domingo, 29 de dezembro de 2019

TJ25 - AS GEMAS DA RAÇA JERSEY


APRESENTAÇÃO DO AUTOR


Autor deste blog batizado como “TAURAS DA RAÇA JERSEY”, fui criador e melhorista de gado leiteiro a partir de 1972, iniciando como jersista em 1977 apaixonando-me, a partir daí, pela notável, bela e produtiva raça Jersey.

Parando de criar em 2002, afastei-me por oito anos deste meio que, confesso, sempre gostei, voltando a acompanhá-lo a partir de 2010. Exerci diversas funções eletivas na ACGJRS, duas vezes presidindo-a, em algumas outras liderando seu Conselho Técnico ou secretariando a diretoria. Como oposicionista, participei de duas gestões. 

Da ACGJB, tive o prazer de auxiliar sua reformulação técnica por solicitação do engº agrº LEO GUIMARÃES (representante do MARA junto à associação), durante as gestões do Dr.ALDO RAYA e, noutras, como representante da ACGJRS tive participação ativa em seu Conselho Deliberativo Técnico e na elaboração e atualização de diversos regulamentos e regimentos internos. Fui muito crítico na oposição à última gestão da década de 2000 e à primeira daquela de 2010. Atualmente, ainda com alguma ligação à gaúcha na qualidade de superintendente substituto do SRG, dedico-me a resgatar o passado e citar o presente da raça JERSEY, e seus criadores, em nosso país.

Nesta última postagem de 2019, ano muito bom para o crescimento, divulgação e criação de bovinos Jersey, faço alusão ao PRESIDENTE da ACGJB que conseguiu salvá-la de provável extinção, relaciono as JERSEY que mereceram as melhores premiações nas exposições do IV CNRJ, e narro a história dos criadores/expositores que mais se salientaram neste período no mesmo CIRCUITO.

Boa leitura, e um FELIZ ANO DE 2020!! 
Carlos Guilherme Rheingantz

1. AS PRINCIPAIS "ALL-BRAZILIAN 2019" (denominação deste blog):
OBS: em próxima postagem, as demais campeãs



GEMA ISCA DOUTRINA VALENTINO-FIV, EX 95
All-Brazilian 2020

AS MELHORES VACAS BRASILEIRAS 2019

AS MELHORES VACAS JOVENS BRASILEIRAS 2019

AS MELHORES FÊMEAS JOVENS BRASILEIRAS 2019


2. MARCELO DE PAULA XAVIER


Conheci o Marcelo Xavier em julho de 2012, durante um workshop promovido pela ACGJB, cujo tema principal versava sobre “controle leiteiro e teste de progênie da raça Jersey no Brasil”. Sabendo da possibilidade dele concorrer encabeçando uma chapa para a direção de nossa entidade-mater nacional, procurei saber sobre suas intenções se eleito fosse.

Na oportunidade, não negou sua vontade de aceitar o desafio, dizendo-se consciente da necessidade de melhorias administrativas, de ação, e de políticas na brasileira, estando disposto a encarar a empreitada se fosse a vontade dos associados. No Rio Grande do Sul discutimos muito essa possibilidade, muitos achando-o jovem e novo na raça Jersey para assumir tal responsabilidade, mas ninguém foi contra.

E não deu outra: candidatou-se e, em chapa única, foi eleito.

Marcelo soube, com muita habilidade e firmeza, mudar os rumos da ACGJB que passava por progressiva má fase com reflexos por todo o Brasil. Com apoio das delegadas do sul (RS, SC e PR), e de diversos criadores de MG e SP, principalmente, conseguiu evitar o seu encerramento.

Reeleito para mais um mandato, grande e competente criador que era, deixou-nos como legado uma ACGJB ativa, com a reorganização de objetivos e serviços em andamento, e um brilhante CIRCUITO NACIONAL DE EXPOSIÇÕES em substituição àquela outrora grande, agora decadente EXPOSIÇÃO NACIONAL, desde os anos 1980 anualmente realizada em São Paulo, em seus dois últimos anos em Castro-PR.

Fazendo parte de terceira geração de família de produtores rurais, tradicional na exploração de bovinos de corte e agricultura, soube por duas gestões administrar, de forma transparente, a nossas BRASILEIRA, com diretores, conselheiros, apoiadores técnicos e administrativos, além de associados “sem pasta”.

Conta Marcelo:

“Em 2010, fui eleito como presidente da ACGJPR e, junto com alguns amigos e criadores paranaenses, fiz um projeto de desenvolvimento para a Jersey no Paraná. Conseguimos realizar um belo trabalho à frente dessa filiada.

“Ao terminar essa gestão como Presidente da delegada paranaense, fui convidado para liderar uma frente de coalizão para a entidade nacional, bastante dividida por brigas políticas no pleito anterior. Em um primeiro momento declinei do convite, por entender que o trabalho no Paraná devia continuar. Mas, com o apoio e incentivo de jersistas comprometidos de várias partes do Brasil, resolvi aceitar o desafio e, em eleição de chapa única, fui eleito, assumindo a presidência da ACGJB no ano de 2013. Fizemos, então, um trabalho de reestruturação total da associação, visando a melhoria no atendimento aos associados, a ampliação dos serviços prestados pela associação e o aumento da visibilidade da Raça Jersey no Brasil.”

Marcelo de Paula Xavier já teve uma postagem como TAURA DA RAÇA JERSEY, no antigo www.blogdojerseyrs.blogspot.com , e terá em breve postagem neste blog, taurasjersey.blogspot.com na série OS PRESIDENTES DA ACGJB.


3. GERZY ERNESTO MARASCHIN


Engenheiro agrônomo por profissão, doutor em Agronomia pela Ufla/USA, foi um destacado criador da raça Jersey no Rio Grande do Sul e no Brasil. Emérito criador, membro do Colégio de Jurados da Raça Jersey nacional, exerceu a vice-presidência da ACGJRS na gestão 1993/94. Participativo e polêmico, nunca deixou de dar seu parecer ou crítica nos assuntos jersistas. 

