mendes da Cunha, militar, e de Luiza Dias da Cunha. Em 1953, mudou-se para Resende-RJ, onde morou até o início de 1956, retornando a Juiz de Fora em 1957. Na década de 1970, sua mãe Luiza vendeu a casa da rua Rui Barbosa e adquiriu um pequeno e adorável sítio em Matias Barbosa.

D.Luiza, no sitio de seus sogros Farnese e Sebastiana
Juiz de Fora - MG, 1940.
Fez seus estudos básicos em Juiz de Fora-MG, graduando-se em Engenharia Geológica pela Escola de Minas Ouro Preto, ano de 1974.  Pós graduado em Engenharia Econômica e Administração Financeira, suas atividades rurais iniciaram em 1983 quando o avô de sua esposa, Hilarino de Sousa, passou a fazenda para os netos.

Formatura de Claret, 1975.
Nascida em 12 de dezembro de 1918 em Juiz de Fora-MG, Luiza Dias da Cunha faleceu em 29 de abril de 1997, em Sete Lagoas, no mesmo estado. Filha única de Antônio Rodrigues Dias, alfaiate português, e da juiz forana Sophia Scoralick Dias, costureira e dona de casa, que descendia das famílias alemãs Espeschit e Scoralick. Luiza casou-se aos 18 anos, em 28 de janeiro de 1937, com o 3º sargento do Exército Carlos Mendes da Cunha. Foi devotada companheira e valente aliada ao longo da carreira militar do marido, reformado como general de brigada. Embora seu maior sonho fosse ser médica, Luiza estudou até a 4ª série do ensino primário, no Grupo Escolar Antônio Carlos, no bairro Mariano Procópio em sua cidade natal. Não concluiu seus estudos porque trabalhava como bordadeira de fardas, até mesmo de gala, na Dias e Cia, Fábrica de Bonets Civis e Militares, conhecida como Alfaiataria Meia Lua, de seu pai. Porém, o maior e o verdadeiro motivo do não prosseguimento de sua vida estudantil decorreu da mentalidade do pai, que achava não precisarem as meninas de muito estudomas mas, sim, de aprimorarem suas prendas domésticas. Apreciadora de música de diversos gêneros, ela gostava de ouvir do popular ao clássico em seus discos de vinil. Tocava piano – atributo desejável às moçoilas casadoiras de seu tempo – possuindo uma bonita e afinada voz. Amando a lida com a terra e os animais, viveu feliz cerca de duas décadas – entre os anos 1970 e 1980 – em seu pequeno sítio “Cantinho da Vovó”, no município de Matias Barbosa, cidade vizinha a Juiz de Fora. Quanta alegria, quantas brincadeiras, quantas traquinagens dos netos, que lá viveram inolvidáveis dias!

D.Luiza e Carlos, Juiz de Fora, 1937
Antônio Rodrigues Dias foi dado à luz como um simples camponês em uma “quinta”, pequena propriedade rural de onde sua família extraía o sustento, cultivando a terra e criando animais. Nasceu em 3 de fevereiro de 1891, no Lugar do Barbeiro, freguesia de Esporões, concelho de Braga, distrito de Braga, cidade importante e a mais antiga de Portugal, na região norte daquele país, chamada de “Capital do Minho”. Era filho de Luiza Rosa da Silva, do lar, e de Luiz Dias, jornaleiro. Em busca de uma nova vida, Antonio deixa Portugal logo no início do século XX, tendo chegado a Juiz de Fora em 2 de julho de 1913, aos 22 anos de idade. Aqui no Brasil já se encontrava seu tio Pedro (irmão de seu pai Luiz), que era alfaiate no Rio de Janeiro e vivera com a família de Antonio em Juiz de Fora, na rua Bernardo Mascarenhas. Chegando ao novo mundo, o jovem português encontrou uma vida nova, com muita labuta, sempre sob a égide da fé católica.


