segunda-feira, 8 de junho de 2020

TJ31 - MANOEL ACILO AZAMBUJA DE AZAMBUJA - 1925 a 2020


JERSISTA DESDE 1953

 2016
MANOEL ACILO AZAMBUJA DE AZAMBUJA é natural de Torrinhas, 2ª Zona de Pinheiro Machado, nascido a 16 de março de 1925, filho do casal Filomeno Soares de Azambuja e D.Orfila Euclides de Azambuja.

Seu pai, pecuarista, nasceu exatamente no local onde está a Pedra de Torrinhas, que até hoje pertence à família, e onde ACILO passou seus primeiros cinco anos de vida. O campo Pedra de Torrinhas era de seu avô paterno, Diogo Azambuja (filho de João de Azambuja, proprietário de Torrinhas).




Sendo o filho mais velho, ACILO começou a trabalhar aos 8 anos, e foi morar com a família, em Bagé, por volta de 1930. Em 1933 perdeu o pai, e passou a trabalhar com o pai do Saulzinho (jogador famoso de futebol), depois trabalhando no armazém Borges Paiva. Aos 15 anos foi contratado pela Ferragem Pesce, de Ambrósio Próspero Pesce (italiano nascido em 1881 e falecido em 1954), até ingressar no serviço militar em 1945. Servindo na artilharia, foi voluntário entusiasmado para ir à segunda guerra mundial em 1945, não chegando a participar dela visto a mesma estar terminando. 


"Se existe reencarnação, eu sou italiano. Sonho com uma casa na Itália",
dizia Acilo.

Indo a Torrinhas buscar os documentos necessários para alistamento no exército, ACILO conheceu LUIZA, sua futura esposa.

“Aos sábados, após o trabalho, encilhava minha égua e andava 16 léguas para namorar durante o domingo e, à tardinha, novamente montava a rosilha e cochilava no caminho de volta, na estrada Corredor do Baú, na Bolena. A égua troteava com as rédeas amarradas, era meio-sangue crioula com árabe. Chegando na segunda pela manhã, ia direto para o trabalho”, contava.

1946

Terminado o serviço militar, em 1946 ACILO foi trabalhar na loja de tecidos Kalil, onde ficou até 1949, depois indo para o Moinho Bageense, por um ano. Casou-se com sua prima, LUIZA GOMES DE AZAMBUJA, filha de Romualdo Soares de Azambuja e Julieta Gomes de Azambuja. Romualdo era irmão de Filomeno, o pai de ACILO, ambos filhos de Diogo.

O casamento ocorreu em 13 de janeiro de 1950, e o casal teve 7 filhos: Filoaldo (faleceu com poucos meses), Juclea "Queia" (viúva, com uma filha, Juci Carla - mãe do João Vitor), Maria Rossaura "Sara" (criadora, afixo Pedra de Torrinhas), Eva Glacy (mãe de Athena), Adão (falecido aos 11 anos), Luiman José (cria com o afixo Caneleira, e tem uma filha, Carolina), e Álcio (jersista com o afixo Los Álamos, casado com Simone Ponz). O único filho bageense é o Álcio, os outros nascidos em Torrinhas.

2017 com a família, na Granja do Angico

No ano de 1950 ingressou, definitivamente, na atividade rural seguindo o exemplo do pai, em propriedade herdada por Luiza com gado de corte cruza zebu, e ovinos Corriedale por ser a vocação regional ovelheira. No gado de corte, deparou-se com um problema: não havia leite para alimentar suas filhas e, após o nascimento de Rossaura, a segunda, saiu em busca de uma vaca leiteira. Comprou-a em 1953, do sr. Arlindo Brignol dos Santos, num lote de mestiças Jersey. Assim começou.

Em 1954, já buscando o melhoramento de suas mestiças, comprou na Fazenda Cinco Cruzes, hoje da EMBRAPA, seu primeiro reprodutor PO, de nome Cássio Winckamplace de Irsul e, no ano seguinte, adquiriu do sr.João Farinha suas primeiras vacas registradas.

Na longínqua Torrinhas, MANOEL ACILO começava, por conta própria e sem qualquer orientação técnica, a formar sua logo famosa criação de Jersey, atividade tão inédita na região que a vizinhança
tachou-o de louco dizendo que, no primeiro inverno, aqueles animais franzinos iriam morrer, todos!! Sua obstinação era tanta que não dava atenção aos comentários.

O primeiro touro com afixo FCB, adquirido também da Fazenda Cinco Cruzes, tinha o apelido de PANÇUDO, e foi transportado de trem até Seival. Depois, foi para Torrinhas. Entre outros, houve o famoso FCB CALENDÁRIO, filho de Milestones Generator, que deixou excelente descendência e obteve diversos Grandes Campeonatos.

