sexta-feira, 19 de abril de 2019

TJ7 - ANTÔNIO CARLOS PINHEIRO MACHADO (3)


ANTÔNIO CARLOS PINHEIRO MACHADO (reedição) 
da Granja Zuleika à Nova Querência


Antônio Carlos Pinheiro Machado foi o último dos participantes da fundação da ACGJRS (Associação de Criadores de Gado Jersey do RS, 1948,Pelotas/RS): falecido em 2017, aos 82 anos de idade, dedicou 74 deles a criação e fomento desta raça leiteira e mantegueira. Alem de um grande conhecedor da Jersey, foi um dos jurados mais destacados no Brasil e noutros países.



Criador e melhorista por excelência, era um hábil e incisivo leiloeiro que não se cansava de divulgar a sua raça preferida, talvez o maior responsável por seu sucesso e expansão no estado de São Paulo, e nos estados nortistas e nordestinos de nosso país, a partir da década de 1960.

Até 2015, com todo o conhecimento que soube transferir a seus filhos e netos, Pinheiro manteve a direção de seu criatório, iniciado em Triunfo/RS e finalizado em Avaré/SP, sempre acompanhado e apoiado por sua bela companheira e esposa, D.Liliana, e por seus filhos Heitor, Júnior e Leonardo. Nas saudosas exposições no Menino Deus (Porto Alegre/RS), nas Expointer (Esteio/RS), em Água Branca e Água Funda (São Paulo/SP), em Avaré/SP, e nos leilões que tão bem soube organizar, realizar, e manejar seu “martelo de ouro” com explicações técnicas ditas com eloquência e sabedoria, os vibrantes “gritos e gestos” de Pinheiro Machado & filhos marcaram uma época em que a alegria era o clima principal nos eventos jersistas, mesmo naqueles com acaloradas discussões.


Nosso mestre e companheiro ANTONIO CARLOS PINHEIRO MACHADO, engenheiro agrônomo por formação e vocação, já aos 7 anos de idade (1942) apresentava os animais da GRANJA ZULEIKA (Triunfo/RS), na época de seu pai, nas Exposição de Pelotas e, posteriormente, do Menino Deus.


Ainda jovem assumindo o plantel da Granja Zuleika, mais tarde Antônio Carlos transferiu-se para Avaré/SP, batizando seu novo estabelecimento de ESTÂNCIA NOVA QUERÊNCIA.

Em 2015 liquidando seu famoso, e precioso, plantel da raça Jersey, até o final de sua vida Pinheiro transmitiu-nos seus abalizados conhecimentos, suas inteligentes observações, tendo sido o maior defensor das linhagens selecionadas nos EUA devido à sua alta produção leiteira.

Vejam, a seguir, sua história contada por êle numa entrevista com este autor no ano de 2010, enriquecida com alguns artigos e comentários em jornais e revistas especializadas na área rural:


"Na década de 1930 meu pai, o engenheiro Heitor Ayres Pinheiro Machado, terminava seu trabalho de acompanhamento técnico, pelo governo do estado do Rio Grande do Sul, à obra executada pela empreiteira “Greenbil Field” na construção de estradas de ferro. Primeiro colocado na sua turma, após a formatura foi agraciado com bolsas de estudo em Alemanha, Bélgica e França, na área de curtição de couros.Entre 1935 e 1937, adquiriu 17 ha no distrito Passo Raso, em Triunfo-RS, e do antigo Instituto de Zootecnia comprou um touro jersey de nome SATURNO. Do tio Dulphe, Dona Zuleica (esposa de Heitor) foi presenteada com uma vaca de nome CEREJA, também jersey, dando início a esta notável criação gaúcha, batizando o estabelecimento como “Granja Zuleika”.

