Na história da raça Jersey gaúcha e cearense, portanto brasileira, dois grandes
Flávios jamais serão esquecidos, graças ao empenho, capacidade técnica e
habilidade no fomento, ambos de caráter e postura inabaláveis.
O
saudoso ABRANTES, gaúcho responsável pela organização e condução do registro do
Jersey no RS de 1955 até 1986, e de SC e CE por algum tempo, com histórico em postagem mais antiga neste blog, ...
...e
o SABOYA, cearense fundador do NÚCLEO DE CRIADORES DE GADO JERSEY DO CEARÁ – depois ASSOCIAÇÃO DOS CRIADORES DE GADO JERSEY DO CE - inspetor
de registro no CE e noutras regiões nortistas do Brasil, por dez anos exercendo a presidência da ASSOCIAÇÃO CEARENSE, o motivo desta postagem.
Engenheiro
Agrônomo formado pela Escola de Agronomia da Universidade Federal do Ceará em
1969, FLÁVIO VIRIATO DE SABOYA NETO foi credenciado INSPETOR DE REGISTRO DA
RAÇA JERSEY a partir de 1984, chegando a SUPERINTENDENTE DO SRG DA ACGJB.
Criador
desde 1986, FLÁVIO promoveu o primeiro registro genealógico da raça no Norte do
Brasil, no estado do Amapá, com foto publicada em revista da ACGJB mostrando a
vaca registrada no “marco zero do Equador”. Já foi representante de diversas
entidades ligadas à agropecuária, sendo o atual presidente da FAEC - Federação
da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará.
Conta-nos Flávio Saboya:
“O estado do Ceará tem
mais de 85% de sua área no semiárido, com vocação natural para a pecuária. Enfrentou
o Ceará cinco anos consecutivos de secas e, como decorrência dessa prolongada
situação, viu-se a pecuária cearense, mais especificamente a bovinocultura,
sofrer um contínuo e significativo declínio. Comentou-se nos meios pastoris, e
nas entidades oficiais, que os rebanhos bovinos foram reduzidos entre 40 e 50%
daqueles existentes em 1978. Nos idos do século XIX, seu rebanho era estimado
em 6.000.000 de cabeças, hoje reduzido aproximadamente a 2.500.000 bovinos. O
pastoreio contínuo e indiscriminado levou à diminuição drástica da capacidade
suporte das pastagens nativas do semiárido.
“Indiscutìvelmente esse
quadro permitiu, ou ensejou, uma conscientização mais realista das
potencialidades regionais, ou mesmo para a utilização de planos de explorações
mais compatíveis com o semiárido.
“Foi na pecuária
leiteira, todavia, em que tudo nos parecia sombrio e fadado ao desaparecimento,
que despontou algo de novo. Como sabemos, no decorrer do flagelo dessa
prolongada estiagem, os plantéis leiteiros de altas produções e de exigências
cada vez mais sofisticadas entraram em processo de estagnação, ou até de
liquidação. Essa situação, motivada pela redução das disponibilidades
alimentares e agravada pela perda de qualidade daquelas ainda existentes, levou
o produtor de leite a rapidamente se ajustar à nova conjuntura. Matrizes de
alta produção já não encontravam o necessário sustento aos seus requerimentos
nutricionais com os alimentos que lhes eram ministrados, não só pela qualidade
dos mesmos como, também, pela quantidade ofertada, além de seus custos
verdadeiramente proibitivos.
“Coincidentemente foi
neste momento da mais alta complexidade, e de desaquecimento econômico, que vem
surgindo o interesse por uma raça leiteira com características deveras
especiais. Originária de uma pequena ilha no Canal da Mancha, entre a França e
a Inglaterra, o gado Jersey foi, a partir de 1763, selecionado para produção de
leite e de manteiga. Do isolamento natural, resultou um rebanho de
uniformidade, de conformação, e de temperamento leiteiro acima de todas as
demais raças, com características leiteiras marcantes e constituição bem
proporcionada, sem nenhuma tendência à produção de carne.
