sexta-feira, 5 de abril de 2019

TJ5 - ACARI LUIZ MENESTRINA (38)


ACARI LUIZ MENESTRINA


“Pràticamente me cortaram o umbigo e eu comecei a mexer com leite, eu fui pré-destinado, comecei segurando o rabo da vaca para a Nona ordenhar. Eu me considero com leite na veia e queijo no coração. Nasci em Rio dos Cedros, município formado por italianos produtores de leite”, diz este filho de pequenos produtores que se tornou um dos maiores fabricantes de queijo no Brasil. 


Descendente de italianos, técnico agrícola por formação e vocação, fazendeiro e industrialista, o leite está em tudo que êle é. Seus empreendimentos cresceram 60% em 2015, e cerca de 40% no ano seguinte, envolvendo centenas de pequenos produtores e um laticínio que virou referência regional com a produção de 19 ton/dia de queijos finos de alta qualidade, o Grana-Padano seu carro-chefe. 

Mas seus principais produtos são o bom humor e o otimismo. De seus pastos em Erval Grande-RS, vale do rio Uruguai - na divisa de SC e RS – sai parte do leite necessário para o seu laticínio.


Acari explica: “Quando trouxe as primeiras vacas, formei as primeiras pastagens, instalei o primeiro aparelho de cerca elétrica, fizemos mais de mil reuniões em todo o oeste de Santa Catarina, e essa semente prosperou. Estamos na bacia leiteira que mais cresce no Brasil (cerca de 8 a 10% ao ano), no extremo oeste,  com as famílias que têm o leite como sua principal atividade econômica. Fui Extensionista da EPAGRI – EMPRESA CATARINENSE DE PESQUISA E ASSISTÊNCIA TÉCNICA – e administrador de laticínio. Em 1989 resolvi abrir meu próprio negócio: vendi a minha casa, o meu carro e o meu sítio para investir numa pequena fábrica, inicialmente recebendo mil litros de leite por dia. Na fazenda, um dos principais pilares para a produção de leite é o cuidado com o pasto, não havendo confinamento: as vacas pastam em liberdade durante todo o dia. A vaca foi feita para buscar o seu pasto, a sua comida, para ter uma grande produção de leite. São muito dóceis, mansas, comendo de 40 a 45 kg de volumoso diariamente, as pastagens compostas por Tifton e Jiggs (gramíneas) e Trevo Branco (leguminosa), fornecendo de 18 a 20% de proteína. Sempre fomos obsecados pela produção de leite para, assim, fabricar produtos nobres”.


Na ordenha, sob o comando da veterinária ANDRESSA MENESTRINA, sua filha, o capricho na higiene é total, produzindo 4500 litros/dia, pequena parte do leite diário que abastece a fábrica Gran-Mestri, que fica em Guaraciaba/SC, vizinho a Erval Grande. O grosso da matéria prima é fornecida por 350 criadores na região, quase todos pequenos produtores. 


Na fábrica, o leite é transformado em requeijão, manteiga, parmesão, montanhês, e dois queijos com leite de ovelha: pecorino sardo e o pecorino romano. O principal queijo produzido é o grana padano, no Brasil conhecido por queijo tipo grana (grana vem de grânulos brancos formados na massa, e padana vem de padano – região do vale do Rio do Pó, Itália), receita milenar dos monges na região da padânia, receita precisa cujo equipamento foi adquirido todo da Itália permitindo a maturação de 18.500 queijos ao mesmo tempo. “O grana padano, segundo Acari, é o resumo da sua vida”.


AGRO SOPRAMONTE:

“Sopramonte (sobre os morros) é um povoado em Trento, Norte da Itália, de onde vieram os ancestrais de minha família Menestrina”. E foi justamente dessa vila, que esse bem sucedido empresário utilizou o nome para batizar seu ousado empreendimento - Agro Sopramonte – tendo como vocação principal a produção de leite de alta qualidade e custo baixo. A área localiza-se na linha Tope da Serra, no município gaúcho de Erval Grande, próximo à divisa do RS com SC, seus 200ha abrigando um sistema de produção que Menestrina denomina como “um pedaço da Nova Zelândia no Brasil”,  pois a Oceania é o maior produtor e o maior exportador de leite do mundo, e seu leite é produzido à base de pasto, com alta qualidade e baixo custo como lá. A Nova Zelândia é referência mundial em produção de leite e é nisso que nos inspiramos: a busca por qualidade e baixo custo e, consequentemente, ser competitividade no mercado internacional. Menestrina implanta ainda, em sua fazenda, lições aprendidas com os italizanos, que são modelo de processo industrial e de tecnologia produtiva.