Grande conhecedor sobre implantação e manejo de pastagens anuais e perenes, suas pesquisas na UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL-UFRGS auxiliaram o desenvolvimento das bases para o proveitoso e sustentável manejo dos pastos nativos sulbrasileiros, marcando presença na maioria das palestras, cursos e treinamentos sobre tão importante e necessário assunto.


Os irmãos Maraschin - Wilson, Gerzy e Enio - em 1961 iniciaram, em parceria, a Granja Sinhá Maria. A produção de leite era atraente, e tínham amigos leiteiros que ganhavam a vida ordenhando “vacas mestiças e outras mansas”. O touro era “o do vizinho” (poucos tinham um reprodutor com alguma qualificação), o que fortaleceu a idéia de produzir leite com ventres qualificados e vender reprodutores.

Conseguindo um touro Jersey PO oriundo da Estação Experimental Zootécnica de Montenegro/Secretaria da Agricultura do RS, e um lote de vacas comuns, arrendaram campo no município de Santo Ângelo-RS com a crescente vontade de criar animais puros de pedigree para produção, venda e competição. Ainda em 1961, e em 1962, adquiriram duas vacas PO e três PC da Granja Santa Rita, Guaíba-RS, e mais 3 fêmeas PO do engº. agrº. Antonio Carlos Pinheiro Machado, Granja Zuleika, Triunfo-RS.

Em 1963 participando da FENASOJA, em Santa Rosa, conquistaram o Grande Campeonato de Fêmeas com uma das novilhas adquiridas da Granja Zuleika e, no ano seguinte, uma terneira já crioula venceu na Exposição de Cerro Largo. Na primavera, mesmo com o rebanho vacinado, foram atingidos pela febre aftosa, perdendo algumas vacas PO e PC, outras deixando de reproduzir, com vários abortos ocorrendo. A mudança para uma nova área, os gastos com suas instalações, a construção de silos e a redução dos animais em produção, forçaram uma retração.

Os tropeços foram assimilados e, em 1966, conseguiram uma área de terra de cunho permanente, reiniciando o criatório com mais um touro do rebanho de Montenegro, excedente da Companhia Riograndense de Inseminação Artificial - CRIA. A partir dai puderam pensar com mais consistência, o leite sendo vendido diretamente aos consumidores.

Em 1971 Enio se retira da sociedade, o engº. agrº Gerzy viajou para cursar o doutorado na Universidade da Florida-USA, e o comandante da VARIG, Wilson, passou a morar na Europa e, para manter o empreendimento, foi contratar um administrador até o retorno de Gerzy em 1975.

Em 1976 o engº agrº José Ronald Bertagnolli visitou a Sinhá Maria, observando as pastagens de capim elefante nas quais as vacas pastejavam e pernoitavam, no inverno recebendo suplementação de silagem no local, dizendo-se admirado também com a qualidade das quatro gerações de vacas PC que viu mantidas junto às PO.

Os Maraschin visitaram a Cabanha Butiá em 1979, ficando impressionados com o seu rebanho Jersey. Destas visitas e encontros, além da Expointer e das trocas de idéias sobre a raça Jersey e o seu futuro, brotou uma grande confiança e amizade, compartilhando desses encontros informais outros jersistas que, estreitando laços de amizade conheceram a surgente Granja Sinhá Maria.

Gerzy explica:

“A Fenasoja foi o palco onde a granja Sinhá Maria brilhou bastante, vendeu bem. Ainda em 1978, fomos à Expointer adquirir um reprodutor e, gostando do Campeão Junior, adquirimo-lo na hora do Sr. Manuel Acylo Azambuja. Ao final do julgamento, o mesmo veio a conquistar o Reservado de Grande Campeonato dessa Expointer. Nesse dia aprendemos a conhecer uma boa Jersey, Acylo Azambuja nos oferecendo uma bela vaca dois anos, mas pedindo um alto valor por ela. Olhei a vaca, achei-a boa, mas recusei. Nesse momento entrava no pavilhão o Antonio Carlos Pinheiro Machado.

“Cumprimentou-nos, olhou a vaca, e perguntou se estava à venda. Sim, respondeu Acylo. Qual é o preço? Acylo lhe disse e Pinheiro Machado lascou um cheque no valor. Manoel Acylo olhou-me de soslaio, como dizendo “aprenda a conhecer vaca boa e de valor”. A vaca foi Campeã Dois Anos, depois ganhando em São Paulo. Valeu a lição, naquele dia aprendi a aceitar o valor das boas Jersey.

“Com a evolução do rebanho e o amadurecimento de nosso pessoal, ocorridos em função do controle leiteiro particular que realizávamos quinzenalmente, chegamos à Expointer de 1981 e conquistamos o Campeonato de Vaquilhona Menor, o primeiro premio Terneira Maior, além de dois segundos prêmio nos Campeonatos de Vacas. Vendemos algumas, compramos outras e um terneiro da criação de Sir Edward Towill, de Nova Petrópolis/RS. Nesse ano, e no seguinte, vendemos dois lotes de vacas selecionadas pelo méd. vet. Enedi Zanchetti para os rebanhos de Santa Catarina.

“Nunca mais adquirimos outro ventre, e fomos selecionando as nossas, gerando discussões saudáveis e construtivas com Ronald Bertagnolli, Ney Ferreira e Elton Butierres sobre fertilidade, produção de leite, persistência da lactação, tipo e longevidade.

“A partir de 1981 iniciamos o controle leiteiro oficial, sob orientação da Associação dos Criadores de Gado Jersey do Brasil, sediada em São Paulo, e 1983 foi o grande ano da GRANJA SINHÁ MARIA em Esteio com a conquista do Grande Campeonato de Fêmeas daquela Expointer. Essa vaca, em 1984, venceu em Esteio as importadas na disputa do Campeonato Vaca Adulta, mas foi castigada na grande final. Wilson desfez nossas sociedade, retirei os animais e equipamentos que me cabiam, e acabou o sonho e intenções com a Granja Sinhá Maria”.


