ACARI LUIZ MENESTRINA
“Pràticamente me cortaram o
umbigo e eu comecei a mexer com leite, eu fui pré-destinado, comecei segurando
o rabo da vaca para a Nona ordenhar. Eu me considero com leite na veia e queijo
no coração. Nasci em Rio dos Cedros, município formado por italianos produtores
de leite”, diz este filho de pequenos produtores que se tornou um dos
maiores fabricantes de queijo no Brasil.
Descendente de
italianos, técnico agrícola por formação e vocação, fazendeiro e
industrialista, o leite está em tudo que êle é. Seus empreendimentos cresceram
60% em 2015, e cerca de 40% no ano seguinte, envolvendo centenas de pequenos
produtores e um laticínio que virou referência regional com a produção de 19
ton/dia de queijos finos de alta qualidade, o Grana-Padano seu carro-chefe.
Mas
seus principais produtos são o bom humor e o otimismo. De seus pastos em Erval
Grande-RS, vale do rio Uruguai - na divisa de SC e RS – sai parte do leite
necessário para o seu laticínio.
Acari explica: “Quando
trouxe as primeiras vacas, formei as primeiras pastagens, instalei o primeiro
aparelho de cerca elétrica, fizemos mais de mil reuniões em todo o oeste de
Santa Catarina, e essa semente prosperou. Estamos na bacia leiteira que mais
cresce no Brasil (cerca de 8 a 10% ao ano), no extremo oeste, com as famílias que têm o leite como sua
principal atividade econômica. Fui Extensionista da EPAGRI – EMPRESA
CATARINENSE DE PESQUISA E ASSISTÊNCIA TÉCNICA – e administrador de laticínio. Em
1989 resolvi abrir meu próprio negócio: vendi a minha casa, o meu carro e o meu
sítio para investir numa pequena fábrica, inicialmente recebendo mil litros de
leite por dia. Na fazenda, um dos principais pilares para a produção de leite é
o cuidado com o pasto, não havendo confinamento: as vacas pastam em liberdade
durante todo o dia. A vaca foi feita para buscar o seu pasto, a sua comida,
para ter uma grande produção de leite. São muito dóceis, mansas, comendo de 40
a 45 kg de volumoso diariamente, as pastagens compostas por Tifton e Jiggs (gramíneas)
e Trevo Branco (leguminosa), fornecendo de 18 a 20% de proteína. Sempre fomos
obsecados pela produção de leite para, assim, fabricar produtos nobres”.
Na ordenha, sob o comando da
veterinária ANDRESSA MENESTRINA, sua filha, o capricho na higiene é total,
produzindo 4500 litros/dia, pequena parte do leite diário que abastece a
fábrica Gran-Mestri, que fica em Guaraciaba/SC, vizinho a Erval Grande. O grosso da matéria prima é fornecida por 350 criadores na região, quase todos
pequenos produtores.
Na fábrica,
o leite é transformado em requeijão, manteiga, parmesão, montanhês, e dois
queijos com leite de ovelha: pecorino sardo e o pecorino romano. O
principal queijo produzido é o grana
padano, no Brasil conhecido por queijo
tipo grana (grana vem de grânulos brancos formados na massa, e padana vem
de padano – região do vale do Rio do Pó, Itália), receita milenar dos monges na
região da padânia, receita precisa cujo equipamento foi adquirido todo da
Itália permitindo a maturação de 18.500 queijos ao mesmo tempo. “O
grana padano, segundo Acari, é o resumo da sua vida”.
AGRO SOPRAMONTE:
“Sopramonte (sobre os morros) é
um povoado em Trento, Norte da Itália, de onde vieram os ancestrais de minha
família Menestrina”. E foi justamente dessa vila, que esse bem sucedido
empresário utilizou o nome para batizar seu ousado empreendimento - Agro Sopramonte – tendo como vocação
principal a produção de leite de alta qualidade e custo baixo. A área
localiza-se na linha Tope da Serra, no município gaúcho de Erval Grande,
próximo à divisa do RS com SC, seus 200ha abrigando um sistema de produção que
Menestrina denomina como “um pedaço da Nova Zelândia no Brasil”, pois a Oceania é o maior produtor e o maior
exportador de leite do mundo, e seu leite é produzido à base de pasto, com alta
qualidade e baixo custo como lá. A Nova Zelândia é referência mundial em
produção de leite e é nisso que nos inspiramos: a busca por qualidade e baixo
custo e, consequentemente, ser competitividade no mercado internacional.
