JOAQUIM
FRANCISCO DE ASSIS BRASIL
(reedição)
(reedição)
Em 1895 o visionário JOAQUIM
FRANCISCO DE ASSIS BRASIL, Ministro Plenipotenciário do Brasil em Portugal,
adquiriu duas vacas Jersey do Rebanho Real de Windsor, Inglaterra, já sabendo, naquela época, que o futuro do leite e dos laticínios de qualidade dependia
dessa raça composta por pequenas vacas.
Mantidas inicialmente em
Portugal, no ano seguinte foram transferidas para sua fazenda em Ibirapuitã,
município de Alegrete, no Rio Grande do Sul, e foram as fundadoras do Rebanho
Puro de Origem da raça Jersey no Brasil.
“Lisboa, 1895. Os membros da
corte e os intelectuais visitam o gado recém-importado da Ilha de Jersey pelo
diplomata brasileiro Joaquim Francisco de Assis Brasil. A vaca Fennel encantou
a todos, especialmente ao marquês de Praia e Manforte, que a elogiou muito, ao que Assis Brasil respondeu, educadamente: às
ordens. Prontamente, o marquês mandou um lacaio buscar a vaca e seu terneiro.
Assis Brasil deixou que levassem os animais, mas acompanhados de um bilhete,
esclarecendo que o que êle havia dito era costume no Brasil, e não significava
que o marquês poderia ficar com a vaca. Então, o marquês tomou-a emprestada,
assim como ao seu terneiro filho de Pickwick, touro que não teve seu registro
localizado, e que foi chamado pelo português de Bitelo. Assis Brasil
aproveitou a deixa e deu-lhe o nome romano Vitélio”.
Essa história era contada
por Joaquim de Assis Brasil, filho de J.F.de Assis Brasil, e foi transcrita
para a revista A GRANJA (março de 1985) por sua irmã, conhecida por d.
Quinquinha: “Meu pai ria muito quando contava esta história. Êle achava os
portugueses muito engraçados”.
As vacas Fennel e Sagé,
acompanhadas de Vitélio, Vitória e outras, foram para a Fazenda de Ibirapuitã –
município de Alegrete, cuidadas pelo do irmão de J.F. de Assis Brasil,
Diogo, até em 1904 serem despachadas para Pedras Altas, também solo gaúcho,
onde o diplomata construiu um castelo com arquitetura francesa, para
sua esposa Lidia: o CASTELO DE PEDRAS ALTAS. Sagé, coberta pelo touro Maybel Lord (reg.4255 EJHB) teve uma terneira chamada Vitória em homenagem à rainha.
Conta D.Quinquinha para A
Granja:
“Desde1904 não houve
interrupções nas importações de animais, trazidos da Ilha de Jersey – Canal da
Mancha, de dois em dois anos, a não ser com a guerra civil em 1924, quando minha
família permaneceu por seis anos exilada no Uruguai. O rebanho Jersey puro
ficou na Granja de Pedras Altas. Na época, a propriedade foi invadida pelos
soldados, que carnearam muitas cabeças de gado Jersey, em seguida pendurando-as nas cercas dizendo que os animais sofriam de icterícia (devido à
camada de gordura amarelada na pele). A população da redondeza, que sabia dessa
característica da raça, logo levava a carne para seu consumo. O rebanho da Granja de Pedras Altas só
foi salvo graças a alguns amigos de papai, como Alexandre Soares, que vinham à
noite e “roubavam” os animais levando-os até um ponto, chamado Berachi, onde o
rebanho atravessava o rio a nado e se encaminhava para Melo, no Uruguai, onde Assis
Brasil estava exilado.
“Com a chegada dos animais
em Melo, começamos a trabalhar para vender leite para o hospital, e manteiga
para os engenheiros ingleses que estavam no país vizinho e que apreciavam muito
os produtos da vaca Jersey. Assim foi introduzido o Jersey no Uruguai e, entre
1925 e 1928, a raça foi popularizada.”
Na volta do exílio no
Uruguai Assis Brasil, junto com a esposas e as filhas Cecilia e Joaquina,
esteve na Europa para renovar o seu plantel, ocasião em que trouxe dois touros
e duas vacas Jersey, além de seis novilhas e dois touros da raça Devon, raça
também por êle introduzida no Brasil”.
