quarta-feira, 28 de outubro de 2020

TJ42 - DOMINGOS LOLLOBRIGIDA JÚNIOR

 DOMINGOS LOLLOBRIGIDA JUNIOR

Foto: recebendo a premiação de maior percentual de gordura no 50º Torneio Leiteiro de Cruzília, em 2019 – (e) Guilherme Junqueira (pres.Sindicato Rural), Joaquim Paranaiba (prefeito municipal), Oswaldo Lollobrígida (zoot.), Domingos Lollobrígida Júnior, Domingos Lollobrígida Netto (vet.) e o sogro Oswaldo Meirelles, na frente o caçula Vincenzo Lollobrigida.

Quadro 1: resultado completo do 50º Torneio Leiteiro, quando vencemos na % de gordura.

Quadro 2: resultado do 51º Torneio, a LOLLO participando com animais somente Jersey, ficando em 8º lugar geral (média de 50,69kg) e com a 7ª Melhor Vaca – LOLLO PALOMA BIBARLO (58,07kg).


Foto: Ronaldo Maciel ordenha as duas melhores LOLLO no 51º Torneio

DOMINGOS LOLLOBRÍGIDA JÚNIOR, conhecido no meio pecuário por JÚNIOR, é um advogado mineiro atuante na área do Direito Administrativo. Formado em 1950 pela UFMG, e também empresário na área de importação e exportação - no Brasil e na Itália - por paixão e herança genética é produtor rural dedicado à equinocultura (selecionador das raças Mangalarga Marchador, Piquira, Pônei Brasileiro e Árabe) e de bovinocultura leiteira (raça Jersey). 


“Meu rebanho atual de Jersey conta com 20 animais, sendo 10 vacas em lactação (média diária de 30kg de leite por vaca), 2 vacas secas, 4 novilhas e 4 bezerras. Destas, 13 são P.O., o restante composto por 2 vacas ½ sangue (uma Girolanda e a outra Girsey), 3 vacas ¾ Jersey e 1 novilha 7/8 Jersey. Desde 1990 possuo a propriedade rural HARAS MUTUCA, em Cruzilia do Sul/MG onde, a partir de 1996, destinei 15ha à criação de gado Jersey, para produzir leite de qualidade visando a manutenção financeira da propriedade",  conta-nos JÚNIOR.

 

“Minha família está totalmente envolvida na atividade rural, principalmente neste período de pandemia quando, já há 7 meses, estamos vivendo no haras.

“Meu filho mais velho, DOMINGOS NETTO, veterinário mestre e doutorando em reprodução animal, é o responsável pela reprodução das vacas.


Foto: Domingos Netto fazendo ultrassonografia

“A namorada de Domingos, ANDRÉIA MACHADO, é também veterinária e mestre em nutrição animal, sendo a responsável pela nutrição dos animais mediante análise da produção, formulando a ração para cada faixa etária e de produção.

Foto: Andréia entre as novilhas LOLLO PADROEIRA WRANGLER (na primeira lactação produziu 32kg em 3x) e a LOLLO SARDINHA VOCATION (na 2ª cria produzindo 44kg 3x).

“Meu segundo filho, OSWALDO, é acadêmico em zootecnia pela UFV, e cuida do manejo do rebanho.

Foto: Oswaldo e Maria Furtado

“OTTAVIO, o terceiro filho, é acadêmico em engenharia das telecomunicações pela UFSI, sendo responsável pelas câmeras de monitoramento e, por sua facilidade em lidar com equipamentos, é quem cuida de toda a manutenção dos mesmos: ordenhadeiras, gerador de eletricidade, bombas d’água, etc ... . Com familiares, amigos, vizinhos, e outros participantes, comissão de pesagem, fornecedores, ... , estava presente neste ano.

Foto: Ottavio (d), Júnior, Vincenzo, Oswaldo Meirelles (sogro), Nelson Araújo (costas), Netto e Oswaldo

Foto: Ottávio (circ.vermelho) no almoço no dia da pesagem em 2020.

“O caçulinha VINCENZO, hoje com 9 anos de idade, é muito ligado ao irmão Oswaldo, portanto sempre ajudando-o no manejo animal.