O SITIO JOSIAN



Mas Gerzy não parou, iniciando o Sitio Josian com o prefixo GEMA (derivado de seu nome, Gerzy Maraschin), em 1985 adquirindo uma área rural em Sapiranga/RS. Suas duas filhas, Simone (8 a.) e Ângela (5 a.) gostavam muito das Jerseys e, no ano de 1984 a denominação dos animais iniciava com a letra “D”, ambas querendo uma terneira com nome que as lembrasse: a da Simone foi batizada de “Dada”, a da Ângela, como já passara a letra “A”, ficou com o nome de “Dângela” que, ao ser registrada na ACGJRS, foi alterado para Donzela. A turbulência da época não permitiria trocar o nome da terneira, o que nem tentaram.

O novo plantel estava composto por 20 ventres PO oriundos do rebanho da então Granja Sinhá Maria, mais o touro Charrua Title do Butiá adquirido da Sementes e Cabanha Butiá.

“As instalações em Sapiranga eram deficientes, mas consegui socorro em criatórios de amigos: a Cabanha Butiá aceitou quatro terneiras nossas, pela amizade e confiança que tínhamos com Ronald Bertagnolli, valendo muito a recria desses animais lá, e quando as duas primeiras pariram aos 30 meses de idade, saíram produzindo no mesmo nível das vacas da Butiá. Ali sentimos a qualificação do rebanho construído na Granja Sinhá Maria. Nessa época, em Sapiranga, a falta de recurso financeiro era gritante, e a mão de obra angustiava”, explica Gerzy, continuando:

“Em 1987, após dois dias de reunião memorável com a nova Diretoria da ACGJRS e grande número de criadores, tendo Carlos A. Petiz como presidente, e Carlos G. Rheingantz como diretor-secretário, na sede da Associação Rural de Pelotas muitas arestas foram aparadas, e o convívio dentro da Associação passou a ser aprazível, dali surgindo a iniciativa da criação dos núcleos regionais gaúchos, e a idéia de exposições ranqueadas começou a desenvolver sua silhueta. Uma sugestão minha, para evitar congestionamento e melhor qualificar animais em Esteio, era a de realizar as exposições regionais no primeiro semestre, e trazer para Esteio os premiados tornando a disputa mais atraente.

“Com mão de obra de fora a alto custo, o leite produzido no SITIO JOSIAN era transformado em queijo e vendido na Feira do Produtor, em Sapiranga. A infraestrutura existente não estimulava a inseminação artificial, e a monta natural era necessária. Acabei fazendo o curso para inseminador, tentando sincronizar os cios para inseminações nos finais de semana.

“O rebanho evoluiu em qualidade, e as participações nas exposições em Esteio nos permitiram conquistar a Campeã Terneira em 1987, a Campeã Vaca Adulta em 1988 e 1989, a Campeã Vaquilhona Maior em 1989, e o Grande Campeonato de Fêmeas no outono de 1992 com GEMA GRAÇA MIMA CHARRUA, além da Campeã Vaquilhona Maior na Fenaleite e na Expointer 1992 com GEMA JANAINA MIMA CHARRUA.

1992 - GEMA GRAÇA MIMA CHARRUA
“Um dos nossos grandes feitos foi no Campeonato Fêmea Jovem na Expointer de 1992: as Cabanhas Vivian e Butiá também tinham duas excelentes vaquilhonas e, com Simone e Ângela, analisamos os três ventres individualmente comparando-as par a par, e chegamos à conclusão que não perderíamos aquela disputa. O juiz canadense acabou confirmando nosso julgamento com o seu!!

“Em 1995 e 1996 tivemos pesadas perdas, levando-nos a optar pela defesa do rebanho de ventres Jersey. Procuramos vendê-lo, mas não houve interessado pelos preços pleiteados. Meu irmão Enio Maraschin, de Santo Ângelo/RS, acolheu-os por uns tempos. Continuamos buscando compradores e, um dia, o criador José Guerra Mendina, de Sant’Ana do Livramento/RS, nos acenou com a compra de um lote, abrigando os demais em sua propriedade. Realizamos o negocio e ele manteve nossos ventres em sua propriedade, sobrevivendo duas secas e o grande surto de febre aftosa no sul do estado. Em 2004 ele manifestou desinteresse na manutenção dos animais, devolvendo-nos.

“Felizmente a médª vetª Ângela de Faria Maraschin, minha filha, designada para a Inspetoria Veterinária de Santo Cristo, decidiu pela continuidade do criatório, livrou-o de um potencial abate, e resgatou uma boa porção da qualidade genética que ainda existia no seio daqueles heróicos 22 ventres”.



4. ANGELA DE FARIA MARASCHIN



Nas décadas de 80 e 90 lembro-me da menina de olhos azuis, sorridente, simpática, educada, e apaixonada pelas Jersey, sempre em Esteio acompanhando seus pais, D.Eneida e Dr.Gerzy, no trato e na apresentação de suas bem criadas e selecionadas terneiras, novilhas e vacas. Essa menina cresceu, estudou diplomando-se em veterinária, e casou com o também veterinário Caco. Tiveream um casal de filhos, Marcelo e Daniela. Ângela assumiu a criação de afixo GEMA quando, por motivos profissionais, seu pai pensava em liquidar com sua criação.

Ainda acadêmica, participou do CURSO PARA JURADOS DA RAÇA JERSEY em agosto de 2000 (Esteio/RS), sendo definitivamente homologada no COLÉGIO DE JURADOS DA RAÇA JERSEY DO BRASIL após sua formatura em Medicina Veterinária pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul-UFRGS em 2002. Diplomou-se Mestre em Desenvolvimento Rural pela UFRGS em 2004 e, concursada, assumiu como Fiscal Federal Agropecuária do MAPA desde 2007. Reciclou-se em dois cursos para Atualização de Jurados da Raça Jersey realizados no RS e em SC.

Embora jovem, já foi Vice-Presidente da ACGJRS na gestão 2010/2011, e sua Conselheira Técnica na atual e em anteriores diretorias, sempre acompanhando os principais eventos estaduais e nacionais da raça.