Quando foi questionado sobre
o porque de não expor seus animais, sua resposta foi simples: “porque
nossos juízes gostam de animais gordos”.
Assis Brasil foi um
agropecuarista nato, perfeccionista, e diplomata habilidoso. Previu que a
Jersey seria uma grande raça para o Brasil, por suas virtudes já muito
divulgadas na época e, com quase nenhuma orientação sobre genética, adquiriu o
que de melhor havia disponível no Rebanho Real. Soube valorizar e difundir a
raça, no início do século passado, inicialmente por todo o Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
Suas filhas foram
responsáveis pela manutenção de seu diferenciado plantel, de afixo ITAEVATÉ,
principalmente Joaquina “Quinquinha” Francisca, primeira mulher a julgar a raça
Jersey no Brasil e presidente da primeira diretoria da ACGJRS.
Falecidas as filhas, alguns
netos e bisnetos seguiram a tradição e, até hoje, mantém aquele lindo e original
estabelecimento, que estâ em processo de tombamento pelo governo estadual, e o de Ibirapuitan no Alegrete, e a criação de Jersey.
Joaquim Francisco de Assis
Brasil (1857-1938) nasceu a 29 de lulho de 1857 na Estância São Gonçalo, em São Gabriel-RS ,
filho do estancieiro Francisco de Assis Brasil e Joaquina Theodora de Bem
Salinas, ambos açorianos, que tiveram 14 filhos (só 9 se criaram, sendo 5
homens e 4 mulheres), de quem herdou extensas propriedades no interior gaúcho.
Aos 8 anos, entrou na Escola
de Primeiras Letras do mestre Custódio José de Miranda, em 1870 transferindo-se
para o Colégio Gabrielense, do professor
Trajano de Oliveira. No primeiro ano, ganhou a medalha de prata e, no
ano seguinte, a de ouro, medalhas estas ainda existentes e, até pouco tempo, guardadas
no Castelo de Pedras Altas. Em 1872, já órfão de pai, partiu para Pelotas,
ficando interno no Colégio Taveira Júnior. Em 1874 frequentou, em Porto Alegre,
o Colégio Gomes, onde estudou os preparatórios. Matriculou-se na Faculdade de
Direito de São Paulo, passando a integrar o grupo de estudantes rio-grandenses
que ali se formaram. Foi líder político e um dos fundadores do Partido
Republicano Rio-Grandense percorrendo durante meses a província, a cavalo,
pregando a liberdade e a república com que tanto sonhava. Embaixador brasileiro
em Buenos Aires ,
Lisboa, e Washington, ministro da agricultura, e agropecuarista, um idealista
em termos políticos que deu grande impulso à pecuária brasileira.
Em 20 de setembro de 1885
casou-se, na então Vila Rica e hoje cidade de Júlio de Castilhos, com Maria
Cecília Prates de Castilhos, filha do comendador Francisco Ferreira de
Castilhos (natural de Santo Antônio da Patrulha) e de Carolina de Carvalho
Prates (nascida em Caçapava e irmã de Júlio de Castilhos). Desse matrimônio
nasceram 4 filhos: Francisco (falecido, aos 5 anos), Maria Cecília, Joaquim
(falecido aos 2 anos) e Carolina.
Viúvo, casou-se novamente em
Lisboa, a 6 de maio de 1898, com Lydia Pereira Felício de São Miguel (nascida
em Bonn, Alemanha) e filha de José Pereira Felício, segundo Conde de São Mamede,
e de Lídia Smith de Vasconcelos. Tiveram 8 filhos: Cecília, Lídia, Joaquina,
Joana, Dolores, Joaquim, Lina e Francisco (que nasceu em Pedras Altas e teve,
como padrinho, o médico Pedro Osório, um dos melhores amigos da família, de
quem D.Quinquinha dizia: “nosso dedicado e incomparável Family
Doctor”. Sua esposa, d. Faustina, era madrinha de Dolores).
Assis Brasil não precisou
interferir na escolha de profissão para seus dois filhos que, seguindo o
exemplo do pai, foram agropecuaristas em Alegrete, em terras desmembradas da
Estância de Ibirapuitã herdadas do pai. E seus genros, Dácio de Assis Brasil,
Fernando Macedo e Manoel Martins, foram estancieiros, os primeiros em São
Gabriel e o último em D.Pedrito.