Sophia descendia de duas famílias alemãs: os Espenschied, pelo lado materno, e os Scolralick, pelo paterno. Os imigrantes alemães e austríacos (os tiroleses) não vieram de uma “Alemanha”, porque esta ainda não existia como Estado, mas sim de um conglomerado geopolítico detentor de mesma língua. Chegaram em janeiro de 1856 a Paraibuna. Eram poucos artesãos que contribuíram para o início da industrialização, folheiros, pedreiros, carpinteiros, fabricantes de carroças, ferreiros, entre outros profissionais (porém a maior parte dos imigrantes viria em 1858, destinada à agricultura). Vieram para o Brasil no veleiro Antílope e neste estava o ferreiro Balthazar Espenschied. Segundo Lindolpho Espenschied (no livro Pelos Caminhos do Brasil), seu avô Balthazar nascera no Grão-Ducado de Essen, no vale do Rur, na Alemanha, tendo imigrado para o Brasil em 1855, já casado com a francesa Anne Marie Hondenried e na companhia de dois filhos, Georg e Pedro Guilherme. A família Scoralick é originária do estado Hessen Darmstat, da cidade de Wallerstadt. Veio para o Brasil no ano de 1858, a bordo da primeira das cinco barcas com imigrantes, a Tell, com 236 passageiros, tendo saído do porto de Hamburgo no dia 21 de abril de 1858 e chegando ao Porto de Mauá, no Rio de Janeiro, em 24 de maio do mesmo ano. A bordo do veleiro, haviam três patriarcas de nome Scoralick, interessando-nos o Nikolaus Scoralick. Nascido em 9 de janeiro de 1808 e falecido aos 69 anos, em Juiz de Fora. Casado com Juliana Jung, trouxe os filhos Ferdinand (que veio com a esposa Bárbara Mestzenroth e o filhinho Nicolaus), Margaretha, Jacob, Anna Maria, Nikilaus e Balthazar, que viria a ser o pai da Vovó Sophia.


“Trabalhei 34 anos na Geosol , aonde entrei como engenheiro de Campo, e sai como Diretor Presidente”, declara Claret, continuando: “nosso projeto iniciou-se com a compra de vacas Jersey longevas dos criatórios de José Salvador, Anselmo Vasconcellos, Edson Piccinin e Luiz Paulo.
“As dificuldades de identificar e mensurar as qualidades para definir as mães do nosso rebanho foram superadas quando utilizamos os genomas, aliados à bio-estatística.


“Atualmente temos 23 doadoras, sendo 20 Jersey, uma jersolanda e duas holandesas. Por algum tempo pesquisamos no Brasil, e no exterior, quem fizesse genoma de Cross breed. Depois que negociamos com a Neogen, conseguimos mapear genômicamente nossas jersolandas.


“Estudando característica por característica, cotejamos os dados dos pais e das mães com os das filhas, encontrando correlação entre os valores tratamos os dados e chegamos a equações em que o grau de previsibilidade ultrapassa  80%, com grau de confiança aceitável. O método de cruzamento é FIV, e todos animais são registrados na ACGJB.


As Fazendas Reunidas Santo Antônio, na região das vertentes de Minas Gerais, têm um projeto único de criação e seleção de gado Jersolando. Com muito investimento e profissionalismo vêm produzindo animais superiores, fazendo um programa  de melhoramento genético todo baseado em avaliações genômicas. Os critérios de seleção são bastante rígidos, resultando produção leiteira com animais produtivos, longevos, férteis e sadios. Esse ótimo casamento da alta produção dos animais Holandeses com as qualidades naturais da raça Jersey tem o potencial de revolucionar a pecuária leiteira no Brasil.


O II Dia de Campo das Fazendas Reunidas Santo Antônio, “Como obter lucro pelo melhoramento genético com o uso de novas ferramentas”, em Passatempo-MG, foi realizado no dia 13 de abril de 2019, e os seletos participantes assistiram à seguinte programação:


1ª palestra: dr.Fernando Junqueira, presidente da Jersey Minas – características, vantagens e peculiaridades do gado Jersey
2ª palestra: prof.dr. Victor B.Pedrosa, Universidade Estadual de Ponta Grossa – o uso do genoma para melhoramento genético
3ª palestra: Carlos Augusto, sócio-diretor proprietário da RERUM – sobre o aplicativo que será desenvolvido para fazer cruzamento de animais utilizando o genoma.

Após as palestras, almoço, seguido de passeio pela fazenda que tem o sistema de criação com compost-bar, conhecendo a fábrica de maravalha e a fábrica de ração  totalmente automática (recém inaugurada). Houve um leilão com 30 novilhas e bezerras, pagamento à vista ou 12x no cartão.