1962

Em dezembro de 1959 transferiu-se para Bagé, em busca de um futuro melhor para seus filhos pois, onde vivia, as condições de ensino eram precárias. Ao chegar, sub-arrendou uma chácara em São Martim, propriedade do prof. Adolfo Buchholz, que estava arrendada pelos parceiros Dr. Canuto Jorge Martins Fº e Dr. Euzébio Pereira Neto, com o intuito de explorar a pecuária leiteira. Passou a vender diàriamente, direto ao consumidor, leite e derivados pois, naquela época, não havia indústria em Bagé. Com a transação comercial nasceu uma amizade fraterna com o Dr. Pereira Neto, que durou até o falecimento deste



No ano de 1960, aumentou seu plantel com vacas PO compradas do sr.Herculano Gomes, expoente máximo na raça Jersey no município de Bagé, e no Rio Grande do Sul. Em 1961 adquiriu uma área de 51ha, na localidade do Piray, começando a nascer a Granja do Angico. Nesse mesmo ano, por incentivo do amigo Euzébio Pereira Neto, começou a registrar seus animais, associando-se à ACGJRS e registrando o afixo "do Angico", hoje largamente conhecido no meio jersista brasileiro e uruguaio.

1962 - Dr.Euzébio Pereira Neto

Sua primeira exposição foi em Bagé, ano de 1962, a partir daí participando de todas as edições dessa mostra, a mais antiga do Brasil. Em 1965 alçou vôo mais alto, expondo em Porto Alegre na Exposição Estadual do Menino Deus, a partir de 1971 realizada em Esteio, nunca mais faltando em nenhuma edição desse evento, completando 55 anos ininterruptos em 2019.


Sempre atento ao aprimoramento genético de seu rebanho, muitas vezes até com sacrifício pessoal, Acilo fez parte do Grupo de Produtores liderados pelo Dr. João Jardim, na época presidente da associação gaúcha, importando da Inglaterra (1973) um lote de novilhas, e alguns reprodutores, com seleção realizada pelo saudoso Dr.Elton Adão Butierres. Nesta ocasião contou com a confiança e amizade do dr. Jardim visto o mesmo ter dado o aval na compra de 2 novilhas prenhes em nome de MANOEL ACILO.


Em 1980, vendeu para o autor deste blog algumas novilhas ANGICO e as vacas FCB SAPECA e FCB CAMISETA, já eradas com mais de 10 anos de idade que, após deixarem 3 fêmeas e 1 macho, foram adquiridas pelo mineiro Anardino Costa, já próximas dos 14 anos de idade.

Em agosto de 1982, depois de ACILO conquistar em Esteio o grande campeonato no ano anterior (1981) com a vaca CANELEIRA DO ANGICO 5C GRENDONMANOR - HBB 12947C (sua mãe era FCB Camiseta), adquiriu nesse evento animais importados do Uruguai, da criação do Sr. Carlos Sapelli, Cabanha La Constância e, dois anos após, o reprodutor Perfume Monarch of Venado Encantado, de Maria Cecília Gallinal de Haedo.


Nos anos seguintes, a Granja investiu em sêmen dos reprodutores "top de linha", adotando a inseminação artificial. Transferiu-se para o Quebracho em 1983, hoje município de Hulha Negra e Bagé, arrendando área de 68ha. No ano seguinte, vendendo os 75ha do Piraizinho, comprou a área arrendada totalizando 114ha. Entre 1985 e 1987, foram comprados mais 18ha, a Granja do Angico possuindo 152 vacas em reprodução, que eram atendidas por ACILO e os filhos Sara, Álcio e Luiman.

MANOEL ACILO lembra de ter vendido todos os animais que expos em Pedro Osório, por volta de 1985, para um francês chamado Gilles Dupin di Saint Cyr, criador em Belém do Pará.

Vendas que ficaram na memória privilegiada de ACILO foram para Cláudio Estivallet, de Santa Maria, com um cheque de Cr$ 120 mil em 30 de setembro de 1991, outra para Alberto Porpino, de Recife, na V Exposição Nacional - maio de 1986 - que pagou Cz$ 8.500,00 pela vaca Hortelã do Angico SE Divino, com 3 anos de idade, assinando uma nota promissória. Em ambas as venda, os bancos não exigiram os documento originais que, até hoje, estão arquivado na Granja do Angico.



"Outros tempos aqueles", exclama ACILO!!

Para Botucatu-PR, vendeu um terneiro que havia sido Reservado de Grande Campeão, perdendo para o famoso touro Quebracho - de Euzébio Pereira Neto. Para Jacob Blezz, pai do conhecido Dr.Arpad, vendeu um casal no Menino Deus, com a condição de ser colocado na fazenda dele pelo próprio ACILO, que o transportou numa camionete Dodge.