Alem de introdutor das raças
Jersey, Devon, Árabe, Karakul e Ideal, também o eucalipto foi por ele trazido
para o Brasil, inventando vários modelos práticos de porteiras. Até o pássaro anu,
embora seja omitido em sua história e sempre negado por êle, parece ter sido
Assis Brasil quem aqui estabeleceu.
O afixo ITAEVATÉ foi
escolhido por significar Pedras Altas em Tupi-Guarani, e com ele registrou toda
a sua produção que, até 1915, constava do Herd-Book Pedras Altas, livro depois
passado para a Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul.” (Adaptado
de texto do méd.vet.Vitor Hugo Martinez Pereira).
No Brasil, em 1906, Joaquim
Francisco de Assis Brasil foi o introdutor do Devon, na região de Pedras Altas
e, depois, em Alegrete e municípios vizinhos, todos no estado do Rio Grande do
Sul. “(texto
de Amilton Cardoso Elias, no livro O Centenário do Herd-Book Collares”, 2006).
“Muita gente está convencida
de que Assis Brasil, por todos os títulos, notável, de quem e de cujas obras
tanto se fala e que tem realmente feito tanta cousa durante os 12 anos da sua
definitiva residência entre nós, depois de se aposentar do serviço diplomático,
há de ser um homem muito rico. Parece evidente que tais cousas não se fazem sem
dinheiro. E é verdade. Mas o Sr.Assis Brasil diz, e prova até o convencimento,
que o dinheiro que tem empregado nas obras visíveis e invisíveis tem sido ganho
nelas mesmas. Uma das mais irresponsáveis demonstrações que oferece do acerto
dos seus métodos é, precisamente, o êxito financeiro que êles têm tido. Aos que
lhe dizem “V.deve ter enterrado muito dinheiro em tal ou tal cousa”, responde:
“Não senhor, nunca enterrei um vintém”. Se o interlocutor corrige a frase e diz
“Quero dizer que deve ter gasto muito”, a resposta é: “Não, senhor, penso ter
ganho razoàvelmente com tudo quanto tenho feito”. A nós mesmos fez uma curta
resenha da sua atividade e dos recursos com que contou ao regressar ao Rio
Grande, cujos pontos essenciais são estes: “Quando comecei a fundar a Granja de
Pedras Altas, em 1908, dispunha de uns quarenta e poucos contos de economias
das rendas dos meus bens existentes no Estado; tinha, alem disso, o soldo da
aposentadoria, apenas o bastante para sustentar a família, e mais a renda anual
de dez contos de réis do campo de Ibirapuitan, preso a um arrendamento barato.
Era tudo. Ao terminar a primeira casinha de madeira, na qual residi durante
cinco anos nesta Granja, restavam-me disponíveis cinco contos de réis. Daí em
diante, com as rendas dos Devons, dos Jerseys, e dos cavalos de puro sangue, e
auxílio do crédito, fiz o que se vê nesta Granja, aumentei o campo de
Ibirapuitan e o povoei, adquiri Itaiassú, Toropasso e Dom Pedrito, estando a
primeira dessas três propriedades com cerca de 1000 Devons puros e escolhidos,
outras tantas ovelhas, e a coudelaria com oito reprodutores e cerca de 300
éguas. Os seus provérbios favoritos, de sua autoria, são: “Não elogio o que
tenho, mas tenho o que elogio”, e “Tomo a medicina que receito aos outros”. (O
Sul Rural, outubro e novembro de 1920)
PANFLETOS: Em seus panfletos,
sobre preços e condições de venda, constava o que segue:
> Os preços são iguais para
reprodutores puros das duas raças e dos dois estabelecimentos: animais machos,
puros de campo, porem mansos ou manuseados (amanunciados), até 18 meses de
idade, por Rs.500$; os mesmos de 2 anos em diante, por Rs. 1.000$; animais
fêmeas, de qualquer idade, de campo ou de trato, por Rs 1.000$.
> Pagamento à vista, podendo
ser em ordem contra banco do Estado.
> Despesas de transporte por
conta do adquirente.
