1º de setembro de 1948 – fundação da ACGJRS
Incentivados pelo
presidente da Sociedade Agrícola de Pelotas, Dr.Guilherme Echenique Filho, e
pelo técnico da Secretaria da Agricultura do RS responsável pelo registro da
raça Jersey no sul do estado, Dr.Mário Burck Santos, um grupo de pecuaristas da
região de Pelotas fundou a Associação de Criadores de Gado Jersey do Rio Grande
do Sul. Eram passados 52 anos da entrada da Jersey nos campos gaúchos, pela
iniciativa e idealismo de Joaquim Francisco de Assis Brasil.
Os
gaúchos oficializaram a primeira associação estadual de criadores de Jersey no Brasil,
sob a presidência de Joaquina Francisca “Quinquinha” de Assis Brasil, no ano de
1948, filha de nosso patrono. Além do registro do rebanho gaúcho, por algum
tempo seu organizado e eficiente trabalho contemplou a criadores catarinenses,
paranaenses e cearenses.
Joaquina "Quinquinha" de Assis Brasil
Ata de Fundação da
Associação de Criadores de Gado Jersey do RS
No dia primeiro de
setembro de 1948, às vinte horas , no salão da Sociedade Agrícola de Pelotas ,
à rua 15 de Novembro n º 556, presentes os infrascritos, foi deliberada a
imediata fundação da Associação de Criadores de Gado Jersey do Rio Grande do
Sul. A reunião foi aberta pelo
sr.engºagrº Paulo Luis Oliveira de Boer, secretário da Sociedade Agrícola de
Pelotas.
Após,
foram lidos pelo secretário o estatuto
da futura Associação, apresentados pelo sr.Ibsen Vianna, e que foram aprovados
sem restrições. Em meio de grande entusiasmo, foi logo aclamada e empossada a
primeira Diretoria, que assim ficou constituída:
Presidente
– Snha.Joaquina de Assis Brasil
Secretário-
João Rouget Perez, engºagrº
Tesoureiro-
Paulo Gastal, dr.
Diretores-
Ibsen Vianna e Fernando Assumpção,
engºagr
Suplentes-
Maria Cecília Bento e Mário Mendes de
Mattos
Conselho Fiscal:
Carlos
Alberto Ribas, João Larangeira Filho
e José Lafayette Leite, medºvetº
Em seguida,
fez uso da palavra o dr.João Rouget Perez, agradecendo em nome dos criadores de
Jersey e da Associação que vinha de ser fundada, a nobre cooperação da
Sociedade Agrícola de Pelotas pela iniciativa , e à exma sra.DªLydia de Assis
Brasil pela presidência da primeira reunião. Prosseguindo, em elevadas
considerações, o dr.João Rouget Perez
solicitou à Assembléia um voto de louvor e de saudade em memória
imperecível do dr.Joaquim Francisco de Assis Brasil como o maior difusor do
gado Jersey no Brasil. O dr.Guilherme Echenique Filho agradeceu a homenagem e
referências feitas à Sociedade Agrícola de Pelotas e, em nome da
Exma.Sra.DªLydia de Assis Brasil, as honrarias prestadas ao seu inesquecível
esposo.
Nada
mais havendo a tratar, foi a reunião encerrada e, do que houve para constar, eu
Paulo Luis de Oliveira Boer lavrei a presente ata, por todos assinada.
Assinaturas:
Paulo Luis de Oliveira Boer, Joaquina de Assis Brasil, João Rouget Perez,
Fernando Augusto de Assumpção, Ibsen Ferraz Vianna, João Larangeira Fº, Olavo
Alves Júnior, José A Collares, Carlos
Alberto Ribas, Eduardo Gastal Júnior, Mário Baptista Mendes de Mattos, Maria
Augusta Assumpção Rheingantz, Paulo Gastal, Rafael Dias Mazza, Maria Cecília
Bento, Guilherme Echenique Filho, Octavio Leivas Leite, Edmuindo Chaves Berchon
des Essarts, Jayme Soares de Oliveira(Diretor da E.Ag.RS), dr.Antonio C.Duarte,
José Lafayette Leite, Helena de Assumpção, Gomercindo Carvalho, Lydia de Assis
Brasil.
Na ocasião, era presidente da ACGJ (depois ACGJB) o carioca Fausto B.Martins.
A ACGJRS teve grande ação nos assuntos referentes a registro
genealógico, exposições, comercialização e mostras nacionais, estaduais e
municipais de gado Jersey, bem como na obtenção de recursos e subsídios dos governos,
estadual e federal, para o custeio e manutenção das atividade da raça.