JERSOLANDO
Em entrevista para este blog em 21 de março de 2017, Claret Cunha explica:

“A Fazenda Santo Antônio do Cerrado fica no município de Passa Tempo -MG, centro oeste mineiro, região denominada Campo das Vertentes. Sua herança maior vem do criador Bolívar de Andrade, cujo nome foi homenageado no Parque Estadual Agropecuário em Belo Horizonte, e cujo pai foi um dos precursores das raças equinas Campolina e Manga Larga. Os Andrade são história na bovinocultura e equinocultura brasileira.

“A fazenda está conosco, Claret e Luis Carlos, desde 1983, tendo como projeto a produção de leite com características superiores, a venda de gado Jersolando registrado e com genética privilegiando a longevidade,produtividade e alta taxas de reprodução, possível por termos 100% do rebanho mapeado genômicamente e registrado na ACGJB.


“Sou responsável pela implementação, acompanhamento, e correções do Planejamento Estratégico iniciado em 2008. As doadoras são todas Jersey e, sobre a genética top Jersey, colocamos touros Holandeses cujos genomas trazem mais leite,longevidade e características ideais como ligamento médio superior. Usamos 100%FIV porque necessitamos do genoma para fazer os acasalamentos.
“Já é fato comprovado cientificamente que a heterose permite a melhoria dos animais, trabalhos recentes no site milkpoint mostrando dados de animais produtos de diferentes raças. Iniciamos com a raça Holandêsa, depois Girolando, e há 6 anos Jersolando.


“Nosso rebanho está composto por 100 Jerseys, 200 Jersolandas e 60 receptoras mestiças. Para 2018 pretendemos chegar a 130 Jerseys, 350 Jersolandas e 50 mestiças, e em 2019 devemos alcançar 150 Jerseys, 450 Jersolandas e 40 mestiças. As Jersolando são FIV e 50/50, todas registradas. Daí em diante, estabilizaremos via leilões anuais.



Parte das fotos e textos foram obtidos do livro CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE DONA LUIZA - HISTÓRIA E SABORES DO PASSADO, organizado por Claudete da Cunha Duarte e Leonora da Cunha Duarte, e do arquivo pessoal de Claret Cunha.

quinta-feira, 20 de junho de 2019

TJ8 - KÁTYA CASTRO (39)




TAURAS DA RAÇA JERSEY – KÁTYA CASTRO

A zootecnista KÁTIA CASTRO, conhecida da maioria dos jersistas brasileiros por sua ativa participação técnica e associativa junto à raça, em São Paulo e no Brasil, foi a responsável técnica da extinta ASSOCIAÇÃO PAULISTA DOS CRIADORES DE GADO JERSEY, participante ativa junto à ASSOCIAÇÃO DOS CRIADORES DE GADO JERSEY DO BRASIL, técnica competente possuidora de um talentoso  e agradável relacionamento junto aos criadores, e profissionais, ligados à raça Jersey (a produtora do leite de melhor qualidade e rendimento dentre as bovinas).

Outubro 2016, A VACA JERSEY

Paulistana de nascimento, destacada zootecnista, prestou o seguinte depoimento para este blog:


“Decidi pela Zootecnia muito cedo, já tinha uma forte tendência por algo do gênero: meus pais de origem do campo. A maior influência foi do meu pai, que adorava bichos e a vida no campo, sempre me levando para visitar as Exposições de Animais em São Paulo, muitas no Parque da Água Branca. Tinha 13 anos quando descobri a existência do Curso de Zootecnia, era exatamente o que eu buscava, sempre fui do tipo mais mato do que praia. Passei muito da minha infância visitando os parentes que moravam em sítio no interior de São Paulo. Não pude cursar uma Pós Graduação, mas tive ótimas oportunidades de aprendizado com grandes técnicos especialistas daqui, dos EUA, e do Canadá. Sempre mantive o foco estudando tudo que podia sobre genética do gado de leite, especialmente da Jersey. Em Piracicaba tive a oportunidade de fazer um MDA – Master In Dairy Administration pela Clínica do Leite, ESALQ/USP, com o Professor Paulo Machado, um dos melhores no assunto, e por mim recomendado.

“Em Novembro de 1989 cheguei na Associação, sem uma indicação formal de alguém mais conhecido, quando fiquei sabendo por um amigo de um amigo que tinha uma vaga de recepcionista ... e lá fui eu, mesmo sem ter um “QI”. Devo muito ao querido e saudoso Dr. Cesar Alves de Proença, Presidente da ACGJB na época, e ao seu filho Washington, que era o Diretor de Exposições: eles me contrataram e me deram grandes oportunidades de projeção profissional pela Associação.