 Foto: Vincenzo abastecendo a ração

DOMINGOS LOLLOBRÍGIDA disse que o envolvimento do Netto e do Ottavio é constante, pois eles vêm todo mês em casa. O do Oswaldo é só mesmo agora, na pandemia, porque estudando não tem como estar presente no Sítio. O da Andréia é direto mediante os dados das pesagens do leite que lhe são sempre remetidos..

Continua JÚNIOR:

“Produzimos queijos somente para consumo em casa, mas seria uma boa opção montar uma queijaria, no futuro...

“Fui sócio da Jersey Minas na década de 90, e atualmente não sabia que havia, ainda, um grupo envolvido com a mesma. Quando retomei o registro dos animais, fiquei sabendo que ela não mais existia, e que deveria me associar direto à ACGJB – em São Paulo – que agora está no sul. Fiquei muito feliz em saber que a MINEIRA ainda está ativa, quando fui adicionado ao grupo Whats App da mesma, e também já tinha ouvido falar das LIVES transmitida pelo pessoal da Jersey Minas, em especial pelo GLEYSON. 

 

Foto: Retomando o registro das LOLLO, após 22 anos

“Persistência é do que precisamos. O setor leiteiro no Brasil sempre foi relegado a um segundo plano pelos diversos níveis de governo, mas ainda responde por grande parcela do agronegócio brasileiro. O gado Jersey, sem dúvida alguma, é o gado que proporciona o melhor custo benefício para sustento da atividade leiteira, sem falar que com a tendência atual de remuneração do leite por sua qualidade, o Leite Jersey trará ao produtor uma maior remuneração, portanto maior valorização de sua atividade. Tenho plena confiança que a Raça Jersey terá um protagonismo ainda maior no cenário leiteiro que se desenha para o futuro”. 

Foto: DIOMINGOS LOLLOBRÍGIDA JÚNIOR com o jornalista NELSON ARAÚJO, em gravação para o programa GLOBO RURAL, em 07 outubro de 2020. A novilha em primeiro plano é LOLLO CRUZILIA VOCATION, descendente do REBANHO FUNDADOR DO JERSEY EM CRUZÍLIA, legítima representante dos 70 anos de Gado Jersey Cruziliense.

De sua autoria, abaixo um interessante histórico sobre a Jersey em CRUZÍLIA/MG:

 

HISTÓRIA DO GADO JERSEY EM CRUZÍLIA, por Domingos Lollobrigida Jr.

Cruzília, década de 1950

 “Quem não conhece aquela vaquinha amarela, com cabecinha bonita, olhos expressivos e grande produtora de leite  gordo e saboroso ?


“É ela mesma,  a Vaca Jersey , que teve origem na  Ilha de Jersey , situada no Canal da Mancha, na costa da Normandia,  entre a França e a Inglaterra, mas que pertence a Coroa Britânica. É também conhecida como a mais pura raça de bovinos do mundo,  devido a sua segregação por centenas de anos na referida ilha que possui uma área total de pouco mais de 20% da área do nosso Município de Cruzília.


“Você sabia que esta raça de bovinos  tem uma história antiga também na cidade de Cruzília?

O Presidente Getúlio Vargas visitou Cruzília no ano de 1936, para conhecer dois dos maiores laticínios mineiros daquele tempo: o Laticínio Cruziliense (QUEIJOS DANA), então propriedade do dinamarquês Axel Tossing Sorensen, e o Laticínio Campo Lindo, gerenciado por dinamarqueses mas de propriedade de José Bráulio Junqueira. Aualmente, o Laticínio Cruziliense produz os famosos Queijos Cruzília.

Foto: Getúlio Vargas em visita a Cruzília, acompanhado por Axel Sorensen (e), José Bráulio Junqueira (d), D.Kaia Sorensen e Benedito Valadares (governador de MG) - 1936 

“Cruzília sempre foi expoente na pecuária leiteira nacional, afinal, não é por acaso que alguns historiadores consideram nossa região, um dos pólos agropecuários iniciais do Brasil, sem falar que nossas pastagens, formadas nos Campos de Altitude com quota média de 1.000 metros acima do nível do mar possui naturalmente em sua constituição as famosas Bactérias Propiônicas que também, de maneira natural migram para o leite de nossas vacas, fazendo com que os queijos aqui produzidos possuam reconhecimento nacional e internacional por sua extrema qualidade.

