sábado, 14 de dezembro de 2019

TJ24 - NEY BORGES NOGUEIRA - OS PRESIDENTES DA ACGJB (X)

NEY BORGES NOGUEIRA
1995 a 1999


O X presidente, eleito na ACGJB para os períodos de 1995/1997 e 1998/2001, foi NEY BORGES NOGUEIRA.

Embora não titular, Ney sabidamente foi o "mentor e mantenedor" da conhecida FAZENDA NOGUEIRA MONTANHÊS por muitos tida como “O CRIATÓRIO DE MELHOR CONCENTRAÇÃO GENÉTICA DA RAÇA JERSEY NO MUNDO”.


Em 06 de março de 2017 foi postado no www.blogdojerseyrs.blogspot.com, como criador destacado, sob o título TAURAS DA RAÇA JERSEY (XXI) - NEY BORGES NOGUEIRA.

Datada de 16 de maio de 2019, este blog recebeu de D.Neuza – irmã de Ney Borges Nogueira – e de sua nora, D.Ana Bianca, o que segue:

Prezado Carlos Guilherme.

Antes de mais nada, gostaria de apresentar-me: sou Neuza Nogueira de Souza, irmã do Ney, e escrevo em nome da nossa família.

Chegou às nossas mãos um artigo sobre ele, intitulado "TAURAS DA RAÇA JERSEY (XXI) - NEY BORGES NOGUEIRA" que, parece-me, foi publicado em seu blog a 06 de março de 2017.

Nós, da família Borges Nogueira, gostaríamos de enviar um agradecimento a todos aqueles que tiraram um tempo do seu dia para proferir palavras tão especiais sobre nosso querido Ney:

CARLOS ALBERTO TEIXEIRA PETIZ, CHICO VIEIRA, CLÁUDIO ARAGON, MARCELO XAVIER, ROBERTO VICENTE LOPES, VAMIRÉ LUIZ SENZ, e CARLOS GUILHERME RHEINGANTZ.

É possível enviar por este email e vc encaminhar aos demais? 

Como combinado, segue o agradecimento em nome da família Borges Nogueira pela atenção e carinho com meu irmão Ney.

Agradeço a todos que escreveram palavras tão especiais sobre meu irmão.

Ney com as duas irmãs, Neuza e Lucy


Desde ja, grata,
Neuza Nogueira de Souza


Boa tarde, Carlos

Veja bem, escrevo por solicitação da minha sogra - Neuza Nogueira - que era irmã do Ney. A pedido dela fizemos este agradecimento ao que foi publicado em seu blog.

Mais uma vez, agradeço sua atenção,
Ana (Ana Bianca Rocha Miranda)

MEMÓRIAS AFETIVAS



"Quando (re)memoramos, dois sentidos se entrelaçam: o olhar pretérito – que traz as memórias afetivas e o olhar do hoje que rebobina o que foi, mas não passou porque está atrelado a questões construtoras de um tempo que, inserido no passado, permanece escrito e inscrito na história.

"Revendo o perfil de Ney – o irmão, companheiro, que ousou desafiar as águas nas Olimpíadas de Tóquio de 1964 – entendemos que ali já estava presente o homem empreendedor, determinado e persistente que, no futuro, desafiaria as águas tumultuadas e, muitas vezes, revoltas dos mares econômicos, marcando sua presença em Piracaia (SP), elevando-a a patamares internacionais. Sua destinação cósmica estava alicerçada no homem visionário, solidário e generoso que marcaram sua história.

"Ler as palavras enaltecedoras sobre Ney trouxe à família Borges Nogueira momentos de profundas recordações. Vê-lo reconhecido no meio por ele escolhido para viver, trouxe-nos indescritíveis emoções que hoje habitam na saudade.

"Agradecida, a família Borges Nogueira deixa expressa sua profunda gratidão, sentimento através do qual a alma diz muito obrigada.

Atenciosamente,
Neuza Borges Nogueira"


NEY BORGES NOGUEIRA, PRESIDENTE DA ACGJB 

Ney participou ativamente em diretorias da ACGJB, sendo eleito seu presidente para as gestões 1995/1997 e 1998/1990 Imediatamente à posse, forçou a reformulação estatutária, adaptando a ACGJB aos tempos modernos.


1995 - Ney acompanhou o julgamento da raça Jersey
Foi criado o COLÉGIO DE JURADOS e o CONSELHO DE CLASSIFICADORES, ambos DA RAÇA JERSEY NO BRASIL, assim como alterada a composição do CONSELHO DELIBERATIVO TÉCNICO, compromisso assumido por Ney tão logo assumiu a presidência.



