EDGARDO
HECTOR PEREZ
1992
a 1995
Edgardo Hector Perez nasceu em
Mendoza, Argentina, formando-se em administração de empresas. Tem doutorado
em Racionalização Administrativa na Escola Interamericana de Administração
Pública na Fundação Getúlio Vargas, Rio, 1971. Professor universitário em 3
universidades argentinas, mora no Brasil desde 1974, exercendo atividades
relacionadas com gado bovino. Alem de criador de Jersey, teve cargos na ACGJB,
onde foi presidente, e na ABC, vice-presidente em três gestões. Casado em
dezembro de 1967 com Mirta Draghi, têm de 4 filhos: Pablo, Fernando, Maurício e
Vanessa. No esporte, gosta de Rugby.
Foi um dirigente evoluído da ACGJB,
por 11 anos trabalhando com visão moderna permitindo a transformação da Associação
– que na época, praticava o registro cartorial manual - numa entidade
modernamente informatizada. Durante sua presidência, foram criadas novas
delegadas estaduais - a carioca e a paulista - e ativada a mineira. Transferiu às delegadas estaduais mais poder de atuação, incentivando a criação de
núcleos. Realizou, com técnicos canadenses, o “I Curso de Classificadores de
Gado Jersey no Brasil”, e criou a revista “Raça Jersey”.
Representou a ACGJB em eventos nacionais
e internacionais, como a Convenção Mundial da Raça Jersey em Costa Rica, e “otras
cositas mas", diz Edgardo.
Continuando, com emoção Edgardo
Perez conta: “Fui
presidente eleito da ACGJB, gestão 1992/1995, tesoureiro em 1988/1991, e
diretor na gestão do Ney Nogueira de 1995 a 1997. O principal objetivo da.minha
gestão era transformar a Associação para que saísse da posição estática e cartorial, em que se encontrava, tornando-a
uma associação moderna e modernizante. Para alcançar esse objetivo foram
necessárias várias etapas:
1ª- descentralizar e agilizar o Serviço de Registro
Genealógico, dando mais poder as delegadas, e para isso informatizamos a ACGJB
(que tinha procedimentos arcaicos manuais); 2ª- capacitar aos técnicos
possibilitando-lhes cursos como o de classificação; 3ª- aumentar a participação
dos núcleos com sugestões à Diretoria para a toma de decisões; 4ª-criar as
delegadas do Rio de Janeiro e de São
Paulo, reativando a de Minas Gerais.
Outras
medidas tomadas que impulsionaram a brasileira: com os colegas do Holandês e do
Pardo Suizo organizamos a I Expomilk reunindo, pela primeira vez, as exposições de gado leiteiro em São Paulo;
editamos a revista Raça Jersey. Sou Life Member da World Jersey Cattle Bureau
na Ilha de Jersey”.
Edgardo Peres foi um participativo e
simpático presidente da ACGJB, presente aos mais diversos eventos jersistas realizados
pelo Brasil. Em Minas Gerais expunha principalmente na região sul, em São
Paulo nas Nacionais, no Rio Grande do Sul acompanhou julgamentos na Expointer/Esteio.
Em Pelotas realizou uma importante reunião, junto com a Diretoria da ACGJRS na
época presidida pelo eng.agr. Elton Butierres, quando houve uma grande
“afinação” entre as duas entidades, nessa ocasião acompanhado de outros
diretores nacionais e de seu apoiador Luis Hector San Juan. O
dedicado Roberto Lopes, médico veterinário, foi o superintendente do SRG
durante a gestão de Edgardo.
As fotos a seguir, na Expointer 1992,
são do arquivo particular do autor.
Na
revista Raça Jersey nº 09 (julho/agosto de 1994), em sua primeira página o
editorial resume as atividades da ACGJB desde o início da gestão de Edgardo
Perez, na coluna à esquerda a composição da diretoria e, no canto à direita, um
resumo do que se propõe o seu Caderno de Tecnologia.
Nessa mesma edição, em sua página 4 consta a assinatura de
convênio com a ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE CRIADORES DE GADO JERSEY, assim como está
sendo informado a implantação da informatização do SRG.
Em
sua página 5, comunica ainda a ACGJB sobre auditoria no RS, leilões com seu
apoio, reformulação nos certificados de registro, e avisa sobre a Royal Agricultural Winter Fais 1994.
Já
no editorial da edição nº 11 da Raça Jersey, em dezembro de 1994, a Diretoria
comenta o sucesso da XIII EXPOSIÇÃO NACIONAL, do II LEILÃO OFICIAL, e do que se
espera para 1995 no ANO DO LEITE JERSEY.
De seu atuante filho Fernando, expert
na raça Jersey, o seguinte depoimento:
“Papai
adquiriu a propriedade em 1982, no total de 75 ha, localizada no município de
Pouso Alegre, sul de Minas Gerais. Nossa criação foi iniciada com a compra de 6
fêmeas e 1 macho de Anardino Costa, também criador naquele município, além de
mais 4 fêmeas e 1 macho Holandês. A opção pela raça foi imediata, pois logo
percebemos suas características de fácil manejo, e a forte paixão que
conquistou a família não nos permitiu mais parar.
“Compramos
outras Jerseys de vários criadores e, a cada dia que passava, estudávamos mais
sobre famílias, cruzamentos, linha inglesa ou da América do Norte, etc.
“Passados
já 7 a 8 anos de criação, recebemos a visita em nossa propriedade, e também o
convite para visitar a sua, de quem consideramos nosso grande mentor: o querido
amigo e, na opinião de nossa família, o maior conhecedor da raça naquela época,
Ronald Bertgnolli. Com toda sua experiência e sabedoria, lembro-me que eu era
ainda muito jovem e meu irmão Maurício ainda mais (temos 6 anos de diferença),
após analisar nosso rebanho parou, e deu nossa primeira grande lição: pista faz
o nome da cabanha, te faz entrar dinheiro pelo nome que a cabana faz, mas o que
paga as contas é o leite do dia a dia, e vocês estão muito entusiasmados com a
pista - invistam no manejo!!