Foto: Queijo Cruzilia

Foto: Queijo Casamenteiro, medalha de prata na França

Foto: Queijo Casamenteiro, comemoração da conquista na França

Foto: fornecedores de leite, funcionários e autoridades comemorando a medalha de prata.

“O Gado leiteiro chegou na antiga Encruzilhada  ainda no século 18 , de lá até os dias de hoje nosso gado vem sendo referência no cenário da pecuária leiteira nacional e os fazendeiros de Cruzília, abnegados em suas atividades pastoris, sempre procuraram melhorar os seus rebanhos, encontrando  nas diversas raças de bovinos as qualidades necessárias para o incremento da produtividade e qualidade leiteiras tão desejadas.

Foto: Cruzília em 1950

“Foi na década de 50 do século passado que o Fazendeiro e Ex-Prefeito Municipal,  Gastão de Paula Ferreira, trouxe os primeiros exemplares das raça Jersey para Cruzília, encantado que ficou com a eficiência produtiva daquelas vaquinhas amarelas que conheceu na cidade de Pouso Alto, nelas vislumbrou o animal ideal para povoar sua ‘Chacrinha’, hoje localizada no Bairro Nossa Senhora da Conceição, Ventania, na saída para São João Del Rei.

Foto: Gastão de Paula Ferreira (e) e os filhos Elcio e Dalton com parte do primeiro rebanho 
Jersey de Cruzília aos fundos , foto da década de 50 do século XX.

“Adquiriu 13 vacas e 1 touro,  e com eles iniciou o primeiro rebanho Jersey de Cruzília, que era cuidado por seu amigo Lulu Teixeira e pelos filhos Elcio Mori Ferreira e Dalton Mori Ferreira, na época ele tinha orgulho em dizer que com as 13 vacas tirava 140 litros de leite, portanto uma média de 10,76 litros de leite por vaca, isso na década de 50 do século passado!

“Ao tomar conhecimento de que o gado Jersey já estava em Cruzília, em 1956 , Samuel de Azevedo Junqueira , adquiriu inicialmente do Sr. Gastão um Tourinho de nome Sultão e o levou para servir em suas Fazendas Bananal e Catanduva , partes da antiga Fazenda Traituba. Desta data em diante , Sr. Samuel nunca mais deixou de utilizar Touros da Raça Jersey e até mesmo alguns mestiços de Jersey para cruzar suas novilhas, merecem destaque além do fundador Sultão, o Touro Cesto e outro adquirido através do João Barbosa Meirelles , cruziliense radicado em  Cruzeiro - SP, na Fazenda Santana em Jacareí-SP de propriedade de Severo Fagundes Gomes , um dos maiores expoentes na criação do gado Jersey no Brasil durante os anos 60 , 70 e 80 do século XX.

“Neste período foi inegável a contribuição da raça Jersey, para a formação do tradicional gado ‘Tribofe’, posteriormente conhecido como Gado Mantiqueira, que tem como base o gado leiteiro selecionado pela família Junqueira de Cruzília.

“Por muitos anos, a referência de gado Jersey em Cruzília, passou a ser o Sr. Samuel Junqueira , e quem se interessava por este gado, buscava na Fazenda Bananal novilhas e vacas “ajersadas” para melhoramento de seu rebanho leiteiro.

“Na mesma década de 50, outro criador cruziliense, José Inácio Filho (Zé Pacheco) adquiriu no tradicional Leilão de São Sebastião realizado anualmente no dia 20 de janeiro, uma vaca Jersey, provavelmente de origem dos criatórios do Sô Gastão e do Sr. Samuel e posteriormente um tourinho Jersey, dando inicio a sua seleção no Sítio Bela Vista , localizado aos pés da Serrinha e conseguiu grande sucesso  em sua seleção, tendo certa feita vendido ao Dr. José Maciel um tourinho Jersey em época que Dr. José já era conhecido por seu excelente rebanho leiteiro e aqui cabe um parênteses para ser contada uma passagem pitoresca no dia desta aquisição.

