domingo, 26 de janeiro de 2020

TJ28 - AS MELHORES DO JERSEY BRASILEIRO 2019

A maioria das fotos são do acervo da ACGJB, gentilmente disponibilizadas por Maurício Santolin.

Grande Campeã





Reservada de Grande Campeã


Terceira Melhor Vaca


Quarta Melhor Vaca













































segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

TJ27 - VITTÓRIO DI SAN MARZANO


Na centenária história da Jersey no Brasil, cinco criadores muito contribuíram para a fixação e melhoramento dessa fantástica raça leiteira: JOAQUIM FRANCISCO DE ASSIS BRASIL (introdutor e patrono), ANTÔNIO CARLOS PINHEIRO MACHADO (fomentador no centro e nordeste), JOSÉ RONALD BERTAGNOLLI (melhorista), NEY BORGES NOGUEIRA (impulsionador) e VITTÓRIO DI SAN MARZANO (empresário equilibrado).



VITTÓRIO DI SAN MARZANO reside no Brasil há mais de 53 anos, vindo da Itália em busca de novos desafios. Dentre seus negócios brasileiros está uma das mais expressivas empresa do setor de moinhos, e o melhoramento racional na raça Jersey.

Velho sonho de infância, comprou uma propriedade rural, a Fazenda Tucano: 116 alqueires cobertos por caatinga, sem luz e sem água, no município de Buri, estado de São Paulo. Era 6 de março de 1982.



Após organizar a fazenda, em agosto do ano seguinte San Marzano nela introduz a raça Jersey: 30 animais da boa seleção do finado Nadir Franciosi (Vacaria/RS).


O touro NAGAN SPOT DO BUTIÁ, cujo quadro está exposto no escritório de Vitório, segundo ele foi “o grande diferencial em meu início como criador da raça Jersey”, lembrado pelo sempre atento colaborador e criador gaúcho LUIZ FERNANDO ANDRADE DA SILVA.


Com satisfação, Vittório explica: “De lá para cá, meu Jersey evoluiu em quantidade e qualidade, todas as vacas controladas oficialmente pela ABC – Associação Brasileira de Criadores, das que dão 23 kg/dia, ou mais, até as que dão 10 kg/dia. O ano era 1988”.


MADISON, USA: Para os mais de 100 brasileiros que foram a Madison em outubro de 1994 - gaúchos, paulistas, cariocas e mineiros - a grande alegria foi notar a presença de um criador de Jersey do Brasil entre os vencedores na WORLD DAIRY EXPO.

Nesta mostra, exclusivamente voltada para leite, há uma seleção e atração de público específico e interessado, em sua 28ª edição contando com mais de 70.000 visitantes, (acima de 3.000 do exterior com predominância para os vizinhos mexicanos e canadenses).



VITTORIO DI SAN MARZANO, italiano radicado no Brasil, além de seu diferenciado criatório na região de Buri/SP na FAZENDA TUCANO, possuía uma fazenda em Quebec, no Canadá, com alguns sócios: a PIEDMONT JERSEY INC.



Ele já havia participado da exposição de MADISON em 1993, somente com animais jovens, conquistando o campeonato e reservado na categoria bezerra sênior menor, e o campeonato novilha maior.

Em 1994, a PIEDMONT conquistou o campeonato vaca 3 anos sênior com RANORA JUNO KITTY – em parceria com a WITNEY OAKS HOLSTEIN – que também foi o melhor úbere da categoria. Obteve, ainda, o campeonato vaca intermediária (categoria entre a vaca 3 anos júnior e a vaca 3 anos sênior) e, finalmente, o GRANDE CAMPEONATO DE FÊMEAS JERSEY da exposição.



A FAZENDA TUCANO: fica em Buri/SP, hoje ocupando 211 alqueires num conjunto integrado de agricultura (milho, soja e feijão) com pecuária leiteira, envolvendo 14 funcionários. Nos anos de 1993 e 1994, foi quem entregou o melhor leite para o Laticínio Leal, de Avaré/SP - pertencente ao também jersista OTTO RIBEIRO LEAL – pela qualidade físico-química (gordura, ponto de crioscopia e acidez) e pela higiene (contagem de células bacterianas e número de colônias).



O rebanho TUCANO estava formado por 210 Jersey, das quais 70 em lactação, sendo responsável por seu gerenciamente o LUIZ AUGUSTO “PARDAL” AMARAL (zootecnista formado em Botucatu), que contou em 1994:

“Estes números estão um pouco desbalanceados, porque só no final de 1990 é que começamos a renovar o rebanho, com a comercialização dos animais fora do padrão pretendido causando a redução do plantel. Hoje, mais da metade do rebanho é formado por animais jovens, até dois anos de idade. O ideal seria um rebanho até um pouco menor, com 190 a 200 cabeças, estando 90 vacas em lactação com média de 18 kg/dia, objetivo que será alcançado através de genética, manejo e alimentação, sem necessidade de investir na estrutura. Nossos animais são rústicos, mais próximos da natureza deles com comida da melhor qualidade num ambiente saudável e higiênico. Nossas instalações fornecem conforto aos animais, e nós fornecemos alimentos da melhor qualidade e quantidade necessária. À medida que a agricultura foi conquistando espaço na propriedade, foi sendo adotado um esquema de semi-confinamento, onde as vacas lactantes ficam em 4 piquetes (um deles sempre em descanso) com cocho coberto mas sem cama. Em outros 9 piquetes, mais distantes, ficam as bezerras e novilhas prenhes com as vacas secas”.