“Iniciei na ABS em 1998, no Depto.Técnico de Leite, coordenando o Programa de Acasalamento, e atuava nos treinamentos técnicos da equipe. Lá fiquei por 15 anos.


“Não faço parte do Colégio de Jurados, mas sou Inspetora de Registro da ACGJB. Participei do último treinamento com o classificador sênior da Jersey Estados Unidos, Ron Mosser, em janeiro e fevereiro de 2018, e depois da reunião dos Técnicos na Brasileira. Por muitos anos colaborei, e colaboro, ativamente como membro do Conselho Técnico da Associação e na elaboração de artigos técnicos para a Revista Vaca Jersey.”

Sobre sua atividade jersista atual:

“Sou, além de Inspetora de Registro e colaboradora da Revista Vaca Jersey, Consultora em Genética, Gestão e Criação de bezerras. A fazenda onde eu resido, e dou consultoria, cria Jersey e Holandes”.

Julho 2016, A VACA JERSEY

“Me lembrei de outras atividades como Jersista, que talvez poucas pessoas saibam, como treinamento de Técnicos a pedido da Associação para credenciação junto ao Ministério da Agricultura como Inspetores de Registro, tais como Joanna Vasconcellos, Camila Hernandorena , Oswaldo, e por último o Arley Junqueira. E também ajudei a organizar, junto com o Michael e outros criadores, a  Exposição de Jersey em Itapetininga/SP  em 2016 e 2017.

“Você, Rheingantz, me conheceu qdo veio julgar Exposições que eu e  a Giselda organizávamos em São Paulo para o ranking paulista, eram várias, numa época muito boa: a Jersey estava em alta no mercado, os leilões vendiam 1 milhão de dolares.  Lembro de uma que vc veio julgar em Assis.

“A Maria Christina foi da Diretoria da Associação Paulista de Jersey, o Névio também, assim como o Cristiano. Maria Christina foi uma Jersista inesquecível, sua paixão pela raça, uma mulher firme em seus propósitos, determinada, foi uma grande inspiração para mim nos anos de convivência no trabalho junto a Associação Paulista dos Criadores de Gado Jersey. Quanta prosa boa sobre Jersey tive com ela e seu companheiro, João Figueiredo, quando eu ia registrar o rebanho deles. Ela deixou muita saudades assim como sr. Walter Rodrigues, criador de Ibiuna que também trabalhou muito pelo Jersey de São Paulo.”

Agosto 2017, A VACA JERSEY

Nevio Siqueira, médico veterinário e criador, admira muito o trabalho de Katya Castro, e escreveu o seguinte depoimento, exclusivo para este blog:

“Ela é uma pessoa que dispensa apresentações no meio Jersysta pois acredito que até as vacas já a conhecem. Talvez algum criador mais novo na raça ainda não tenha tido contato ou conhecimento da sua caminhada pelo mundo da raça já de longa data e sempre demonstrando competência, responsabilidade, disposição e paixão pela raça e pelo trabalho.


“Quando a Sra. Maria Christina H. de Melo Figueiredo encabeçou a direção da Associação Paulista, posteriormente extinta pela ACGJB, tínhamos que tomar alguma atitude para conter a queda do numero de criadores ativos pois os custos eram altos para os criadores e o faturamento não era suficiente para cobrir os custos da entidade.

“Uma forma de baixar os custos para os criadores foi o Roteiro de Inspeções Zootécnicas para efetivar os registros dos animais e a pessoa mais indicada para realizar o trabalho dentro das possibilidades da Associação foi a Dra. Katya.

 "Achamos que ela reunia todos os requisitos para cumprir o projeto de forma adequada e com a competência, disposição e garra que precisávamos. Ela nunca abandonou a Associação Paulista, sempre fazendo parte do CDT  trazendo sugestões e opinando não só na área técnica mas também auxiliando e agregando conhecimento e experiência em todas as áreas em que a Associação necessitava, principalmente no que se refere ao contato com o criador.

“Tivemos inúmeros problemas com o Roteiro de Inspeção pois algumas pessoa se sentiram prejudicadas pois “perderam alguns trabalhos” e nós, da Diretoria da Paulista e também a própria Katya tivemos que nos defender inúmeras vezes de ataques em reuniões do CDT da ACGJB, pois também fazíamos parte do mesmo, na tentativa de encerrar as atividades de inspeção feitas dessa forma.

