sábado, 30 de novembro de 2019

TJ23 - FLÁVIO VIRIATO DE SABOYA NETO



Na história da raça Jersey gaúcha e cearense, portanto brasileira, dois grandes Flávios jamais serão esquecidos, graças ao empenho, capacidade técnica e habilidade no fomento, ambos de caráter e postura inabaláveis.

O saudoso ABRANTES, gaúcho responsável pela organização e condução do registro do Jersey no RS de 1955 até 1986, e de SC e CE por algum tempo, com histórico em postagem mais antiga neste blog, ...



...e o SABOYA, cearense fundador do NÚCLEO DE CRIADORES DE GADO JERSEY DO CEARÁ – depois ASSOCIAÇÃO DOS CRIADORES DE GADO JERSEY DO CE - inspetor de registro no CE e noutras regiões nortistas do Brasil, por dez anos exercendo a presidência da ASSOCIAÇÃO CEARENSE, o motivo desta postagem.


Engenheiro Agrônomo formado pela Escola de Agronomia da Universidade Federal do Ceará em 1969, FLÁVIO VIRIATO DE SABOYA NETO foi credenciado INSPETOR DE REGISTRO DA RAÇA JERSEY a partir de 1984, chegando a SUPERINTENDENTE DO SRG DA ACGJB. 

Criador desde 1986, FLÁVIO promoveu o primeiro registro genealógico da raça no Norte do Brasil, no estado do Amapá, com foto publicada em revista da ACGJB mostrando a vaca registrada no “marco zero do Equador”. Já foi representante de diversas entidades ligadas à agropecuária, sendo o atual presidente da FAEC - Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará.

Conta-nos Flávio Saboya:

“O estado do Ceará tem mais de 85% de sua área no semiárido, com vocação natural para a pecuária. Enfrentou o Ceará cinco anos consecutivos de secas e, como decorrência dessa prolongada situação, viu-se a pecuária cearense, mais especificamente a bovinocultura, sofrer um contínuo e significativo declínio. Comentou-se nos meios pastoris, e nas entidades oficiais, que os rebanhos bovinos foram reduzidos entre 40 e 50% daqueles existentes em 1978. Nos idos do século XIX, seu rebanho era estimado em 6.000.000 de cabeças, hoje reduzido aproximadamente a 2.500.000 bovinos. O pastoreio contínuo e indiscriminado levou à diminuição drástica da capacidade suporte das pastagens nativas do semiárido.

“Indiscutìvelmente esse quadro permitiu, ou ensejou, uma conscientização mais realista das potencialidades regionais, ou mesmo para a utilização de planos de explorações mais compatíveis com o semiárido.

“Foi na pecuária leiteira, todavia, em que tudo nos parecia sombrio e fadado ao desaparecimento, que despontou algo de novo. Como sabemos, no decorrer do flagelo dessa prolongada estiagem, os plantéis leiteiros de altas produções e de exigências cada vez mais sofisticadas entraram em processo de estagnação, ou até de liquidação. Essa situação, motivada pela redução das disponibilidades alimentares e agravada pela perda de qualidade daquelas ainda existentes, levou o produtor de leite a rapidamente se ajustar à nova conjuntura. Matrizes de alta produção já não encontravam o necessário sustento aos seus requerimentos nutricionais com os alimentos que lhes eram ministrados, não só pela qualidade dos mesmos como, também, pela quantidade ofertada, além de seus custos verdadeiramente proibitivos.

“Coincidentemente foi neste momento da mais alta complexidade, e de desaquecimento econômico, que vem surgindo o interesse por uma raça leiteira com características deveras especiais. Originária de uma pequena ilha no Canal da Mancha, entre a França e a Inglaterra, o gado Jersey foi, a partir de 1763, selecionado para produção de leite e de manteiga. Do isolamento natural, resultou um rebanho de uniformidade, de conformação, e de temperamento leiteiro acima de todas as demais raças, com características leiteiras marcantes e constituição bem proporcionada, sem nenhuma tendência à produção de carne.

"Ao mesmo tempo, havia um comércio intenso de venda de bovinos para as áreas de produção intensiva de cana de açúcar no estado de Pernambuco, à época grande produtor mundial de açúcar. Para eliminar a remessa de ‘animais a pé’ foram trazidos para a região do Baixo Jaguaribe europeus especialistas em conservação de carnes com ervas e sal, o início das charqueadas, que expandiu-se na cidade de Aracati e arredores.

