APRESENTAÇÃO DO AUTOR
Autor
deste blog batizado como “TAURAS DA RAÇA JERSEY”, fui criador e melhorista de
gado leiteiro a partir de 1972, iniciando como jersista em 1977 apaixonando-me,
a partir daí, pela notável, bela e produtiva raça Jersey.
Parando
de criar em 2002, afastei-me por oito anos deste meio que, confesso, sempre
gostei, voltando a acompanhá-lo a partir de 2010. Exerci diversas funções
eletivas na ACGJRS, duas vezes presidindo-a, em algumas outras liderando seu
Conselho Técnico ou secretariando a diretoria. Como oposicionista, participei de duas gestões.
Da
ACGJB, tive o prazer de auxiliar sua reformulação técnica por solicitação do engº agrº LEO GUIMARÃES (representante do MARA junto à associação), durante as gestões do Dr.ALDO RAYA e, noutras, como representante da ACGJRS tive
participação ativa em seu Conselho Deliberativo Técnico e na elaboração e atualização de diversos regulamentos e regimentos internos. Fui muito
crítico na oposição à última gestão da década de 2000 e à primeira daquela de 2010. Atualmente,
ainda com alguma ligação à gaúcha na qualidade de superintendente substituto do SRG, dedico-me a resgatar o passado e citar o
presente da raça JERSEY, e seus criadores, em nosso país.
Nesta
última postagem de 2019, ano muito bom para o crescimento, divulgação e criação
de bovinos Jersey, faço alusão ao PRESIDENTE da ACGJB que conseguiu
salvá-la de provável extinção, relaciono as JERSEY que mereceram as melhores
premiações nas exposições do IV CNRJ, e narro a história dos
criadores/expositores que mais se salientaram neste período no mesmo CIRCUITO.
Boa leitura, e um FELIZ ANO DE 2020!!
Carlos Guilherme Rheingantz
Boa leitura, e um FELIZ ANO DE 2020!!
Carlos Guilherme Rheingantz
1. AS PRINCIPAIS "ALL-BRAZILIAN 2019" (denominação deste blog):
OBS: em próxima postagem, as demais campeãs
GEMA ISCA DOUTRINA VALENTINO-FIV, EX 95
All-Brazilian 2020
|
AS MELHORES VACAS BRASILEIRAS 2019
AS MELHORES VACAS JOVENS BRASILEIRAS 2019
AS MELHORES FÊMEAS JOVENS BRASILEIRAS 2019
2. MARCELO DE PAULA
XAVIER
Conheci
o Marcelo Xavier em julho de 2012, durante um workshop promovido pela ACGJB, cujo
tema principal versava sobre “controle leiteiro e teste de progênie da raça
Jersey no Brasil”. Sabendo da possibilidade dele concorrer encabeçando uma
chapa para a direção de nossa entidade-mater nacional, procurei saber sobre suas intenções se eleito fosse.
Na
oportunidade, não negou sua vontade de aceitar o desafio, dizendo-se consciente da necessidade de melhorias administrativas, de ação, e de políticas na
brasileira, estando disposto a encarar a empreitada se fosse a vontade
dos associados. No Rio Grande do Sul discutimos muito essa possibilidade,
muitos achando-o jovem e novo na raça Jersey para assumir tal
responsabilidade, mas ninguém foi contra.
E
não deu outra: candidatou-se e, em chapa única, foi eleito.
Marcelo
soube, com muita habilidade e firmeza, mudar os rumos da ACGJB que passava por progressiva
má fase com reflexos por todo o Brasil. Com apoio das delegadas
do sul (RS, SC e PR), e de diversos criadores de MG e SP, principalmente,
conseguiu evitar o seu encerramento.
Reeleito
para mais um mandato, grande e competente criador que era, deixou-nos como
legado uma ACGJB ativa, com a reorganização de objetivos e serviços em andamento,
e um brilhante CIRCUITO NACIONAL DE EXPOSIÇÕES em substituição àquela outrora
grande, agora decadente EXPOSIÇÃO NACIONAL, desde os anos 1980 anualmente realizada
em São Paulo, em seus dois últimos anos em Castro-PR.
Fazendo
parte de terceira geração de família de produtores rurais, tradicional na
exploração de bovinos de corte e agricultura, soube por duas gestões
administrar, de forma transparente, a nossas BRASILEIRA, com diretores,
conselheiros, apoiadores técnicos e administrativos, além de associados “sem
pasta”.