“Zé Pacheco sempre se utilizava do banheiro carrapaticida do Dr. José para banhar seu gado. Em uma das vezes em que havia levado o gado para banhar, Dr. José gostou da forma leiteira e constituição de um dos animais, um tourinho já bem apurado e de imediato  propôs negócio no mesmo. Zé Pacheco aceitou, combinaram o preço e ao apartar o tourinho, Dr. José perguntou ao Zé Pacheco se o mesmo já tinha nome, ao que respondeu o Zé Pacheco: ‘Ora Dr. José, a mãe dele se chama Vitrola, então o senhor pode chamá-lo de Vitrolo’... e assim ficou batizado o Tourinho Jersey do Dr. José : ‘Vitrolo’ , que segundo consta, deixou excelente prole leiteira naquele plantel.

“Nos anos 60 , José Mário dos Reis Meirelles, conhecido criador de Gado Holandês Vermelho e Branco na Fazenda São Sebastião em Cruzília,  adquire um plantel de vacas Jersey e o transfere para seu Sítio em Caxambu, posteriormente as cruzou com um touro Gir , produzindo excelentes mestiças ‘Girsey’ . Infelizmente deste criatório não restaram descendentes em Cruzília.

“Mas foram os anos 90, a década de grande importância para o Gado Jersey em Cruzília. Em 1991, Camilo Donizete Maciel (Pantera) , adquiriu em Delfim Moreira-MG, do criador Paulo Mauricio Carvalho do Sítio Refugio da Colina, um bezerro e uma bezerra , e na cidade de Lavras-MG do criador Paulo Estevão de Souza da Granja Samira outra bezerra e iniciou um trabalho de garimpo de vacas “ajersadas” para iniciar seu rebanho no Sitio São Rafael , tendo adquirido ainda uma vaca do criador Sebastião Fabiano Ribeiro (Tãozinho) de Madre de Deus de Minas e também  duas vacas na Fazenda Bananal do Sr. Samuel  Junqueira.

“Um grande incentivador do criatório Jersey do Camilo (Pantera), foi o Engenheiro Agrônomo Paulo Eduardo Neuenswander Penha que ainda hoje é um entusiasta da raça. Seu irmão Carlos Orlando Neuenshwander Penha (Lolando), traz para seu Sitio Chapada, também nos anos 90, duas vacas oriundas da cidade de Andrelândia-MG e iniciou um pequeno criatório tendo seu filho Nicolas vencido um Torneio Leiteiro Juvenil com uma das vacas . Este rebanho posteriormente foi transferido para Fernando José dos Reis Meirelles Junior da Fazenda Angahy, que até os dias de hoje continua se utilizando de alguns animais da raça  Jersey em seu rebanho leiteiro.

“Nesta mesma época José Camilo Ribeiro  (Camilão)  começa no Sítio Rio do Peixe a seleção de alguns animais da raça Jersey adquiridos na Fazenda Conquista de propriedade da Comax Construtora  e originários de Belo Horizonte.

“Ainda no final dos anos 90, Joaquim Rangel Mangia de Souza na Chácara Ponte Funda , se tornou outro grande entusiasta da raça , seguramente o maior desta nova geração. Ao participar de um curso de inseminação ministrado pelo SENAR-MG , ficou sabendo pelo médico veterinário Waldir da cidade de Paraisópolis-MG, instrutor do curso , da eficiência produtiva em uma propriedade rural da sua região, alcançada através da utilização de vacas da raça Jersey e se interessou pelo assunto, tendo feito diversos contatos com criadores do Estado de São Paulo e também visitado a Fazenda do Criador Anardino Costa em Pouso Alegre-MG, na época um dos maiores criadores de Jersey do Brasil, de onde trouxe um bezerro para touro, que infelizmente não chegou a idade reprodutiva, mas não desanimou e  começou a inseminar suas vacas com Touros Jersey  e já na primeira geração de animais , observou o grande salto na produção de leite de seus animais , estes produtos se espalharam por toda a região, o Touro que mais utilizou para inseminação foi o PRICELAND BOLD DANIEL BARBO - ET. Suas vacas sempre foram conhecidas pela alta produção leiteira. Rangel incentivou um grande numero de produtores de leite a se utilizar do sangue Jersey , inseminando para estes produtores suas vacas com touros Jersey , mas o principal  fomento da raça se deu através de diversos tourinhos por ele vendidos  em Cruzília.

“Posteriormente fez uma parceria com o criador Camilo Donizete Maciel, trazendo para o Sítio Ponte Funda todo o rebanho Jersey daquele criador, incrementando assim, ainda mais seu criatório, parceria esta que posteriormente se estendeu ao nosso próprio criatório, tendo alojado n Sitio Ponte Funda nossas vacas por mais de 5 anos .