“A partir de 1877, com as sucessivas secas, os rebanhos foram dizimados, o que levou os especialistas em conservação de carne a imigrarem para o Rio Grande do Sul, reiniciando o processo nas plagas gaúchas, hoje característica desse Estado irmão. Particularmente, sou descendente de um casal de italianos, que migrou à época para essas ações.

“Por outro lado, no início do século XVIII, trazidos pelos jesuítas, desembarcaram no Ceará rebanhos bovinos de pequeno porte, destinados à produção de leite na serra da Ibiapaba, no limite do Ceará com o estado do Piauí. Esses rebanhos, após séculos de aclimatação, deram origem à raça denominada ‘Pé Duro’, muito semelhante à Jersey. Essa raça hoje é trabalhada pela Embrapa Meio Norte, no Piauí.



 “Também o escritor Capistrano de Abreu, cearense e grande amigo do embaixador Assis Brasil, completa essa aproximação do Ceará com a raça Jersey no Rio Grande do Sul. Ele era hóspede frequente de Assis Brasil, com quarto reservado em sua propriedade, e seus descendentes criavam Jersey no Ceará.



 “Por ocasião da 1ª Expointer, em cuja abertura estávamos presentes, fomos recepcionados pelos criadores de Jersey do RS, e passamos a utilizar seu estande no Parque Assis Brasil como o ‘ESPAÇO DO CEARÁ’. Ao encerrar-se o evento, desafiamos os gaúchos a levarem um rebanho para a nossa exposição, em Fortaleza, naquele ano.

“Deu certo, e os animais chegaram trazidos pelo Dr. Butierrez e eu, à época criador de holandês, fiquei com um terno Jersey (um macho e duas fêmeas). Assumi, espontaneamente, o envio das comunicações direto à filiada do Rio Grande do Sul, que as repassava à Associação Brasileira de Jersey em São Paulo.



“Posteriormente, fomos novamente ao Rio Grande quando, em Pelotas, adquirimos mais 20 (vinte) cabeças.

“O Jersey cresceu no Ceará necessitando de um contato direto com a Associação Brasileira e, assim, fui a São Paulo sendo credenciado como técnico no Ceará.

“Tive, pessoalmente, a honra de criar o NÚCLEO DE CRIADORES DE GADO JERSEY DO CEARÁ, ocupando a posição de presidente. Mais tarde, criada a ASSOCIAÇÃO DE CRIADORES DE GADO JERSEY DO CEARÁ, assumi sua presidência no segundo mandato. Com sucessivas compras, o rebanho no Ceará passou de 800 cabeças, com um grupo de criadores ativos e de boa visão associativista.

“Quanto à eleição na Associação Brasileira em 2015, após inteirar-me da situação nesses momentos difíceis que o Brasil atravessa, até trazendo reflexos para uma boa gestão da ACGJB o candidato Marcelo, disposto a repetir sua gestão com muitas modificações, teve meu apoio. A eleição foi antecipada para a primeira quinzena de dezembro de forma a permitir o início da gestão coincidindo com o início do exercício”.

Elton Butierres, ex-presidente da ACGJRS, em 01 de julho de 2019 enviou para este bloguista, sobre uma postagem  tratando do Jersey cearense:

Carlos, gostei do Artigo postado nos Sócios da Raça Jersey. Apenas um lembrete: o Jersey no Ceará não foi introduzido por Assis Brasil, os primeiros 7 ou 9 animais foram levados na gestão João Jardim e acompanhados pelo meu pai, Elton Adão Butierres. Eram animais do Castelo, e um touro de nossa criação (afixo Florida, com sangue inglês do continente e 50% canadense), merecendo artigo no Correio do Povo Rural. O secretario da Agricultura do CE era o Flávio Sabóia. Abraço >.



De fato, o Jersey Cearense evoluiu, e o fomento que vem sendo realizado pelo med.vet. ANTÔNIO MAGALHÃES, técnico de registro da região, tem aumentado sobremaneira o número de criadores, de eventos, e de expositores.


O forte grupo composto por Cláudio Teófilo, Alex Sá, Paulo Paixão, Cláudio Teófilo Jr., Ribamar Paixão, Leopoldo Vasconcelos e Flamarion, além de vários outros, tem agitado às exposições cearenses que, a cada evento, ganha novos interessados.