Conta Marcelo:
“Em 2010, fui eleito como presidente da ACGJPR
e, junto com alguns amigos e criadores paranaenses, fiz um projeto de
desenvolvimento para a Jersey no Paraná. Conseguimos realizar um belo trabalho à
frente dessa filiada.
“Ao
terminar essa gestão como Presidente da delegada paranaense, fui convidado para
liderar uma frente de coalizão para a entidade nacional, bastante dividida por
brigas políticas no pleito anterior. Em um primeiro momento declinei do
convite, por entender que o trabalho no Paraná devia continuar. Mas, com o
apoio e incentivo de jersistas comprometidos de várias partes do Brasil,
resolvi aceitar o desafio e, em eleição de chapa única, fui eleito, assumindo a
presidência da ACGJB no ano de 2013. Fizemos, então, um trabalho de
reestruturação total da associação, visando a melhoria no atendimento aos
associados, a ampliação dos serviços prestados pela associação e o aumento da
visibilidade da Raça Jersey no Brasil.”
Marcelo de Paula Xavier já teve uma postagem como TAURA DA RAÇA JERSEY, no antigo www.blogdojerseyrs.blogspot.com , e terá em breve postagem neste blog, taurasjersey.blogspot.com na série OS PRESIDENTES DA ACGJB.
3. GERZY
ERNESTO MARASCHIN
Engenheiro
agrônomo por profissão, doutor em Agronomia pela Ufla/USA, foi um destacado criador
da raça Jersey no Rio Grande do Sul e no Brasil. Emérito criador, membro do
Colégio de Jurados da Raça Jersey nacional, exerceu a vice-presidência da ACGJRS na gestão 1993/94. Participativo e polêmico, nunca deixou de dar seu parecer ou
crítica nos assuntos jersistas.
Grande conhecedor sobre implantação e manejo de pastagens anuais e perenes, suas pesquisas na UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL-UFRGS auxiliaram o desenvolvimento das bases para o proveitoso e sustentável manejo dos pastos nativos sulbrasileiros, marcando presença na maioria das palestras, cursos e treinamentos sobre tão importante e necessário assunto.
Grande conhecedor sobre implantação e manejo de pastagens anuais e perenes, suas pesquisas na UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL-UFRGS auxiliaram o desenvolvimento das bases para o proveitoso e sustentável manejo dos pastos nativos sulbrasileiros, marcando presença na maioria das palestras, cursos e treinamentos sobre tão importante e necessário assunto.
Os irmãos Maraschin -
Wilson, Gerzy e Enio - em 1961 iniciaram, em parceria, a Granja Sinhá Maria. A
produção de leite era atraente, e tínham amigos leiteiros que ganhavam a vida
ordenhando “vacas mestiças e outras mansas”. O touro era “o do vizinho” (poucos
tinham um reprodutor com alguma qualificação), o que fortaleceu a idéia de
produzir leite com ventres qualificados e vender reprodutores.
Conseguindo um touro
Jersey PO oriundo da Estação Experimental Zootécnica de Montenegro/Secretaria
da Agricultura do RS, e um lote de vacas comuns, arrendaram campo no município
de Santo Ângelo-RS com a crescente vontade de criar animais puros de pedigree
para produção, venda e competição. Ainda em 1961, e em 1962, adquiriram duas
vacas PO e três PC da Granja Santa Rita, Guaíba-RS, e mais 3 fêmeas PO do engº.
agrº. Antonio Carlos Pinheiro Machado, Granja Zuleika, Triunfo-RS.
Em 1963 participando
da FENASOJA, em Santa Rosa, conquistaram o Grande Campeonato de Fêmeas com uma
das novilhas adquiridas da Granja Zuleika e, no ano seguinte, uma terneira já
crioula venceu na Exposição de Cerro Largo. Na primavera, mesmo com o rebanho
vacinado, foram atingidos pela febre aftosa, perdendo algumas vacas PO e PC,
outras deixando de reproduzir, com vários abortos ocorrendo. A mudança para uma
nova área, os gastos com suas instalações, a construção de silos e a redução dos
animais em produção, forçaram uma retração.