Em
1954 os livros de registro de Jersey do Rio Grande do Sul foram centralizados
no Rio de Janeiro, após longa tratativa entre ambas associações. Na década de 1970, “face ao não interesse dos cariocas em
mantê-la, e dos gaúchos em assumi-la”, dito pelo zoot. Flávio Abrantes,
passou a ACGJ para a cidade de São Paulo-SP, agora com a denominação de “Associação dos Criadores de Gado Jersey do Brasil - ACGJB”, onde funcionou até 2019 mudando-se, então, para Curitiba/PR.
Alem dos presidentes,
diretores e criadores gaúchos de Jersey, deram-nos importante apoio e atenção
os saudosos deputados Osmar Grafulha e Ary Rodrigues Alcântara, tanto na esfera
estadual como na nacional.
Coube aos técnicos Mário Burck Santos, Flávio Abrantes, Antônio Carlos Pinheiro
Machado e Heraclides Santa Helena o trabalho de apoio às diretorias, tornando
viáveis os diversos e bem sucedidos eventos nesse período.
Flávio Abrantes, zootecnista
A luta
pela oficialização do controle leiteiro, a divulgação do concurso leiteiro em
exposições, e a formação do 1º Conselho de Jurados da Raça Jersey (em 9/12/1962),
foram sempre solicitados, incentivados e apoiados pelos diretores, em especial
por Mário Mendes de Mattos no que se refere ao controle leiteiro.
Mário Mendes de Mattos
O
trabalho iniciado em 1948 pelos fundadores da ACGJRS contribuiu para a evolução
e valorização da raça, com a consequente melhoria genética dos rebanhos
gaúchos, até hoje fornecedores de matrizes e reprodutores para todo o Brasil.
OS PRESIDENTES
1999
a 2000 – Jorge Luiz Martins
2001
a 2002 – Carlos Alberto Teixeira Petiz
2003
a 2004 – Carlos Alberto Teixeira Petiz
2005
a 2006 – José Fernando Quadros de Leon
2007
a 2008 – José Flávio Vieira de Vieira
2009
a 2010 – Nilton Rodrigues Paim
2011
a 2012 – Fernando Müller
2013
a 2014 – Cláudio Nery Martins
2015
a 2016 – Cláudio Nery Martins
2017
a 2018 – Álvaro do Amaral Peixoto e
Álcio
Azambuja de Azambuja
OS SUPERINTENDENTES DO SRG
Flávio
Abrantes, engº agrº
Clariton
Tavares Dias, medº vetº
Carlos
Guilherme Rheingantz, engº agrº
OS INSPETORES DE REGISTRO
Mário
Burck Santos, medº vetº
Antônio
C.Pinheiro Machado, engº agrº
Flávio
Abrantes, engº agrº
Roberto
Silveira, medº vetº
Clayrton Evelin Marques, medº vetº
Clariton Tavares Dias, medº vetº
Arthur
Garcia Cademartori, medº vetº
Flávio
Oedmann, medº vetº
José
Flávio Vieira de Vieira, medº vetº
Appes
Roberto Falcão Perera, engº agrº
Roberto
Nardi, medº vetº
Lilian
Müller, medª vetª
Silvana
Lüdtke Carrilhos Haertel, zootª
Eduardo Lammel Blauth, medº vetº
João Almir Bondan, medº vetº
Rodrigo
Braz Marçal, medº vetº
Eduardo
Motta Caminha, medº vetº
Frederico
Trindade, zootª
O APOIO
ADMINISTRATIVO
Gilda Gomes Rosiski, 1979
Angela Marfisia Gerlow, 1983
Jaime Gilmar Silva Fernandes, 1984
Jader Roberto Genske Miranda, 1984
Marco Antônio Pereló Moraes, 1986
Miria Elizabeth Borba Alves, 1987
Rosani Figueiredo de Ávila, 1989
Maria Regina Teixeira Macário, 1989
Angela Beatriz Ferreira da Costa, 1989
Maria Júlia de Freitas Moreira, 1989
Eliana Ferreira da Costa, 1990
Eva Lúcia Centeno Nunes, 1990
Flávia Gadonski Ávila, 1990
Leila Molina, 1991
Luciano Harter, 1991
Roger Dias Camargo, 1993
Elgia Freitas Soares, 1993
Maurício Leal Vignolle, 1995
Marilaine Gonçalves, 1995
José Henrique da Costa Cardoso, 1995
Osmar Luiz Carriconde Souza, 1996
Mara Regina Teixeira Macário, 1989
Vera Maria Cardoso da Fonseca,
Evelyn Castro da Silva,
Vinicius de Lima Raubach, 2009
Rosangela Gonçalves Muñoz, 2011
Silvana Lütke Carrilhos Häertel, 2016
ANTES
DA FUNDAÇÃO DA ACGJRS
Joaquim Francisco de Assis Brasil
Joaquim Francisco de Assis Brasil ao adquirir suas primeiras Jersey em 1895, trazendo-as para o Brasil no ano seguinte, sabia “estar introduzindo uma raça nobre, antes de mais nada produtora de um leite gostoso e consistente cuja gordura amarelada e de grumos especiais proporcionava uma manteiga bonita e saborosa.” Apreciados pelos europeus, os produtos do “leite jersey” ganharam ràpidamente a preferência dos gaúchos, cariocas e cearenses, posteriormente dos demais brasileiros, tornando-se a segunda raça leiteira em expressão nacional.