Nas fotos a seguir, enviadas por Dálvaro Jales, alguns momentos com os criadores cearenses.





segunda-feira, 4 de novembro de 2019

TJ22 - MARIA CHRISTINA HOMEM DE MELLO FIGUEIREDO




Maria Christina Homem de Mello Figueiredo nasceu a 9 de março de 1938, filha do casal José Homem de Mello e Elisa Maria Alves de Lima Homem de Mello.

Diplomada Socióloga pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo, especializou-se em Psicologia Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Dentre suas atividades profissionais, de 1968 a 1971 exerceu a Coordenadoria de Recursos Médicos e Hospitalares de Interclínicas Assistência Médica e Hospitalar, e foi Coordenadora do Projeto de Recursos Humanos do Centro de Recursos Humanos da Secretaria de Educação de São Paulo de 1971 a 1979.

Presidente da Federação das Bandeirantes do Brasil – Região de São Paulo, foi também Secretária Internacional dessa Federação e Membro do Comité do Hemisfério Ocidental da WAGGGS - World Association of Girl Guides and Girl Scouts de 1990 a 1999, sendo Membro Honorário da WAGGGS.

Pecuarista por vocação teve grande atuação na área rural, exercendo a presidência da ASSOCIAÇÃO PAULISTA DOS CRIADORES DE GADO JERSEY e, na gestão seguinte, sua vice-presidência. Da ACGJB foi Conselheira Fiscal na gestão de Sebastião Cabral Filho (2001/2006), em 2004 sendo uma das colaboradoras para a recuperação financeira dessa entidade nacional.

Maria Christina é herdeira do pioneiro José Homem de Mello, que admirava as vacas, e na companhia do marido, João Baptista de Figueiredo Júnior, trouxe consigo amor e orgulho pelo que fazia, além de objetivos planos e projetos para o pleno desenvolvimento de seu empreendimento jersista.


Cristina esteve à frente da Fazenda Pinheiros desde 1984, numa área de 480 alqueires (1.168ha) que, após a divisão entre os herdeiros ocorrida em novembro de 1995, ficou reduzida para 192 alqueires (464,64ha). Também o gado foi dividido, ficando Maria Christina com 164 Jersey (86 em lactação e 78 novilhas), os irmãos com quase todo o rebanho da raça Pitangueiras e 65 Jersey.


Situada em Itatinga/SP, a Fazenda Pinheiros desenvolve com produtividade e liquidez sua produção leiteira a pasto desde a década de 1940. Suas raízes vêm do Jersey, com rusticidade comprovada, nunca ignorando a evolução genética das últimas décadas.


Da revista RAÇA JERSEY, da ACGJB, no final de 1995, sobre a Jersey da Fazenda Pinheiros:

“As vacas paridas estão produzindo cerca de 950 litros de leite/dia, em duas ordenhas no sistema manual, produto comercializado a R$ 0,27/litro para um grande laticínio.



“Maria Christina Homem de Mello Figueiredo é, há três anos, a maior produtora de leite da região de Avaré (bacia leiteira de médio porte) e, nos últimos seis meses, classificada entre os 350 maiores produtores da companhia. Na sua opinião, o grande responsável por esta performance é o gado Jersey, que mantem uma uniformidade de produção durante toda a lactação.

“Os animais são mantidos a campo, em sistema de piquetes irregulares, rotacionados de acordo com a necessidade, recebendo suplementação de silagem de milho no inverno e de napiê, ou napiê verde, no verão, duas vezes ao dia, no cocho e na hora da ordenha. O concentrado adquirido na cooperativa, à base de farelo de soja, de trigo e de algodão, é servido 2 kg na ordenha da manhã e 1 kg na da tarde, por vaca, durante todo o ano. Os minerais são disponibilizados nos piquetes. Todo o arraçoamento, silagem e concentrados, é preparado na fazenda e oferecido embebido em água, no cocho, numa espécie de sopa. 


