quarta-feira, 26 de junho de 2019

TJ9 - CLARET CUNHA (40)


TAURAS DA RAÇA JERSEY – CLARET CUNHA

D.Luiza e Cássio, na frente da casa onde nasceu Claret,
na rua Rui Barbos, 1952.
Claret Cunha nasceu em Campinas-SP a 16 de maio de 1952, filho de Carlo Mendes da Cunha, militar, e de Luiza Dias da Cunha. Em 1953, mudou-se para Resende-RJ, onde morou até o início de 1956, retornando a Juiz de Fora em 1957. Na década de 1970, sua mãe Luiza vendeu a casa da rua Rui Barbosa e adquiriu um pequeno e adorável sítio em Matias Barbosa.

D.Luiza, no sitio de seus sogros Farnese e Sebastiana
Juiz de Fora - MG, 1940.
Fez seus estudos básicos em Juiz de Fora-MG, graduando-se em Engenharia Geológica pela Escola de Minas Ouro Preto, ano de 1974.  Pós graduado em Engenharia Econômica e Administração Financeira, suas atividades rurais iniciaram em 1983 quando o avô de sua esposa, Hilarino de Sousa, passou a fazenda para os netos.

Formatura de Claret, 1975.
Nascida em 12 de dezembro de 1918 em Juiz de Fora-MG, Luiza Dias da Cunha faleceu em 29 de abril de 1997, em Sete Lagoas, no mesmo estado. Filha única de Antônio Rodrigues Dias, alfaiate português, e da juiz forana Sophia Scoralick Dias, costureira e dona de casa, que descendia das famílias alemãs Espeschit e Scoralick. Luiza casou-se aos 18 anos, em 28 de janeiro de 1937, com o 3º sargento do Exército Carlos Mendes da Cunha. Foi devotada companheira e valente aliada ao longo da carreira militar do marido, reformado como general de brigada. Embora seu maior sonho fosse ser médica, Luiza estudou até a 4ª série do ensino primário, no Grupo Escolar Antônio Carlos, no bairro Mariano Procópio em sua cidade natal. Não concluiu seus estudos porque trabalhava como bordadeira de fardas, até mesmo de gala, na Dias e Cia, Fábrica de Bonets Civis e Militares, conhecida como Alfaiataria Meia Lua, de seu pai. Porém, o maior e o verdadeiro motivo do não prosseguimento de sua vida estudantil decorreu da mentalidade do pai, que achava não precisarem as meninas de muito estudomas mas, sim, de aprimorarem suas prendas domésticas. Apreciadora de música de diversos gêneros, ela gostava de ouvir do popular ao clássico em seus discos de vinil. Tocava piano – atributo desejável às moçoilas casadoiras de seu tempo – possuindo uma bonita e afinada voz. Amando a lida com a terra e os animais, viveu feliz cerca de duas décadas – entre os anos 1970 e 1980 – em seu pequeno sítio “Cantinho da Vovó”, no município de Matias Barbosa, cidade vizinha a Juiz de Fora. Quanta alegria, quantas brincadeiras, quantas traquinagens dos netos, que lá viveram inolvidáveis dias!

D.Luiza e Carlos, Juiz de Fora, 1937
Antônio Rodrigues Dias foi dado à luz como um simples camponês em uma “quinta”, pequena propriedade rural de onde sua família extraía o sustento, cultivando a terra e criando animais. Nasceu em 3 de fevereiro de 1891, no Lugar do Barbeiro, freguesia de Esporões, concelho de Braga, distrito de Braga, cidade importante e a mais antiga de Portugal, na região norte daquele país, chamada de “Capital do Minho”. Era filho de Luiza Rosa da Silva, do lar, e de Luiz Dias, jornaleiro. Em busca de uma nova vida, Antonio deixa Portugal logo no início do século XX, tendo chegado a Juiz de Fora em 2 de julho de 1913, aos 22 anos de idade. Aqui no Brasil já se encontrava seu tio Pedro (irmão de seu pai Luiz), que era alfaiate no Rio de Janeiro e vivera com a família de Antonio em Juiz de Fora, na rua Bernardo Mascarenhas. Chegando ao novo mundo, o jovem português encontrou uma vida nova, com muita labuta, sempre sob a égide da fé católica.


Sophia descendia de duas famílias alemãs: os Espenschied, pelo lado materno, e os Scolralick, pelo paterno. Os imigrantes alemães e austríacos (os tiroleses) não vieram de uma “Alemanha”, porque esta ainda não existia como Estado, mas sim de um conglomerado geopolítico detentor de mesma língua. Chegaram em janeiro de 1856 a Paraibuna. Eram poucos artesãos que contribuíram para o início da industrialização, folheiros, pedreiros, carpinteiros, fabricantes de carroças, ferreiros, entre outros profissionais (porém a maior parte dos imigrantes viria em 1858, destinada à agricultura). Vieram para o Brasil no veleiro Antílope e neste estava o ferreiro Balthazar Espenschied. Segundo Lindolpho Espenschied (no livro Pelos Caminhos do Brasil), seu avô Balthazar nascera no Grão-Ducado de Essen, no vale do Rur, na Alemanha, tendo imigrado para o Brasil em 1855, já casado com a francesa Anne Marie Hondenried e na companhia de dois filhos, Georg e Pedro Guilherme. A família Scoralick é originária do estado Hessen Darmstat, da cidade de Wallerstadt. Veio para o Brasil no ano de 1858, a bordo da primeira das cinco barcas com imigrantes, a Tell, com 236 passageiros, tendo saído do porto de Hamburgo no dia 21 de abril de 1858 e chegando ao Porto de Mauá, no Rio de Janeiro, em 24 de maio do mesmo ano. A bordo do veleiro, haviam três patriarcas de nome Scoralick, interessando-nos o Nikolaus Scoralick. Nascido em 9 de janeiro de 1808 e falecido aos 69 anos, em Juiz de Fora. Casado com Juliana Jung, trouxe os filhos Ferdinand (que veio com a esposa Bárbara Mestzenroth e o filhinho Nicolaus), Margaretha, Jacob, Anna Maria, Nikilaus e Balthazar, que viria a ser o pai da Vovó Sophia.