Com investimento em genética, tecnologia, planejamento e pastagem, a Agro Sopramonte cria um sistema eficiente, que permite gastar pouco e lucrar muito. O projeto iniciou em 2009 e tudo foi minuciosamente planejado. Para coloca-lo em prática, Menestrina conheceu exemplos produtivos bem sucedidos na Oceania, Europa, e países do Mercosul. “Aplicamos aqui o que há de melhor pelo mundo, resume”.

A área, localizada a 800 m de altitude dista 150m de uma rodovia federal, apresenta condições ideais para a produção pretendida por Acari Menestrina. Em dezembro de 2013 foi finalizada a construção das instalações, num total de 2.200 m² de área construída, incluindo tambos de leite, sala de espera, sala de ordenha, salas administrativas, sala de alimentação para os funcionários, vestiários, casas de moradia e galpão para depósito. Foram feitos ainda 3 silos para armazenagem de silagem de milho, num total de 630m².


O projeto para 400 vacas Jersey está sendo colocado em prática com um investimento de R$ 3 milhões, destacando Menestrina que “além da excelência produtiva, torna-se indispensável uma gestão responsável e eficiente. O orçamento da fazenda é matricial, os processos são padronizados, tornando o empreendimento sustentável e ecologicamente correto. Os seis funcionários da fazenda são treinados e qualificados, ou seja, a pessoa certa no lugar certo”.

As instalações da Agro Sopramonte foram pensadas para melhor aproveitamento da luz solar e destinação dos dejetos para fertiirrigação (adubação das pastagens) por gravidade, tendo sido aproveitado, na fazenda, um modelo neozelandês em que os dejetos saem por aspersor até as pastagens. 


Acari explica: “Isso nos permite trabalhar com custo baixo. Na agropecuária são seguidas todas as normativas internacionais de produção, estando apta a ser auditada e certificada pelo MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A fazenda, que abriga um verdadeiro modelo de produção, está aberta para a visitação de produtores e para a realização de dias de campo. Contando com a ajuda da filha Andressa, que segue os passos do pai coordenando as atividades na Agro Sopramonte, formada em medicina veterinária já participou de missões técnicas na Nova Zelândia e Austrália.

“Eu mesmo comecei segurando o rabo da vaca para a nona tirar leite, brinca Acari. Gosto de desafios, nossa meta sendo produzir 6 mil litros de leite ao dia, com uma média de 15 a 18 litros/vaca, leite de excelente qualidade. Meu objetivo é ser, antes de produtor de leite, um pasticultor, diz Menestrina.


A pastagem, em sistema de piquetes rotacionados (Voisin) é irrigada, o que permite continuar produzindo pasto em períodos de escassez. Água suficiente para a irrigação está armazenada em 12 açudes espalhados pela propriedade. Os 100 há de pastagens passaram por análise e correção de solo e as sementes foram trazidas da NZ. As variedades cultivadas são festuca, trevo branco, azevém perene, tifton, gigs e milheto. Além de produzir pasto, a fazenda tem uma reserva de silagem para períodos de intervalo entre pastagens. Temos 1,5 milhões de quilos de comida guardada entre feno e silagem.


Menestrina destaca que o grande diferencial da bovinocultura leiteira é que esta se baseia no consumo de pasto e é possível produzir a custo baixo. O mesmo não ocorrendo com a suinocultura e a avicultura, por exemplo, que necessitam de proteínas nobres e de alto custo.

GADO JERSEY:


Instalações construídas com o que há de melhor no sistema produtivo, pasto à vontade e 400 vacas da raça Jersey compõem o cenário do ousado projeto da Agr.Sopr.. Hoje são 200 animais no local, 100 em lactação. Menestrina, que faz parte da ACGJB e da ACGJRS, explica que a raça Jersey é dócil, mas adaptável a diferentes ambientes e condições climáticas, tem maior longevidade, busca seu próprio alimento e ainda produz leite com maior teor de sólidos não gordurosos (proteína, lactose, vitaminas e minerais). O leite Jersey contém 20% a mais em proteínas e 15% a mais de cálcio do que o leite de outras raças. Os animais da Fazenda Sopramonte são PO, e com altos padrões zootécnicos.