Os tropeços foram
assimilados e, em 1966, conseguiram uma área de terra de cunho permanente,
reiniciando o criatório com mais um touro do rebanho de Montenegro, excedente
da Companhia Riograndense de Inseminação Artificial - CRIA. A partir dai puderam
pensar com mais consistência, o leite sendo vendido diretamente aos
consumidores.
Em 1971 Enio se
retira da sociedade, o engº. agrº Gerzy viajou para cursar o doutorado na
Universidade da Florida-USA, e o comandante da VARIG, Wilson, passou a morar na
Europa e, para manter o empreendimento, foi contratar um administrador até o
retorno de Gerzy em 1975.
Em 1976 o engº agrº
José Ronald Bertagnolli visitou a Sinhá Maria, observando as pastagens de capim
elefante nas quais as vacas pastejavam e pernoitavam, no inverno recebendo
suplementação de silagem no local, dizendo-se admirado também com a qualidade
das quatro gerações de vacas PC que viu mantidas junto às PO.
Os Maraschin
visitaram a Cabanha Butiá em 1979, ficando impressionados com o seu rebanho
Jersey. Destas visitas e encontros, além da Expointer e das
trocas de idéias sobre a raça Jersey e o seu futuro, brotou uma grande
confiança e amizade, compartilhando desses encontros informais outros jersistas
que, estreitando laços de amizade conheceram a surgente Granja Sinhá Maria.
Gerzy explica:
“A Fenasoja foi o palco onde a granja Sinhá Maria brilhou
bastante, vendeu bem. Ainda em 1978, fomos à Expointer adquirir um reprodutor
e, gostando do Campeão Junior, adquirimo-lo na hora do Sr. Manuel Acylo
Azambuja. Ao final do julgamento, o mesmo veio a conquistar o Reservado de
Grande Campeonato dessa Expointer. Nesse dia aprendemos a conhecer uma boa
Jersey, Acylo Azambuja nos oferecendo uma bela vaca dois anos, mas pedindo um
alto valor por ela. Olhei a vaca, achei-a boa, mas recusei. Nesse momento
entrava no pavilhão o Antonio Carlos Pinheiro Machado.
“Cumprimentou-nos, olhou a vaca, e perguntou se estava à
venda. Sim, respondeu Acylo. Qual é o preço? Acylo lhe disse e Pinheiro Machado
lascou um cheque no valor. Manoel Acylo olhou-me de soslaio, como dizendo
“aprenda a conhecer vaca boa e de valor”. A vaca foi Campeã Dois Anos, depois
ganhando em São Paulo. Valeu a lição, naquele dia aprendi a aceitar o valor das
boas Jersey.
“Com a
evolução do rebanho e o amadurecimento de nosso pessoal, ocorridos em função do
controle leiteiro particular que realizávamos quinzenalmente, chegamos à
Expointer de 1981 e conquistamos o Campeonato de Vaquilhona Menor, o primeiro
premio Terneira Maior, além de dois segundos prêmio nos Campeonatos de Vacas.
Vendemos algumas, compramos outras e um terneiro da criação de Sir Edward Towill,
de Nova Petrópolis/RS. Nesse ano, e no seguinte, vendemos dois lotes de vacas
selecionadas pelo méd. vet. Enedi Zanchetti para os rebanhos de Santa Catarina.
“Nunca
mais adquirimos outro ventre, e fomos selecionando as nossas, gerando
discussões saudáveis e construtivas com Ronald Bertagnolli, Ney Ferreira e
Elton Butierres sobre fertilidade, produção de leite, persistência da lactação,
tipo e longevidade.
“A partir de 1981
iniciamos o controle leiteiro oficial, sob orientação da Associação dos
Criadores de Gado Jersey do Brasil, sediada em São Paulo, e 1983 foi o grande
ano da GRANJA SINHÁ MARIA em Esteio com a conquista do Grande Campeonato de
Fêmeas daquela Expointer. Essa vaca, em 1984, venceu em Esteio as importadas na
disputa do Campeonato Vaca Adulta, mas foi castigada na grande final. Wilson
desfez nossas sociedade, retirei os animais e equipamentos que me cabiam, e
acabou o sonho e intenções com a Granja Sinhá Maria”.
