terça-feira, 29 de outubro de 2019

TJ21 - EDGARDO HECTOR PEREZ - OS PRESIDENTES DA ACGJB (IX)


EDGARDO HECTOR PEREZ
1992 a 1995


Edgardo Hector Perez nasceu em Mendoza, Argentina, formando-se em administração de empresas. Tem doutorado em Racionalização Administrativa na Escola Interamericana de Administração Pública na Fundação Getúlio Vargas, Rio, 1971. Professor universitário em 3 universidades argentinas, mora no Brasil desde 1974, exercendo atividades relacionadas com gado bovino. Alem de criador de Jersey, teve cargos na ACGJB, onde foi presidente, e na ABC, vice-presidente em três gestões. Casado em dezembro de 1967 com Mirta Draghi, têm de 4 filhos: Pablo, Fernando, Maurício e Vanessa. No esporte, gosta de Rugby.


Foi um dirigente evoluído da ACGJB, por 11 anos trabalhando com visão moderna permitindo a transformação da Associação – que na época, praticava o registro cartorial manual - numa entidade modernamente informatizada. Durante sua presidência, foram criadas novas delegadas estaduais - a carioca e a paulista - e ativada a mineira. Transferiu às delegadas estaduais mais poder de atuação, incentivando a criação de núcleos. Realizou, com técnicos canadenses, o “I Curso de Classificadores de Gado Jersey no Brasil”, e criou a revista “Raça Jersey”.


Representou a ACGJB em eventos nacionais e internacionais, como a Convenção Mundial da Raça Jersey em Costa Rica, e “otras cositas mas", diz Edgardo.


Continuando, com emoção Edgardo Perez conta: “Fui presidente eleito da ACGJB, gestão 1992/1995, tesoureiro em 1988/1991, e diretor na gestão do Ney Nogueira de 1995 a 1997. O principal objetivo da.minha gestão era transformar a Associação para que saísse da posição  estática e cartorial, em que se encontrava, tornando-a uma associação moderna e modernizante. Para alcançar esse objetivo foram necessárias várias etapas: 

1ª- descentralizar e agilizar o Serviço de Registro Genealógico, dando mais poder as delegadas, e para isso informatizamos a ACGJB (que tinha procedimentos arcaicos manuais); 2ª- capacitar aos técnicos possibilitando-lhes cursos como o de classificação; 3ª- aumentar a participação dos núcleos com sugestões à Diretoria para a toma de decisões; 4ª-criar as delegadas do Rio de Janeiro   e de São Paulo, reativando a de Minas Gerais.


Outras medidas tomadas que impulsionaram a brasileira: com os colegas do Holandês e do Pardo Suizo organizamos a I Expomilk reunindo, pela primeira vez,  as exposições de gado leiteiro em São Paulo; editamos a revista Raça Jersey. Sou Life Member da World Jersey Cattle Bureau na Ilha de Jersey”.


Edgardo Peres foi um participativo e simpático presidente da ACGJB, presente aos mais diversos eventos jersistas realizados pelo Brasil. Em Minas Gerais expunha principalmente na região sul, em São Paulo nas Nacionais, no Rio Grande do Sul acompanhou julgamentos na Expointer/Esteio. Em Pelotas realizou uma importante reunião, junto com a Diretoria da ACGJRS na época presidida pelo eng.agr. Elton Butierres, quando houve uma grande “afinação” entre as duas entidades, nessa ocasião acompanhado de outros diretores nacionais e de seu apoiador Luis Hector San Juan. O dedicado Roberto Lopes, médico veterinário, foi o superintendente do SRG durante a gestão de Edgardo.

As fotos a seguir, na Expointer 1992, são do arquivo particular do autor.



Na revista Raça Jersey nº 09 (julho/agosto de 1994), em sua primeira página o editorial resume as atividades da ACGJB desde o início da gestão de Edgardo Perez, na coluna à esquerda a composição da diretoria e, no canto à direita, um resumo do que se propõe o seu Caderno de Tecnologia.


Nessa mesma edição, em sua página 4 consta a assinatura de convênio com a ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE CRIADORES DE GADO JERSEY, assim como está sendo informado a implantação da informatização do SRG.



Em sua página 5, comunica ainda a ACGJB sobre auditoria no RS, leilões com seu apoio, reformulação nos certificados de registro, e avisa sobre  a Royal Agricultural Winter Fais 1994.


Já no editorial da edição nº 11 da Raça Jersey, em dezembro de 1994, a Diretoria comenta o sucesso da XIII EXPOSIÇÃO NACIONAL, do II LEILÃO OFICIAL, e do que se espera para 1995 no ANO DO LEITE JERSEY.



De seu atuante filho Fernando, expert na raça Jersey, o seguinte depoimento:


“Papai adquiriu a propriedade em 1982, no total de 75 ha, localizada no município de Pouso Alegre, sul de Minas Gerais. Nossa criação foi iniciada com a compra de 6 fêmeas e 1 macho de Anardino Costa, também criador naquele município, além de mais 4 fêmeas e 1 macho Holandês. A opção pela raça foi imediata, pois logo percebemos suas características de fácil manejo, e a forte paixão que conquistou a família não nos permitiu mais parar.


“Compramos outras Jerseys de vários criadores e, a cada dia que passava, estudávamos mais sobre famílias, cruzamentos, linha inglesa ou da América do Norte, etc.

