sábado, 30 de novembro de 2019

TJ23 - FLÁVIO VIRIATO DE SABOYA NETO



Na história da raça Jersey gaúcha e cearense, portanto brasileira, dois grandes Flávios jamais serão esquecidos, graças ao empenho, capacidade técnica e habilidade no fomento, ambos de caráter e postura inabaláveis.

O saudoso ABRANTES, gaúcho responsável pela organização e condução do registro do Jersey no RS de 1955 até 1986, e de SC e CE por algum tempo, com histórico em postagem mais antiga neste blog, ...



...e o SABOYA, cearense fundador do NÚCLEO DE CRIADORES DE GADO JERSEY DO CEARÁ – depois ASSOCIAÇÃO DOS CRIADORES DE GADO JERSEY DO CE - inspetor de registro no CE e noutras regiões nortistas do Brasil, por dez anos exercendo a presidência da ASSOCIAÇÃO CEARENSE, o motivo desta postagem.


Engenheiro Agrônomo formado pela Escola de Agronomia da Universidade Federal do Ceará em 1969, FLÁVIO VIRIATO DE SABOYA NETO foi credenciado INSPETOR DE REGISTRO DA RAÇA JERSEY a partir de 1984, chegando a SUPERINTENDENTE DO SRG DA ACGJB. 

Criador desde 1986, FLÁVIO promoveu o primeiro registro genealógico da raça no Norte do Brasil, no estado do Amapá, com foto publicada em revista da ACGJB mostrando a vaca registrada no “marco zero do Equador”. Já foi representante de diversas entidades ligadas à agropecuária, sendo o atual presidente da FAEC - Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará.

Conta-nos Flávio Saboya:

“O estado do Ceará tem mais de 85% de sua área no semiárido, com vocação natural para a pecuária. Enfrentou o Ceará cinco anos consecutivos de secas e, como decorrência dessa prolongada situação, viu-se a pecuária cearense, mais especificamente a bovinocultura, sofrer um contínuo e significativo declínio. Comentou-se nos meios pastoris, e nas entidades oficiais, que os rebanhos bovinos foram reduzidos entre 40 e 50% daqueles existentes em 1978. Nos idos do século XIX, seu rebanho era estimado em 6.000.000 de cabeças, hoje reduzido aproximadamente a 2.500.000 bovinos. O pastoreio contínuo e indiscriminado levou à diminuição drástica da capacidade suporte das pastagens nativas do semiárido.

“Indiscutìvelmente esse quadro permitiu, ou ensejou, uma conscientização mais realista das potencialidades regionais, ou mesmo para a utilização de planos de explorações mais compatíveis com o semiárido.

“Foi na pecuária leiteira, todavia, em que tudo nos parecia sombrio e fadado ao desaparecimento, que despontou algo de novo. Como sabemos, no decorrer do flagelo dessa prolongada estiagem, os plantéis leiteiros de altas produções e de exigências cada vez mais sofisticadas entraram em processo de estagnação, ou até de liquidação. Essa situação, motivada pela redução das disponibilidades alimentares e agravada pela perda de qualidade daquelas ainda existentes, levou o produtor de leite a rapidamente se ajustar à nova conjuntura. Matrizes de alta produção já não encontravam o necessário sustento aos seus requerimentos nutricionais com os alimentos que lhes eram ministrados, não só pela qualidade dos mesmos como, também, pela quantidade ofertada, além de seus custos verdadeiramente proibitivos.

“Coincidentemente foi neste momento da mais alta complexidade, e de desaquecimento econômico, que vem surgindo o interesse por uma raça leiteira com características deveras especiais. Originária de uma pequena ilha no Canal da Mancha, entre a França e a Inglaterra, o gado Jersey foi, a partir de 1763, selecionado para produção de leite e de manteiga. Do isolamento natural, resultou um rebanho de uniformidade, de conformação, e de temperamento leiteiro acima de todas as demais raças, com características leiteiras marcantes e constituição bem proporcionada, sem nenhuma tendência à produção de carne.

"Ao mesmo tempo, havia um comércio intenso de venda de bovinos para as áreas de produção intensiva de cana de açúcar no estado de Pernambuco, à época grande produtor mundial de açúcar. Para eliminar a remessa de ‘animais a pé’ foram trazidos para a região do Baixo Jaguaribe europeus especialistas em conservação de carnes com ervas e sal, o início das charqueadas, que expandiu-se na cidade de Aracati e arredores.