Menestrina anda pelos seus campos na companhia de Bali, um cão Pastor Maremano Abruzês. Um casal da raça foi trazido da Itália para guardar o rebanho ovino da fazenda. Bali, com seu temperamento dócil se tornou o amigo inseparável do empresário.


Ovelhas das raça Lacune, Texel, Ille de France e Frisona compõem o rebanho, que já conta com 150 animais para produzir leite, carne e lã, e para a comercialização de animais.

A Agro Sopramonte é cenário, ainda, de outros projetos, frutos da ousadia de Menestrina. Os sonhos plantados ali incluem 1ha de nogueiras, e 4ha de oliveiras, para a produção de óleo e conservas. O cultivo inclui árvores das variedades Ascolano e Galega (especiais para conserva), Alberquina, Arbozana e Caroneiki (produção de óleo). O projeto de oliveiras é diferenciado, tendo tudo para dar certo devido às condições climáticas locais, ideais. Pretendemos lançar no mercado o azeite mais nobre e saborosa, o extravirgem, prensado a frio. A área possui, ainda, reflorestamento, implantado há 8 anos nas áreas de maior declive.


Desde 2011, Acari oferece à ASSOCIAÇÃO DE CRIADORES DE GADO JERSEY DO RIO GRANDE DO SUL uma forma do seu famoso queijo GRANA PADANO, para exposição e degustação na CASA DO JERSEY RS em Esteio, durante as famosas e grandiosas exposições conhecidas por EXPOINTER. Lá, sempre acompanhado por sua simpática e agradável família, confraterniza com os demais jersistas gaúchos e de outros estados brasileiros, além daqueles que vêm de diversos países para conhecer o Jersey Gaúcho, sempre provando e elogiando o queijo da Gran Mestri. Nesse ano mesmo ano, a Gran Mestri patrocinou a edição especial do MANUAL DO CONTRÔLE LEITEIRO DO JERSEY RS.


Em São Paulo, no Parque da Água Funda, Acari brinda aos criadores brasileiros com uma forma do Grana Padano, durante a Exposições Nacionais da Raça Jersey organizadas e realizadas pela ASSOCIAÇÃO DOS CRIADORES DE GADO JERSEY DO BRASIL.  Na XXXII Expo Nacional o empresário, fundador e presidente da Gran Mestri Alimentos S/A, entregou ao governador do Estado de São Paulo, Dr. Geraldo Alckmin,  uma forma do queijo grana padano Gran Mestri stravecchio (24 meses de maturação), o mais nobre dos queijos produzido na região Oeste de Santa Catarina, ao que Alckmin (jersista) agradeceu e elogiou a qualidade do produto catarinense.


GRAN MESTRI:

“Meu sonho, minha meta, meu objetivo é sermos a referência, sermos os melhores em queijos finos, diferenciados. Eu me considero com leite na veia e queijo no coração: você tem que ter paixão e alma”, fala Acari Menestrina.

E continua: “Sou de uma família de italianos, na época as coisas lá eram meio difíceis e, sentado na mesa com meu avô, êle me dizia: come bastante polenta e cheira o queijo. Eu lhe respondia: não, um dia vou fazer bastante queijo. Quando entro nas câmaras de maturação, com 1.200.000 kg estocados na hoje maior fábrica de queijos duros da América Latina, eu sempre me lembro da observação de meu avô. Sempre fui uma pessoa de fazer acontecer, gerar riquezas, gerar bem estar, ver as pessoas com qualidade de vida: é o bicho-carpinteiro do empreendedorismo. Acho que eu levei muito da vida de minha mãe”.

O Colégio Agrícola de Camboriú era a grande referência no Brasil, escola agrícola conceituada, e Acari diz ter tido a oportunidade de ficar lá por três anos. “Eu atuei muito forte no setor de zootecnia, formando-me em 1975. Fiz o concurso para a ACARESC, que era altamente concorrido e considerado o melhor serviço de extensão rural do Brasil. Decidi ir para o grande oeste catarinense, onde não havia estradas nem energia elétrica, telefonia ou televisão, e as pessoas estavam indo embora para procurar oportunidades. Lá chegando, disse: não, precisamos transformar este Oeste!!  E, como extensionista, lancei o desafio em 1977: transformá-lo na principal bacia leiteira do Brasil. O pessoal dizia: internem o Acari Menestrina pois ficou maluco, aqui é uma região de milho, de soja, de suínos e de aves, porque nós vamos mexer com leite que não tem tradição?