“Na mesma época, mais precisamente em 1996 , Camilo Donizete Maciel, presenteia meu filho Domingos Lollobrigida Netto , então com 2 anos de idade, com uma bezerra Jersey e me cede duas outras. Aqui começa nosso envolvimento com a Raça Jersey . Na ocasião na data de 13 de maio de 1996, nos  associamos  a Associação dos Criadores do Gado Jersey de Minas Gerais, sob o número 10.472-C , atualmente cadastro nº 9.075 da Associação dos Criadores de Gado Jersey do Brasil e registramos  os primeiros animais de nossa seleção , que foram as vacas Asil Thamires Aquire Reg. 27.613-D e Asil Thamara Aquire Reg. 27.615-D.

“De nosso criatório que neste ano completa 23 anos de seleção, além da Vaca Asil Tiara Sooner Kyle por Asil Thamara Aquire em Purple Sooner Kyle – ET , da qual descende todo o nosso rebanho, merecem destaques o Touro Mestre , adquirido do Pedro Rezende Arantes oriundo de um criatório próximo a Poços de Caldas e trazido a Cruzília por seu irmão Silvio José Rezende Arantes (Teté), que nos deixou excelentes filhas com alta produção leiteira e a linha de sangue hoje  representada pela novilha  Lollo Cruzília Vocation,  filha da Vaca Olinda II em All Lynns Legal Vocation – ET , neta da Vaca Olinda (esta um presente do meu  grande amigo Fernando Maciel Pereira do Sítio Resplendor em Cruzília)  bisneta da Vaca Jersinha e trineta da vaca Bolívia adquirida na Fazenda Bananal pelo Camilo Donizete Maciel (Pantera) , que nos traz preservado até os dias de hoje  o sangue Jersey  legado dos pioneiros da raça em Cruzília , Sr. Gastão de Paula Ferreira e Sr. Samuel  de Azevedo Junqueira, iniciado lá nos anos 50 do século XX, portanto há quase 70 anos atrás.

Foto: o touro Mestre

“Criam ainda em Cruzília animais de sangue Jersey, Ezio Camilo Pereira Maciel do Sitio Tapera, a quem vendi um excelente touro filho do Barlo,  Antonio Carlos de Almeida e seu filho Antonio Carlos de Almeida Junior  em seu Sítio na região do Estreito e mais recentemente José Ferreira Ratto e seu filho José Ricardo Ratto , adquiriram no sul do país uma novilhada “ajersada” para a Fazenda Chalet.

(texto preparado por sugestão de Joaquim Rangel para apresentação durante o 50º Torneio Leiteiro de Cruzília, primeiro ano de participação do Sitio e Haras Mutuca - JERSEY DO LOLLO, somente com animais de sangue Jersey).

Acesse o grandesjerseybr.blogspot.com , deste mesmo autor, e conheça as grandes vacas brasileiras.







terça-feira, 20 de outubro de 2020

TJ41 - PAULO ROBERTO NOLLI

 


Minas possui, hoje, alguns dos melhores exemplares da raça Jersey do mundo. A afirmação, para o INFORMATIVO JERSEY MINAS, é  do presidente da ASSOCIAÇÃO DOS CRIADORES DE GADO JERSEY DE MINAS GERAIS, o excelente criador LUCIANO PAULINO JUNQUEIRA, referindo-se ao sucesso do Ranking Mineiro 94 que levou às pistas animais de altíssimo nível, e ao ótimo resultado alcançado pelo mineiro PAULO ROBERTO NOLLI na EXPOMILK e XIII EXPO-NACIONAL DA RAÇA JERSEY.

Luciano Junqueira, presidente da Jersey-Minas 

A temporada de exposições de 1994 chamou à atenção pelo profissionalismo com que os animais foram preparados para entrar em pista. Apresentadores canadenses, ou mesmo os das fazendas que aprenderam as técnicas estrangeiras, demonstraram como se faz para tornar ainda mais bonita uma Jersey campeã.

