terça-feira, 24 de setembro de 2019

TJ18 - MÁRIO LOPES LEÃO - OS PRESIDENTES DA ACGJB (VI)


Mário Lopes Leão
1974 a 1980


MUDANÇA PARA SÃO PAULO - Nos seis anos em que esteve à frente da ACGJB, Mário Lopes Leão deu novos rumos à entidade. A primeira, e talvez mais importante decisão, foi trazer a sede do Rio de Janeiro para São Paulo. Após 36 anos no Rio, a ACGJB mudou-se para o estado com o maior núcleo de criadores. Segundo João Evangelista Leão, filho do ex-presidente e hoje o administrador do espólio do Sítio São Francisco, o fato de a associação ainda estar sediada no Rio de Janeiro tinha apenas motivos históricos, pois para aquele estado alguns imigrantes ingleses trouxeram gado Jersey nas primeiras décadas do século.

Euclydes Aranha contou: “o reduto do Rio de Janeiro era muito pequeno, os grandes criadores já estavam abandonando a criação, ou mudando para outras raças como, por exemplo, Eduardo Duvivier e João Dale. Tendo verificado que São Paulo começou a se desenvolver na criação do gado Jersey, e já participando com 55% da economia brasileira, com o beneplácito dos demais associados fiz a transferência da associação, entregando-a para outro magnífico criador – Dr.Mário Lopes Leão - para que os associados paulistas assumissem sua direção, mas devo acrescentar que todos os criadores de gado Jersey foram, sempre, muito solidários. Quando estávamos no Rio, por exemplo, a associação funcionava no edifício Guinle e, diga-se de passagem, pagávamos um aluguel ridículo, praticamente de favor”.

Com a associação, transferiu-se para São Paulo a funcionária Nicolina Fajardo, mantendo o registro genealógico “com muito rigor” e, conhecendo todos os criadores, permaneceu na ACGJB até se aposentar.

Se, por um lado, a vinda para São Paulo se deveu à maior representatividade de criadores, por outro possibilitou a concepção de uma associação forte. O número de associados elevou-se consideravelmente e a instalação nas dependências do Parque de Exposições da Água Branca conseguida por Mário Lopes Leão, aliada à estruturação burocrática, possibilitou a consolidação da associação como entidade oficial dos criadores de Jersey.

MEMÓRIA – ao contrário dos demais ex-presidentes da ACGJB, Mário Lopes Leão foi uma pessoa fundamentalmente urbana. Filho de família do interior de São Paulo (Botucatu), Leão veio para a capital do estado aos 17 anos. Nos estudos foi muito bem. Formou-se em engenharia civil, mecânica e elétrica. Na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, a mais disputada faculdade de engenharia do país, classificou-se em primeiro lugar. De outra parte, Lopes Leão deu aulas de matemática, física e química – para custear os estudos – desde os 15 anos de idade. Para João Leão, seu pai guardou na memória, por muitos anos, a vontade de ter o seu pedaço de terra e criar alguns animais. E isso apenas foi possível no final dos anos 50 com a aquisição, em Jundiaí, do Sítio São Francisco.

Mas, antes disso, Lopes Leão foi assessor de Prestes Maia, quando prefeito de São Paulo, e preparou o primeiro estudo feito por brasileiro do metrô da capital paulista. Na área de transportes urbanos, foi o primeiro superintendente da Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC) de São Paulo, e da SMTC, de Santos. Na área energética, presidiu a Empresa Energética do Estado de São Paulo por oito anos, na época composta por várias empresas. Estas corporações, mais tarde, foram fundidas na CESP (Centrais Energéticas de São Paulo), da qual Leão foi o primeiro diretor de operações.

O ex-presidente da ACGJB ainda acumula em seu currículo o cargo de vice-presidente da Eletrobrás e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, atual BNDES. Como coordenador do grupo internacional de Sete Quedas, encaminhou estudos junto ao governo do Paraguai para a construção da hidrelétrica de Itaipu. Finalmente, presidiu a Companhia Siderúrgica de São Paulo (Cosipa) por dez anos.

NA FAZENDA – adquirindo o Sítio São Francisco, Mário Lopes Leão passou a criar aves e suínos. Posteriormente, veio o gado e a paixão pelo Jersey. À medida que o plantel crescia em quantidade e melhorava em qualidade, o nome São Francisco ganhava destaque entre os animais. A vaca Anabela Gaiato de São Francisco foi a primeira a ser registrada por Mário Leão na associação, em 1969, e Cabuletê Trademark de São Francisco o seu primeiro campeão. 


A região de Cabreúva, a 60 km da capital de SP, é bastante acidentada, apresentando quantidade elevada de pedras nos morros. Há poucos quilômetros da estrada principal pode ser encontrado um verdadeiro “oásis”, onde se encontra a Fazenda Uirapuru, com 387 ha levemente ondulados de terra relativamente boa e com aguadas abundantes. Em cerca de 110 ha são plantados café, uva e eucaliptos, os restantes 180 ha reservados à criação de gado Jersey de ótima qualidade.

A Fazenda Uirapuru possuía 320 Jersey, sendo 150 vacas leiteiras (75 em lactação produzindo 750 litros/dia de leite “B”), 5 touros, e o restante distribuído entre bezerras e novilhas. Em seus 30 piquetes cercados por arame liso, todos com bebedouros, eram formados por Napiê e Braquiária Decumbens, somente os animais em lactação recebendo suplementação na ração – na época da seca, estendida aos demais Jersey – e, em certas épocas do ano, havia complementação com silagem e rolão de milho produzidos na fazenda.


A partir do falecimento do Dr.Mário, em 1980, passou a dirigir a empresa o seu filho, Carlos Alberto Rodrigues Leão, obtendo grande premiação na I Expo Nacional de Gado Jersey (Água Funda) em 1982, e os melhores resultados na Expo-Leilão em março de 1983.

DIVISÃO – até 1971 todo o plantel Jersey de Lopes Leão era criado no Sítio São Francisco. Posteriormente, a aquisição da Fazenda Uirapuru, em Cabreúva/SP, possibilitou uma divisão desse rebanho: parte permaneceu na origem e o restante foi transferido para a nova propriedade.

Hoje, porém, do plantel original apenas poucas cabeças permanecem no Sítio São Francisco. A Fazenda de Cabreúva está à venda, e o objetivo – após a venda de expressiva porcentagem do gado – é permanecer com não mais que 20 animais. Segundo João Leão, essa política se deve aos diferentes projetos de vida dos herdeiros do espólio. “Tentativas de manter todo o plantel foram feitas, mas sem resultado. A criação continuará, mas em menor escala, de acordo com a capacidade física do Sítio São Francisco”, explica o ex-secretário de planejamento do município de São Paulo acrescentando que criar 200 cabeças numa área de 130 alqueires, produzindo leite B, só é viável se o interesse for comum. O que não é o caso.

Esta postagem está baseado na revista oficial da ACGJB, coluna Galeria de Presidentes: 



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