No manejo cuidadoso na FAZENDA TUCANO, os bezerros são separados das mães aos 5 dias de idade, tomando leite puro de Jersey até os 5 meses. A partir daí, todas as bezerras recebem na alimentação alfafa e silagem de milho junto ao concentrado, de forma a atingirem a primeira cobertura aos 14 meses com 240 kg, sendo mensalmente medidas e pesadas.



As fêmeas, de modo geral, estão paridas aos 24 meses. O lote de vacas em lactação, com 30 cabeças incluindo as recém paridas (chegam a 34 kg/dia) e as de alta produção que continuam produzindo acima de 22 kg/dia, recebe alimentação diferenciada calculada por vaca, e quem se responsabiliza pelo fornecimento dos alimentos é o ordenhador. Nos 45 ha de pastagens, antes com predominância de braquiária, salienta-se o coast-cross e a setária, sendo utilizado aveia apenas para a cama dos animais.



Para San Marzano, “a exposição é o meio publicitário mais direto para fazer conhecer a vaca de leite Jersey; afinal, ela é uma SENHORA VACA, e não uma vaquinha de quintal”.

“Os dados sobre as Jersey de afixo TUCANO são obtidos com exatidão através de um controle extremamente cuidadoso e levado a efeito com auxílio da informática. Da produção das matrizes aos avisos de padreação, diagnósticos de prenhez, performance de reprodutores e matrizes. Seu time de colaboradores é muito sério, competente, e gosta daquilo que faz", atesta Vittório.



Não é para menos: as condições de trabalho na propriedade são as melhores possíveis, todos os colaboradores morando em ótimas casas de alvenaria com luz, água potável encanada, e todo o conforto das casas da cidade. Além dos salários, seguidamente os empregados recebem prêmios e incentivos, que fazem parte da política adotada por Vittório em todas suas empresas: a política de valorização do ser humano, a política da coerência e equilíbrio na administração. “Se alcançarmos nossas metas, isso se deve em grande parte ao esforço dos nossos funcionários, diz ele”.

Para o Conde Vittório (título que sua família de origem italiana ostenta há mais de 8 séculos), a Fazenda Tucano é um modelo de propriedade rural, não apenas nas instalações, no manejo e na administração geral mas, sobretudo, nas relações humanas e nas relações de seus colaboradores com o gado que ali se cria – o gado JERSEY.




“Esses animais têm uma expressão quase humana, às veze eu tendo vontade de perguntar-lhes PORQUE VOCÊS NÃO FALAM?”, comenta San Marzano sobre suas Jersey.



A ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA: participando ativamente de diretorias da ACGJB, Vittório foi convidado a concorrer à sua presidência para a gestão 1989/91. Aceitando o desafio, declarou: “sempre fui apolítico mas, naturalmente, já tenho o meu programa”.



De 27 de agôsto até 04 de setembro de 1988 realizou-se a XI Expointer, tendo atuado como jurado o uruguaio Alfredo Larosa, com 505 animais inscritos pertencentes a 65 expositores, representando 28 municípios gaúchos, 3 municípios paulistas e 1 município uruguaio, 2 estados e 2 países. Durante o churrasco comemorativo da Expointer, Vittorio di San Marzano e Cezar Washington Proença, candidatos à presidência da ACGJB, discursaram e foram questionados pelos presentes.

San Marzzano disse pretender "difundir a raça e, principalmente, torná-la competitiva no mercado leiteiro do Brasil, unificando o ideal jersista continuando o programa progessista do presidente Raia". Na ocasião, foram homenageados D.Quinquinha Assis Brasil (1ª presidente da ACGJRGS), Dr.Aldo Raia (atual presidente da ACGJB) e Dr.José Ronald Bertagnolli (destaque gaúcho no Jersey Brasileiro).


San Marzano não venceu as eleições, mas continuou sempre fortalecendo a raça no Brasil, e apoiando as ações da Associação dos Criadores de Gado Jersey no Brasil e, até hoje, mantém seu selecionado plantel em Buri-SP.


Os textos desta postagem foram compilados das revistas "RAÇA JERSEY & OUTRAS (ACGJB), DOS CRIADORES (ABC) e IMAGEM RURAL", e do autor deste blog. Fotos de arquivos da FAZENDA TUCANO, do autor, e da ACGJB.

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