“Foi ali, em 1977/78, que eu comecei a trazer as primeiras vacas e houve, realmente, uma grande transformação: foi realizado um grande trabalho, os produtores acreditaram, e as empresas se instalaram na região.


POTÊNCIA TECNOLÓGICA


Santa Catarina recebeu o mais moderno complexo de produção internacional de queijos nobres da América Latina, tornanando a região Oeste do Estado ZONA EXCLUSIVA DE PRODUÇÃO DO QUEIJO MAIS NOBRE DO MUNDO: O GRAN MESTRI, além de iguarias que mantém a tradição italiana presente no Brasil e no mundo. No dia 18 de agosto de 2012, a Gran Mestri registrou na história da indústria de queijos a inauguração do moderno parque industrial, modelo de gestão e de tecnologia para o mundo dos negócios.


“Da Itália, a gente traz todos os ingredientes para a fabricação de queijos, pois o Brasil não os tem adequados, sejam os coalhos, sejam os fermentos. E temos, permanentemente, a vinda de Mestres Queijeiros Italianos, que desenvolvem os grana padano, as manteigas, o gorgonzola, o provolone, o muzzarela de búfalo, e o roquefort. Os Mestres Queijeiros Uruguaios desenvolvem o parmesão – sempre com a utilização dos ingredientes italizanos. Estamos inaugurando a maior fábrica de provolone e gorgonzola do Brasil e da América Latina, sem dúvida a primeira com receitas italianas. Visitamos quinze fábricas na Itália, as melhores de provolone e de gorgonzola, sendo o berço deste último a região italiana de Novara. Este o grande segredo para nossos produtos de alta qualidade: utilizar matéria prima de alta qualidade no produtor, importar os equipamentos e ingredientes da Itália, obedecer as receitas precisas dos Mestres Queijeiros em processos padronizados, e PAIXÃO E ALMA NO QUE FAZEMOS”, são palavras deste importante empresário do leite, ACARI MENESTRINA, durante essa inauguração.


Após estabelecer no mercado brasileiro a conceituada tradição da produção do queijo Gran Mestri e de ter vencido o desafio de reproduzir essa espécie de queijo no Brasil, com a mesma característica dos nobres produtos italianos, ACARI LUIZ MENESTRINA está no comando do avançado plano de negócio que colocou a marca 30 anos na frente. Uma indústria de primeiro mundo, focada no princípio da qualidade que o nobre queijo exige, e do controle rigoroso diário de todos os itens e etapas de toda a cadeia produtiva, culminando em um conjunto de medidas sistematicamente aplicadas e cuidadosamente acompanhadas por mestres queijeiros europeus, esses criteriosos avaliadores atestando e garantindo ao consumidor a essência de um produto diferenciado e especial.
Um parque industrial completo, com 100% de tecnologia importada da Itália, justamente para produzir no Brasil produtos tão nobres quanto os importados. Com centrais de distribuição nas principais capitais brasileiras, a marca Gran Mestri apresenta ao mercado várias versões do queijo Gran Mestri, além de um mix completo do queijo de ovelha Pecorino, Sardo e Romano, e do queijo Parmesão e Montanhês, e manteiga diferenciada, além de atender o fornecimento de produtos para o institucional. Os posicionamentos de mercado mostram a potência da indústria no nicho de mercado dos queijos nobres e especiais.

PRÊMIO TOP DE MARKETING

Em 2016, a Gran Mestri recebeu um importante prêmio, em Santa Catarina: TOP DE MARKETING ADVB. O trabalho de design de produtos e de treinamento e capacitação das equipes de venda está a cargo de ALINE MENESTRINA, a outra filha de Acari, formada em Administração de Empresas e Marketing.


Por seus méritos, sua dedicação - quase obsessão - ao setor leiteiro primário e industrial, sempre acompanhado por sua esposa, Ana Maria, e pelas filhas, Aline e Andressa, ACARI LUIZ MENESTRINA é um TAURA DA RAÇA JERSEY, cativando e merecendo a admiração de todos que lhe conhecem. Simpáticos e agradáveis, essa família conquistou o meio leiteiro gaúcho, catarinense, e brasileiro.

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