Numa venda para Claudionor Jacques, de Uruguaiana, quando fez a entrega dos animais foi recebido com grande festa: comida, bebida, orquestra e baile. No ano seguinte, foi convidado para selecionar os animais de Claudionor para exposições em Pelotas e Esteio, por volta de 1976.

Lembra-se da compra das vacas Clara Maria 225 Kandy Boy - HBB 3928C (de Herculano Gomes) em 1962, e Colombina Clara (da viúva de José Farinha, Maria Elcida Conde Perez, da Capela).

Gostando muito de dançar, na exposição do Prado-Uruguai, após o remate ACILO dançou lambada, estando presente a Maria Cecília Gallinal.

A história de ACILO, e da Granja do Angico, se confundem e, com certeza, sua família tem motivos de sobra para orgulhar-se do que foi aqui registrado, em 25 de junho de 2003 pelo saudoso Marcos Pereira, para orgulhar-se de MANOEL ACILO AZAMBUJA DE AZAMBUJA, parte do conteúdo desta postagem, e a frase

“Um homem de estatura pequena mas de fibra e convicção inabaláveis”.

O saudoso Marcos Pereira, historiador por prazer

MANOEL ACILO sempre foi um grande amigo, parceiro para todas as horas. Em seus maiores prazeres estavam dançar e participar de exposições da raça Jersey, o que sempre fez com desenvoltura desde o longínquo ano de 1962, em Bagé, e em quase todos os eventos realizados em solo gaúcho, alguns noutros estados – inclusive nas passadas Exposições Nacionais da Raça Jersey, em São Paulo, onde deu a honra de sua agradável participação.


Até a década de 1990, costumava expor 10 fêmeas e 2 touros em cada evento, sempre comercializados por bons valores os touros e, nalgumas vezes por solicitação dos organizadores, as fêmeas. Além da presença nas famosas e disputadas exposições em Bagé, Pelotas e Porto Alegre – depois Esteio – a GRANJA DO ANGICO prestigiava os eventos em Canguçu, São Lourenço do Sul, Santa Maria, Pedro Osório, Ijuí, Caxias do Sul, Don Pedrito, e outros eventualmente.

Foi, sem qualquer dúvida, um dos maiores fomentadores da raça Jersey no meio rural gaúcho, e brasileiro, além de criador fazendo parte do QUADRO DE JURADOS DE JERSEY DO RIO GRANDE DO SUL. Na ACGJRS ocupou várias diretorias e sua vice-presidência na gestão 1993/94, sempre otimista, participativo e colaborativo.

Julgando em Esteio

Em 1995, durante a Exposição Nacional da Raça Jersey, MANOEL ACILO AZAMBUJA foi um dos três agraciados com a MEDALHA DO MÉRITO do JERSEY BRASILEIRO.


Em 2012, MANOEL ACILO foi homenageado durante a EXPOINTER, recebendo uma placa com os seguintes dizeres:


Manoel Acilo:
Receba esta homenagem, concedida a um homem de estatura pequena, mas de fibra e convicção grandes, que confunde sua história com a do Jersey, orgulhando a família jersista gaúcha pelo companheirismo, dedicação e conhecimento sempre demonstrados.

ACGJRS, agosto de 2012.



Mas em todas as exposições de que MANOEL ACILO participou, ou acompanhou, sempre foi alvo de homenagem ou citação, em 2016 por todo o Brasil recebendo diversas alusões e indagações pelo watt’s app, em grupo com mais de 200 participantes denominado RAÇA JERSEY, e um refrão de seu amigo Carlos Alberto Petiz em 3 de setembro:

“Seu Acilo é um cerne de angico dentro de um banhado,
Que se mexe para um lado e para o outro,
Mas está sempre firme”.

2016, Expointer

Nas festividades jersistas, ACILO sempre estava presente, algumas fotos a seguir mostrando sua indispensável participação:


Seu Acilo", como carinhosamente era tratado, mas ficamos com seus ensinamentos, seu exemplo, sua lembrança.


Vá em paz, querido amigo e professor.
Pretendemos, um dia, reencontrá-lo. 





2 comentários:

  1. Buenas!

    "Eu tive o privilégio de conhecê-lo, de ter compartilhado de sua amizade e de ter escolhido e trazido aqui para o Pará,em Janeiro de 1989, um lote de matrizes e um reprodutor de sua criação de afixo "do Angico" adquiridos para o Sr.Gilles Dupin de Saint' Cyr.
    O Sr. Manuel Acilo Azambuja faz jus ao titulo dado por Carlos Guilherme Rheingantz neste blog...
    Ele foi um dos Tauras do Jérsey no Brasil...(QDOT).

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