JUNQUEIRA destacou o excelente desempenho da representação de PAULO ROBERTO NOLLI nessa NACIONAL, com um time de vacas de primeira linha arrebatando gorda premiação, merecendo o segundo lugar como EXPOSITOR - apenas 60 pontos atrás do primeiro colocado, a tradicional CABANHA NOGUEIRA MONTANHÊS, de Sueli Alves Nogueira, pentacampeã nesse concurso que, em anos anteriores a partir de 1982, pertencera a Anardino Costa, Antônio Carlos Pinheiro Machado e José Ronald Bertagnolli -  separadamente.

As vacas da FAZENDA BOM PASTOR, de PAULO NOLLI, ficaram com os títulos de Reservada de Grande Campeã, Melhores Úberes 3 e 5 Anos, Campeã Vaca 5 Anos, Reservada Campeã Adulta, Touro Grande Campeão, e outros. 


O juiz canadense, BRENT WALKER, disse não ter sido fácil a escolha, até os últimos instantes com disputa acirrada entre os expositores Sueli Nogueira e Paulo Nolli, este último conquistando com a sua GUSTO CYNTIA OF HERVEN HILL, o Reservado de Grande Campeonato Fêmeas e, com o touro SANTA CRUZ JAGUAR TOP CAL, o Grande Campeonato Machos.

A excelente classificação dos animais da Fazenda Bom Pastor, em sua primeira participação na Expo-Nacional da Raça Jersey, foi a seguinte:

Grande Campeão e Campeão Touro Sênior: Santa Cruz Jaguar Tops C.A.L

Reservada de Grande Campeã, Campeã Vaca 3 a, e M.Úbere 3 a: Gusto Cyntia of Herven Hill

Reservada de Campeã Vaca 3 a: Just-Topin Easter Lilly

Reservada de Campeã Vaca 4 a: Meadow Lawn Juno Laura 4Z

Campeã Vaca 5 A e M.Úbere 5 a: Spring Flood Nugget Jemina

Reservada de Campeã Vaca 5 a: Potwell Jody S Sal 5Y

Reservada de Campeã Vaca Adulta: Superb Gil-Bar Twinkle

2º M.Úbere adulto: Superb Gil-Bar Twinkle

2º M.Úbere Longevo: Floras Magic Pixie

4º lugar Torneio Leiteiro: Stemar Juno Kendra

Spring Flood Nugget Jemina, Campeã 5 anos

 




No II LEILÃO OFICIAL DA RAÇA JERSEY, realizado durante a Expomilk 94, no dia 21 de outubro foram vendidos 30 animais ao preço médio de R$ 161.800,00, o melhor lance para a vaca de Paulo Nolli – Península Grouve Christie – adquirida por Sueli Nogueira.

Na revista RAÇA JERSEY, Paulo Roberto Nolli publicou a seguinte nota: 

“Segundo Santo Agostinho, o dever mais urgente é o de agradecer. Portanto, sem obedecer nenhuma ordem cronológica ou de importância, vou citar todas as pessoas a quem devo meus mais profundos agradecimentos pelos bons resultados conseguidos na Expomilk 94: todos os Criadores que torceram por nós, em especial os mineiros, Yacult, Hays Farms, Tancredo e Rosalva, Jorge Luzza, Cesar, Raul Pimenta, Bert Stwartt, Aragon e Julio Durdos, Denis e Lindolfo, Anardino Costa, Labs Rapitbay, Pinheiro Machado, Leleco, Cabanha Butiá e Ronald Bertagnolli, Agropecuária América, Internacional Marketing Services (que nos forneceram os animais de alto nível que importamos do Canadá nos últimos  6 anos). Bert Stuart e Raul Pimenta, como os melhores conhecedores de raça de leite, e Richard e Gary Bowers pelo excelente trabalho de assessoria prestado; Leonides Show, responsável pelo rebanho, e o nutricionista Bismark Pinheiro Mendonça; Ellos e Junia, e toda a equipe da Fazenda Cachoeira; Dra.Giselda, Dra.Katia, Dr.Edgardo, Elza, Dr.Ney, Dr.Roberto, Dr.Morita e todos os funcionários da Associação pelo carinho como fomos recebidos. Aproveito para parabenizar o Ney e a Suely pelo prêmio de Melhor Expositor pelo 5º ano consecutivo, e convidar a todos para o “1º LEILÃO BOM PASTOR E CONVIDADOS”, dia 3 de abril de 1995, no Parque Água Funda.