“Aquilo
mexeu conosco... continuamos apostando em animais bonitos, afinal sempre
gostamos de pista, porém passamos a fazer controle leiteiro em todas nossas
vacas.
Contratamos um agrônomo, trouxemos um novo “gerente”, e tivemos uma
transformação gigantesca no rebanho. Nesse período, animais que não fossem
leiteiros eram descartados. Queríamos tipo e produção, e conseguimos.
“Tivemos
algumas experiências no exterior, onde pudemos conhecer os principais rebanhos
do Canadá e dos Estados Unidos, quando no início dos anos 90 recebemos o
convite de quem consideramos nosso segundo grande mentor: num jantar em nossa
casa, o Sr.Vittório di San Marzanno convidou-me e a Maurício a passar alguns
meses em sua propriedade Piedmont Jersey Farm, no Canadá. Maurício foi
primeiro, depois fui eu. Nessa oportunidade, trabalhamos com os animais mais
famosos da época: Nadine, Sonata, Jewel, Dorie Dee, Flavou, dentre tantas
outras, além de conhecermos e vivenciarmos o dia-a-dia de outras fazendas e
criadores.
“Que
experiência!!! Ainda hoje, acompanhamos bastante assuntos relacionados à
Jersey: a paixão continua”.
De LUIZ HECTOR SAN JUAN, grande amigo e incentivador de Edgardo, o seguinte:
“A
primeira exposição da raça Jersey da qual participei foi a Nacional de 1984,
quando levei seis novilhas (sem tosquiar) e um touro, filho de “Title”, que
tinha vindo no ventre de uma vaca comprada no criatório de Carlos Guilherme
Rheingantz. Nessa exposição conheci meu compatriota, também criador de Jersey,
Edgardo Perez que, mais tarde, foi grande Presidente da ACGJB, assim como um
dos primeiros compradores de meu gado: começou adquirindo-me esse touro, daí
nascendo nossa grande amizade que perdura até hoje”.
Na
Revista dos Criadores, setembro de 1988 (fotos da família Perez):
“Há
cinco anos, em Pouso Alegre/MG, iniciou-se uma criação de gado Jersey que,
hoje, vem despontando como uma das melhores em termos de manejo e seleção.
“Seu
proprietário, Edgardo Hector Perez, confidencia a
preferência pela raça dizendo que <o Jersey une o útil ao agradável, ou
seja, a rentabilidade com a beleza dos animais, sua esposa concordando plenamente>.
“Na Fazenda do Cervo
existem 32 vacas, 24 novilhas, 16 bezerras e 6 touros reprodutores, sendo 51
PO, 7 POI e 18 PC. Perez dá grande importância ao tipo de touro usado para a
inseminação de suas vacas, procurando utilizar sêmen de touros dos EUA e do
Canadá, além dos grandes destaques da fazenda como RENAN DE SÃO PEDRO
(tri-campeão progênie) e BUTIÁ ADVANCER RINGO (filho de Advancer Sleeping
Milestone com a Grande Campeão de Esteio 1987 – Carisma Cassie Spot do Butiá
que, em 365d, 2x, alcançou 7.065kg de leite e 352kg de gordura, inscrita no
Livro de Escol-LE).
“A produção média diária
está em torno de 20kg de leite B, e todas suas vacas são controladas pela ABC. Seu
sistema de criação é o semi-confinado, para isso tendo sido organizado um bom
programa de alimentação preenchendo todas as necessidades dos animais, composto
por pastagens, silagem de milho, feno de alfafa, e ração balanceada de boa procedência.
“Como já foi atingido um
equilíbrio na alimentação, no manejo e na seleção, está sendo implantada a
transferência de embriões, primeiramente com a utilização de duas matrizes de
ótimas linhagens, assim acelerando o processo seletivo.”
Edgardo
Hector Perez foi, sem dúvida, um presidente aberto, eficiente, evoluído, que
soube conduzir esta associação de caráter nacional com muita habilidade e talento, fortalecendo a participação dos jersistas de todos os estados reunidos, sob
a forma de associações e núcleos de criadores de gado Jersey, delegando-lhes muitta autonomia. Sempre acompanhado de sua esposa, D.Mirta, e normalmente dos
filhos Fernando e Maurício, às vezes também por Pablo e Vanessa, participou de
diversos e importantes eventos da raça como expositor, como espectador, como
comprador, como diretor e como presidente da ACGJB.
Grande
expert em vinhos, nascido e criado em Mendoza, Argentina, é um grande
propagandista da qualidade dos produtos daquela importante região conhecida na
vitivinicultura internacional. Dizendo-se um “grande churrasqueiro”, há anos promete a alguns amigos (espero estar incluído) uma boa, farta e longa degustação de seus grelhados,
principalmente com carne ovina, acompanhados dos melhores vinhos argentinos - de Mendoza, é claro!! (do autor)
Vinícola
em Mendoza (arqu. do autor)
Restaurante de Francis Mallmann, em
Mendoza (arqu.do autor)
Deixo aqui registrado que tenho um grande orgulho em conhecer e conviver com pessoas tão cultas, competentes e educadas como Edgardo Hector Perez & família, a foto abaixo rfegistrando um momento muito importante em minha vida jersista quando, como presidente da
ACGJRS, recebi o presidente da ACGJB e a presidente da ASSOCIAÇÃO ARGENTINA,
durante a EXPOINTER de 1992.


























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