Em Porto Alegre, onde fixou residência, papai  “agora” jersista, professor universitário de estradas de ferro e rodagem, era constantemente questionado por seu vizinho inglês, Mr.Towill, < porque não importava alguns animais da Ilha de Jersey >. Com esse estímulo importou 5 novilhas, por volta de 1945, diretamente do berço da raça. Com alguma sorte devido à guerra que terminava, obrigados a sacrificar diversos animais para alimentação dos exércitos alemães, os criadores da Ilha de Jersey souberam muito bem preservar os melhores exemplares, papai comprando um excelente material genético. Diga-se, oportunamente, que a Ilha de Jersey foi o único povoado em toda a área ocupada pelos alemães cujo povo ficou livre da anemia, devido ao consumo do nutritivo “leite de Jersey”.


Essas novilhas foram os primeiros animais a atravessar o oceano no pós-guerra, sendo uma delas LES ORNES RIGHT MODEST, por 6 vezes Grande Campeã nacional da raça. No ano de 1957, com minha esposa Liliana, ao visitarmos a Ilha de Jersey fomos recebidos na Cabanha Les Ornes pelo filho do criador dessa notável vaca.


Num determinado momento necessitando de um touro, papai recebeu de D.QUINQUINHA DE ASSIS BRASIL aquele de nome JUBILEU GLORIOSO, assim batizado porque a criação de Assis Brasil estava completando 50 anos quando ele nasceu.

Embora pressionado pela família a cursar engenharia, aproveitando livros e prestígio de meu pai, decidi manter minha vocação e, ainda estudante de agronomia, recebi de presente o rebanho Jersey de papai, desenvolvido com a utilização das melhores técnicas de manejo e reprodução, firmando-se com destaque no Rio Grande do Sul e no Brasil, participando e vencendo a maioria das exposições.

Por meu amigo Otto de Mello, Diretor Rural da Associação Paulista de Criadores, fui apresentado como expert em agropecuária ao médico Jamil Nicolau Naum, proprietário da Indústria de Celulose CIMÃO, para o qual passei a trabalhar, inicialmente levantando e inventariando os matos e florestas dessa empresa.

Já com meus quatro filhos, falei por telefone ao dr.Jamil “que gostaria muito de transferir minha residência para São Paulo”, obtendo dele a curta orientação: “pegue o primeiro avião, com sua família, e venha trabalhar comigo”.

Dito e feito, os gaúchos perderam para São Paulo um dos melhores plantéis registrados da raça Jersey que, em Avaré, passou a ser denominado “Nova Querência”. Após sua mudança, Antonio Carlos implantou as fazendas Grama Roxa (Avaré-SP) e Merendá (Guararema-SP), para o Dr.Jamil, onde com satisfação dispendeu “muito sangue e suor”. A primeira, com 87 ha originalmente, hoje conta com 1500 ha e 27 km de margem de represas.

Da área inicial de 12 alqueires, as Jersey da Nova Querência invadiram São Paulo e o Brasil Central, graças ao conhecimento, entusiasmo e relacionamentos desse orgulhoso gaúcho, assim como a seu aguçado senso comercial. Por 7 vezes campeão nacional da raça Jersey, sob julgamento de José Ronald Bertagnolli - seu particular amigo - uma de suas vacas de maior destaque em produção, de nome FO IRENE (filha de Opportunity), perdeu “indevidamente” o Grande Campeonato para uma de Suelly Alves Nogueira, mas conquistou o primeiro lugar no concurso leiteiro com 72kg de produção diária.


A fazenda Nova Querência foi vendida “para gente muito rica e agradável”, hoje seus amigos, passando suas Jersey para o Haras Liliana, também em Avaré, onde antes criava cavalos da raça Crioula. Com muito orgulho conta que seus três filho, Antônio Carlos Junior, Heitor e Leonardo, seguiram as lides rurais com muita competência, alguns netos tambem herdando sua paixão rural.