> O vendedor aceita o risco de
vida dos animais até a última estação, no Estado, ou porto de destino, fora
dele. Encarrega-se igualmente da expedição, por conta do comprador, até à
última estação ou porto. A garantia de vida consiste em fornecer outro animal
gratuìtamente, se morrer o primeiro antes de chegar à estação ou porto de
destino.
> Os preços indicados são os
mais moderados de que há exemplo para igual classe de animais. O mesmo vitelo
custa na Inglaterra a média de 50 libras esterlinas, e ainda mais no Rio da
Prata, fora as despesas de transporte. Os animais europeus são de muito mais
difícil aclimação que os criados no país, e a campo.
> A razão por que os animais
fêmeas se vendem pelo dobro do preço dos vitelos machos é óbvia; elas são a
fonte de renda do criador; o interesse que deixam anualmente corresponde a um
capital muito maior que o preço estabelecido.
BREVES
ESCLARECIMENTOS AOS INTERESSADOS:
> Toda correspondência deve
ser dirigida para a Granja de Pedras Altas, Rio Grande do Sul, Brasil. > Não é
preciso qualquer outra indicação.
> Como endereço telegráfico,
bastará – Granja, com o nome do lugar – Pedras Altas. Já têm chegado
regularmente telegramas assim endereçados de vários pontos do país,
estrangeiro, e até radiogramas do alto mar.
> Qualquer interessado que
desejar visitar Pedras Altas ou Ibirapuitan será hóspede bem vindo. Deverá dar
aviso com a possível antecedência, a fim de evitar desencontro.
> Aos compradores que tiverem
de fazer os animais viajarem em vapor aconselha-se insistentemente preferirem
animais novos: são os que suportam melhor o transporte e a aclimação. > Quanto à
aptidão para reproduzir, manifesta-se desde os 12 meses de idade, tanto na raça
Devon como na Jersey. Em todo caso, um tourito comprado aos 12 meses na
primavera, ou aos 18 no outono, estará seguramente apto para começar a
trabalhar no mês de outubro seguinte, que é a época regular de principiar a
fecundação. Naturalmente, será preciso não abusar das forças do jovem
reprodutor. Do segundo ano em diante êle terá a seu favor a idade e a perfeita
aclimação.
> Bem que ambas as raças sejam
muito rústicas, é certo que ambas agradecem muito o bom trato, a começar por
campo bom, bem empastado e livre de carrapato. Os touros devem ser estabulados,
ao menos durante o inverno: terão mais longa vida, maior fecundidade e a
progênie será mais vigorosa. A despesa do tratamento será remunerada com
grandes sobras.
> Pela chamada
meia-estabulação (que consiste em ter o animal debaixo de coberta sòmente
durante a noite, dando-lhe uma ração mais ou menos nutriente pela manhã e outra
pela tarde) é dificílimo deixar um touro em perfeita forma. Só pela estabulação
completa os touros ostentam todos os seus méritos.
> Como alimento, raramente
será preciso exceder o máximo de 6
kg diários de grão em 3 rações. Outrotanto de alfafa.
Pasto verde (no verão cana de milho, teosinto, sorgo halepense, etc; no inverno
aveia) tanto quanto o animal degustar com avidez. Como grão, convem muito a
mistura de milho, aveia, e farelo de trigo, em partes iguais.
> O milho deve ser moído
(quanto mais fino melhor) e a aveia esmagada, por meio de uma máquina especial
que os ingleses chamam crusher e os espanhóis aplatadora.
> Não convem dar a mistura
indicada sozinha. Deve ser por sua vez misturada com um pouco de feno de
alfafa, ou outro, picado. A razão é que o bovino, ao
tomar na boca o alimento moído, tem a impressão de que já está ruminando e
deita-o diretamente no segundo ou terceiro estômago, privando-o assim da
operação importante da ruminação e, por conseguinte, assimilando apenas pequena
percentagem do alimento. A presença de feno, obriga-o a deitar o bolo no rúmen
ou Pansa, onde sofre um princípio de maceração e fermentação, voltando
novamente à boca para a ruminação.
> Por último, a melhor regra
quanto à quantidade de ração é observar as exigências de cada animal.