Talvez
não pensasse nosso patrono que a Jersey chegaria ao lugar de destaque ocupado
atualmente, sendo no final do século XX considerada pela imprensa especializada
internacional como “A LEITEIRA DA DECADA 2000”.
Em
1905 Assis Brasil, instalado em seu “CASTELO”, iniciou o PEDRAS ALTAS HERD-BOOK, controle
inicial da raça Jersey no Brasil, em 1915 passando para a SECRETARIA DE OBRAS
PÚBLICAS-DIRETORIA DE AGRICULTURA, INDÚSTRIA E COMÉRCIO DO RIO GRANDE DO SUL. A
raça Jersey foi oficializada no Brasil em 1930, pelo Ministério da Agricultura,
por iniciativa de D.Joaquina de Assis Brasil, filha do introdutor, sendo os
primeiros exemplares P.O.da raça Jersey brasileiros, do Herd Book de Pedras
Altas, nele inscritos.
1915 – o primeiro Herd-Book Oficial
da Raça Jersey
no RS e Brasil
No Rio
de Janeiro, em 1938 foi fundada a Associação dos Criadores de Gado Jersey-ACGJ,
entidade de caráter nacional, tendo como seu primeiro presidente Eduardo
Theodoro Duvivier (1938/1940).
Eduardo Theodoro Duvivier
Em
1940, a Prefeitura Municipal de Ijuí já investia na raça Jersey, adquirindo
touros puros que ficavam disponíveis para os criadores que quizessem
utilizá-los no melhoramento.
Francis Walter Hime
De 20 a 23 de setembro de 1942,
foi realizada a I EXPOSIÇÃO DE GADO LEITEIRO, em Pelotas.
o jovem A.C.Pinheiro
Machado, Pelotas, 1942
Comissão de Organização: Jurado de Jersey: agrº Glacy Pinheiro Machado; Secretário: engº agrº Waldemar Oliveira; Concurso de Ordenhadores: vetº Gaspar F.Teixeira, engº agrº Waldemar Oliveira, prático rural Samuel de Souza; Concurso Leiteiro: agrº Acimar Noronha; Marchant, Dr.Hélio Rosa, Dr.Waldemar Sinch; Prát.Rural: Raul S.de Souza
PRINCIPAIS RESULTADOS:
Grande Campeão e Campeão Júnior:
BALTIMORE, PO, cr.e exp. Emany Fleck, Canela; Reservado Campeão: BARONETE OF
ESTEIO, PO, cr.e exp. Oswaldo Kroeff, Esteio; Grande Campeã: ALNIOB CARIKA
LUCIE, PO, cr.e exp. Oswaldo Kroeff, Esteio; Concurso Leiteiro: VAIDOSAS 2, cr.
Vva.J.F.de Assis Brasil, exp. Oswaldo Kroeff, Esteio – 53,3 kg leite com 2,275
kg gordura (4,04%) em 3 dias
JORNAL SUL DO ESTADO,
Sta.Vitória do Palmar, 24/11/1944 – de Otávio Frontino Souza
“Acaba de ser adquirido, pelos
srs.Dr.Cândido Auch Ribeiro, Dr.Justino Amonte Anacker, Franklin Echeverria,
ErnestoMaximila e Osvaldo Auch, um excelente lote de vacas Jersey do
estabelecimento pastoril da sra.Maria Cecília Bento de Souza (Capão do Leão,
Pelotas).
É a primeira vez que entra gado Jersey em
Sta.Vitória, segundo nos consta, e é de se crer posto que o que mais interessa
ao homem do campo é o gado de corte. ...
... É preciso coragem, muita coragem para
introduzir uma raça excencialmente leiteira num meio em que por rotina só
interessa as raças de corte.
Aos adquirentes do lote Jersey, os quais
consideramos os pioneiros da indústria do leite neste município, enviamos os
nossos cumprimentos. O lote em apreço foi adquirido por intermedio do
Sr.J.Nelson Ferrari representante, nesta cidade, do estabelecimento pastoril da
Sra.Maria Cecilia Bento de Souza.”