O
SITIO JOSIAN
Mas Gerzy não parou,
iniciando o Sitio Josian com o prefixo GEMA (derivado de seu nome, Gerzy
Maraschin), em 1985 adquirindo uma área rural em Sapiranga/RS. Suas duas filhas,
Simone (8 a.) e Ângela (5 a.) gostavam muito das Jerseys e, no ano de 1984 a
denominação dos animais iniciava com a letra “D”, ambas querendo uma terneira
com nome que as lembrasse: a da Simone foi batizada de “Dada”, a da Ângela,
como já passara a letra “A”, ficou com o nome de “Dângela” que, ao ser registrada
na ACGJRS, foi alterado para Donzela. A turbulência da época não permitiria
trocar o nome da terneira, o que nem tentaram.
O novo plantel estava
composto por 20 ventres PO oriundos do rebanho da então Granja Sinhá Maria,
mais o touro Charrua Title do Butiá adquirido da Sementes e Cabanha Butiá.
“As instalações em Sapiranga eram deficientes, mas
consegui socorro em criatórios de amigos: a Cabanha Butiá aceitou quatro
terneiras nossas, pela amizade e confiança que tínhamos com Ronald Bertagnolli,
valendo muito a recria desses animais lá, e quando as duas primeiras pariram
aos 30 meses de idade, saíram produzindo no mesmo nível das vacas da Butiá. Ali
sentimos a qualificação do rebanho construído na Granja Sinhá Maria. Nessa
época, em Sapiranga, a falta de recurso financeiro era gritante, e a mão de
obra angustiava”,
explica Gerzy, continuando:
“Em 1987, após dois dias de reunião memorável
com a nova Diretoria da ACGJRS e grande número de criadores, tendo Carlos A. Petiz
como presidente, e Carlos G. Rheingantz como diretor-secretário, na sede da
Associação Rural de Pelotas muitas arestas foram aparadas, e o convívio dentro
da Associação passou a ser aprazível, dali surgindo a iniciativa da criação dos
núcleos regionais gaúchos, e a idéia de exposições ranqueadas começou a
desenvolver sua silhueta. Uma sugestão minha, para evitar congestionamento e
melhor qualificar animais em Esteio, era a de realizar as exposições regionais
no primeiro semestre, e trazer para Esteio os premiados tornando a disputa mais
atraente.
“Com mão de obra de fora a alto custo, o
leite produzido no SITIO JOSIAN era transformado em queijo e vendido na Feira
do Produtor, em Sapiranga. A infraestrutura existente não estimulava a
inseminação artificial, e a monta natural era necessária. Acabei fazendo o
curso para inseminador, tentando sincronizar os cios para inseminações nos
finais de semana.
“O rebanho evoluiu em qualidade, e as
participações nas exposições em Esteio nos permitiram conquistar a Campeã
Terneira em 1987, a Campeã Vaca Adulta em 1988 e 1989, a Campeã Vaquilhona
Maior em 1989, e o Grande Campeonato de Fêmeas no outono de 1992 com GEMA GRAÇA
MIMA CHARRUA, além da Campeã Vaquilhona Maior na Fenaleite e na Expointer 1992
com GEMA JANAINA MIMA CHARRUA.
![]() |
| 1992 - GEMA GRAÇA MIMA CHARRUA |
“Um dos nossos grandes feitos foi no
Campeonato Fêmea Jovem na Expointer de 1992: as Cabanhas Vivian e Butiá também
tinham duas excelentes vaquilhonas e, com Simone e Ângela, analisamos os três
ventres individualmente comparando-as par a par, e chegamos à conclusão que não
perderíamos aquela disputa. O juiz canadense acabou confirmando nosso julgamento
com o seu!!
“Em 1995 e 1996 tivemos pesadas perdas, levando-nos
a optar pela defesa do rebanho de ventres Jersey. Procuramos vendê-lo, mas não
houve interessado pelos preços pleiteados. Meu irmão Enio Maraschin, de Santo
Ângelo/RS, acolheu-os por uns tempos. Continuamos buscando compradores e, um
dia, o criador José Guerra Mendina, de Sant’Ana do Livramento/RS, nos acenou
com a compra de um lote, abrigando os demais em sua propriedade. Realizamos o negocio
e ele manteve nossos ventres em sua propriedade, sobrevivendo duas secas e o
grande surto de febre aftosa no sul do estado. Em 2004 ele manifestou
desinteresse na manutenção dos animais, devolvendo-nos.