        
“Os jovens possuem esquema diferente: os bezerros são separados das mães no quarto dia de vida, e desmamados aos cinco meses. Até então, além do leite, recebem capim picado e 500g de concentrado comercial próprio para cada faixa etária. A partir do 5º mês até um ano, eles vão para piquetes, onde ainda recebem capim picado e silagem à vontade, feno de coast-cross produzido pela Pinheiros, e alguma suplementação de concentrado no inverno. Dos 12 até os 18 meses, quando as novilhas entram para a vida reprodutiva, a dieta é totalmente a pasto.


“João Baptista Figueiredo Júnior, marido e braço de ferro de Christina no trabalho, explica que é sagrado a entrada de caixa na fazenda todo o mês. Para isso, o custo dos 3 kg de concentrado consumidos por cada vaca, diariamente, nunca excede o valor recebido por 2 litros de leite produzido, assim conseguindo retornar 70% do leite vendido à cooperativa descontado o gasto com medicamentos, esse retorno pagando as demais despesas da Pinheiros e fazendo sobra para investimentos - o próximo deles a instalação de uma ordenhadeira mecância.

“Christina e João Baptista montaram um sistema de informação bastante eficiente: todos os colaboradores da Pinheiros, independente de suas tarefas, fazem relatório diário de ocorrências, da produção de cada vaca à quantidade de chuva no dia, tudo sendo apontado. Uma vez por semana, os dados são colocados no computador, com apuração mensal, ele confirmando que “os números não mentem e não traem, pelo contrário, subsidiam o controle do trabalho e a precisão de acompanhamento a cada animal.

“O rebanho dos Homem de Mello foi originado de duas vacas e um touro, comprados de João Laraia (Jacareí/SP) na década de 50: Ariana Brejeira e um filho de Balada da Santa Hilda, recordista nacional de produção numa única lactação com 7.780 kg de leite. Por sua vez, o gado de Laraia tinha sua base formada a partir do criatório de Francis Hime (Jacarepaguá/RJ), primeiro presidente da ACGJ e um dos primeiros importadores de Jersey da Inglaterra.


“Na época, devido às dificuldades para a conservação de sêmen, a inseminação era uma prática complicada, e a alternativa era a monta natural. A Fazenda Pinheiros nunca comprou uma fêmea. O primeiro salto genético deu-se graças a Jorge Cunha Bueno, outro pioneiro da raça que, por inseminação artificial, conseguiu machos gêmeos filhos de Trademark, um reprodutor norte-americano expoente do Jersey, e cedeu um deles aos Homem de Mello: o Aladim, em meados da década de 70, exatamente quando a Pinheiros experimenta um salto genético no seu rebanho.


“Ao final da década de 80, o gado dos Homem de Mello já era bastante produtivo. Nessa época intensificava-se a utilização da inseminação artificial, sem abandono da monta natural, com os resultados se mantendo parelhos, “muitas vezes melhores com o uso direto de touros”, explica Cristina. A preocupação nos acasalamentos sempre foi manter a rusticidade e a longevidade da base de plantel pois, sem a performance deles a campo, o projeto da Pinheiros cairia por terra.


“Na fazenda, as novilhas precisam estar parindo pela primeira vez aos 30 meses. Todas as vacas têm que criar uma vez ao ano, e registrar uma produção próxima a 3.000 kg por lactação (2x, 305 dias). Sob este rigor, o casal entende que seu trabalho e criatório “são vitoriosos”, tanto no aspecto reprodutivo quanto na produção de leite”. Em pouco mais de 20 anos, o aumento mínimo de leite por vaca foi de 40%”.


Sempre com participação ativa na Associação Paulista dos Criadores de Gado Jersey, antes de assumir sua presidência escreveu para a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS CRIADORES-ABC:


São Paulo, 24 de fevereiro 2003
Dr. Luis Alberto Moreira Ferreira
D.D. Presidente da Associação Brasileira dos Criadores - ABC

Prezado Luis Alberto,

Foi com grande entusiasmo que recebi o adesivo da ABC “Coma Carne Tenha Saúde” e conforme o destaque do jornal de fevereiro da ABC a campanha teve repercussão positiva junto aos associados.

Foi sem dúvida uma iniciativa importante que dará maior visibilidade à ABC.

Sou sócia e colaboradora da ABC há quase 20 anos e sempre acreditei na                    importância da missão dessa Instituição junto à todos os criadores  produtores de importantes riquezas para o país.

No entanto, para minha surpresa, a ABC está empenhada quase que exclusivamente na promoção da pecuária de corte deixando de lado a pecuária leiteira que, hoje, representa uma força como função social e geração de empregos sem precedentes na nossa história.

