Mário
Lopes Leão
1974
a 1980
MUDANÇA PARA SÃO PAULO - Nos
seis anos em que esteve à frente da ACGJB, Mário Lopes Leão deu novos rumos à entidade.
A primeira, e talvez mais importante decisão, foi trazer a sede do Rio de
Janeiro para São Paulo. Após 36 anos no Rio, a ACGJB mudou-se para o estado com
o maior núcleo de criadores. Segundo João Evangelista Leão, filho do
ex-presidente e hoje o administrador do espólio do Sítio São Francisco, o fato
de a associação ainda estar sediada no Rio de Janeiro tinha apenas motivos
históricos, pois para aquele estado alguns imigrantes ingleses trouxeram gado
Jersey nas primeiras décadas do século.
Euclydes
Aranha contou: “o reduto do Rio de Janeiro era muito pequeno, os grandes criadores já
estavam abandonando a criação, ou mudando para outras raças como, por exemplo, Eduardo
Duvivier e João Dale. Tendo verificado que São Paulo começou a se desenvolver
na criação do gado Jersey, e já participando com 55% da economia brasileira,
com o beneplácito dos demais associados fiz a transferência da associação,
entregando-a para outro magnífico criador – Dr.Mário Lopes Leão - para que os
associados paulistas assumissem sua direção, mas devo acrescentar que todos os
criadores de gado Jersey foram, sempre, muito solidários. Quando estávamos no
Rio, por exemplo, a associação funcionava no edifício Guinle e, diga-se de
passagem, pagávamos um aluguel ridículo, praticamente de favor”.
Com
a associação, transferiu-se para São Paulo a funcionária Nicolina Fajardo, mantendo
o registro genealógico “com muito rigor”
e, conhecendo todos os criadores, permaneceu na ACGJB até se aposentar.
Se,
por um lado, a vinda para São Paulo se deveu à maior representatividade de
criadores, por outro possibilitou a concepção de uma associação forte. O número
de associados elevou-se consideravelmente e a instalação nas dependências do
Parque de Exposições da Água Branca conseguida por Mário Lopes Leão, aliada à
estruturação burocrática, possibilitou a consolidação da associação como
entidade oficial dos criadores de Jersey.
MEMÓRIA – ao contrário
dos demais ex-presidentes da ACGJB, Mário Lopes Leão foi uma pessoa
fundamentalmente urbana. Filho de família do interior de São Paulo (Botucatu),
Leão veio para a capital do estado aos 17 anos. Nos estudos foi muito bem.
Formou-se em engenharia civil, mecânica e elétrica. Na Escola Politécnica da
Universidade de São Paulo, a mais disputada faculdade de engenharia do país,
classificou-se em primeiro lugar. De outra parte, Lopes Leão deu aulas de matemática,
física e química – para custear os estudos – desde os 15 anos de idade. Para
João Leão, seu pai guardou na memória, por muitos anos, a vontade de ter o seu
pedaço de terra e criar alguns animais. E isso apenas foi possível no final dos
anos 50 com a aquisição, em Jundiaí, do Sítio São Francisco.
Mas,
antes disso, Lopes Leão foi assessor de Prestes Maia, quando prefeito de São
Paulo, e preparou o primeiro estudo feito por brasileiro do metrô da capital
paulista. Na área de transportes urbanos, foi o primeiro superintendente da
Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC) de São Paulo, e da SMTC, de
Santos. Na área energética, presidiu a Empresa Energética do Estado de São
Paulo por oito anos, na época composta por várias empresas. Estas corporações,
mais tarde, foram fundidas na CESP (Centrais Energéticas de São Paulo), da qual
Leão foi o primeiro diretor de operações.
O
ex-presidente da ACGJB ainda acumula em seu currículo o cargo de vice-presidente
da Eletrobrás e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, atual BNDES.
Como coordenador do grupo internacional de Sete Quedas, encaminhou estudos
junto ao governo do Paraguai para a construção da hidrelétrica de Itaipu.
Finalmente, presidiu a Companhia Siderúrgica de São Paulo (Cosipa) por dez anos.
NA FAZENDA –
adquirindo o Sítio São Francisco, Mário Lopes Leão passou a criar aves e suínos.
Posteriormente, veio o gado e a paixão pelo Jersey. À medida que o plantel crescia
em quantidade e melhorava em qualidade, o nome São Francisco ganhava destaque entre
os animais. A vaca Anabela Gaiato de São Francisco foi a primeira a ser
registrada por Mário Leão na associação, em 1969, e Cabuletê Trademark de São
Francisco o seu primeiro campeão.
A
região de Cabreúva, a 60 km da capital de SP, é bastante acidentada,
apresentando quantidade elevada de pedras nos morros. Há poucos quilômetros da
estrada principal pode ser encontrado um verdadeiro “oásis”, onde se encontra a
Fazenda Uirapuru, com 387 ha levemente ondulados de terra relativamente boa e
com aguadas abundantes. Em cerca de 110 ha são plantados café, uva e eucaliptos, os restantes
180 ha reservados à criação de gado Jersey de ótima qualidade.
A
Fazenda Uirapuru possuía 320 Jersey, sendo 150 vacas leiteiras
(75 em lactação produzindo 750 litros/dia de leite “B”), 5 touros, e o restante
distribuído entre bezerras e novilhas. Em seus 30 piquetes cercados por arame
liso, todos com bebedouros, eram formados por Napiê e Braquiária Decumbens, somente
os animais em lactação recebendo suplementação na ração – na época da seca, estendida
aos demais Jersey – e, em certas épocas do ano, havia complementação com
silagem e rolão de milho produzidos na fazenda.
A
partir do falecimento do Dr.Mário, em 1980, passou a dirigir a empresa o seu filho, Carlos
Alberto Rodrigues Leão, obtendo grande premiação na I Expo Nacional de Gado
Jersey (Água Funda) em 1982, e os melhores resultados na Expo-Leilão em março
de 1983.
DIVISÃO – até
1971 todo o plantel Jersey de Lopes Leão era criado no Sítio São Francisco.
Posteriormente, a aquisição da Fazenda Uirapuru, em Cabreúva/SP, possibilitou uma
divisão desse rebanho: parte permaneceu na origem e o restante foi transferido
para a nova propriedade.
Hoje,
porém, do plantel original apenas poucas cabeças permanecem no Sítio São
Francisco. A Fazenda de Cabreúva está à venda, e o objetivo – após a venda de
expressiva porcentagem do gado – é permanecer com não mais que 20 animais.
Segundo João Leão, essa política se deve aos diferentes projetos de vida dos
herdeiros do espólio. “Tentativas de manter todo o plantel foram
feitas, mas sem resultado. A criação continuará, mas em menor escala, de acordo
com a capacidade física do Sítio São Francisco”, explica o
ex-secretário de planejamento do município de São Paulo acrescentando que criar
200 cabeças numa área de 130 alqueires, produzindo leite B, só é viável se o
interesse for comum. O que não é o caso.
Esta postagem está baseado
na revista oficial da ACGJB, coluna Galeria de Presidentes:







