Euclydes
Aranha Neto
1954
a 1974
Durante 20 anos – de 1954 a 1974 – Euclydes Aranha Neto
foi presidente da Associação dos Criadores de Gado Jersey do Brasil. “Foram
tempos encantadores, mas difíceis”, diz Euclydes.
Euclydes Aranha recebeu a presidência das mãos de
Theodoro Duvivier.”Nós trabalhávamos muito. A cada 15 dias, os diretores se reuniam. Eu
tive o prazer e a capacidade de reeditar os anuários da associação”,
diz êle.
Apesar de já estar desligado da entidade, Euclydes Aranha
não esconde o entusiasmo de criador, afirmando que “o gado Jersey está tomando
conta do país. O exemplo é o Rio Grande do Sul – hoje um dos maiores redutos
da criação de gado Jersey no mundo. A última exposição em Esteio apresentou
mais de 300 cabeças da raça”.
O pai de Euclydes Aranha, Oswaldo Euclydes de Souza
Aranha, criava cavalos de carreira na fazenda Vargem Alegre, no Rio de Janeiro,
de sua propriedade. Euclydes, um admirador do gado Jersey, iniciou então a
criação. “Eu era um criador dedicado, e deve ser por isso que os outros
criadores resolveram me entregar a associação”, supõe.
Nascido em Itagui-RS a 4 de janeiro de 1920, Euclydes
transferiu-se muito cedo para o Rio de Janeiro – hoje possuindo o título de
Cidadão do Estado do Rio de Janeiro. Formou-se em direito pela Universidade do
Brasil e estagiou na Universidade de Washington D.C.. Participando como
presidente, diretor ou fundador, atuou em empresas como Cia.de Seguros
Pan-América, Willys Overland do Brasil, Ford Willys do Brasil, Ford do Brasil,
Irfa, Refinaria de Petróleo de Manguinhos. Foi membro do Conselho Fiscal, ou
Consultivo, do Escritório Nunes Leal de Advocacia da Ford Brasil, da Fundação
Getúlio Vargs e da Associação Nacional de Programação Econômica e Social, entre
outras. Até 1982 participou como vice-presidente do Museu de Arte Moderna. E,
para manter a tradição de criador de animais de raça, foi presidente da
Associação Brasileira de Cavalo Quarto-de-Milhas de 1975 a 1977.
Durante o tempo em que esteve à frente da ACGJB, Euclydes
Aranha realizou um importante trabalho: o reestabelecimento do Registro
Genealógico e a publicação dos anuários: “Dirigi a associação com prazer, mas não
fizemos nada de extraordinário. O gado Jersey sobrevive pelas suas próprias
forças, suas virtudes”, acrescenta.
MUDANÇA
PARA SÃO PAULO: o
reduto do Rio de Janeiro era muito pequeno, os grandes criadores já estavam
abandonando a criação, ou mudando para outras raças. Casos, por exemplo, de
Eduardo Duvivier e João Dale. “Tendo verificado que São Paulo começou a se
desenvolver na criação do gado Jersey, e já participando com 55% da economia
brasileira eu, então com o beneplácito dos demais associados, fiz a
transferência da associação, entregando-a para outro magnífico criador, o Dr.Mário
Lopes Leão”, conta. Euclydes Aranha. Também com a associação,
transferiu-se para São Paulo a funcionária Nicolina Fajardo. Mantendo o
registro genealógico “com muito rigor”, e conhecendo
todos os criadores, Nicolina permaneceu na associação até se aposentar.
“Fizemos um ato de transferência da
associação para que os associados paulistas assumissem a direção, mas eu devo acrescentar
que todos os criadores de gado Jersey foram, sempre, muito solidários. Quando
estávamos no Rio, por exemplo, a associação funcionava no edifício Guinle e,
diga-se de passagem, pagávamos um aluguel ridículo, praticamente de favor”,
conclui Euclydes Aranha.
Em uma das viagens, Euclydes Aranha tomou conhecimento do cruzamento do gado Jersey com o zebu Sindhy, em Beltsville, EUA. O importador Felisberto Camargo, depois de uma luta insana, conseguiu trazer o gado sindhy para o Brasil. “Êle trouxe, de seu próprio bolso, um casal de animais e o doou à Escola Luis de Queiróz, de São Paulo”, afirma Euclydes Aranha. O gado permaneceu na ilha de Fernando de Noronha durante muitos meses. Quando conseguiu, finalmente, a liberação do gado para o continente, Felisberto enviou-o para São Paulo. “Através da influência dele, consegui um touro e uma novilha filhos do casal. Então, fiz o cruzamento com o Jersey na fazenda Vargem Alegre”, conta entusiasmado.
Do Canadá, Euclydes Aranha trouxe o touro neto de Brampton Bazilua – a maior vaca Jersey do mundo, recordista de ser a vaca que recebeu o maior número de banquetes em sua homenagem.
GANHANDO MERCADO: “A mesma diferença do gado Holandês da Holanda, e o Holandês da América, existe em relação ao gado Jersey”, explica Euclydes. O gado Holandês americano produz, segundo êle, mais leite porque é um gado maior, praticamente sem carne, e dificilmente se adaptaria ao Brasil. “A linhagem americana é muito mais exigente. O gado Jersey, ao contrário, tem como sua principal característica a rusticidade – a explicação para o seu sucesso. Na Ilha de Jersey, o gado é criado cercado por uma corda, todos os dias as mulheres alimentando-o: fazem crochê, tiram o leite, fazem crochê. Um animal destinado ao minifúndio que está tomando conta do mercado”, finaliza Euclydes Aranha.
(Artigo publicado a partir da Revista Oficial da Raça Jersey, conforme textos abaixo)




Nenhum comentário:
Postar um comentário