“Felizmente a médª vetª Ângela de Faria Maraschin,
minha filha, designada para a Inspetoria Veterinária de Santo Cristo, decidiu
pela continuidade do criatório, livrou-o de um potencial abate, e resgatou uma
boa porção da qualidade genética que ainda existia no seio daqueles heróicos 22
ventres”.
4. ANGELA DE FARIA MARASCHIN
Nas décadas de 80 e 90 lembro-me
da menina de olhos azuis, sorridente, simpática, educada, e apaixonada pelas
Jersey, sempre em Esteio acompanhando seus pais, D.Eneida e Dr.Gerzy, no trato
e na apresentação de suas bem criadas e selecionadas terneiras, novilhas e
vacas. Essa menina cresceu, estudou diplomando-se em veterinária, e casou com o
também veterinário Caco. Tiveream um casal de filhos, Marcelo e Daniela. Ângela
assumiu a criação de afixo GEMA quando, por motivos profissionais, seu pai
pensava em liquidar com sua criação.
Ainda
acadêmica, participou do CURSO PARA JURADOS DA RAÇA JERSEY em agosto de 2000 (Esteio/RS),
sendo definitivamente homologada no COLÉGIO DE JURADOS DA RAÇA JERSEY DO BRASIL
após sua formatura em Medicina Veterinária pela Universidade Federal do Rio
Grande do Sul-UFRGS em 2002. Diplomou-se Mestre em Desenvolvimento Rural pela
UFRGS em 2004 e, concursada, assumiu como Fiscal Federal Agropecuária do MAPA
desde 2007. Reciclou-se em dois cursos para Atualização de Jurados da Raça
Jersey realizados no RS e em SC.
Embora
jovem, já foi Vice-Presidente da ACGJRS na gestão 2010/2011, e sua Conselheira
Técnica na atual e em anteriores diretorias, sempre acompanhando os principais
eventos estaduais e nacionais da raça.
Participando
da organização da crescente FENASOJA, um dos mais importantes eventos
agropecuários do Brasil, em Santa Rosa, foi sua presidente na edição de 2014. Com
grande participação sua, a FENASOJA é uma das mais disputadas exposições da
raça Jersey no Rio Grande do Sul, com animais zootécnicamente importantes e um
dos concursos leiteiros mais disputados e de alta produção na raça a cada
realização.
Atuou
como jurada na Expofeira de Toropi (2006), Santa Maria (2006), Expofeira de
Pelotas (2008), Expoleite – FENASUL (2009), Expo Ventre – Bagé (2008), Efapi -
Chapecó (2009), Alegrete (2011), Expoclara (2012), Festa do Colono – Itajaí
(2014), Expointer - Esteio (2016).
Nascido
em Porto Alegre a 10 de maio de 1997, é o terceiro filho de cinco do casal Ely
Souza de Freitas, professora, e Amilcar Montenegro de Freitas, arquiteto. Conhecido
por “Caco”, como seu irmão mais novo pronunciava Marcos, apelido que o acompanhou
na escola, quartel, faculdade, e na vida toda.
Sempre
muito ligado a todos os animais, suas férias escolares eram sempre passadas na
fazenda de um amigo, em Cidreira, onde podia fazer o que mais gostava: andar a
cavalo e lidar com o gado.
Estes
momentos reforçaram sua ligação com “o rural”, e nunca teve dúvidas sobre sua
profissão - médico veterinário - exceto aos 17 anos de idade quando pensou em
ser domador de cavalos e largar os estudos, atitude prontamente repreendida por
seu pai.
Em
1986 serviu no CPOR em Porto Alegre, e destacou-se como “Cavaleiro do Ano” do
curso de cavalaria, mesmo ano em que foi aprovado no curso de medicina
veterinária na UFRGS. Formado em 1994, trabalhou em assistência a propriedades
de bovinos de corte e leite em diversos municípios do RS. Tendo a Faculdade de
Veterinária da UFRGS como referência, estava sempre em contato com professores
e alunos, tanto para a realização de exames como para oportunidade de saída com
alunos estagiários. Estes contatos propiciaram seu encontro com Ângela.
5.