Como produtora de leite, me senti “excluída” dessa Associação, para usar uma expressão da moda, e me sinto no direito de apresentar algumas sugestões que estão sendo levantadas e discutidas pelos produtores de leite em São Paulo.

Tendo a ABC sido convidada pelo MAPA para participar da comissão que proporá alterações necessárias para aperfeiçoar o processo de rastreabilidade, poderia também incluir em sua agenda a interação com o MAPA para a efetiva entrada em vigor das normas de qualidade do leite, e ainda obter comprometimento do governo federal no sentido que não sejam feitas importações de leite e lácteos de países onde se pratica subsídios, sem tarifas ou acordos compensatórios.

Interagir com o Ministro para a criação de uma Câmara Nacional do Leite junto ao MAPA, com representantes de todos os segmentos da cadeia produtiva do leite, de representantes do governo federal e dos governos estaduais, para estabelecer, anualmente, a política de preços para o leite.

Tenho certeza que dentro dos planos da ABC a próxima campanha seja direcionada para a pecuária de leiteira, na valorização do leite como um    alimento barato de grande valor nutricional, e cuja cadeia produtiva se constitui em um dos pilares da nossa economia com  papel de destaque para o futuro.

Com a minha estima e consideração,

Maria Christina  Homem de Mello Figueiredo 

c.c. para:
1. Sebastião Cabral Filho - Presidente da Associação dos Criadores de Gado Jersey do Brasil
2. Massaru Kashiwagi - Presidente da Associação Paulista dos Criadores de Gado Jersey                
3. Marcello de Moura Campos Filho - Presidente da Associação dos Produtores de Leite do Estado de São Paulo
                              

A nova diretoria da Associação Paulista dos Criadores de Gado Jersey foi eleita em 07 de abril de 2003, em assembleia geral na sua sede no Parque da Água Branca – São Paulo/SP, ficando assim constituída:

·         Presidente: Maria Christina Homem de Mello Figueiredo
·         Vice-Presidente: Fernanda Eloisa Magalhães Camrinati
·         1º Secretário: Marcio de Azevedo Souza
·         2º Secretário: Carlos José Ricardo Zika
·         1º Tesoureiro: Luiz Augusto A.Motta Pacheco
·         2º Tesoureiro: Francisco Justino
·         Diretor de Comunicações: Luis Carlos de Mendonça
·         Diretor de Fomento: Cristiano Nogueira Campos

Eis o discurso de posse de Maria Christina:


Prezados Amigos
Eleição da Associação Paulista dos Criadores de Gado Jersey é um acontecimento que merece discurso.

Fiquei muito honrada com o convite para trabalhar na diretoria dessa Associação, com o apoio de todo um grupo de criadores, que tem batalhado de maneira tão séria na reconquista da identidade desta organização.

A Associação Paulista passou por tantas dificuldades que em dado momento deixou dúvidas se teria condições de permanência. Talvez eu tenha sido umas das críticas mais constantes e enérgicas para a retomada do espírito de união entre os criadores, do trabalho conjunto visando a consolidação e evolução da raça, que sempre foi a força motora dos jersistas.

Mudanças eram necessárias com vistas à recondução da organização aos seus objetivos reais, e, isto foi feito por este grupo incansável, presidido por Massaru Kashiwagi, que sem medir esforços, teve a visão e a coragem de retornar ao projeto original, suas bases e sua Missão.

Vejo a diretoria de uma organização como esta, como um grupo de trabalho voluntário onde as tarefas são sempre muito maiores do que as previstas, mas sem dúvida prazerosas, porque afinal é disso que gostamos e estamos unidos por  um  objetivo comum.
 
Já elaboramos um Plano de Ação Preliminar que será distribuído a toda diretoria e equipe técnica para ser discutido e aprovado, pois pautará as ações ao longo do ano. Nosso trabalho estará integrado com a Associação Brasileira em vários campos, conforme a reestruturação já executada, que resultou numa maior eficiência e sensível redução de recursos financeiros e humanos.

Estamos abertos a sugestões, idéias e críticas, nossa ênfase será trabalhar da melhor forma possível na promoção e divulgação da raça Jersey e na atenção aos criadores, pois a eles pertence essa Associação.

