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"Aproveitei o momento em que meu
pai comprou uma área de terras em Formosa (GO) e precisou ir atender lá, e me
estabeleci aqui. Na época era lavoura e suínos. Foi difícil no início, pois os
empregados não me aceitavam como patroa, alguns acabei mandando embora. Tive o
respaldo de meu pai que, no fundo, estava achando muito bom eu começando a
tomar pé da vida campeira, mas não reconhecia isso para minha mãe." 
Carmen com seu pai (e) e sogro |
"Criei cavalos Crioulos, aprendi a
domar, e era uma apaixonada mas, financeiramente, não iria me sustentar.
Continuava com a suinocultura, mas meu sonho sempre foi trabalhar com bovinos,
então conversei com meu pai e ele me disse: 'Faça uma faculdade, aí veremos'.
Então resolvi fazer Direito que me traria conhecimento para a vida. Fiz a
faculdade à noite, sempre trabalhando aqui."
"Quando minha mãe viu que eu não
iria abrir mão da fazenda por nada, e que não tinha vocação para cidade apesar
dela me fazer estudar piano, ballet, e sonhar que eu fazendo Direito iria
acabar sendo Juíza, acabou se rendendo aos meus 'caprichos' - segundo
ela. Então decidi diminuir a lavoura e terminar com a suinocultura que, na
época, estava de arrasto, para criar bovinos."
"O que criar numa área que não é grande? Depois de pesquisar um pouco, cheguei à conclusão que seria Jersey. Assim, dois ano antes de me formar, minha mãe me deu o dinheiro para comprar 2 vacas em Bagé, de afixo Macaco da Grota, e ganhei de meu padrinho, João Jardim, que criava Jersey, uma novilha prenhe - ela morreu no parto, e a cria era macho."
João Jardim (d) e a esposa, May (e), com Carmen e sua mãe
"Adquiri, de Mário Macedo, duas vacas. Em setembro de 1989 nasceu
a primeira Jersey VENTANA, e também minha filha ANTÔNIA - que foi criada no meio das Jersey e, cedo, já tirava leite à mão."
Antônia e Carmen
"Minha primeira entrega, para a ELEGÊ, foi de 30 litros (hoje, 2017, são mais de 1200 litros/dia)."
"Me formei, entreguei o diploma a meus pais, e passei a morar, definitivamente, na Cabanha Ventana, eu e minha filha. Hoje, mesmo tendo vendido 90 vacas em lactação (inclusive para Roraima), meu rebanho possui 133 Jersey - de nascendo a morrendo."
"Respondendo então tua primeira
pergunta, Carlos, acho que a vocação é minha mesmo, nasceu comigo, pois fui
contra tudo para ficar na fazenda. Não conheci meu avô Antônio Joaquim Dias da
Costa que construiu a casa que moro na fazenda, e sei que tirou leite de uma
Jersey em Porto Alegre em plena avenida Independência quando criança. Tenho por
ele um fascínio, um respeito e um amor muito grande. Acho que nos daríamos
muito bem pois, com o passar do tempo, fui descobrindo que tenho muitas coisas
dele. Tenho a mania de fazer agenda da Cabanha, nela tem tudo o que acontece e
é escrito no dia, mais tarde descobri que ele fazia diários da fazenda, coisa
que meu pai nunca me ensinou, e acredito ser uma vocação de sangue (se é que
isso existe)."
"Ah! Não consegui fazer Veterinária, mas insemino, faço cesariana,
a prática me tornou uma quase profissional."