Durante as gestões sob a presidência de NEY BORGES NOGUEIRA, por votação entre os jurados presentes em reunião, foi eleito como primeiro Coordenador do Colégio-CJ o jurado WILLIAN LABAKY, a quem coube organizar o CJ e coordenar a elaboração de seu primeiro Regimento Interno. Labaky exerceu esta função de 1996 a 1998, quando solicitou sua substituição. Para o ano de 1999, foi da mesma forma eleito o jurado CARLOS GUILHERME RHEINGANTZ para a coordenação.


Willian Labaky atuou de forma importante na constituição do Colégio de Jurados
Novos cargos na Diretoria foram estabelecidos, de forma a abranger mais estados e regiões brasileiras, aumentando a participação geral. Nas Assembléias, havia espaço para a manifestação de todos, contentes ou descontentes, demonstrando claramente sua índole democrática.

O Presidente, e diversos diretores, passaram a acompanhar exposições e eventos em outros estados, além de São Paulo e Minas Gerais, mantendo a tradição de, durante as Exposições Internacionais de Esteio, lá estar uma diretoria representativa a acompanhar os julgamentos e, também, participar das tradicionais reuniões organizadas pelos gaúchos com representantes das outras delegadas, muitas vezes discutindo e decidindo sobre problemas simples ou de sumária importância, ao mesmo tempo confraternizando com todos os jersistas brasileiros, sulamericanos, e de outros países da norte-américa e Europa, principalmente.

Ney foi um presidente evoluido e ágil, educado e atencioso para com todos, dando muita importância para os encontros técnicos e sociais, para o congraçamento entre jersistas, políticos e empresários, espaço e respeito para as associações delegadas. 

Suas diretorias foram formadas e divulgadas na revista RAÇA JERSEY, edições nº 18 e 24 abaixo, órgão oficial de divulgação da ACGJB mantida e melhorada durante seu período como presidente.


Diretoria do 1º mandato



Diretoria 2º mandato



NEY BORGES NOGUEIRA, O CRIADOR 

A partir de 1987, Ney começou a formar aquele que, por declaração do grande expert CLÁUDIO ARAGON, foi “o melhor rebanho Jersey em qualidade genética do mundo”, indiscutìvelmente o melhor do Brasil nas décadas de 1990 e 2000, tendo como titular sua espôsa Sueli e, posteriormente, também sua filha Luciana.


Com a melhor genética norte-americana (EUA e Canadá), em pouco menos de seis anos a Nogueira Montanhês provou que a Jersey é uma vaca de produção leiteira econômica, e não apenas uma “vaquinha de casa de campo” – dócil mas com pouca produção de leite.



Nos 66 alqueires montanhosos em Piracaia-SP, na Serra da Mantiqueira quase divisa com Minas Gerais, a Nogueira Montanhês produziu os animais mais premiados da raça Jersey no Brasil, em suas duas décadas de participação, vencendo diversas exposições nacionais e regionais, e produzindo muito leite superando, inclusive, a média canadense de quase 5.000 kg por vaca/ano: a média geral das Nogueira Montanhês superava os 6.000 kg/vaca em 1992 e 1993. Rebanho total próximo a 350 Jersey, das quais 80 importadas, a meta da fazenda era chegar a 200 vacas em lactação, o que não foi difícil.


Animais de origem canadense eram mais numerosos, na Nogueira Montanhês não havendo concordância com a afirmativa de que “as americanas produziam mais do que as canadenses”. 

“O que acontece, Ney justificava, é que os canadenses não podem forçar a produção por trabalharem com o sistema de cotas - se o produtor entregar mais do que sua cota, não recebe pelo excedente”.

A canadense de nome ANETTE, filha de Juno, fechou lactação com média de 30 kg/dia, no total de 10.600 kg no ano. Winoma, Cloe e Chanel, importadas ainda bezerras e filhas de Rosel, fazem parte de uma das melhores famílias da raça.



Sobre os animais, nenhum elogio é suficiente para descrevê-los, afinal as premiações recebidas em julgamentos nas exposições especializadas são suficientes para comprovar a qualidade da NOGUEIRA MONTANHÊS.



A estrutura planejada e montada por NEY NOGUEIRA para a fazenda foi espetacular, com cinco estábulos para as vacas em lactação, totalmente em alvenaria dispondo de ventilação forçada e piso emborrachado. Ambulatórios, farmácias, laboratórios de microbiologia, davam inveja a qualquer visitante. Sem falar nas alas para descanso dos animais e instalações para os empregados anexados a cada estrutura.