Agora tudo ficou mais fácil, é só dar continuidade ao que foi feito pela diretoria anterior e caminhar para frente, e quando pensarmos que já fomos bem longe, teremos que ir mais longe ainda. ESTA É A SENHA!

Muito obrigada.


Apresentou, também, seu objetivo plano de trabalho para a gestão:


ASSOCIAÇÃO PAULISTA DOS CRIADORES DE GADO JERSEY

PLANO DE AÇÃO  2003/2004/2005/2006

 ÁREA DE FOMENTO

Objetivos Gerais

Promover e divulgar a Raça Jersey no Estado de São Paulo
Incentivar e promover a expansão da criação nacional
Incentivar o registro dos animais P.O. , P.C. e Mestiços
Promover junto com os criadores dois Dias de Campo ao ano, um por semestre.
Promover junto com Universidades e/ou Centro de Pesquisas um evento técnico por ano em  área de interesse dos criadores.
Promover no mínimo duas exposições estaduais ranqueadas por ano, com incentivos financeiros para os expositores, a ser conseguido com prefeituras, sindicatos, organizações ou empresas, uma no primeiro semestre outra no segundo semestre.
Consolidar e ampliar o Projeto de Acompanhamento ao Criador iniciado em 2005.

ÁREA DE COMUNICAÇÃO

Objetivos Gerais

Comunicação Interna

Dar continuidade ao envio de cartas/relatórios do desenvolvimento dos trabalhos da Diretoria aos Associados
Promover a divulgação de artigos/fichas técnicas para os Associados de maneira sistemática
Divulgar o Site da Associação Paulista e ampliar a participação dos associados. 
Manter e ampliar os canais de comunicação de “dupla mão” com os Associados.

Comunicação Externa

Cooperar e apoiar as organizações da  cadeia produtiva de leite e de fomento à criação de gado leiteiro.
Cooperar e manter relações com as organizações governamentais.
Cooperar e manter relações com as Associações de Criadores

ÁREA DE EXPANSÃO

Objetivos Gerais

Aumentar o número de Associados em 20% ao ano
Atualizar a anuidade dos associados de acordo com a inflação nacional.
Reavaliar os procedimentos dos Registros Genealógicos e fazer sugestões à  Brasileira com o objetivo de reduzir custos
Manter e ampliar a publicidade da raça Jersey nos meios de comunicação
Definir os critérios da “chancela” da Associação aos leilões da raça,  garantindo a qualidade e confiabilidade dos leilões
Buscar patrocínio nas Empresas Prefeituras e Sindicatos  que garanta o financiamento do Projeto de Acompanhamento ao Criador, Exposições e Dias de Campo.


Sempre preocupada com o marketing da raça, vejam uma de suas correspondências para a Associação dos Criadores de Gado Jersey do Brasil:


Querida Suely,
Gostaria que você se informasse junto ao Suplemento Agrícola do Estado de São Paulo qual a redução no custo do anúncio da Central do Criador com o texto abaixo. É menor e diz a mesma coisa e poderíamos economizar alguns $$$$.... Se você conseguisse essa informação para Segunda feira próxima seria possível apresentar na reunião para aprovação. Gostaria também, se possível, a circular que foi enviada aos criadores convidando para participar da Central e ver se conseguimos mais interessados.                                                                

Sugestão de Texto para anúncio da Central do Criador no Suplemento Agrícola Estado de São Paulo                          
Jersey - Central do Criador
Interessado em conhecer as vantagens de criar e onde encontrar a vaca mais eficiente e que produz o melhor leite? Procure a Associação Paulista de Jersey !. F. (11) 3672 0588 c/ Suely
Abraços, Maria Christina

Sobre Teste de Progênie e Controle Leiteiro, para a Milkpoint enviou:


Prezado Marcelo.

Parabéns, Milkpoint é com certeza um veículo surpreendente de comunicação e Professor Vidal sempre com suas análises realistas e precisas. No entanto não gostaria de aceitar como definitivas as “dificuldades operacionais para execução das provas” O fundamental seria a crença na grande força e potencialidade da criação nacional como base genética e lançar um desafio para a implementação de pelo menos um projeto piloto de testes de progênie e controle leiteiro para avaliação de touros nacionais e posterior distribuição de semen de qualidade a preços compatíveis com a atividade leiteira.