Rigorosamente, cada um deve ter a sua ração e é êle próprio que a indicará ao
dono... se este tiver bastante talento para o compreender”. (O Sul Rural,
outubro e novembro de 1920)
AINDA
SOBRE JOAQUIM FRANCISCO DE ASSIS BRASIL:
A seu favor tem êle, ainda,
a sua figura respeitável, a sua cabeleira tôda de prata lançada para trás, lisa
e basta na cabeça forte, e o bigode branco de guias cortadas que se torna mais
alvo sobre a pele morena, quase cabocla, em que o tempo não cavou rugas. Rijo e
sólido, entroncado e de pescoço taurino, a sua voz é a do homem habituado a
gritar nos espaços livres e, por isso, é ainda uma das mais fortes da Câmara.
Vezes há, mesmo, que estala seca e metálica, como a dos trovões que rebentam
nas regiões pedregosas, no momento em que o raio fere, com a sua espada de
fogo, o cabeço dos penedos nus. Homem “à la page”, com literatura do mundo e
espírito inclinado às boas expressões de arte, conversador cheio de encantos,
“grand riposteur du tac ou tac”, como Cyrano malicioso e irônico, foi um
monumento de cultura, civilização e graça na solitude do Pampa.
(Correio do Povo, Porto Alegre, em 27/12/1938)
O
CASTELLÃO DE PEDRAS ALTAS:
Porto Alegre, março de 1934
(serviço especial d’A Noite) – O Sr.Assis Brasil, renunciando ao mandato de
deputado à Assembléia Constituinte, recolheu-se à Granja de Pedras Altas,
integrando-se novamente na sua vida de fazendeiro e criador.
Quando o Sr.Salgado Filho,
ministro do Trabalho, visitou o Rio Grande do Sul, o ex-ministro da Agricultura
o recebeu, na sua propriedade, vestido com a indumentária comumente usada nas
estâncias do interior gaúcho. O castelão de Pedras Altas percorreu a fazenda em
companhia do Sr.Salgado Filho e mostrou ao ministro do Trabalho exemplares
selecionados de eqüinos e bovinos.
A SENTINELA DE PEDRA:
O Castelo de Pedras Altas se impõe nas desoladas planícies do sul do estado do Rio Grande do Sul como testemunha da história e patrimônio dos gaúchos. Nascido em São Gabriel, Joaquim Francisco de Assis Brasil - diplomata, político, revolucionário, agropecuarista e escritos - escolheu a sede do castelo em 1904. Situada a 30 km de Pinheiro Machado, Pedras Altas tem clima seco (altitude de 370m), pastagens abundantese fontes de água. A pedra angular da fortaleza, de 44 cômodos, foi lançada em maio de 1909. Depois de ter atuado nas embaixadas de Washington e Portugal, e discursado em parlamentos, Assis Brasil queria morar no campo. Também desejava oferecer conforto à segunda mulher, Lídia Pereira Felício de São Mamede, filha de José Pereira Felício (o segundo conde de São Mamede). Os dois se casaram em Lisboa no ano de 1898.
Pedras Altas impulsionou a atrasada pecuária gaúcha. Assis Brasil importou vacas Jersey da Inglaterra, robustos touros Devon, cavalos Árabes e ovelhas Karakul e Ideal. Só criava animais de raça, como galinhas White Wyandotte trazidas dos Estados Unidos. Êle também introduziu novas espécies de árvores, como o eucalipto, construiu estrebarias, galpões e porteiras que ainda funcionam. Ainda inventou utensílios, como a bomba de chimarrão de mil furos que jamais entope e leva o seu nome.
Assis Brasil ergueu a fortaleza com traços medievais numa das paisagens mais isoladas do Rio Grande do Sul para mostrar que era possível desfrutar a natureza sem ficar embrutecido. A idéia não era ostentar, mas enobrecer o campo. O diplomata, que privou com reis e chefes de Estado, achava que o arado e o livro eram as ferramentas do progresso. Em 1999 o governo do estado tentou tombar o Castelo de Pedras Altas como monumento histórico, mas a família de Assis Brasil recusou, preferindo manter o castelo com a família. (este texto é de Nilson Mariano, publicado em Zero Hora, Porto Alegre, ano 34, nº 11.681, em 10/08/1997, páginas 47 a 49)
CASTELO DE PEDRAS ALTAS - O RECANTO DE ASSIS BRASIL (Memórias do Pampa, por Diones Franchi, jornalista)
O Castelo de Pedras Altas está localizado no município de Pedras Altas, sendo uma das principais obras arquitetônicas da história do estado do Rio Grande do Sul. O Castelo de Pedras Altas se localiza na região do pampa no sul do estado do Rio Grande do Sul, fazendo parte da história e patrimônio dos gaúchos. Nascido em São Gabriel, Joaquim Francisco de Assis Brasil foi um diplomata, político, revolucionário, agropecuarista e escritor.