XXI
EXPOSIÇÃO
“Concorreram a Exposição nos dias 2, 3 e 4
do corrente, 9 vaquilhonas Jersey, onde as mesmas foram classificadas em 1º
lugar pelo seu grau de sangue 31/32, produto este vindo da Granja Maria
Cecília, de propriedade do Sr.Otavio Frontino de Souza (Capão do Leão,
município de Pelotas), representante nesta cidade o Sr. J.Nelson Ferrari. Os
que adquiriram os animais foram os seguintes: Sr.Aniceto Rodrigues, Sr.Vita
Corrêa, Sr.Rosalvo Silva, Sr.Serafim C.de Mello e Sr.Amaro Rodrigues. Produto
este de grande produção de leite e manteiga, pode se ter em um pátio, são
pequenas, de pouca alimentação e manças”.
AGRADECIMENTO
“Venho pelo meio destas colunas agradecer
o gesto nobre da maneira carinhosa que tive no meio ruralista nesta cidade, por
todas as pessoas que me foram apresentadas pelo Sr.Nelson Ferrari, não podendo
olvidar o líder ruralista Conrado Guimarães, e também o bondoso Sr.José Leston
que abriu mão de tudo para melhor me servir. Ao meu representante, Sr.Nelson
Ferrari, pelo seu modo sincero e franco, não tenho palavras para agradecer o
mesmo.


Em
1944, João Dale assume a presidência da entidade nacional (1944/1948).
João Dale
Quarenta e nove anos após a introdução
da Jersey por seu pai, D.Joaquina Francisca de Assis Brasil tornou-se a
primeira mulher a julgar um certame rural no Brasil, justamente na raça Jersey
e em Pelotas-RS. O ano era 1945, e Maria Cecília Alves Bento foi destaque nessa
grande mostra.
Maria Cecília apresentando seus animais, 1942
AS MULHERES NA HISTÓRIA JERSISTA GAÚCHA
Nesta importante e comemorativa data, não poderiam deixar de ser homenageadas diversas mulheres atuantes, quer como criadoras, quer como expositoras, quer como diretoras.
Muitas
já se foram, deixando saudades, de início nomeando as que participaram
da Assembléia de Fundação da ACGJRS:
Helena
Assumpção, Joaquina de Assis Brasil, Lydia de Assis Brasil, Maria Augusta de
Assumpção Rheingantz e Maria Cecília Alves Bento.
Seguiram-nas outras
valorosas, também saudosas e bastante conhecidas como criadoras, como expositoras, sempre participando de nossos eventos:
Edda
Müller, Glaura Leite, Esther Butierres, Idália Mascarenhas e Maria Postiga.
Glaura Gomes Leite
Ex-criadoras, algumas seguidamente acompanhando às atuais exposições
no estado, merecendo citação pela excelência no companheirismo:
Adriana O.Neves, Beatriz
Marques, Carmen Vasconcelos Osório, Elaine Borella, Elizabeth Medeiros, Fernanda Mello de Campos, Leny “Nenê” Leroy dos Santos, Leonor Costa
Vargas, Márcia Leroy dos Santos, Maria Helena Pereira de Souza, Sandra Bachilli, Silvia Mariné,Tânia Bielemann Reichert, Tânia Mara A.Becker, Verônica Bertagnolli.
Maria Helena Pereira de Souza e Silvia Mariné
Nossas atuais destacadas criadoras, competentes expositoras, participativas
dirigentes, de todas as idades acreditando nessa maravilhosa raça e destacada
Associação:
Adriana
Zambeli, Ana Cláudia K.dos Santos, Ana Maria Vasconcelos Osório, Andressa
Menestrini, Ângela Maraschin, Carmen Petersen Dias da Costa, Daniela Maraschin,
Edite Spenst, Emilia Stehmann, Eneida Maraschin, Eva Glaci de Azambuja, Gerda
E.Enns, Helenice Gonzalez, Iolanda B.Gomes, Isabel Paim, Janete Cantarelli da
Rosa, Janice Tessmer, Juclea Azambuja Gonçalves, Laura Mendina, Lediane Ferreira
Vieira, Lilian Müller, Lydya C.P.de Assis Brasil, Maria Elena Fernandes Marques,
Maria Rossaura de Azambuja, Mirela Scattolin Anselmo, Patrícia Nascente, Rafaela
Duarte, Sandra Gomes Brum, e Vera Lemos.
NOTA: o texto desta postagem é parte do conteúdo do livro deste mesmo autor, a ser lançado ainda neste ano, intitulado "JERSEY RS, UMA ASSOCIAÇÃO DE RAÇA".
Veja mais sobre a raça Jersey clicando















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