Já desenvolvemos um projeto piloto na Associação de Criadores de Gado Jersey, em São Paulo, em parceria com a Embrapa e apesar das “ dificuldades operacionais” ainda estamos convictos que este caminho irá promover um salto qualitativo, principalmente, junto aos pequenos e  médios  produtores de leite. Tenho a certeza de poder  contar com a Milkpoint e com o Prof. Vidal.

Atenciosamente,

Maria Christina Homem de Mello Figueiredo


Ainda sobre o Teste de Progênie e Controle Leiteiro:


São Paulo, 05/05/2003
Querida Maria Cecília,
Estou sentindo falta da amiga nas reuniões da Associação é uma pena que você esteja tão longe.
Estamos nos organizando e o grupo está entusiasmado e com muitos projetos em vista.
Encontrei pronto o Projeto da Associação para o Ministério da Agricultura e acho que devem ser feitas algumas modificações para ter alguma chance de aprovação. O projeto foi   elaborado no ano passado e  rejeitado pelo MAPA está um pouco vago e sua fundamentação é pobre. Estou tentando ajeita-lo mas preciso da sua ajuda.

Conversando durante a Assembléia da Brasileira com o Petiz do Rio Grande do Sul, soube que eles conseguiram verba para um projeto de controle leiteiro, resgate e o registro de animais da raça no estado todo, principalmente nos pequenos e médios criadores e  produtores de leite. Disseram que foi um sucesso e vão repetir o pedido de verba esse ano. Pelo jeito não teve segredo, se dirigiram ao delegado do Ministério que orientou a Associação. Parece que a grande chance de aprovação está na justificativa bem feita e de acordo com os objetivos do governo. Estou pedindo cópia para o Petiz e saber do encaminhamento. Acho que o nosso contexto é muito diferente do Rio Grande do Sul, mas a visão social na produção de leite, pequenos produtores, a raça que produz leite bom e barato, controle leiteiro, testes de progênie, identificação de touros melhoradores, etc. tem que estar na justificativa.

Fiz uma tentativa que ainda precisa ser burilada que gostaria que você opinasse, pois teremos que envolver as universidades no projeto e a sua “está na mira”. Pretendo conversar com o delegado do MAPA Dr. Vanderlei Antunes para pedir orientação. Assim que tiver alguma notícia eu mando, por enquanto gostaria que você pensasse no caso com carinho e desse boas idéias.

Um abraço amigo da Maria Christina


De 10 a 13 de julho de 2003 ocorreu a II EXPOSIÇÃO INTERESTADUAL DE JACAREÍ, durante a tradicional FAPIJA, promovida pela Associação Paulista de Jersey, contando com 12 expositores de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Os 142 Jersey PO e POI foram julgados pelo argentino Dr.Pablo Argoytia – especialmente enviado pela Associacion Argentina de Criadores de Jersey. Em paralelo, a APCGJ coordenou a 1ª Venda Direta na Argola, com 40 lotes catalogados onde os criadores puderam oferecer e negociar, diretamente com os interessados, a partir de preços previamente estabelecidos. Os principais vencedores:


·         Grande Campeão: GOLIAS SATURN NOGUEIRA MONTANHÊS, exposto por Antonio de Siqueira
·         Reservado de Grande Campeão: ATOS DUNCAN JUDE DO BJ, exposto por Francisco Justino
·         Grande Campeã: TRUE TYPE GROVE GRAPE, exposta por Sebastião Cabral Filho
·         Reservada de Grande Campeã: SHAMROCK LES GENERATION, exposta por Sebastião Cabral Filho
·         Terceira Melho Fêmea: KANDUCHA CHIEF NOGUEIRA MONTANHÊS, exposta por Hugo Paulo Gregg
·         Campeã Júnior: TLC IMPERIAL VAIL, exposta por Sebastião Cabral Filho
·         Reservada de Campeã Júnior: RAYSSA JADE ROSEMARY DO PILO, exposta por Sebastião Cabral Filho
·         Melhor Expositor: SEBASTIÃO CABRAL FILHO
·         Melhor Criador: MANUEL ERNESTO GUZMAN ESPINOSA


A III EXPOSIÇÃO INTERESTADUAL DE JACAREÍ aconteceu em julho de 2004, cujos resultados, se nos forem dados a conhecer, serão aqui posteriormente registrados.

