quarta-feira, 27 de maio de 2020

TJ30 - ANTÔNIO KARAM, 105º ANIVERSÁRIO



ANTÔNIO KARAM nasceu em 27 de maio de 1915 no Passo do Salso, antigo sétimo distrito de Tupi Silveira - Bagé, onde seus pais, de origem libanesa, se estabeleceram.


Em 1953, comprou uma fração de terras no lugar denominado “Banhado dos Carneiros”, município de Bagé, batizando-o GRANJA QUERÊNCIA. Algumas vacas leiteiras foram adquiridas, seus olhos voltados para a raça Jersey.


Três anos depois comprou da famosa GRANJA CLARA MARIA, de Herculano Gomes, a vaca CLARA MARIA ANTONIETA TERCEIRA BRAMPTOM - RP 105, cujo registro continua exposto na parede de seu escritório.


Em seguida outros animais foram adquiridos, sendo um touro da destacada FAZENDA CINCO CRUZES - afixo FCB - que, cruzado com as demais vacas, formou uma ótima linhagem genética cujos frutos têm propiciado à GRANJA QUERÊNCIA diversos campeonatos em Porto Alegre - depois Esteio - e Bagé, e muita alegria no transcurso de sua existência.


Misto de poeta e gente do campo, autor de “AMIGO VELHO” e “JERSISTA”, Antônio Karam é formado em contabilidade e filosofia por Bagé onde, durante mais de 30 anos, foi funcionário do Banco do Brasil - chegando a gerente.


Antônio Karam sempre se interessou por literatura, e começou a escrever no extinto Correio do Sul - em 1944 com um texto chamado “Cédulas Dilaceradas” - já relatando vivências como funcionário do Banco do Brasil. Desde aí, não parou mais de ler e escrever, e a sua coluna “Amigo Velho” rendeu três livros: Amigo Velho I – Poesias(1985), Amigo Velho II – Contos (1990) e Amigo Velho III – Crônicas (2006).
  


 Agora aposentado, divide seu tempo entre Pelotas e sua GRANJA QUERÊNCIA, com mais de 30 animais da raça Jersey de alta qualidade, a 5 km de Bagé. A administração e o atendimento cabem a seu filho FERNANDO, médico veterinário por formação e vocação.


Neste 27 de maio completando 105 anos, em 2015 nosso “AMIGO VELHO” comemorou seu centenário, vigoroso e ágil, com toda sua jovialidade demonstrada dançando animados boleros na festa que ofereceu a alguns amigos na bonita e charmosa CHARQUEADA BOA VISTA, em Pelotas.


Este simpático e vigoroso jovem-ancião, com o nome de família AISSAR, foi calorosamente homenageado na Expointer pelos associados da ACGJRS no dia 2 de setembro de 2015, na Casa do JerseyRS.


Ele próprio resume sua interessante vida jersista, contada numa inesquecível visita a este autor na Sede Social da ACGJRS, em Pelotas, no início do ano de 2015:


“Meu pai veio com 18 anos do Líbano, via Uruguai, em fins do século 19 e, morando ali muitos anos, passou para o Brasil no início do século XX. Tendo ido ao Líbano, onde casou, voltou para o Brasil no Passo do Salso, onde tinha comércio forte e se tornara um criador, com várias quadras de campo.
Depois surge a Revolução de 1923. Convivemos com ela, as forças maragatas acampando lá em casa, seu chefe participando das refeições em nossa mesa com a família.


Todavia, por circunstâncias adversas, fomos morar no Passo Maria Isabel, na banda de lá, provisoriamente alugando ou arrendando uma casa de Paulo Avero, onde dispúnhamos de um pedaço de campo e para onde havíamos levado a cavalhada.
Meu pai deixou seus interesses no Brasil a cargo de um cunhado, e de um antigo e bom empregado - Sílvio Caravaca. Eu me criei naquele meio rural ainda primitivo, pois nasci em 27 de maio de 1915, época em que não havia as facilidades de hoje, na lida com os animais. Tudo era a campo ou em mangueirões grandes, laçando e derrubando, enfim.
  


Nessa vida me criei, convivendo com o campo, aramadores, tropeiros, enfim, aprendendo de tudo desde pequeno. Em fins de 1924, chegamos à cidade de Pelotas para morar. Ingressei no Ginásio Gonzaga, em 1925, com um irmão.


Meu pai, não tendo a quem deixar a direção dos negócios, vendeu tudo. Fomos morar em Bagé onde, alguns anos depois (1940), ingressei no Banco do Brasil, por concurso, em 20 de setembro, numa fase que considero áurea, convivendo em ambiente de nível elevado, de muito respeito no tratamento entre superiores e subalternos. Nesse meio tempo passei por todos os setores, chegando à Gerência. Aposentei-me do Banco em 1971.
De certa maneira o Banco do Brasil foi, para mim, uma grande escola, aí eu começando a ver a vida de outra maneira no que diz respeito à área cultural, esse meio me levando a conhecer mais a vida, a história, o mundo, as letras, a própria língua nacional ou portuguesa em todas suas fases e influências. 


Sentia entusiasmo em participar autenticamente da vida do Banco, dos seus lucros, e era um justo orgulho quando, ao fim de cada balanço, telegrafávamos para a Direção Geral (naquele tempo) informando o lucro líquido da agência. Fui autor de muitas e grandes correspondências, entre a agência onde trabalhei (maior tempo em Bagé) e a Direção do Banco, resolvendo questões importantes para o Banco e para a sociedade, considerando aí a pecuária e agricultura. Naturalmente, contei sempre com ótimos e íntegros colegas, que sempre estiveram ao meu lado.


Formei-me em Filosofia,Ciências e Letras, lecionei na Faculdade a convite do saudoso Dr. Átila Taborda. Em 1953, adquiri um pedaço de campo e criei a Granja Querência, onde comecei a criar Jersey em 1956, com participação em muitas exposições agropecuárias no Estado e em Bagé, conquistando importantes e valiosos prêmios.


Participei ativamente da administração da Associação Rural de Bagé, como tesoureiro 5durante muitos anos, nas gestões dos Drs. Mercinho, Mário Freitas e Bento Villamil Gonçalves, sendo gerente da Rural o companheiro Tácito Costa, e ao lado de muitos outros, com Dr. Nilo Romero, Dr. Roberto Magalhães e Vicente Donazar e muitos outros. Durante esse período, fizemos várias obras importantes na Rural, o que é do conhecimento de todos.”





Acompanhe, do mesmo autor,
grandesjerseybr.blogspot.com

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