Participando da organização da crescente FENASOJA, um dos mais importantes eventos agropecuários do Brasil, em Santa Rosa, foi sua presidente na edição de 2014. Com grande participação sua, a FENASOJA é uma das mais disputadas exposições da raça Jersey no Rio Grande do Sul, com animais zootécnicamente importantes e um dos concursos leiteiros mais disputados e de alta produção na raça a cada realização.


Atuou como jurada na Expofeira de Toropi (2006), Santa Maria (2006), Expofeira de Pelotas (2008), Expoleite – FENASUL (2009), Expo Ventre – Bagé (2008), Efapi - Chapecó (2009), Alegrete (2011), Expoclara (2012), Festa do Colono – Itajaí (2014), Expointer - Esteio (2016).

4. MARCOS “CACO” SOUZA DE FREITAS:



Nascido em Porto Alegre a 10 de maio de 1997, é o terceiro filho de cinco do casal Ely Souza de Freitas, professora, e Amilcar Montenegro de Freitas, arquiteto. Conhecido por “Caco”, como seu irmão mais novo pronunciava Marcos, apelido que o acompanhou na escola, quartel, faculdade, e na vida toda.

Sempre muito ligado a todos os animais, suas férias escolares eram sempre passadas na fazenda de um amigo, em Cidreira, onde podia fazer o que mais gostava: andar a cavalo e lidar com o gado.

Estes momentos reforçaram sua ligação com “o rural”, e nunca teve dúvidas sobre sua profissão - médico veterinário - exceto aos 17 anos de idade quando pensou em ser domador de cavalos e largar os estudos, atitude prontamente repreendida por seu pai.

Em 1986 serviu no CPOR em Porto Alegre, e destacou-se como “Cavaleiro do Ano” do curso de cavalaria, mesmo ano em que foi aprovado no curso de medicina veterinária na UFRGS. Formado em 1994, trabalhou em assistência a propriedades de bovinos de corte e leite em diversos municípios do RS. Tendo a Faculdade de Veterinária da UFRGS como referência, estava sempre em contato com professores e alunos, tanto para a realização de exames como para oportunidade de saída com alunos estagiários. Estes contatos propiciaram seu encontro com Ângela.


5. ANGELA E CACO




“Em 1999, começamos a namorar. Em 2000, comecei a trabalhar na Coopermil, cooperativa de produtores de leite em Santa Rosa, noroeste do estado do Rio Grande do Sul. Ângela ainda na faculdade, namoro à distância, 500km de Santa Rosa à Porto Alegre. Em 2001, fui chamado por um concurso prestado ainda em 1994, assumindo como médico veterinário na Secretaria Estadual da Saúde, em Porto Alegre”, conta Caco.

Formando um casal ímpar na “família jersista”, parceiros na criação e ambos veterinários por formação, criadores por vocação, são talentosos no relacionamento com jersistas, e agropecuaristas no geral,  sempre acompanhados por seus jovens filhos nos eventos regionais, estaduais e nacionais na raça por eles escolhida, nunca se omitindo nos assuntos técnicos e sociais referentes às associações de criadores da raça Jersey propiciando, anualmente, um belo e proveitoso “dia de campo” na sua destacada propriedade rural.

Continua Caco: “Em 2002 a Ângela se formou, as dificuldades da “cidade grande” como trânsito, segurança pessoal, distância do trabalho, motivaram-nos a pensar alternativas.

“Após uma ligação do responsável pelo setor leite da COOPERMIL, a decisão foi tomada: vamos para Santa Rosa arrendar uma propriedade por cinco anos, e trazer as vacas do Maraschin e decidir pela continuidade, ou não, da criação.
“E foi assim, em 2003 arrendada uma área de 8,5 ha na linha Divisa, no interior de Santa Rosa.


“Para iniciar, trouxemos quatro animais (2 vacas, 1 terneira e 1 novilha) para participar da FENASOJA e habilitar os animais para um financiamento. Nesta ocasião, a novilha J.MENDINA ADA RESENHA sagrou-se Campeã Fêmea Jovem, uma surpresa para nós que tínhamos pretensões mínimas. Era o prenúncio do potencial dessa família de vacas.

“Habilitados ao financiamento rural, em julho de 2004 vieram os outros animais oriundos da parceria do Gerzy Maraschin com José Guerra Mendina, no total de 22 cabeças entre vacas de leite e secas, novilhas, e terneiras. Ficamos nesta área, na Linha Divisa, até junho de 2007, quando fizemos uma parceria com Sérgio Francisco Cappellari, dono de um laticínio local. Nossa parceria era agora em 12 hectares, lá mantínhamos entre 22 e 28 vacas em ordenha em sistema de pastoreio e suplementação de concentrado e silagem de milho. Sempre acompanhando nossos índices de produção e reprodução, foi um bom momento da criação. 

"Participando em todas as feiras e exposições ao redor de Santa Rosa, nossos animais mostraram-se bem competitivos em produção e em morfologia. A limitação de área contribuiu para o melhoramento genético, uma vez que nosso rebanho não poderia aumentar de 30 animais em lactação, o excedente era vendido e a seleção apertava. Em 2011 GEMA ESTÂNCIA BAGAGEM ACTION MB-86, bateu o record nacional em concurso leiteiro, categoria até 36 meses, com a produção de 45,00 kg de leite em 24 horas, três ordenhas, sendo vendida para a Cabanha da Maya. Na Exposição Nacional daquele ano em São Paulo, esta vaca também venceu o concurso leiteiro até 36 meses, com a produção de 40kg/24h.


“Aproximando-se o fim do contrato de parceria com o Cappellari, que era de 10 anos, começamos a procurar propriedades para comprar ou arrendar. Então em 2015 encontramos um local que era “nossa cara”, uma casa centenária a restaurar, açude, matos, muito verde e água. A limitação da área, 8,5 hectares, nos obrigou a confinar as vacas. O conforto dos animais nos fez decidir pelo “compost barn”. Estudamos o sistema, visitamos vários já estabelecidos, fizemos o projeto e iniciamos a construção. Em novembro de 2016 alojamos os animais. Compramos os animais que eram do Cappellari e iniciamos nossa “carreira solo”. Com a capacidade do galpão para 60 animais e no momento da mudança com 28 em ordenha, foi traçado uma projeção de crescimento para a lotação gradativa das instalações. Objetivo este que deverá ser alcançado no final 2019.