ANGELA E CACO
“Em
1999, começamos a namorar. Em 2000, comecei a trabalhar na Coopermil,
cooperativa de produtores de leite em Santa Rosa, noroeste do estado do Rio
Grande do Sul. Ângela ainda na faculdade, namoro à distância, 500km de Santa
Rosa à Porto Alegre. Em 2001, fui chamado por um concurso prestado ainda em
1994, assumindo como médico veterinário na Secretaria Estadual da Saúde, em
Porto Alegre”, conta
Caco.
Formando
um casal ímpar na “família jersista”, parceiros na criação e ambos veterinários
por formação, criadores por vocação, são talentosos no relacionamento com
jersistas, e agropecuaristas no geral, sempre
acompanhados por seus jovens filhos nos eventos regionais, estaduais e
nacionais na raça por eles escolhida, nunca se omitindo nos assuntos técnicos e
sociais referentes às associações de criadores da raça Jersey propiciando,
anualmente, um belo e proveitoso “dia de campo” na sua destacada propriedade
rural.
Continua
Caco: “Em 2002 a Ângela se formou, as dificuldades da “cidade grande” como
trânsito, segurança pessoal, distância do trabalho, motivaram-nos a pensar
alternativas.
“Após
uma ligação do responsável pelo setor leite da COOPERMIL, a decisão foi tomada:
vamos para Santa Rosa arrendar uma propriedade por cinco anos, e trazer as
vacas do Maraschin e decidir pela continuidade, ou não, da criação.
“E
foi assim, em 2003 arrendada uma área de 8,5 ha na linha Divisa, no interior de
Santa Rosa.
“Para
iniciar, trouxemos quatro animais (2 vacas, 1 terneira e 1 novilha) para
participar da FENASOJA e habilitar os animais para um financiamento. Nesta
ocasião, a novilha J.MENDINA ADA RESENHA sagrou-se Campeã Fêmea Jovem, uma
surpresa para nós que tínhamos pretensões mínimas. Era o prenúncio do potencial
dessa família de vacas.
“Aproximando-se
o fim do contrato de parceria com o Cappellari, que era de 10 anos, começamos a
procurar propriedades para comprar ou arrendar. Então em 2015 encontramos um
local que era “nossa cara”, uma casa centenária a restaurar, açude, matos,
muito verde e água. A limitação da área, 8,5 hectares, nos obrigou a confinar
as vacas. O conforto dos animais nos fez decidir pelo “compost barn”. Estudamos
o sistema, visitamos vários já estabelecidos, fizemos o projeto e iniciamos a
construção. Em novembro de 2016 alojamos os animais. Compramos os animais que
eram do Cappellari e iniciamos nossa “carreira solo”. Com a capacidade do
galpão para 60 animais e no momento da mudança com 28 em ordenha, foi traçado
uma projeção de crescimento para a lotação gradativa das instalações. Objetivo
este que deverá ser alcançado no final 2019.
“Os
investimentos nas técnicas de reprodução como Transferência de Embriões, normal
ou com fertilização “in vitro”, sempre estiveram presentes. Em 2005 coletamos
nossas melhores vacas da época e GEMA BAGAGEM QUERÊNCIA SABER TE foi um
resultado destes investimentos, e a mãe da recordista 2011 e do nosso primeiro
touro em coleta em central de inseminação, GEMA MOCHILA BAGAGEM VALENTINO FIV,
que vendeu mais de 10.000 doses de sêmen através da Gensur. Noutro momento,
fizemos outra coleta da BAGAGEM onde resultou o GEMA HERÓI BAGAGEM MINISTER,
vendido para a Cabanha Cinco Salsos, de Cláudio Martins, em Aceguá-RS. HERÓI se
tornou pai de muitas vacas da Cinco Salsos e foi várias vezes Grande Campeão de
muitas exposições no Estado do Rio Grande do Sul.
“Produtos das tecnologias de reprodução assistida são, também, GEMA GLÓRIA CUIA IATOLA FIV,
mãe da GEMA INDEPENDÊNCIA GLÓRIA T-BONE EX-91, GEMA ICE BAGAGEM VALENTINO FIV
EX-90, GEMA ISCA DOUTRINA VALENTINO FIV EX-95.
“Outra
ferramenta importante na história da Cabanha GEMA é o Controle Leiteiro. Desde
2005, as amostras são mandadas mensalmente para a UPF - Universidade de Passo
Fundo, onde são feitas as análises de sólidos e CCS de cada vaca. Estas informações são compiladas em
relatórios, também mensais, muito utilizados na seleção dos nossos animais.