“Trabalhei 34 anos na Geosol , aonde entrei como engenheiro de Campo, e sai como Diretor Presidente”, declara Claret, continuando: “nosso projeto iniciou-se com a compra de vacas Jersey longevas dos criatórios de José Salvador, Anselmo Vasconcellos, Edson Piccinin e Luiz Paulo.
“As dificuldades de identificar e mensurar as qualidades para definir as mães do nosso rebanho foram superadas quando utilizamos os genomas, aliados à bio-estatística.


“Atualmente temos 23 doadoras, sendo 20 Jersey, uma jersolanda e duas holandesas. Por algum tempo pesquisamos no Brasil, e no exterior, quem fizesse genoma de Cross breed. Depois que negociamos com a Neogen, conseguimos mapear genômicamente nossas jersolandas.


“Estudando característica por característica, cotejamos os dados dos pais e das mães com os das filhas, encontrando correlação entre os valores tratamos os dados e chegamos a equações em que o grau de previsibilidade ultrapassa  80%, com grau de confiança aceitável. O método de cruzamento é FIV, e todos animais são registrados na ACGJB.


As Fazendas Reunidas Santo Antônio, na região das vertentes de Minas Gerais, têm um projeto único de criação e seleção de gado Jersolando. Com muito investimento e profissionalismo vêm produzindo animais superiores, fazendo um programa  de melhoramento genético todo baseado em avaliações genômicas. Os critérios de seleção são bastante rígidos, resultando produção leiteira com animais produtivos, longevos, férteis e sadios. Esse ótimo casamento da alta produção dos animais Holandeses com as qualidades naturais da raça Jersey tem o potencial de revolucionar a pecuária leiteira no Brasil.


O II Dia de Campo das Fazendas Reunidas Santo Antônio, “Como obter lucro pelo melhoramento genético com o uso de novas ferramentas”, em Passatempo-MG, foi realizado no dia 13 de abril de 2019, e os seletos participantes assistiram à seguinte programação:


1ª palestra: dr.Fernando Junqueira, presidente da Jersey Minas – características, vantagens e peculiaridades do gado Jersey
2ª palestra: prof.dr. Victor B.Pedrosa, Universidade Estadual de Ponta Grossa – o uso do genoma para melhoramento genético
3ª palestra: Carlos Augusto, sócio-diretor proprietário da RERUM – sobre o aplicativo que será desenvolvido para fazer cruzamento de animais utilizando o genoma.

Após as palestras, almoço, seguido de passeio pela fazenda que tem o sistema de criação com compost-bar, conhecendo a fábrica de maravalha e a fábrica de ração  totalmente automática (recém inaugurada). Houve um leilão com 30 novilhas e bezerras, pagamento à vista ou 12x no cartão.


JERSOLANDO
Em entrevista para este blog em 21 de março de 2017, Claret Cunha explica:

“A Fazenda Santo Antônio do Cerrado fica no município de Passa Tempo -MG, centro oeste mineiro, região denominada Campo das Vertentes. Sua herança maior vem do criador Bolívar de Andrade, cujo nome foi homenageado no Parque Estadual Agropecuário em Belo Horizonte, e cujo pai foi um dos precursores das raças equinas Campolina e Manga Larga. Os Andrade são história na bovinocultura e equinocultura brasileira.

“A fazenda está conosco, Claret e Luis Carlos, desde 1983, tendo como projeto a produção de leite com características superiores, a venda de gado Jersolando registrado e com genética privilegiando a longevidade,produtividade e alta taxas de reprodução, possível por termos 100% do rebanho mapeado genômicamente e registrado na ACGJB.


“Sou responsável pela implementação, acompanhamento, e correções do Planejamento Estratégico iniciado em 2008. As doadoras são todas Jersey e, sobre a genética top Jersey, colocamos touros Holandeses cujos genomas trazem mais leite,longevidade e características ideais como ligamento médio superior. Usamos 100%FIV porque necessitamos do genoma para fazer os acasalamentos.
“Já é fato comprovado cientificamente que a heterose permite a melhoria dos animais, trabalhos recentes no site milkpoint mostrando dados de animais produtos de diferentes raças. Iniciamos com a raça Holandêsa, depois Girolando, e há 6 anos Jersolando.


“Nosso rebanho está composto por 100 Jerseys, 200 Jersolandas e 60 receptoras mestiças. Para 2018 pretendemos chegar a 130 Jerseys, 350 Jersolandas e 50 mestiças, e em 2019 devemos alcançar 150 Jerseys, 450 Jersolandas e 40 mestiças. As Jersolando são FIV e 50/50, todas registradas. Daí em diante, estabilizaremos via leilões anuais.



Parte das fotos e textos foram obtidos do livro CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE DONA LUIZA - HISTÓRIA E SABORES DO PASSADO, organizado por Claudete da Cunha Duarte e Leonora da Cunha Duarte, e do arquivo pessoal de Claret Cunha.

Um comentário:

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