“Os investimentos nas técnicas de reprodução como Transferência de Embriões, normal ou com fertilização “in vitro”, sempre estiveram presentes. Em 2005 coletamos nossas melhores vacas da época e GEMA BAGAGEM QUERÊNCIA SABER TE foi um resultado destes investimentos, e a mãe da recordista 2011 e do nosso primeiro touro em coleta em central de inseminação, GEMA MOCHILA BAGAGEM VALENTINO FIV, que vendeu mais de 10.000 doses de sêmen através da Gensur. Noutro momento, fizemos outra coleta da BAGAGEM onde resultou o GEMA HERÓI BAGAGEM MINISTER, vendido para a Cabanha Cinco Salsos, de Cláudio Martins, em Aceguá-RS. HERÓI se tornou pai de muitas vacas da Cinco Salsos e foi várias vezes Grande Campeão de muitas exposições no Estado do Rio Grande do Sul.

“Produtos das tecnologias de reprodução assistida são, também, GEMA GLÓRIA CUIA IATOLA FIV, mãe da GEMA INDEPENDÊNCIA GLÓRIA T-BONE EX-91, GEMA ICE BAGAGEM VALENTINO FIV EX-90, GEMA ISCA DOUTRINA VALENTINO FIV EX-95.

“Outra ferramenta importante na história da Cabanha GEMA é o Controle Leiteiro. Desde 2005, as amostras são mandadas mensalmente para a UPF - Universidade de Passo Fundo, onde são feitas as análises de sólidos e CCS de cada  vaca. Estas informações são compiladas em relatórios, também mensais, muito utilizados na seleção dos nossos animais. Estes relatórios possibilitaram também quantificar o ganho por lactação a partir do novo sistema de produção adotado. Passamos de 6.046 kg de leite, para 7.274 kg de leite, ou seja, 1.228 kg de leite a mais por lactação média de 305 dias.


“As Classificações Lineares são feitas, em todas as vacas aptas, pelo Técnico Classificador Artur Cademartori, medº vetº. Desde 2010 fazemos, pelo menos, uma visita anual para este fim, e notamos a evolução das pontuações obtidas pelas vacas e algumas características sobressaindo-se nos animais.

“O teste genômico permite-nos identificar a presença de certos genes que expressam as características importantes.

“Tanto tempo utilizando material genético positivo para determinadas características, no momento em que se deu condições ambientais para os animais esta combinação gênica acabou por refletir em um conjunto de animais diferenciados.

“Nossa grande vaca do momento, GEMA ISCA DOUTRINA VALENTINO FIV-EX 95, resume tudo isto: grande produção, excelente fertilidade, tipo indiscutível, vencendo diversos Grandes Campeonatos em 2018 (Expointer e Ijuí – esta valendo para o CNRJ, e o Reservado de Grande Campeonato Nacional), e em 2019 (Castro, e Expointer,ambas valendo pelo CNRJ, e o Grande Campeonato Nacional).
Caco ressalta:

“Muitas pessoas participaram deste feito, a conquista do GRANDE CAMPEONATO NACIONAL DA RAÇA JERSEY pela GEMA ISCA, começando pelo Gerzy Ernesto Maraschin - o grande mentor, entusiasta e incentivador - merecendo elogios a maneira como procedeu à transição da gerência das atividades na tão esperada “sucessão familiar”, sua família por muitas vezes abdicando de outras atividades para dedicar-se um pouco mais às vacas. E, aqui, falamos “toda a família”: os que estão, os que já foram e os que estão chegando, à Ângela, sucessora nata de jeito e de vontade, que com habilidade soube aceitar o novo sem perder o que foi conquistado, mas sempre com seus princípios fortes e bem defendidos.

“Agradeço a todos os funcionários que já trabalharam e trabalham conosco, de pouco ou muito tempo, importantes na formação deste rebanho; aos preparadores que, sempre, entenderam as vacas em primeiro lugar, sua saúde e bem-estar acima, muitas vezes, dos nossos; ao técnico classificador Artur Cademartori, que acompanha nossa caminhada há muito tempo e vem registrando essa evolução com muita eficiência e retidão.

“Cito também a contribuição do técnico classificador Paulo Henrique de Souza, prontamente vindo de Curitiba à Santa Rosa para a certificação da nota EX 95, e à  Associação de Criadores de Gado Jersey, que sempre certificou nossas anotações zootécnicas.

“Finalizo dizendo que é muito prazeroso ver nossos sonhos realizando-se, aos poucos mas com consistência, recarregando nossas baterias para o dia-a-dia tão desafiador destes novos tempos, mostrando-nos sempre termos algo a melhorar se seguirmos buscando este “melhor”!


“Explicando o nome dessa grande vaca:

GEMA: afixo do criador desde 1961, sempre investindo no melhor da raça Jersey;
ISCA: nome da vaca em questão, com a inicial “I”, significa nascida em 2013;
DOUTRINA: sua mãe, uma Chairman EX 91, atualmente seca preparando-se para seu 9º parto, aos 11 anos de idade, também mãe da GEMA LIMA DOUTRINA MOCHILA MB 88 (ao 1º parto) Campeã 1 Ano Parida do Circuito Nacional do Jersey de 2017. Doutrina também tem um filho de Marcin, GEMA MAESTRO DOUTRINA MARCIN, atualmente em coleta e venda de sêmen pela GENSUR;
VALENTINO: touro que colocou muito leite nas filhas das vacas em que foi utilizado,  pai de “nossa” recordista de 1ª lactação, GEMA LENDA IGUANA VALENTINO MB 89 (ao 1º parto), com 9 .510 kg de leite em 305 dias de lactação;
FIV: investimento em tecnologia, resultado de fertilização “in vitro”, coletada em Santa Rosa-RS, concebida em Campo Grande-MS, nascida em Santo Ângelo e, novamente, criada em Santa Rosa.