"UPETITA e TUMBERGIA foram duas vacas que me deram muita alegria, falecidas antes da EXPOMILK, e a elas dedico esta homenagem com a foto da primeira" (Paulo Roberto Nolli):


 INFORMATIVO JERSEY MINAS, dezembro de 1994 – O criador mineiro PAULO ROBERTO NOLLI mostrou a raça em São Paulo, com um time de vacas de primeira, conquistando o 2º lugar como Melhor Expositor, amargando a tradicional liderança do criatório paulista Nogueira Montanhês. Recebeu, das mão de EDGARDO ECKTOR PEREZ, presidente da ACGJB e emérito criador, seu merecido prêmio.


Sua propriedade, denominada FAZENDA BOM PASTOR, está localizada em Caeté/MG, e sua representação foi considerada a grande sensação dentre todas as raças da EXPOMILK 1994, também NACIONAL DA RAÇA JERSEY. Apesar de ter ficado com a segunda melhor colocação como expositor, o mineiro surpreendeu pela alta qualidade e excelente padrão de seus animais.

Nos últimos 5 anos, esta foi a primeira vez que o criatório NOGUEIRA MONTANHÊS, um dos melhores do mundo na criação de Jersey, esteve ameaçado de perder o primeiro lugar durante a batalha  entre os dois criadores, transformando a disputa num sensacional espetáculo para os expectadores. Antes, houve o predomínio de outros destacados criadores, citando ANARDINO COSTA, ANTÔNIO CARLOS PINHEIRO MACHADO e JOSÉ RONALD BERTAGNOLLI.

Foi grande a torcida dos criadores mineiros para PAULO NOLLI, a cada pontuação aumentando a vibração e a expectativa pelo resultado final. Relatos de assistentes garantem que até pessoas de outras raças entraram na torcida a favor de NOLLI.

Feliz com a premiação, o titular da FAZENDA BOM PASTOR credita o seu sucesso nesta NACIONAL ao trabalho profissional que vem desenvolvendo, e à seriedade das pessoas que trabalham com ele. Foi a coroação de nossa luta pela implementação de um banco genético de alto nível, e da nossa dedicação à raça Jersey. PAULO NOLLI afirma que sua intenção é colocar o material genético da BOM PASTOR ao alcance de um maior número de criadores, colaborando para o melhoramento do plantel mineiro e brasileiro.

Ele já tem programado o 2º LEILÃO BOM PASTOR para abril de 1995, no PARQUE ÁGUA FUNDA – o mesmo que assistiu à sua ascenção para 2º Melhor Expositor da NACIONAL DE JERSEY.

Em 1995, na sua segunda e última participação na EXPOSIÇÃO NACIONAL, os animais da BOM PASTOR classificaram-no como TERCEIRO MELHOR CRIADOR e TERCEIRO MELHOR EXPOSITOR. Mas com a glória de, nesta feita, conquistar o GRANDE CAMPEONATO PARA FÊMEAS DA RAÇA JERSEY, o mais cobiçado troféu para os expositores.

Em 1996, fora das pistas, PAULO ROBERTO NOLLI cria sua própria marca de laticínios, conforme matéria publicada na revista RAÇA JERSSEY.


Recentemente, em depoimento exclusivo para este blog, PAULO NOLLI nos conta um pouco de sua história jersista:

“Fui orientado pelo Luis Paulo Novaes Miranda, pelo dr.Epaminondas, pela Giselda e pela Katia Castro. O Aragon me ajudou nos acasalamentos, na época ele era da ABS. Também a Maria Cecília Gardinal de Aedo, uruguaia, orientou-me muito, também o Raul Castro - carioca radicado em Minas Gerais que me ajudou nas exposições e na aquisição de gado, um técnico excepcional do Holandês, -raça que eu também criava.

“O Ronald Bertagnolli, diga-se de passagem, também ficou muito meu amigo, participou como jurado aqui na GAMELEIRA em algumas exposições que eu levei gado, e me orientou muito principalmente com relação ao gado canadense: na época ele era um dos pioneiros na sua introdução no Brasil, e uma pessoa maravilhosa.

“ Teve muita gente boa em meu caminho, infelizmente alguns já passaram desta para a melhor”.