“O trabalho realizado por ela nos trouxe na época um retorno grande de criadores que haviam parado com os registros por problemas de custos altos das inspeções e também por meio de visitas a criadores de jersey que não faziam registros de seus animais e ela visitava durante os roteiros para apresentar os serviços da Associação, o que nos trouxe alguns novos associados. O sucesso foi grande e grande parte desse resultado devemos ao serviço realizado por ela com a competência e colaboração de sempre.

“Nunca deixou de colaborar com a Associação, disponível para auxiliar nos trabalhos que eram necessários para o bom andamento e crescimento da Paulista, mesmo sabendo que isso poderia trazer problemas com a ACGJB, na época devido a divergências políticas entre as duas entidades, o que veio a se tornar realidade mais tarde, tornando-a “esquecida” pela associação nacional.



“Isso nos mostra os princípios e valores que norteiam a vida desta profissional que, além de muito competente e responsável, nunca mediu esforços para o cumprimento dos deveres, sempre entregando muito mais do que o exigido porque tudo o que faz, o faz com amor ao trabalho, à profissão, aos animais, e aos criadores, em especial  à raça Jersey para a qual dedicou anos de sua vida e, tenho certeza, não foi apenas pelo salário.

“Foi gratificante poder trabalhar com ela na Paulista e agradeço publicamente pelos serviços prestados à associação e principalmente aos seus associados que foram contemplados com seus serviços e orientações.


Kátya Castro, sempre colaborando com a raça Jersey e suas associações (paulista – ACGJSP, e nacional - ACGJB), publicou na revista A VACA JERSEY alguns interessantes artigos técnicos:

Setembro 2014, A VACA JERSEY


Outubro 2016, A VACA JERSEY


Janeiro 2018, A VACA JERSEY

Agosto 2017, A VACA JERSEY

Muito ativa, acompanhou diversos eventos especializados como as Exposições Nacionais  na Água Funda e Avaré (SP), e Castro (PR), além de algumas das exposições paulistas, paranaenses e catarinenses, e diversos dias de campo onde, sempre que solicitado, palestrou (para alegria dos participantes).

Março 2014, A VACA JERSEY

Apesar dela ter declado, mais acima, que nos conhecemos durante alguma das exposições do ranking paulista (algumas por mim julgadas nas décadas de 80 e 90), guardo na memória que tive o prazer de conhece-la durante a Exposição Nacional da Raça Jersey de 1987, na Água Funda, a qual tive o privilégio de julgar com assessoria dela e da Giselda, se não me engano ainda acadêmicas de zootecnia, sob o comando da zootecnista Elza de Barros. Esta, talvez, tenha sido a maior das especializadas realizadas no Brasil: mais de 620 Jersey efetivamente julgadas em três dias de intenso trabalho de classificação.


De Luis Hector San Juan, um dos TAURAS DA RAÇA JERSEY, o autor recebeu o seguinte comentário:

"Muito bem pensado a colocação de funcionários das associações de criadores de Jersey que se destacaram com a sua capacidade e prestação de serviços para o aprimoramento da raça. Também entendo que você acertou em cheio escolhendo a zootecnista Kátya Castro para dedicar-lhe esta página. De fato Kátya, a quem conheci nos anos em que participei da ACGJB, se destacou por sua capacidade técnica e dedicação ao trabalho que a fazem merecer esse tipo de distinção. Um fato que lembro, e caracteriza o seu espírito de colaboração pela importância que teve para mim foi na ocasião da visita ao Brasil do jurado e classificador canadense, Mr.Mervil Scott, quando empenhando seu melhor esforço Kátya conseguiu atender à minha especial solicitação e providenciou a vinda desse especialista em meu estabeleimento para classificar o padrão de aproximadamente 10 vacas importantes do plantel, entre elas “Antonica Pepe de Mariveró” - minha campã nacional longeva na Expo Nacional de 1993 - a quem nessa visita Mr.Scott outorgou a classificação VG88, padrão muito difícil de alcançar nessa época no rebanho brasileiro. Nada disso teria sido possível não fosse a grande colaboração de Kátya Castro para que a visita ocorresse. Meus parabéns à Kátya pela merecida homenagem."

Luis Hector com sua ANTONICA PEPE DE MARIVERÓ

TJ43 - 30 ANOS DA JERSEY MINAS

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