E os potreiros, com base de coast-cross, encontravam-se espalhados pelas áreas planas naturalmente existentes, ou aplainadas por Ney num dos mais bonitos e acidentados recantos da Serra da Mantiqueira. O manejo era simples, nos 49 piquetes e 5 estábulos na área de 64 alqueires, os animais separados por idade e fazendo rodízio num sistema de semi-confinamento.



Pensando em dirigir uma produção leiteira como atividade empresarial, a NOGUEIRA MONTANHÊS contratou profissionais especializados que, trabalhando em conjunto, preservaram e desenvolveram a genética dos animais aumentando sua produção a custos aceitáveis, aliando genética, manejo, nutrição e sanidade a uma rendosa e lucrativa produção de leite.



Tendo como veterinário o admirado ROBERTO VICENTE LOPES, até 1996 (depois em 2010 e 2011) responsável pela condução do programa genético com plano para produzir 80 fêmeas de alta genética por ano, retendo 25% dessa produção e espalhando as demais pelo mercado brasileiro e exterior, em especial para Argentina, Chile, Uruguai e Costa Rica, a NOGUEIRA MONTANHÊS possuindo cerca de 50 animais classificados EX, porque não poderia competir com EUA e Canadá nas exportações?


Roberto Lopes (d) com Marcelo Xavier, 2017 - Castro/PR
A preocupação com a produção de alimento obrigou-os a adquirir outra área, exclusivamente para plantio de forrageiras e graníferas, após um pesado e técnico trabalho de terraplenagem. Em 130 alqueires havia alfafa, aveia e coast cross para feno (23 alqueires), no restante da área milho para silagem e grãos (estes para a fabricação própria de ração). “Esta propriedade abastecia 2.000 ton de silagem (garantia de comida para todo o ano), além do feno acima citado, num sistema de alimentação auto-sustentável, reduzindo em quase 30% os custos da fazenda.



O controle sanitário bem rigoroso, todos os animais e o leite passando por uma bateria de testes e, quando detectados problemas como mastite crônica, claudicação, dificuldade reprodutiva e outros de natureza grave, esses animais eram sacrificados. As vacinas convencionais, como brucelose, aftosa, BVD e rinotraqueite são aplicadas no gado com agulhas não compartilhadas entre os animais. Em modernas instalações, o leite da Nogueira Montanhês passou a ser beneficiado e envasado nos tipos A e B, com colocação garantida no mercado paulista.


No ano de 2006, D.Zuleika Torrealba, carioca com propriedade rural em Bagé/RS, assessorada por Chico Vieira adquiriu 17 ventres da Nogueira Montanhês, dentre eles 2 campeãs nacionais (Keil e Viviane) e a grande campeã de Castro/PR (Carly). Como a fronteira do RS estava fechada, arrendaram uma fazenda em Itu/SP, e logo depois em Carambei/PR: dinheiro não era problema para D.Zuleika, e sua obstinação por ser a melhor criadora da raça Jersey era muito forte. Depois, outros 45 ventres foram levados para a Cabanha da Maya PAP, em Bagé, segundo seu administrador Chico Vieira, incluindo o touro Valentin e a tri-campeã nacional Sheila. Nessa transação, para a Cabanha da Pirulita (de Chico Vieira) foram adquiridas 5 vacas velhas de linhagens excelentes – Petruska, Rochelle, Millie, Joana e Darwine - e presenteadas ao Chico pelo Ney 5 terneiras de outras linhagens.

Na liquidação da Nogueira Montanhês, alem da Cabanha da Maya foram compradores Anselmo Vasconcelos, Salvador, Alfredo (de Bragança Paulista), Douglas Zonta (cujo plantel foi, depois, adquirido por Marcelo Xavier), segundo informações de Fernando Reis.
Desportista, Ney praticava pólo aquático no Botafogo - clube ao qual era atleta filiado – por êle sendo campeão brasileiro em 1963, em 1964 conquistando o campeonato sul-americano e participando da Olimpíada em Tóquio.

Nascido em 21 de julho de 1936 na cidade do Rio de Janeiro, faleceu a 27 de fevereiro de 2017 em São Paulo, cabendo registrar algumas manifestações de apreço e reconhecimento por sua atuação profissional e pelo trabalho que executou em prol da raça Jersey no Brasil e na América do Sul.


Ney com a filha Luciana

Morre neste domingo em São Paulo o empresário Ney Borges Nogueira
Mon, 27 de February de 2017 - Fonte: NTC&Logística - Faleceu hoje o empresário Ney Borges Nogueira, um dos fundadores da Pamcary, uma das mais importantes e conceituadas corretoras de seguros especializada em transportes do País . Ha alguns anos deixou a empresa que ajudou a criar para cuidar de negócios particulares. “Além de ser um dos mais importantes personagens do TRC, Ney também era conhecido pela extrema generosidade para com as pessoas e gratidão por aqueles que o ajudaram a chegar aonde chegou. Este é um dia triste para todo o nosso setor" declarou o presidente da NTC&Logistica, José Hélio Fernandes .Ney Borges Nogueira era detentor da Medalha de Mérito do Transporte, honraria concedida pelo Conselho Superior da NTC&Logistica a pessoas que tenham contribuído para com o transporte de cargas brasileiro.