A casa, construída pelo avô Joaquim em 1935.
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"Porque a raça Jersey? Na época
optei achando que elas comiam menos (doce ilusão) pois não sabia nada da raça e
também porque não gosto da Holandesa ( me perdoa a franqueza ). Hoje te
respondo que a Jersey é a única raça que reúne longevidade, sanidade,
precocidade, rusticidade, fertilidade e docilidade, além de ter o melhor leite.
Faz jus ao ditado LEITE DE RAÇA. Sem esquecer, ainda, a carne, que é a
mais saborosa de todas, o que me encantou com a raça e hoje me torna uma
defensora e apaixonada. Não troco minhas amarelinhas por nada deste mundo." |
"Meu objetivo? Continuar
criando esta raça com muito respeito e amor, raça esta que me dá prazer, que me
sustenta e que a cada dia me renova. Torcendo que minha sobrinha Marina Jaeger
Petersen Dias da Costa Sampaio seja minha sucessora, uma vez que minha filha
Antônia gosta muito de passear aqui, mas não quer esta vida. É formada em
História e traçou outra direção que eu tenho que respeitar."
Marina, a sobrinha "sucessora"
Dez quilômetros antes da cidade de Cruz
Alta (estrada Santa Maria – Cruz Alta) há um trevo com entrada apenas para a
direita. Tem uma placa em que diz “Salto do Jacuí”.
Rio Jacui, vista da estrada de acesso à Cabanha Ventana
Após entrar à direita, percorre 14
quilômetros pelo asfalto, passando em frente à empresa Grandespe, localizada à
direita. Em seguida, há outro trevo, identificado por uma placa em que diz 'Corticeira'. Neste trevo deve-se dobrar à esquerda. Após percorrer seis
quilômetros, tem, à direita, uma floresta de eucalipto. Passando por esta
floresta, chega-se à Cabanha Ventana, identifica por uma placa, dependura em um
pinheiro.

A Cabanha Ventana é uma propriedade tradicional na
criação de Jersey na região de Cruz Alta. Os participantes de importante
encontro organizado pela Ventana e ACGJRS, apoiado pelo Sindicato Rural de Cruz Alta, em
dezembro de 2013 conheceram suas instalações, compreendendo como funciona seu
adiantado manejo e a nutrição das vacas, naquele momento sem pasto devido ao clima,
atingindo média de 20 litros de leite por animal/dia (em 2020 chegando a 27 litros/dia), com muito baixo CCS
(Contagem de Células Somáticas) e CBT (Contagem Bacteriana Total), e apresentando
teor de sólidos excelente. Naquele momento, o rebanho estava constituído
de 110 Jerseys.
Diversos temas foram abordados no período da manhã, na
sede do Sindicato Rural de Cruz Alta. O almoço foi servido no Núcleo de
Criadores de Cavalos Crioulos, no Parque de Exposições do Sindicato. Após, os
participantes foram para a Cabanha Ventana.
Carmen explicando para Gerzy e Ângela, Marcelo presente, sobre sua seleção
O objetivo do Dia de Campo em Cruz Alta, congregar os
produtores da raça, foi totalmente atingido, trocando informações e experiências,
e oportunizando a visita num estabelecimento-referência na criação de Jersey da
região Noroeste do Estado.
A propriedade de Carmem é conhecida pelo alto nível dos
animais que cria, com resultados exemplares, confirmados nas
mostras de Jersey de que participa, competindo em uma região de alta
produtividade. Sua participação em exposições sempre foi ótima, adorando os concursos leiteiros mas alegando que "precisam ser limpos".
Carmen não gosta muito de participar dos julgamentos zootécnicos nas exposições, embora tenha sido bem sucedida naqueles em que seus animais foram apresentados...
... mas adora os Torneios Leiteiros, dos quais sempre está no "pódium" com excelentes produções.
"No noroeste do Rio Grande do Sul é onde se centraliza a maior quantidade do leite produzido no estado e, quem por lá passar, deve conhecer a CABANHA VENTANA e suas belas e produtivas Jersey, há alguns anos selecionadas genômicamente - com sucesso - principalmente levando em conta o melhoramento de seus aparelhos mamários e produção."
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Na Fenadi
(Ijui), em 2006, a Ventana obteve o 1º e 2º lugar concurso leiteiro até 36 meses, e 2º lugar acima de 36, e ainda em julgamento de vacas: campeã
ubere adulto e campeã úbere jovem, campeã conjunto vacas, grande campeã e
reservada de campeã. Tudo isto somente com 3 animais!!! Depois, em 2007, 2008, 2010, 2012, 2016, etc, sempre brilhou.
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Destacada produtora regional, estadual, mereceu em 2016 o prêmio da AGL em Porto Alegre.

Suas instalações, sempre atualizadas, tem retorno rápido graças à alta produtividade de suas vacas.
Carmen é apaixonada pelas suas Jersey e, carismática e ativa, agrada a todos que com ela convivem. Nas redes sociais ligadas à raça Jersey, diàriamente (e cedo) está se manifestanto com sua alegria e otimismo contagiantes.