Menestrina implanta ainda, em sua fazenda, lições aprendidas com os italizanos,
que são modelo de processo industrial e de tecnologia produtiva.
Com investimento em genética,
tecnologia, planejamento e pastagem, a Agro Sopramonte cria um sistema
eficiente, que permite gastar pouco e lucrar muito. O projeto iniciou em 2009 e
tudo foi minuciosamente planejado. Para coloca-lo em prática, Menestrina
conheceu exemplos produtivos bem sucedidos na Oceania, Europa, e países do
Mercosul. “Aplicamos aqui o que há de melhor pelo mundo, resume”.
A área, localizada a 800 m de
altitude dista 150m de uma rodovia federal, apresenta condições ideais para a
produção pretendida por Acari Menestrina. Em dezembro de 2013 foi finalizada a
construção das instalações, num total de 2.200 m² de área construída, incluindo
tambos de leite, sala de espera, sala de ordenha, salas administrativas, sala
de alimentação para os funcionários, vestiários, casas de moradia e galpão para
depósito. Foram feitos ainda 3 silos para armazenagem de silagem de milho, num
total de 630m².
O projeto para 400 vacas Jersey
está sendo colocado em prática com um investimento de R$ 3 milhões, destacando
Menestrina que “além da excelência produtiva, torna-se indispensável uma gestão responsável
e eficiente. O orçamento da fazenda é matricial, os processos são padronizados,
tornando o empreendimento sustentável e ecologicamente correto. Os seis
funcionários da fazenda são treinados e qualificados, ou seja, a pessoa certa
no lugar certo”.
As instalações da Agro Sopramonte foram pensadas para melhor
aproveitamento da luz solar e destinação dos dejetos para fertiirrigação
(adubação das pastagens) por gravidade, tendo sido aproveitado, na fazenda, um
modelo neozelandês em que os dejetos saem por aspersor até as pastagens.
Acari explica: “Isso
nos permite trabalhar com custo baixo. Na agropecuária são seguidas todas as normativas internacionais de
produção, estando apta a ser auditada e certificada pelo MAPA – Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A fazenda, que abriga um verdadeiro
modelo de produção, está aberta para a visitação de produtores e para a
realização de dias de campo. Contando com a ajuda da filha Andressa, que segue
os passos do pai coordenando as atividades na Agro Sopramonte, formada em
medicina veterinária já participou de missões técnicas na Nova Zelândia e
Austrália.
“Eu mesmo comecei segurando o rabo da vaca para a nona tirar leite,
brinca Acari. Gosto de desafios, nossa meta sendo produzir 6 mil litros de
leite ao dia, com uma média de 15 a 18 litros/vaca, leite de excelente
qualidade. Meu objetivo é ser, antes de produtor de leite, um pasticultor,
diz Menestrina.
A pastagem, em sistema de piquetes rotacionados (Voisin) é
irrigada, o que permite continuar produzindo pasto em períodos de escassez.
Água suficiente para a irrigação está armazenada em 12 açudes espalhados pela
propriedade. Os 100 há de pastagens passaram por análise e correção de solo e
as sementes foram trazidas da NZ. As variedades cultivadas são festuca, trevo
branco, azevém perene, tifton, gigs e milheto. Além de produzir pasto, a
fazenda tem uma reserva de silagem para períodos de intervalo entre pastagens.
Temos 1,5 milhões de quilos de comida guardada entre feno e silagem.
Menestrina destaca que o grande
diferencial da bovinocultura leiteira é que esta se baseia no consumo de pasto
e é possível produzir a custo baixo. O mesmo não ocorrendo com a suinocultura e a
avicultura, por exemplo, que necessitam de proteínas nobres e de alto custo.
GADO JERSEY:
Instalações construídas com o que
há de melhor no sistema produtivo, pasto à vontade e 400 vacas da raça Jersey
compõem o cenário do ousado projeto da Agr.Sopr.. Hoje são 200 animais no
local, 100 em lactação. Menestrina, que faz parte da ACGJB e da ACGJRS, explica
que a raça Jersey é dócil, mas adaptável a diferentes ambientes e condições
climáticas, tem maior longevidade, busca seu próprio alimento e ainda produz
leite com maior teor de sólidos não gordurosos (proteína, lactose, vitaminas e
minerais). O leite Jersey contém 20% a mais em proteínas e 15% a mais de cálcio
do que o leite de outras raças. Os animais da Fazenda Sopramonte são PO, e com
altos padrões zootécnicos.