Depois de ter atuado nas embaixadas de Washington e Portugal e discursado em parlamentos, Assis Brasil queria morar no campo. Também desejava oferecer conforto à segunda mulher, Lídia Pereira Felício de São Mamede, filha de José Pereira Felício, o segundo conde de São Mamede. Os dois se casaram em Lisboa, em 1898. A escolha da sede do castelo aconteceu em 1904. Situada a 30 quilômetros de Pinheiro Machado, Pedras Altas tem pastagens abundantes e fontes de água. A pedra angular da fortaleza, de 44 cômodos, foi lançada em maio de 1909. Pedras Altas impulsionou a atrasada pecuária gaúcha. Assis Brasil importou vacas Jersey da Inglaterra, robustos touros Devon, cavalos árabes e ovelhas Karakul e Ideal. Só criava animais de raça, como galinhas white wyandotte trazidas dos Estados Unidos. Ele também introduziu novas espécies de árvores, como o eucalipto, construiu estrebarias, galpões e porteiras que ainda funcionam. Ainda inventou utensílios, como a bomba de chimarrão de mil furos que jamais entope e leva o seu nome.Assis Brasil ergueu a fortaleza com traços medievais numa das paisagens mais isoladas do Rio Grande do Sul para mostrar que era possível desfrutar a natureza sem ficar embrutecido. A idéia não era ostentar, mas enobrecer e valorizar o campo. O castelo foi inspirado no antigo lar de sua esposa, para fazê-la sentir-se em casa. Usou granito rosa e trouxe três espanhóis para trabalhar as pedras e encaixá-las sem uso de argamassa.Ergueu um império onde dez crianças e seis empregados viviam baseados na concepção de mundo que tinha: o campo aliado à intelectualidade. Depois de mexer com a terra, faziam saraus, atividades culturais e se debruçavam em literatura em inglês, francês, latim e português em uma biblioteca com 9 mil exemplares, projetada de maneira que o sol entrasse e as obras não mofassem.Foi no Castelo de Pedras Altas que aconteceu o Pacto de Pedras Altas, tratado de paz que acabava com a Revolução de 1923, luta ocorrida no Rio Grande do Sul e que teve a duração de onze meses e foi o último conflito armado entre elites estaduais. Opuseram-se novamente maragatos e chimangos, alcunha pejorativa em alusão à ave de rapina, e que, outrora denominados pica-paus. O pacto de Pedras Altas foi assinado em 14 de dezembro de 1923 e o castelo de Assis Brasil entrava para a história do Rio Grande do Sul e do Brasil.
A SENTINELA DE PEDRA:
O Castelo de Pedras Altas se impõe nas desoladas planícies do sul do estado do Rio Grande do Sul como testemunha da história e patrimônio dos gaúchos. Nascido em São Gabriel, Joaquim Francisco de Assis Brasil - diplomata, político, revolucionário, agropecuarista e escritos - escolheu a sede do castelo em 1904. Situada a 30 km de Pinheiro Machado, Pedras Altas tem clima seco (altitude de 370m), pastagens abundantese fontes de água. A pedra angular da fortaleza, de 44 cômodos, foi lançada em maio de 1909. Depois de ter atuado nas embaixadas de Washington e Portugal, e discursado em parlamentos, Assis Brasil queria morar no campo. Também desejava oferecer conforto à segunda mulher, Lídia Pereira Felício de São Mamede, filha de José Pereira Felício (o segundo conde de São Mamede). Os dois se casaram em Lisboa no ano de 1898.