A IV EXPOSIÇÃO INTERESTADUAL DE JACAREÍ foi realizada em julho de 2005, tendo como jurado Luiz Dellipe Grecco de Mello. Seus principais resultados:


·         Grande Campeão: ZEUS PERIMITER 5 ESTRELAS, de Maria Christina H.M.Figueiredo
·         Reservado de Grande Campeão: F.B.AÇUCAR RUEBEN, de Lucio Azzoni
·         Grande Campeã: FLORENZA WINFLASH BERRETA DO PILO, de Sebastião Cabral Filho
·         Reservado de Grande Campeã: ADRIATICA JUDE ROSEMARIE DO PILO, de Sebastião Cabral Filho
·         Terceira Melhor Femea: LAVINIA RENAISSANCE DA BOM PASTOR, de Sebastião Cabral Filho
·         Campeã Júnior: AURORA 2 DE PINHEIROS, de Maria Christina H.M.Figueiredo
·         Reservado de Campeã Júnior: PIETA BLAZE PARMA DO PILO, de Sebastião Cabral Filho
·         Terceira Melho Júnior: GIOVANA FUSION DAS TRES GAROAS, de Alfredo Luis Rodrigues
·         Melhor Expositor: SEBASTIÃO CABRAL FILHO
·         Melhor Criador – SEBASTIÃO CABRAL FILHO


Em março de 2006, a nova diretoria da APCGJ assumiu sob a presidência do med.vet. NEVIO PRIMON DE SIQUEIRA, com Maria Christina Homem de Mello Figueiredo na Vice-Presidência.

Maria Christina era muito querida no meio agropecuário, em especial no jersista, e seu precoce falecimento a 09 de novembro de 2011 foi muito sentido.

Numa bela homenagem pela Rádio Felicidade FM e pelo Prefeito Municipal de Itatinga, Oliveira Neto, foi lida mensagem de Felipe Figueiredo, neto de Christina, no dia de seu falecimento:


Queridos.
Como alguns familiares me pediram, passo a vocês o discurso no velório de minha avó, Maria Christina Homem de Mello Figueiredo.
Um abraço a todos,
Felipe.


O teor do pronunciamento de Felipe:


 “Como todos temos ótimas lembranças de Christina, gostaria de falar um pouco.

“Creio que alguns de vocês conheceram-na muito melhor, afinal só estive presente em 22 dos 73 anos de vida dela e, obviamente, a partir de uma fase de sua vida: a fase Vó. Para mim, sempre foi e sempre será Vovó Christina.

“Ela era uma mulher de elegância, de classe. De vestido em festa social internacional, ou de botinas na lama. Classe!!

“Uma de minhas lembranças mais marcantes foi quando ela colocou óculos escuros só para nos comprar um refresco em Itaqui.

“Refinada, me ensinou que a água que é servida entre o prato principal e a sobremesa não é sopa nem chá, mas sim para lavar as mãos. Mas nunca foi soberba, sempre tratou a todos muito bem.

“Vovó Christina era uma comandante. Viajou por todos os países de nome pronunciável no mundo. Bandeirante.

“Nos negócios na Fazenda Pinheiro, misturava o amor pelas vaquinhas com a vontade de trabalhar.

“A competência e a capacidade de tomar decisões com maestria, sempre teve pulso firme e mão amiga.

“Sempre muitíssimo carinhosa, aconselhava e orientava os mais novos de acordo com sua experiência e bom julgamento.

“Mas, também, uma simpatia só, com papo sempre pra mais de hora, interessante, interessada, vivida. Engraçada, ria e fazia rir. Eximia jogadora de tranca e buraco, como estão aí para provar os taradinhos.

“Paciente o suficiente para esperar o vovô João terminar de fazer o seu origami de alface e almoçar todos os dias durante muitos anos.

“Enfim, para não me alongar muito, tenho a dizer que vovó Christina foi uma mulher notável, um exemplo, e uma mulher amável, amorosa e, tenho certeza, muito amada.

“Descanse em paz, Maria Christina Homem de Mello Figueiredo.”














TJ43 - 30 ANOS DA JERSEY MINAS

  ASSOCIAÇÃO DOS CRIADORES DE GADO JERSEY DE MG Cap.I - SUA FUNDAÇÃO EM 28 DE FEVEREIRO DE 1991 ...