FELIZ ANO DE 2020

sábado, 14 de dezembro de 2019

TJ24 - NEY BORGES NOGUEIRA - OS PRESIDENTES DA ACGJB (X)

NEY BORGES NOGUEIRA
1995 a 1999


O X presidente, eleito na ACGJB para os períodos de 1995/1997 e 1998/2001, foi NEY BORGES NOGUEIRA.

Embora não titular, Ney sabidamente foi o "mentor e mantenedor" da conhecida FAZENDA NOGUEIRA MONTANHÊS por muitos tida como “O CRIATÓRIO DE MELHOR CONCENTRAÇÃO GENÉTICA DA RAÇA JERSEY NO MUNDO”.


Em 06 de março de 2017 foi postado no www.blogdojerseyrs.blogspot.com, como criador destacado, sob o título TAURAS DA RAÇA JERSEY (XXI) - NEY BORGES NOGUEIRA.

Datada de 16 de maio de 2019, este blog recebeu de D.Neuza – irmã de Ney Borges Nogueira – e de sua nora, D.Ana Bianca, o que segue:

Prezado Carlos Guilherme.

Antes de mais nada, gostaria de apresentar-me: sou Neuza Nogueira de Souza, irmã do Ney, e escrevo em nome da nossa família.

Chegou às nossas mãos um artigo sobre ele, intitulado "TAURAS DA RAÇA JERSEY (XXI) - NEY BORGES NOGUEIRA" que, parece-me, foi publicado em seu blog a 06 de março de 2017.

Nós, da família Borges Nogueira, gostaríamos de enviar um agradecimento a todos aqueles que tiraram um tempo do seu dia para proferir palavras tão especiais sobre nosso querido Ney:

CARLOS ALBERTO TEIXEIRA PETIZ, CHICO VIEIRA, CLÁUDIO ARAGON, MARCELO XAVIER, ROBERTO VICENTE LOPES, VAMIRÉ LUIZ SENZ, e CARLOS GUILHERME RHEINGANTZ.

É possível enviar por este email e vc encaminhar aos demais? 

Como combinado, segue o agradecimento em nome da família Borges Nogueira pela atenção e carinho com meu irmão Ney.

Agradeço a todos que escreveram palavras tão especiais sobre meu irmão.

Ney com as duas irmãs, Neuza e Lucy


Desde ja, grata,
Neuza Nogueira de Souza


Boa tarde, Carlos

Veja bem, escrevo por solicitação da minha sogra - Neuza Nogueira - que era irmã do Ney. A pedido dela fizemos este agradecimento ao que foi publicado em seu blog.

Mais uma vez, agradeço sua atenção,
Ana (Ana Bianca Rocha Miranda)

MEMÓRIAS AFETIVAS



"Quando (re)memoramos, dois sentidos se entrelaçam: o olhar pretérito – que traz as memórias afetivas e o olhar do hoje que rebobina o que foi, mas não passou porque está atrelado a questões construtoras de um tempo que, inserido no passado, permanece escrito e inscrito na história.

"Revendo o perfil de Ney – o irmão, companheiro, que ousou desafiar as águas nas Olimpíadas de Tóquio de 1964 – entendemos que ali já estava presente o homem empreendedor, determinado e persistente que, no futuro, desafiaria as águas tumultuadas e, muitas vezes, revoltas dos mares econômicos, marcando sua presença em Piracaia (SP), elevando-a a patamares internacionais. Sua destinação cósmica estava alicerçada no homem visionário, solidário e generoso que marcaram sua história.

"Ler as palavras enaltecedoras sobre Ney trouxe à família Borges Nogueira momentos de profundas recordações. Vê-lo reconhecido no meio por ele escolhido para viver, trouxe-nos indescritíveis emoções que hoje habitam na saudade.

"Agradecida, a família Borges Nogueira deixa expressa sua profunda gratidão, sentimento através do qual a alma diz muito obrigada.

Atenciosamente,
Neuza Borges Nogueira"


NEY BORGES NOGUEIRA, PRESIDENTE DA ACGJB 

Ney participou ativamente em diretorias da ACGJB, sendo eleito seu presidente para as gestões 1995/1997 e 1998/1990 Imediatamente à posse, forçou a reformulação estatutária, adaptando a ACGJB aos tempos modernos.


1995 - Ney acompanhou o julgamento da raça Jersey
Foi criado o COLÉGIO DE JURADOS e o CONSELHO DE CLASSIFICADORES, ambos DA RAÇA JERSEY NO BRASIL, assim como alterada a composição do CONSELHO DELIBERATIVO TÉCNICO, compromisso assumido por Ney tão logo assumiu a presidência.



Durante as gestões sob a presidência de NEY BORGES NOGUEIRA, por votação entre os jurados presentes em reunião, foi eleito como primeiro Coordenador do Colégio-CJ o jurado WILLIAN LABAKY, a quem coube organizar o CJ e coordenar a elaboração de seu primeiro Regimento Interno. Labaky exerceu esta função de 1996 a 1998, quando solicitou sua substituição. Para o ano de 1999, foi da mesma forma eleito o jurado CARLOS GUILHERME RHEINGANTZ para a coordenação.


Willian Labaky atuou de forma importante na constituição do Colégio de Jurados
Novos cargos na Diretoria foram estabelecidos, de forma a abranger mais estados e regiões brasileiras, aumentando a participação geral. Nas Assembléias, havia espaço para a manifestação de todos, contentes ou descontentes, demonstrando claramente sua índole democrática.

O Presidente, e diversos diretores, passaram a acompanhar exposições e eventos em outros estados, além de São Paulo e Minas Gerais, mantendo a tradição de, durante as Exposições Internacionais de Esteio, lá estar uma diretoria representativa a acompanhar os julgamentos e, também, participar das tradicionais reuniões organizadas pelos gaúchos com representantes das outras delegadas, muitas vezes discutindo e decidindo sobre problemas simples ou de sumária importância, ao mesmo tempo confraternizando com todos os jersistas brasileiros, sulamericanos, e de outros países da norte-américa e Europa, principalmente.