Pedras Altas impulsionou a atrasada pecuária gaúcha. Assis Brasil importou vacas Jersey da Inglaterra, robustos touros Devon, cavalos Árabes e ovelhas Karakul e Ideal. Só criava animais de raça, como galinhas White Wyandotte trazidas dos Estados Unidos. Êle também introduziu novas espécies de árvores, como o eucalipto, construiu estrebarias, galpões e porteiras que ainda funcionam. Ainda inventou utensílios, como a bomba de chimarrão de mil furos que jamais entope e leva o seu nome.
Assis Brasil ergueu a fortaleza com traços medievais numa das paisagens mais isoladas do Rio Grande do Sul para mostrar que era possível desfrutar a natureza sem ficar embrutecido. A idéia não era ostentar, mas enobrecer o campo. O diplomata, que privou com reis e chefes de Estado, achava que o arado e o livro eram as ferramentas do progresso. Em 1999 o governo do estado tentou tombar o Castelo de Pedras Altas como monumento histórico, mas a família de Assis Brasil recusou, preferindo manter o castelo com a família. (este texto é de Nilson Mariano, publicado em Zero Hora, Porto Alegre, ano 34, nº 11.681, em 10/08/1997, páginas 47 a 49)
CASTELO DE PEDRAS ALTAS - O RECANTO DE ASSIS BRASIL (Memórias do Pampa, por Diones Franchi, jornalista)
O Castelo de Pedras Altas está localizado no município de Pedras Altas, sendo uma das principais obras arquitetônicas da história do estado do Rio Grande do Sul. O Castelo de Pedras Altas se localiza na região do pampa no sul do estado do Rio Grande do Sul, fazendo parte da história e patrimônio dos gaúchos. Nascido em São Gabriel, Joaquim Francisco de Assis Brasil foi um diplomata, político, revolucionário, agropecuarista e escritor.
Depois de ter atuado nas embaixadas de Washington e Portugal e discursado em parlamentos, Assis Brasil queria morar no campo. Também desejava oferecer conforto à segunda mulher, Lídia Pereira Felício de São Mamede, filha de José Pereira Felício, o segundo conde de São Mamede. Os dois se casaram em Lisboa, em 1898. A escolha da sede do castelo aconteceu em 1904. Situada a 30 quilômetros de Pinheiro Machado, Pedras Altas tem pastagens abundantes e fontes de água. A pedra angular da fortaleza, de 44 cômodos, foi lançada em maio de 1909. Pedras Altas impulsionou a atrasada pecuária gaúcha. Assis Brasil importou vacas Jersey da Inglaterra, robustos touros Devon, cavalos árabes e ovelhas Karakul e Ideal. Só criava animais de raça, como galinhas white wyandotte trazidas dos Estados Unidos. Ele também introduziu novas espécies de árvores, como o eucalipto, construiu estrebarias, galpões e porteiras que ainda funcionam. Ainda inventou utensílios, como a bomba de chimarrão de mil furos que jamais entope e leva o seu nome.Assis Brasil ergueu a fortaleza com traços medievais numa das paisagens mais isoladas do Rio Grande do Sul para mostrar que era possível desfrutar a natureza sem ficar embrutecido. A idéia não era ostentar, mas enobrecer e valorizar o campo. O castelo foi inspirado no antigo lar de sua esposa, para fazê-la sentir-se em casa. Usou granito rosa e trouxe três espanhóis para trabalhar as pedras e encaixá-las sem uso de argamassa.Ergueu um império onde dez crianças e seis empregados viviam baseados na concepção de mundo que tinha: o campo aliado à intelectualidade. Depois de mexer com a terra, faziam saraus, atividades culturais e se debruçavam em literatura em inglês, francês, latim e português em uma biblioteca com 9 mil exemplares, projetada de maneira que o sol entrasse e as obras não mofassem.Foi no Castelo de Pedras Altas que aconteceu o Pacto de Pedras Altas, tratado de paz que acabava com a Revolução de 1923, luta ocorrida no Rio Grande do Sul e que teve a duração de onze meses e foi o último conflito armado entre elites estaduais. Opuseram-se novamente maragatos e chimangos, alcunha pejorativa em alusão à ave de rapina, e que, outrora denominados pica-paus. O pacto de Pedras Altas foi assinado em 14 de dezembro de 1923 e o castelo de Assis Brasil entrava para a história do Rio Grande do Sul e do Brasil.

















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