Menestrina anda pelos seus campos
na companhia de Bali, um cão Pastor Maremano Abruzês. Um casal da raça foi
trazido da Itália para guardar o rebanho ovino da fazenda. Bali, com seu
temperamento dócil se tornou o amigo inseparável do empresário.
Ovelhas das raça Lacune, Texel,
Ille de France e Frisona compõem o rebanho, que já conta com 150 animais para
produzir leite, carne e lã, e para a comercialização de animais.
A Agro Sopramonte é cenário,
ainda, de outros projetos, frutos da ousadia de Menestrina. Os sonhos plantados
ali incluem 1ha de nogueiras, e 4ha de oliveiras, para a produção de óleo e
conservas. O cultivo inclui árvores das variedades Ascolano e Galega (especiais
para conserva), Alberquina, Arbozana e Caroneiki (produção de óleo). O projeto
de oliveiras é diferenciado, tendo tudo para dar certo devido às condições
climáticas locais, ideais. Pretendemos lançar no mercado o azeite mais nobre e
saborosa, o extravirgem, prensado a frio. A área possui, ainda,
reflorestamento, implantado há 8 anos nas áreas de maior declive.
Desde 2011, Acari oferece à
ASSOCIAÇÃO DE CRIADORES DE GADO JERSEY DO RIO GRANDE DO SUL uma forma do seu
famoso queijo GRANA PADANO, para exposição e degustação na CASA DO JERSEY RS em
Esteio, durante as famosas e grandiosas exposições conhecidas por EXPOINTER. Lá,
sempre acompanhado por sua simpática e agradável família, confraterniza com
os demais jersistas gaúchos e de outros estados brasileiros, além daqueles que
vêm de diversos países para conhecer o Jersey Gaúcho, sempre provando e elogiando o queijo da Gran Mestri. Nesse ano mesmo ano, a Gran Mestri patrocinou a edição especial do
MANUAL DO CONTRÔLE LEITEIRO DO JERSEY RS.
Em São Paulo, no Parque da Água Funda, Acari brinda aos criadores brasileiros com uma forma do Grana Padano, durante a Exposições Nacionais da Raça Jersey organizadas e realizadas pela ASSOCIAÇÃO DOS CRIADORES DE GADO JERSEY DO BRASIL. Na XXXII Expo Nacional o empresário, fundador e presidente
da Gran Mestri Alimentos S/A, entregou ao governador do Estado de São Paulo,
Dr. Geraldo Alckmin, uma forma do queijo grana padano
Gran Mestri stravecchio (24 meses de maturação), o mais nobre dos queijos
produzido na região Oeste de Santa Catarina, ao que Alckmin (jersista) agradeceu e
elogiou a qualidade do produto catarinense.
GRAN MESTRI:
“Meu sonho, minha meta, meu
objetivo é sermos a referência, sermos os melhores em queijos finos,
diferenciados. Eu me considero com leite na veia e queijo no coração: você tem
que ter paixão e alma”, fala Acari Menestrina.
E continua: “Sou de uma família de italianos,
na época as coisas lá eram meio difíceis e, sentado na mesa com meu avô, êle me
dizia: come bastante polenta e cheira o queijo. Eu lhe respondia: não, um dia
vou fazer bastante queijo. Quando entro nas câmaras de maturação, com 1.200.000
kg estocados na hoje maior fábrica de queijos duros da América Latina, eu
sempre me lembro da observação de meu avô. Sempre fui uma pessoa de fazer
acontecer, gerar riquezas, gerar bem estar, ver as pessoas com qualidade de
vida: é o bicho-carpinteiro do empreendedorismo. Acho que eu levei muito da
vida de minha mãe”.
O Colégio Agrícola de Camboriú
era a grande referência no Brasil, escola agrícola conceituada, e Acari diz ter
tido a oportunidade de ficar lá por três anos. “Eu atuei muito forte no setor de
zootecnia, formando-me em 1975. Fiz o concurso para a ACARESC, que era
altamente concorrido e considerado o melhor serviço de extensão rural do
Brasil. Decidi ir para o grande oeste catarinense, onde não havia estradas nem
energia elétrica, telefonia ou televisão, e as pessoas estavam indo embora para
procurar oportunidades. Lá chegando, disse: não, precisamos transformar este
Oeste!! E, como extensionista, lancei o
desafio em 1977: transformá-lo na principal bacia leiteira do Brasil. O pessoal
dizia: internem o Acari Menestrina pois ficou maluco, aqui é uma região de
milho, de soja, de suínos e de aves, porque nós vamos mexer com leite que não
tem tradição?