Estes relatórios possibilitaram também quantificar o ganho por lactação a
partir do novo sistema de produção adotado. Passamos de 6.046 kg de leite, para
7.274 kg de leite, ou seja, 1.228 kg de leite a mais por lactação média de 305
dias.
“As
Classificações Lineares são feitas, em todas as vacas aptas, pelo Técnico
Classificador Artur Cademartori, medº vetº. Desde 2010 fazemos, pelo menos, uma
visita anual para este fim, e notamos a evolução das pontuações obtidas pelas
vacas e algumas características sobressaindo-se nos animais.
“O
teste genômico permite-nos identificar a presença de certos genes que expressam
as características importantes.
“Tanto
tempo utilizando material genético positivo para determinadas características,
no momento em que se deu condições ambientais para os animais esta combinação
gênica acabou por refletir em um conjunto de animais diferenciados.
“Nossa
grande vaca do momento, GEMA ISCA DOUTRINA VALENTINO FIV-EX 95, resume tudo
isto: grande produção, excelente fertilidade, tipo indiscutível, vencendo
diversos Grandes Campeonatos em 2018 (Expointer e Ijuí – esta valendo para o
CNRJ, e o Reservado de Grande Campeonato Nacional), e em 2019 (Castro, e
Expointer,ambas valendo pelo CNRJ, e o Grande Campeonato Nacional).
Caco
ressalta:
“Muitas
pessoas participaram deste feito, a conquista do GRANDE CAMPEONATO NACIONAL DA
RAÇA JERSEY pela GEMA ISCA, começando pelo Gerzy Ernesto Maraschin - o grande
mentor, entusiasta e incentivador - merecendo elogios a maneira como procedeu à
transição da gerência das atividades na tão esperada “sucessão familiar”, sua
família por muitas vezes abdicando de outras atividades para dedicar-se um
pouco mais às vacas. E, aqui, falamos “toda a família”: os que estão, os que já
foram e os que estão chegando, à Ângela, sucessora nata de jeito e de vontade,
que com habilidade soube aceitar o novo sem perder o que foi conquistado, mas
sempre com seus princípios fortes e bem defendidos.
“Agradeço
a todos os funcionários que já trabalharam e trabalham conosco, de pouco ou
muito tempo, importantes na formação deste rebanho; aos preparadores que,
sempre, entenderam as vacas em primeiro lugar, sua saúde e bem-estar acima,
muitas vezes, dos nossos; ao técnico classificador Artur Cademartori, que
acompanha nossa caminhada há muito tempo e vem registrando essa evolução com
muita eficiência e retidão.
“Cito
também a contribuição do técnico classificador Paulo Henrique de Souza, prontamente
vindo de Curitiba à Santa Rosa para a certificação da nota EX 95, e à Associação de Criadores de Gado Jersey, que
sempre certificou nossas anotações zootécnicas.
“Explicando
o nome dessa grande vaca:
GEMA:
afixo do criador desde 1961, sempre investindo no melhor da raça Jersey;
ISCA:
nome da vaca em questão, com a inicial “I”, significa nascida em 2013;
DOUTRINA:
sua mãe, uma Chairman EX 91, atualmente seca preparando-se para seu 9º parto, aos
11 anos de idade, também mãe da GEMA LIMA DOUTRINA MOCHILA MB 88 (ao 1º parto)
Campeã 1 Ano Parida do Circuito Nacional do Jersey de 2017. Doutrina também tem
um filho de Marcin, GEMA MAESTRO DOUTRINA MARCIN, atualmente em coleta e venda
de sêmen pela GENSUR;
VALENTINO:
touro que colocou muito leite nas filhas das vacas em que foi utilizado, pai de “nossa” recordista de 1ª lactação, GEMA
LENDA IGUANA VALENTINO MB 89 (ao 1º parto), com 9 .510 kg de leite em 305 dias
de lactação;
FIV:
investimento em tecnologia, resultado de fertilização “in vitro”, coletada em
Santa Rosa-RS, concebida em Campo Grande-MS, nascida em Santo Ângelo e, novamente,
criada em Santa Rosa.
FELIZ ANO DE 2020







