Perguntado sobre quando, como, e porque iniciou a criação de Jersey, este simpático mineiro respondeu:

“Comprei umas mestiças, depois fui aprimorando comprando vacas do Anardino Costa – um dos maiores criadores de Jersey no Brasil – e do Dr.Guilherme Mascarenhas. Tambem comprei muito gado do Ronald Bertagnolli, do Memeco, e da gauchada naqueles leilões que organizavam, de ouro e de prata, na Expointer.

“Comecei a criar porque sempre gostei muito de gado de leite. No início criava Gir mas, quando vi umas vaquinhas Jersey numa exposição aqui na Gameleira – Belo Horizonte, empolguei-me e comecei a criar. A vantagem que ví nas Jersey era pela qualidade do leite que, realmente, tem muito mais proteína e gordura que o das outras raças. É um gado bonito, dócil, e em cada dona uma jersinha tem o seu lugar.

“O meu criatório é em Caeté, a 60 km de Belo Horizonte, chamado FAZENDA BOM PASTOR, continua PAULO. Importei muito gado dos EUA e Canadá, no auge de minha criação chegando a ter 250 cabeças - grande parte importada – inclusive a maior vaca Jersey que eu já vi até hoje, chamada Crescent, que parecia uma Pardo Suíça pelo tamanho. 



“CRESCENT foi Grande Campeã Nacional em 1995, lá em São Paulo. Um vacão, que a Sueli não descansou enquanto não a comprou em meu leilão, pagando o mesmo valor que eu havia pago na importação: 30 mil dólares americanos.


“Hoje tenho cerca de 20 Jerseys, mas não estou registrando embora fazendo os acasalamentos certinhos. A ASSOCIAÇÃO MINEIRA fechou, e eu desisti de registrar. Mas não consigo ficar sem elas”.

Sobre sua participação em exposições da raça Jersey, NOLLI explica:

“Da Nacional participei em 1994 e 1995, e não mais voltei lá. Aqui em Minas Gerais, comecei por volta de 1985, várias vezes em Garopeba, Gameleira (Belo Horizonte) como em 1988, 1992 e 1995. Não lembro bem a data em que iniciamos, mas tem bastante tempo”.

Disse a Paulo Nolli que, da NACIONAL DE 95 lembrava-me bem. Na época eu presidia a ACGJRS, e sua magnífica "representação" perturbou muito ao Ney Borges Nogueira. Uma pena não teres participado de outras, teus animais e equipe eram ótimos.


“O que eu descobri foi que havia falcatrua demais nessas exposições, tinha muita sabotagem, o Ney manuseava muito os resultados, era cheio de trambiques – a verdade é essa. Mas já passou, o Ney coitado descansou. No final, fiquei amigo dele, que era muito sistemático, mas acabamos fazendo amizade”, desabafa Paulo Nolli. 

A MINEIRA está sendo reorganizada, e o trabalho de recuperação, muito intensivo, liderado por LUCIANO E ÂNGELA JUNQUEIRA. Estás acompanhando-os, NOLLI?

“São dois criadores excepcionais, a ÂNGELA E O LUCIANO, e espero que eles tenham sucesso nessa empreitada. Realmente, aqui em Minas, a maior parte dos criadores de ponta, que tinham um rebanho excepcional como o José Salvador, a Gui e o Euler - que hoje não estão registrando e têm um plantel maravilhoso - tem o Sebastião Cabral que ainda conta com um rebanho muito bom, mas grande parte da turma deixou de criar, desistiu das exposições porque, além do custo alto, não estão justificando”.

Sobre a pontuação de suas Jersey, sabemos que PAULO NOLLI foi o primeiro a pontuar o rebanho, no Brasil, conforme poderemos ver neste artigo da revista RAÇA JERSEY:



Agradeço a colaboração, para esta postagem, dos jersistas LUCIANO e ANGELA JUNQUEIRA, NELSON  ZIEHLDORFF, JANUS KATSMAN, e ao próprio PAULO ROBERTO NOLLI, com fotos e textos.

Acesse o blog 

< grandesjerseybr.blogspot.com > 

e conheça grandes vacas nacionais desta raça.



TJ43 - 30 ANOS DA JERSEY MINAS

  ASSOCIAÇÃO DOS CRIADORES DE GADO JERSEY DE MG Cap.I - SUA FUNDAÇÃO EM 28 DE FEVEREIRO DE 1991 ...