“Foi ali, em 1977/78, que eu
comecei a trazer as primeiras vacas e houve, realmente, uma grande
transformação: foi realizado um grande trabalho, os produtores acreditaram, e
as empresas se instalaram na região.
Santa Catarina recebeu o
mais moderno complexo de produção internacional de queijos nobres da América
Latina, tornanando a região Oeste do Estado ZONA EXCLUSIVA DE PRODUÇÃO DO
QUEIJO MAIS NOBRE DO MUNDO: O GRAN MESTRI, além de iguarias que mantém a
tradição italiana presente no Brasil e no mundo. No dia 18 de agosto de 2012, a
Gran Mestri registrou na história da indústria de queijos a inauguração do
moderno parque industrial, modelo de gestão e de tecnologia para o mundo dos
negócios.
“Da Itália, a gente traz todos os
ingredientes para a fabricação de queijos, pois o Brasil não os tem adequados,
sejam os coalhos, sejam os fermentos. E temos, permanentemente, a vinda de Mestres
Queijeiros Italianos, que desenvolvem os grana padano, as manteigas, o
gorgonzola, o provolone, o muzzarela de búfalo, e o roquefort. Os Mestres
Queijeiros Uruguaios desenvolvem o parmesão – sempre com a utilização dos
ingredientes italizanos. Estamos inaugurando a maior fábrica de provolone e
gorgonzola do Brasil e da América Latina, sem dúvida a primeira com receitas italianas.
Visitamos quinze fábricas na Itália, as melhores de provolone e de gorgonzola,
sendo o berço deste último a região italiana de Novara. Este o grande segredo
para nossos produtos de alta qualidade: utilizar matéria prima de alta
qualidade no produtor, importar os equipamentos e ingredientes da Itália,
obedecer as receitas precisas dos Mestres Queijeiros em processos padronizados,
e PAIXÃO E ALMA NO QUE FAZEMOS”, são palavras deste importante
empresário do leite, ACARI MENESTRINA, durante essa inauguração.
Após estabelecer no mercado
brasileiro a conceituada tradição da produção do queijo Gran Mestri e de ter
vencido o desafio de reproduzir essa espécie de queijo no Brasil, com a mesma
característica dos nobres produtos italianos, ACARI LUIZ MENESTRINA está no
comando do avançado plano de negócio que colocou a marca 30 anos na frente. Uma
indústria de primeiro mundo, focada no princípio da qualidade que o nobre
queijo exige, e do controle rigoroso diário de todos os itens e etapas de toda
a cadeia produtiva, culminando em um conjunto de medidas sistematicamente
aplicadas e cuidadosamente acompanhadas por mestres queijeiros europeus, esses criteriosos
avaliadores atestando e garantindo ao consumidor a essência de um produto
diferenciado e especial.
Um parque industrial completo, com
100% de tecnologia importada da Itália, justamente para produzir no Brasil
produtos tão nobres quanto os importados. Com centrais de distribuição nas
principais capitais brasileiras, a marca Gran Mestri apresenta ao mercado
várias versões do queijo Gran Mestri, além de um mix completo do queijo de ovelha Pecorino, Sardo e Romano, e do
queijo Parmesão e Montanhês,
e manteiga diferenciada, além de atender o fornecimento de produtos para o
institucional. Os posicionamentos de mercado mostram a potência da indústria no
nicho de mercado dos queijos nobres e especiais.
PRÊMIO TOP DE MARKETING
Em 2016, a Gran Mestri recebeu um importante prêmio, em Santa Catarina: TOP DE MARKETING ADVB. O trabalho de design de produtos e de treinamento e capacitação das equipes de venda está a cargo de ALINE MENESTRINA, a outra filha de Acari, formada em Administração de Empresas e Marketing.
Por seus méritos, sua dedicação - quase obsessão - ao setor leiteiro primário e industrial, sempre acompanhado por sua esposa, Ana Maria, e pelas filhas, Aline e Andressa, ACARI LUIZ MENESTRINA é um TAURA DA RAÇA JERSEY, cativando e merecendo a admiração de todos que lhe conhecem. Simpáticos e agradáveis, essa família conquistou o meio leiteiro gaúcho, catarinense, e brasileiro.


















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