ANTÔNIO KARAM nasceu em 27 de maio de 1915 no
Passo do Salso, antigo sétimo distrito de Tupi Silveira - Bagé, onde seus pais,
de origem libanesa, se estabeleceram.
Em 1953, comprou uma fração de terras no lugar
denominado “Banhado dos Carneiros”, município de Bagé, batizando-o GRANJA
QUERÊNCIA. Algumas vacas leiteiras foram adquiridas, seus olhos voltados para a
raça Jersey.
Três anos depois comprou da famosa GRANJA CLARA
MARIA, de Herculano Gomes, a vaca CLARA MARIA ANTONIETA TERCEIRA
BRAMPTOM - RP 105, cujo registro continua exposto na parede de seu escritório.
Em seguida outros animais foram adquiridos,
sendo um touro da destacada FAZENDA CINCO CRUZES - afixo FCB - que, cruzado com
as demais vacas, formou uma ótima linhagem genética cujos frutos têm propiciado
à GRANJA QUERÊNCIA diversos campeonatos em Porto Alegre - depois Esteio - e
Bagé, e muita alegria no transcurso de sua existência.
Misto de poeta e gente do campo, autor de “AMIGO
VELHO” e “JERSISTA”, Antônio Karam é formado em contabilidade e filosofia por
Bagé onde, durante mais de 30 anos, foi funcionário do Banco do Brasil -
chegando a gerente.
Antônio
Karam sempre se interessou por literatura, e começou a escrever no extinto
Correio do Sul - em 1944 com um texto chamado “Cédulas Dilaceradas” - já
relatando vivências como funcionário do Banco do Brasil. Desde aí, não parou
mais de ler e escrever, e a sua coluna “Amigo Velho” rendeu três livros: Amigo
Velho I – Poesias(1985), Amigo Velho II – Contos (1990) e Amigo Velho III –
Crônicas (2006).
Neste 27 de maio completando 105 anos, em 2015 nosso “AMIGO
VELHO” comemorou seu centenário, vigoroso e ágil, com toda sua jovialidade
demonstrada dançando animados boleros na festa que ofereceu a alguns amigos na bonita e charmosa CHARQUEADA BOA VISTA, em Pelotas.
Este simpático e vigoroso jovem-ancião, com o
nome de família AISSAR, foi calorosamente homenageado na Expointer pelos
associados da ACGJRS no dia 2 de setembro de 2015, na Casa do JerseyRS.
Ele próprio resume sua interessante vida
jersista, contada numa inesquecível visita a este autor na Sede Social da
ACGJRS, em Pelotas, no início do ano de 2015:
“Meu pai veio com 18 anos do Líbano, via Uruguai, em fins do século 19
e, morando ali muitos anos, passou para o Brasil no início do século XX. Tendo
ido ao Líbano, onde casou, voltou para o Brasil no Passo do Salso, onde tinha
comércio forte e se tornara um criador, com várias quadras de campo.
Depois surge a Revolução de 1923. Convivemos com ela, as forças maragatas acampando lá em casa, seu chefe participando das refeições em
nossa mesa com a família.
Todavia, por circunstâncias adversas, fomos morar no Passo Maria Isabel,
na banda de lá, provisoriamente alugando ou arrendando uma casa de Paulo Avero,
onde dispúnhamos de um pedaço de campo e para onde havíamos levado a
cavalhada.
Meu pai deixou seus interesses no Brasil a cargo de um cunhado, e de um
antigo e bom empregado - Sílvio Caravaca. Eu me criei naquele meio rural ainda
primitivo, pois nasci em 27 de maio de 1915, época em que não havia as facilidades
de hoje, na lida com os animais. Tudo era a campo ou em mangueirões grandes,
laçando e derrubando, enfim.
Nessa vida me criei, convivendo com o campo, aramadores, tropeiros, enfim,
aprendendo de tudo desde pequeno. Em fins de 1924, chegamos à cidade de Pelotas
para morar. Ingressei no Ginásio Gonzaga, em 1925, com um irmão.
Meu pai, não tendo a quem deixar a direção dos negócios, vendeu tudo.
Fomos morar em Bagé onde, alguns anos depois (1940), ingressei no Banco do
Brasil, por concurso, em 20 de setembro, numa fase que considero áurea, convivendo em ambiente de nível elevado, de muito respeito no tratamento entre superiores e subalternos. Nesse meio tempo passei por todos os setores, chegando à Gerência. Aposentei-me
do Banco em 1971.
De certa maneira o Banco do Brasil foi, para mim, uma grande escola, aí eu começando a ver a vida de outra maneira no que diz respeito à área cultural, esse meio me levando a conhecer mais a vida, a história, o mundo, as letras, a própria língua nacional ou portuguesa em todas suas fases e influências.
De certa maneira o Banco do Brasil foi, para mim, uma grande escola, aí eu começando a ver a vida de outra maneira no que diz respeito à área cultural, esse meio me levando a conhecer mais a vida, a história, o mundo, as letras, a própria língua nacional ou portuguesa em todas suas fases e influências.
Sentia entusiasmo em participar autenticamente da vida do Banco, dos seus
lucros, e era um justo orgulho quando, ao fim de cada balanço, telegrafávamos
para a Direção Geral (naquele tempo) informando o lucro líquido da agência.
Fui autor de muitas e grandes correspondências, entre a agência onde trabalhei
(maior tempo em Bagé) e a Direção do Banco, resolvendo questões importantes
para o Banco e para a sociedade, considerando aí a pecuária e agricultura.
Naturalmente, contei sempre com ótimos e íntegros colegas, que sempre estiveram
ao meu lado.
Formei-me em Filosofia,Ciências e Letras, lecionei na Faculdade a
convite do saudoso Dr. Átila Taborda. Em 1953, adquiri um pedaço de campo e
criei a Granja Querência, onde comecei a criar Jersey em 1956, com participação
em muitas exposições agropecuárias no Estado e em Bagé, conquistando importantes
e valiosos prêmios.
Participei ativamente da administração da Associação Rural de Bagé, como
tesoureiro 5durante muitos anos, nas gestões dos Drs. Mercinho, Mário Freitas e
Bento Villamil Gonçalves, sendo gerente da Rural o companheiro Tácito Costa, e
ao lado de muitos outros, com Dr. Nilo Romero, Dr. Roberto Magalhães e Vicente
Donazar e muitos outros. Durante esse período, fizemos várias obras importantes
na Rural, o que é do conhecimento de todos.”
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autor,
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