"Ao mesmo tempo,
havia um comércio intenso de venda de bovinos para as áreas de produção
intensiva de cana de açúcar no estado de Pernambuco, à época grande produtor
mundial de açúcar. Para eliminar a remessa de ‘animais a pé’ foram trazidos
para a região do Baixo Jaguaribe europeus especialistas em conservação de
carnes com ervas e sal, o início das charqueadas, que expandiu-se na cidade de
Aracati e arredores.
“A partir de 1877, com
as sucessivas secas, os rebanhos foram dizimados, o que levou os especialistas
em conservação de carne a imigrarem para o Rio Grande do Sul, reiniciando o
processo nas plagas gaúchas, hoje característica desse Estado irmão.
Particularmente, sou descendente de um casal de italianos, que migrou à época
para essas ações.
“Por outro lado, no
início do século XVIII, trazidos pelos jesuítas, desembarcaram no Ceará
rebanhos bovinos de pequeno porte, destinados à produção de leite na serra da
Ibiapaba, no limite do Ceará com o estado do Piauí. Esses rebanhos, após
séculos de aclimatação, deram origem à raça denominada ‘Pé Duro’, muito
semelhante à Jersey. Essa raça hoje é trabalhada pela Embrapa Meio Norte, no
Piauí.
“Deu certo, e os animais
chegaram trazidos pelo Dr. Butierrez e eu, à época criador de holandês, fiquei
com um terno Jersey (um macho e duas fêmeas). Assumi, espontaneamente, o envio
das comunicações direto à filiada do Rio Grande do Sul, que as repassava à
Associação Brasileira de Jersey em São Paulo.
“Posteriormente, fomos novamente ao Rio Grande quando, em Pelotas, adquirimos mais 20 (vinte) cabeças.
“O Jersey cresceu no
Ceará necessitando de um contato direto com a Associação Brasileira e, assim, fui
a São Paulo sendo credenciado como técnico no Ceará.
“Tive, pessoalmente, a
honra de criar o NÚCLEO DE CRIADORES DE GADO JERSEY DO CEARÁ, ocupando a
posição de presidente. Mais tarde, criada a ASSOCIAÇÃO DE CRIADORES DE GADO
JERSEY DO CEARÁ, assumi sua presidência no segundo mandato. Com sucessivas
compras, o rebanho no Ceará passou de 800 cabeças, com um grupo de criadores
ativos e de boa visão associativista.
“Quanto à eleição na
Associação Brasileira em 2015, após inteirar-me da situação nesses momentos
difíceis que o Brasil atravessa, até trazendo reflexos para uma boa gestão da
ACGJB o candidato Marcelo, disposto a repetir sua gestão com muitas
modificações, teve meu apoio. A eleição foi antecipada para a primeira
quinzena de dezembro de forma a permitir o início da gestão coincidindo com o início do exercício”.
Elton Butierres, ex-presidente da ACGJRS, em 01 de julho de 2019 enviou para este bloguista, sobre uma postagem tratando do Jersey cearense:
< Carlos, gostei do Artigo postado nos Sócios da Raça
Jersey. Apenas um lembrete: o Jersey no Ceará não foi introduzido por Assis
Brasil, os primeiros 7 ou 9 animais foram levados na gestão João Jardim e
acompanhados pelo meu pai, Elton Adão Butierres. Eram animais do Castelo, e um
touro de nossa criação (afixo Florida, com sangue inglês do continente e 50%
canadense), merecendo artigo no Correio do Povo Rural. O secretario da
Agricultura do CE era o Flávio Sabóia. Abraço >.
De fato, o Jersey Cearense evoluiu, e o fomento que vem sendo realizado pelo med.vet. ANTÔNIO MAGALHÃES, técnico de registro da região, tem aumentado sobremaneira o número de criadores, de eventos, e de expositores.
O forte grupo composto por Cláudio Teófilo, Alex Sá, Paulo Paixão, Cláudio Teófilo Jr., Ribamar Paixão, Leopoldo Vasconcelos e Flamarion, além de vários outros, tem agitado às exposições cearenses que, a cada evento, ganha novos interessados.
Nas fotos a seguir, enviadas por Dálvaro Jales, alguns momentos com os criadores cearenses.
















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