Ney foi um presidente evoluido e ágil, educado e atencioso para com todos, dando muita importância para os encontros técnicos e sociais, para o congraçamento entre jersistas, políticos e empresários, espaço e respeito para as associações delegadas. 

Suas diretorias foram formadas e divulgadas na revista RAÇA JERSEY, edições nº 18 e 24 abaixo, órgão oficial de divulgação da ACGJB mantida e melhorada durante seu período como presidente.


Diretoria do 1º mandato



Diretoria 2º mandato



NEY BORGES NOGUEIRA, O CRIADOR 

A partir de 1987, Ney começou a formar aquele que, por declaração do grande expert CLÁUDIO ARAGON, foi “o melhor rebanho Jersey em qualidade genética do mundo”, indiscutìvelmente o melhor do Brasil nas décadas de 1990 e 2000, tendo como titular sua espôsa Sueli e, posteriormente, também sua filha Luciana.


Com a melhor genética norte-americana (EUA e Canadá), em pouco menos de seis anos a Nogueira Montanhês provou que a Jersey é uma vaca de produção leiteira econômica, e não apenas uma “vaquinha de casa de campo” – dócil mas com pouca produção de leite.



Nos 66 alqueires montanhosos em Piracaia-SP, na Serra da Mantiqueira quase divisa com Minas Gerais, a Nogueira Montanhês produziu os animais mais premiados da raça Jersey no Brasil, em suas duas décadas de participação, vencendo diversas exposições nacionais e regionais, e produzindo muito leite superando, inclusive, a média canadense de quase 5.000 kg por vaca/ano: a média geral das Nogueira Montanhês superava os 6.000 kg/vaca em 1992 e 1993. Rebanho total próximo a 350 Jersey, das quais 80 importadas, a meta da fazenda era chegar a 200 vacas em lactação, o que não foi difícil.


Animais de origem canadense eram mais numerosos, na Nogueira Montanhês não havendo concordância com a afirmativa de que “as americanas produziam mais do que as canadenses”. 

“O que acontece, Ney justificava, é que os canadenses não podem forçar a produção por trabalharem com o sistema de cotas - se o produtor entregar mais do que sua cota, não recebe pelo excedente”.

A canadense de nome ANETTE, filha de Juno, fechou lactação com média de 30 kg/dia, no total de 10.600 kg no ano. Winoma, Cloe e Chanel, importadas ainda bezerras e filhas de Rosel, fazem parte de uma das melhores famílias da raça.



Sobre os animais, nenhum elogio é suficiente para descrevê-los, afinal as premiações recebidas em julgamentos nas exposições especializadas são suficientes para comprovar a qualidade da NOGUEIRA MONTANHÊS.



A estrutura planejada e montada por NEY NOGUEIRA para a fazenda foi espetacular, com cinco estábulos para as vacas em lactação, totalmente em alvenaria dispondo de ventilação forçada e piso emborrachado. Ambulatórios, farmácias, laboratórios de microbiologia, davam inveja a qualquer visitante. Sem falar nas alas para descanso dos animais e instalações para os empregados anexados a cada estrutura.



E os potreiros, com base de coast-cross, encontravam-se espalhados pelas áreas planas naturalmente existentes, ou aplainadas por Ney num dos mais bonitos e acidentados recantos da Serra da Mantiqueira. O manejo era simples, nos 49 piquetes e 5 estábulos na área de 64 alqueires, os animais separados por idade e fazendo rodízio num sistema de semi-confinamento.



Pensando em dirigir uma produção leiteira como atividade empresarial, a NOGUEIRA MONTANHÊS contratou profissionais especializados que, trabalhando em conjunto, preservaram e desenvolveram a genética dos animais aumentando sua produção a custos aceitáveis, aliando genética, manejo, nutrição e sanidade a uma rendosa e lucrativa produção de leite.



Tendo como veterinário o admirado ROBERTO VICENTE LOPES, até 1996 (depois em 2010 e 2011) responsável pela condução do programa genético com plano para produzir 80 fêmeas de alta genética por ano, retendo 25% dessa produção e espalhando as demais pelo mercado brasileiro e exterior, em especial para Argentina, Chile, Uruguai e Costa Rica, a NOGUEIRA MONTANHÊS possuindo cerca de 50 animais classificados EX, porque não poderia competir com EUA e Canadá nas exportações?


Roberto Lopes (d) com Marcelo Xavier, 2017 - Castro/PR
A preocupação com a produção de alimento obrigou-os a adquirir outra área, exclusivamente para plantio de forrageiras e graníferas, após um pesado e técnico trabalho de terraplenagem. Em 130 alqueires havia alfafa, aveia e coast cross para feno (23 alqueires), no restante da área milho para silagem e grãos (estes para a fabricação própria de ração). “Esta propriedade abastecia 2.000 ton de silagem (garantia de comida para todo o ano), além do feno acima citado, num sistema de alimentação auto-sustentável, reduzindo em quase 30% os custos da fazenda.



O controle sanitário bem rigoroso, todos os animais e o leite passando por uma bateria de testes e, quando detectados problemas como mastite crônica, claudicação, dificuldade reprodutiva e outros de natureza grave, esses animais eram sacrificados. As vacinas convencionais, como brucelose, aftosa, BVD e rinotraqueite são aplicadas no gado com agulhas não compartilhadas entre os animais. Em modernas instalações, o leite da Nogueira Montanhês passou a ser beneficiado e envasado nos tipos A e B, com colocação garantida no mercado paulista.


No ano de 2006, D.Zuleika Torrealba, carioca com propriedade rural em Bagé/RS, assessorada por Chico Vieira adquiriu 17 ventres da Nogueira Montanhês, dentre eles 2 campeãs nacionais (Keil e Viviane) e a grande campeã de Castro/PR (Carly). Como a fronteira do RS estava fechada, arrendaram uma fazenda em Itu/SP, e logo depois em Carambei/PR: dinheiro não era problema para D.Zuleika, e sua obstinação por ser a melhor criadora da raça Jersey era muito forte. Depois, outros 45 ventres foram levados para a Cabanha da Maya PAP, em Bagé, segundo seu administrador Chico Vieira, incluindo o touro Valentin e a tri-campeã nacional Sheila. Nessa transação, para a Cabanha da Pirulita (de Chico Vieira) foram adquiridas 5 vacas velhas de linhagens excelentes – Petruska, Rochelle, Millie, Joana e Darwine - e presenteadas ao Chico pelo Ney 5 terneiras de outras linhagens.