“Passados já 7 a 8 anos de criação, recebemos a visita em nossa propriedade, e também o convite para visitar a sua, de quem consideramos nosso grande mentor: o querido amigo e, na opinião de nossa família, o maior conhecedor da raça naquela época, Ronald Bertgnolli. Com toda sua experiência e sabedoria, lembro-me que eu era ainda muito jovem e meu irmão Maurício ainda mais (temos 6 anos de diferença), após analisar nosso rebanho parou, e deu nossa primeira grande lição: pista faz o nome da cabanha, te faz entrar dinheiro pelo nome que a cabana faz, mas o que paga as contas é o leite do dia a dia, e vocês estão muito entusiasmados com a pista - invistam no manejo!!


“Aquilo mexeu conosco... continuamos apostando em animais bonitos, afinal sempre gostamos de pista, porém passamos a fazer controle leiteiro em todas nossas vacas.

 Contratamos um agrônomo, trouxemos um novo “gerente”, e tivemos uma transformação gigantesca no rebanho. Nesse período, animais que não fossem leiteiros eram descartados. Queríamos tipo e produção, e conseguimos.


“Tivemos algumas experiências no exterior, onde pudemos conhecer os principais rebanhos do Canadá e dos Estados Unidos, quando no início dos anos 90 recebemos o convite de quem consideramos nosso segundo grande mentor: num jantar em nossa casa, o Sr.Vittório di San Marzanno convidou-me e a Maurício a passar alguns meses em sua propriedade Piedmont Jersey Farm, no Canadá. Maurício foi primeiro, depois fui eu. Nessa oportunidade, trabalhamos com os animais mais famosos da época: Nadine, Sonata, Jewel, Dorie Dee, Flavou, dentre tantas outras, além de conhecermos e vivenciarmos o dia-a-dia de outras fazendas e criadores.

“Que experiência!!! Ainda hoje, acompanhamos bastante assuntos relacionados à Jersey: a paixão continua”.


De LUIZ HECTOR SAN JUAN, grande amigo e incentivador de Edgardo, o seguinte:

“A primeira exposição da raça Jersey da qual participei foi a Nacional de 1984, quando levei seis novilhas (sem tosquiar) e um touro, filho de “Title”, que tinha vindo no ventre de uma vaca comprada no criatório de Carlos Guilherme Rheingantz. Nessa exposição conheci meu compatriota, também criador de Jersey, Edgardo Perez que, mais tarde, foi grande Presidente da ACGJB, assim como um dos primeiros compradores de meu gado: começou adquirindo-me esse touro, daí nascendo nossa grande amizade que perdura até hoje”.


Na Revista dos Criadores, setembro de 1988 (fotos da família Perez):

“Há cinco anos, em Pouso Alegre/MG, iniciou-se uma criação de gado Jersey que, hoje, vem despontando como uma das melhores em termos de manejo e seleção.
“Seu proprietário, Edgardo Hector Perez, confidencia a preferência pela raça dizendo que <o Jersey une o útil ao agradável, ou seja, a rentabilidade com a beleza dos animais, sua esposa concordando plenamente>.


“Na Fazenda do Cervo existem 32 vacas, 24 novilhas, 16 bezerras e 6 touros reprodutores, sendo 51 PO, 7 POI e 18 PC. Perez dá grande importância ao tipo de touro usado para a inseminação de suas vacas, procurando utilizar sêmen de touros dos EUA e do Canadá, além dos grandes destaques da fazenda como RENAN DE SÃO PEDRO (tri-campeão progênie) e BUTIÁ ADVANCER RINGO (filho de Advancer Sleeping Milestone com a Grande Campeão de Esteio 1987 – Carisma Cassie Spot do Butiá que, em 365d, 2x, alcançou 7.065kg de leite e 352kg de gordura, inscrita no Livro de Escol-LE).


“A produção média diária está em torno de 20kg de leite B, e todas suas vacas são controladas pela ABC. Seu sistema de criação é o semi-confinado, para isso tendo sido organizado um bom programa de alimentação preenchendo todas as necessidades dos animais, composto por pastagens, silagem de milho, feno de alfafa, e ração balanceada de boa procedência.

“Como já foi atingido um equilíbrio na alimentação, no manejo e na seleção, está sendo implantada a transferência de embriões, primeiramente com a utilização de duas matrizes de ótimas linhagens, assim acelerando o processo seletivo.”


Edgardo Hector Perez foi, sem dúvida, um presidente aberto, eficiente, evoluído, que soube conduzir esta associação de caráter nacional com muita habilidade e talento, fortalecendo a participação dos jersistas de todos os estados reunidos, sob a forma de associações e núcleos de criadores de gado Jersey, delegando-lhes muitta autonomia. Sempre acompanhado de sua esposa, D.Mirta, e normalmente dos filhos Fernando e Maurício, às vezes também por Pablo e Vanessa, participou de diversos e importantes eventos da raça como expositor, como espectador, como comprador, como diretor e como presidente da ACGJB.


Grande expert em vinhos, nascido e criado em Mendoza, Argentina, é um grande propagandista da qualidade dos produtos daquela importante região conhecida na vitivinicultura internacional. Dizendo-se um “grande churrasqueiro”, há anos promete a alguns amigos (espero estar incluído) uma boa, farta e longa degustação de seus grelhados, principalmente com carne ovina, acompanhados dos melhores vinhos argentinos - de Mendoza, é claro!! (do autor)

Vinícola em Mendoza (arqu. do autor)

Restaurante de Francis Mallmann, em Mendoza (arqu.do autor)

Deixo aqui registrado que tenho um grande orgulho em conhecer e conviver com pessoas tão cultas, competentes e educadas como Edgardo Hector Perez & família, a foto abaixo rfegistrando um momento muito importante em minha vida jersista quando, como presidente da ACGJRS, recebi o presidente da ACGJB e a presidente da ASSOCIAÇÃO ARGENTINA, durante a EXPOINTER de 1992.



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