CARLOS ALBERTO TEIXEIRA PETIZ: a família jersista está de luto com o falecimento do Ney, nosso amigo e companheiro de exposições, ex-presidente de nossa associação, trazendo uma lacuna que jamais será preenchida. Para mim, foi o melhor criador da raça Jersey no Brasil, sua humildade e animais trazendo para o nosso país, numa determinada época, o local onde se encontrava uma das melhores genéticas do mundo, hoje em dia motivo de orgulho e satisfação é ter em nosso plantel algum produto oriundo da Nogueira Montanhês. Fico triste porque sempre foi um amigo disposto a ajudar a quem precisasse. Meus sentimentos à família e a todos que tiveram o privilégio de conviver com ele.

MARCELO XAVIER: Ney Borges Nogueira foi, sem dúvida, um criador visionário. A história da raça Jersey no Brasil deve muito ao seu grandioso projeto. A Fazenda Nogueira Montanhês foi celeiro de grandes vacas, e obteve reconhecimento internacional como um dos principais criatórios do mundo. A genética Jersey que veio ao Brasil pelas mãos do Ney transformaram a raça em nosso país de maneira muito significativa. Os jersistas brasileiros estão hoje de luto com o seu passamento. Que descanse em paz.

CLÁUDIO ARAGON: Posso dizer, com toda a segurança, que o Ney foi um visionário na raça Jersey. Seu entusiasmo aliado à sua determinação de fazer sempre o melhor possibilitou que nós, brasileiros, pudéssemos presenciar a construção do que foi o melhor rebanho Jersey em qualidade genética do mundo. Teve a possibilidade de importar o que havia de melhor na raça nos EUA e Canadá. Mas foi muito alem disso, pois soube criar com maestria e reproduzir esta excelente genética aqui, no nosso solo. Perdemos um grande entusiasta e construtor da raç Jersey e, mais importante, perdemos um amigo.

ROBERTO VICENTE LOPES: Eu iniciei meu trabalho com o Ney em 1989, permanecendo até 1996 quando saí por problemas com a Sueli em exposição onde outro orientado por mim ganhou algumas categorias. Após esse período,mantive um ótimo relacionamento com o Ney, mas sem assessorá-lo. Em 2010 e 2011, quando o casal já estava separado, voltei a atendê-lo: ainda tinha, na Fazenda, 60 cabeças. Iniciamos novo trabalho mas, 2 anos depois, ele teve que vender tudo. Durante os 7 anos reconheço que ele me deu condições, aqui e no exterior, de acrescentar conhecimentos para a minha vida profissional, e tenho que agradecer muito ao Ney por tudo que aprendi durante esses anos, quando importamos muitas fêmeas top.

CHICO VIEIRA: Não poderia deixar de homenagear o meu grande amigo Ney,que disponibilizou-nos produtos das suas grandes vacas – Sheila, Keila, Kika, Sambo Sunny, Shaina, Viviane, Venancia, Wpçma, Eva, Markut, Wendy, Tynkle, Beatriz, Vinolia, Dulcie, e muitas outras grandes vacas e famílias - muitas delas foram parar em minhas mãos.

VAMIRÉ LUIZ SENZ: Ney foi um herói, bronze olímpico no Japão. Construiu a PANCARY – maior corretora de transportes do Brasil. Formou a NOGUEIRA MONTANHÊS, sendo campeão nacional por várias vezes e fomentador da raça Jersey. Ajudou muita gente, foi um guerreiro.

1992 - gaúchos recepcionados por Ney e Suelly, em sua residência

Um comentário:

  1. Pena que nao tive a oportunidade de chamá-lo de Pai mesmo ele me apontando aos 5 anos de idade, e me deixando para outra família Aiello depois de que eu tinhas uns 12 anos, mesmo com essa atitude eu o perdoe do fundo do meu coração que ele tenha pedido perdão para Deus por ter feito isso comigo. Guardo no meu coração os momentos que íamos para a fazenda e ficávamos brincando no carro que achava mais vacas nas montanhas. Meu cel e 41 988625957 meu pix e donnianni07@gmail.com nao quero nada so a parte que e de direito de um filho que foi jogado no lixo ou vendido como José

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