“A partir de 1877, com as sucessivas secas, os rebanhos foram dizimados, o que levou os especialistas em conservação de carne a imigrarem para o Rio Grande do Sul, reiniciando o processo nas plagas gaúchas, hoje característica desse Estado irmão. Particularmente, sou descendente de um casal de italianos, que migrou à época para essas ações.

“Por outro lado, no início do século XVIII, trazidos pelos jesuítas, desembarcaram no Ceará rebanhos bovinos de pequeno porte, destinados à produção de leite na serra da Ibiapaba, no limite do Ceará com o estado do Piauí. Esses rebanhos, após séculos de aclimatação, deram origem à raça denominada ‘Pé Duro’, muito semelhante à Jersey. Essa raça hoje é trabalhada pela Embrapa Meio Norte, no Piauí.



 “Também o escritor Capistrano de Abreu, cearense e grande amigo do embaixador Assis Brasil, completa essa aproximação do Ceará com a raça Jersey no Rio Grande do Sul. Ele era hóspede frequente de Assis Brasil, com quarto reservado em sua propriedade, e seus descendentes criavam Jersey no Ceará.



 “Por ocasião da 1ª Expointer, em cuja abertura estávamos presentes, fomos recepcionados pelos criadores de Jersey do RS, e passamos a utilizar seu estande no Parque Assis Brasil como o ‘ESPAÇO DO CEARÁ’. Ao encerrar-se o evento, desafiamos os gaúchos a levarem um rebanho para a nossa exposição, em Fortaleza, naquele ano.

“Deu certo, e os animais chegaram trazidos pelo Dr. Butierrez e eu, à época criador de holandês, fiquei com um terno Jersey (um macho e duas fêmeas). Assumi, espontaneamente, o envio das comunicações direto à filiada do Rio Grande do Sul, que as repassava à Associação Brasileira de Jersey em São Paulo.



“Posteriormente, fomos novamente ao Rio Grande quando, em Pelotas, adquirimos mais 20 (vinte) cabeças.

“O Jersey cresceu no Ceará necessitando de um contato direto com a Associação Brasileira e, assim, fui a São Paulo sendo credenciado como técnico no Ceará.

“Tive, pessoalmente, a honra de criar o NÚCLEO DE CRIADORES DE GADO JERSEY DO CEARÁ, ocupando a posição de presidente. Mais tarde, criada a ASSOCIAÇÃO DE CRIADORES DE GADO JERSEY DO CEARÁ, assumi sua presidência no segundo mandato. Com sucessivas compras, o rebanho no Ceará passou de 800 cabeças, com um grupo de criadores ativos e de boa visão associativista.

“Quanto à eleição na Associação Brasileira em 2015, após inteirar-me da situação nesses momentos difíceis que o Brasil atravessa, até trazendo reflexos para uma boa gestão da ACGJB o candidato Marcelo, disposto a repetir sua gestão com muitas modificações, teve meu apoio. A eleição foi antecipada para a primeira quinzena de dezembro de forma a permitir o início da gestão coincidindo com o início do exercício”.

Elton Butierres, ex-presidente da ACGJRS, em 01 de julho de 2019 enviou para este bloguista, sobre uma postagem  tratando do Jersey cearense:

Carlos, gostei do Artigo postado nos Sócios da Raça Jersey. Apenas um lembrete: o Jersey no Ceará não foi introduzido por Assis Brasil, os primeiros 7 ou 9 animais foram levados na gestão João Jardim e acompanhados pelo meu pai, Elton Adão Butierres. Eram animais do Castelo, e um touro de nossa criação (afixo Florida, com sangue inglês do continente e 50% canadense), merecendo artigo no Correio do Povo Rural. O secretario da Agricultura do CE era o Flávio Sabóia. Abraço >.



De fato, o Jersey Cearense evoluiu, e o fomento que vem sendo realizado pelo med.vet. ANTÔNIO MAGALHÃES, técnico de registro da região, tem aumentado sobremaneira o número de criadores, de eventos, e de expositores.


O forte grupo composto por Cláudio Teófilo, Alex Sá, Paulo Paixão, Cláudio Teófilo Jr., Ribamar Paixão, Leopoldo Vasconcelos e Flamarion, além de vários outros, tem agitado às exposições cearenses que, a cada evento, ganha novos interessados.



Nas fotos a seguir, enviadas por Dálvaro Jales, alguns momentos com os criadores cearenses.





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