Pinheiro trabalhou inicialmente no SEAV do Ministério da Agricultura, como executor do acordo para a construção da Escola Agrícola de Erexim. Mediante concurso público (3º lugar) ingressou como zootecnista nos quadros do DPA, desempenhando funções na Estação Experimental Zootécnica de Montenegro, posteriormente passando à  chefia dos serviços de pecuária de leite  e suinocultura.


Concluiu os cursos intensivos de Forragicultura, Crédito Rural e Pecuária Leiteira. Em Tandil, Argentina, capacitou-se em Programação da Investigação Zootécnica, em cursos patrocinados pela OEA, com duração de 4 meses, contando com professores da Nova Zelândia, Estados Unidos, México e Inglaterra.

Juiz nacional da raça Jersey, atuou na quase totalidade dos estados brasileiros, assim como nas exposições internacionais de Esteio, Palermo, Prado e Nova Zelândia, no Rio Grande do Sul em Pelotas, Pedro Osório, Bagé, e outras. Em outras raças leiteiras também teve atuação internacional. Conhece o jersey no Brasil, Uruguai, Argentina, Canadá, Ilha de Jersey, Inglaterra, Estados Unidos, Nova Zelândia e Austrália,  onde participou como criador e/ou convidado em grandes exposições da raça.


Membro do Colégio de Jurados da ABCZ, da Associação Brasileira de Suinocultores, e de diversas raças eqüinas, introduziu a raça ovina Hampshire Down em São Paulo. Como representante da Secretaria da Agricultura participou dos trabalhos de criação da Cooperativa de Lacticínios de Pelotas - COOLAPEL, entidade única no país ainda com recebimento de leite Jersey superior a 70% do total, e que em fusão com outra importante cooperativa local, a COOLACTI, formou a atual COSULATI - Cooperativa Sul-Riograndense dos Produtores de Leite Ltda, também em Pelotas-RS.

O leiloeiro rural Antônio Carlos estreou na empresa Programa, substituindo ao Trajano Silva (que havia interrompido seus serviços para essa empresa), para a qual chegou a fazer 28 leilões. Em São Paulo e noutros estados, incluido o Rio Grande do Sul, Pinheiro leiloou Jersey, cavalos das raças Árabe e Crioula, e muitas outras raças bovinas e eqüinas. Como leiloeiro e organizador de leilões de Jersey deu uma enorme contribuição para o seu reconhecimento e difusão, impulsionando a raça nos anos 80 à vanguarda em valorização e liqüidez dentre todas as leiteiras. Em 1962 recebeu a 1ª nomeação como leiloeiro rural pela FARSUL, numa época de grande quebradeira no Rio Grande do Sul, representando o Banco do Brasil na venda de semoventes para pagar o financiamento de seus mutuários. Andou por todas as colônias de Pelotas, quando conheceu o dr.Veloso (Velosinho), médico e grande comerciante na região.


Foi 6 vezes Melhor Criador Nacional da Raça Jersey, 6 vezes Melhor Expositor, vencedor como Criador e Expositor do Ranking Nacional do Cinqüentenário (1988), detentor das 5 últimas medalhas de ouro do estado de São Paulo atribuídas ao Melhor Criador e Melhor Rebanho de Jersey, detendo 3 recordes nacionais de produção média de rebanho (6650 kg em 1991, 7100 kg em 1992, 7239 kg em 1993).


Nunca deixou de elogiar a dedicação do zootecnista Flávio Abrantes que, por décadas, manteve organizada e atuante a ACGJRS e seus criatórios, associação esta de que sempre se orgulhou de ter participado de várias diretorias, e como técnico.

Sempre acompanhado de sua simpática e bonita esposa, D.Liliana, nesta entrevista concedida ao autor deste blog, Carlos Guilherme Rheingantz, em agosto de 2010, Pinheiro disse-se “um homem realizado e feliz, que deu muito duro em sua vida, e que adora seus filhos e netos”

"E a raça Jersey!!!"

Veja um resumo de sua atividade, de seu arquivo:














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