Na liquidação da Nogueira Montanhês, alem da Cabanha da Maya foram compradores Anselmo Vasconcelos, Salvador, Alfredo (de Bragança Paulista), Douglas Zonta (cujo plantel foi, depois, adquirido por Marcelo Xavier), segundo informações de Fernando Reis.
Desportista, Ney praticava pólo aquático no Botafogo - clube ao qual era atleta filiado – por êle sendo campeão brasileiro em 1963, em 1964 conquistando o campeonato sul-americano e participando da Olimpíada em Tóquio.

Nascido em 21 de julho de 1936 na cidade do Rio de Janeiro, faleceu a 27 de fevereiro de 2017 em São Paulo, cabendo registrar algumas manifestações de apreço e reconhecimento por sua atuação profissional e pelo trabalho que executou em prol da raça Jersey no Brasil e na América do Sul.


Ney com a filha Luciana

Morre neste domingo em São Paulo o empresário Ney Borges Nogueira
Mon, 27 de February de 2017 - Fonte: NTC&Logística - Faleceu hoje o empresário Ney Borges Nogueira, um dos fundadores da Pamcary, uma das mais importantes e conceituadas corretoras de seguros especializada em transportes do País . Ha alguns anos deixou a empresa que ajudou a criar para cuidar de negócios particulares. “Além de ser um dos mais importantes personagens do TRC, Ney também era conhecido pela extrema generosidade para com as pessoas e gratidão por aqueles que o ajudaram a chegar aonde chegou. Este é um dia triste para todo o nosso setor" declarou o presidente da NTC&Logistica, José Hélio Fernandes .Ney Borges Nogueira era detentor da Medalha de Mérito do Transporte, honraria concedida pelo Conselho Superior da NTC&Logistica a pessoas que tenham contribuído para com o transporte de cargas brasileiro.

CARLOS ALBERTO TEIXEIRA PETIZ: a família jersista está de luto com o falecimento do Ney, nosso amigo e companheiro de exposições, ex-presidente de nossa associação, trazendo uma lacuna que jamais será preenchida. Para mim, foi o melhor criador da raça Jersey no Brasil, sua humildade e animais trazendo para o nosso país, numa determinada época, o local onde se encontrava uma das melhores genéticas do mundo, hoje em dia motivo de orgulho e satisfação é ter em nosso plantel algum produto oriundo da Nogueira Montanhês. Fico triste porque sempre foi um amigo disposto a ajudar a quem precisasse. Meus sentimentos à família e a todos que tiveram o privilégio de conviver com ele.

MARCELO XAVIER: Ney Borges Nogueira foi, sem dúvida, um criador visionário. A história da raça Jersey no Brasil deve muito ao seu grandioso projeto. A Fazenda Nogueira Montanhês foi celeiro de grandes vacas, e obteve reconhecimento internacional como um dos principais criatórios do mundo. A genética Jersey que veio ao Brasil pelas mãos do Ney transformaram a raça em nosso país de maneira muito significativa. Os jersistas brasileiros estão hoje de luto com o seu passamento. Que descanse em paz.

CLÁUDIO ARAGON: Posso dizer, com toda a segurança, que o Ney foi um visionário na raça Jersey. Seu entusiasmo aliado à sua determinação de fazer sempre o melhor possibilitou que nós, brasileiros, pudéssemos presenciar a construção do que foi o melhor rebanho Jersey em qualidade genética do mundo. Teve a possibilidade de importar o que havia de melhor na raça nos EUA e Canadá. Mas foi muito alem disso, pois soube criar com maestria e reproduzir esta excelente genética aqui, no nosso solo. Perdemos um grande entusiasta e construtor da raç Jersey e, mais importante, perdemos um amigo.

ROBERTO VICENTE LOPES: Eu iniciei meu trabalho com o Ney em 1989, permanecendo até 1996 quando saí por problemas com a Sueli em exposição onde outro orientado por mim ganhou algumas categorias. Após esse período,mantive um ótimo relacionamento com o Ney, mas sem assessorá-lo. Em 2010 e 2011, quando o casal já estava separado, voltei a atendê-lo: ainda tinha, na Fazenda, 60 cabeças. Iniciamos novo trabalho mas, 2 anos depois, ele teve que vender tudo. Durante os 7 anos reconheço que ele me deu condições, aqui e no exterior, de acrescentar conhecimentos para a minha vida profissional, e tenho que agradecer muito ao Ney por tudo que aprendi durante esses anos, quando importamos muitas fêmeas top.

CHICO VIEIRA: Não poderia deixar de homenagear o meu grande amigo Ney,que disponibilizou-nos produtos das suas grandes vacas – Sheila, Keila, Kika, Sambo Sunny, Shaina, Viviane, Venancia, Wpçma, Eva, Markut, Wendy, Tynkle, Beatriz, Vinolia, Dulcie, e muitas outras grandes vacas e famílias - muitas delas foram parar em minhas mãos.

VAMIRÉ LUIZ SENZ: Ney foi um herói, bronze olímpico no Japão. Construiu a PANCARY – maior corretora de transportes do Brasil. Formou a NOGUEIRA MONTANHÊS, sendo campeão nacional por várias vezes e fomentador da raça Jersey. Ajudou muita gente, foi um guerreiro.

1992 - gaúchos recepcionados por Ney e Suelly, em sua residência

TJ43 - 30 ANOS DA JERSEY MINAS

  ASSOCIAÇÃO DOS CRIADORES DE GADO JERSEY DE MG Cap.I - SUA FUNDAÇÃO EM 28 DE FEVEREIRO DE 1991 ...