terça-feira, 13 de agosto de 2019

TJ11 - THEODORO EDUARDO DUVIVIER: OS PRESIDENTES DA ACGJB "I"

THEODORO EDUARDO DUVIVIER
1938 a 1940 - 1952 a 1954



Em agosto de 1938, reunidos os criadores de gado Jersey em sala do Departamento Nacional de Produção Animal, no estado do Rio de Janeiro, o sr. Durval Garcia de Menezes explicou aos presentes sua finalidade: atendendo ao desejo de vários criadores de bovinos da raça Jersey, convocara a sua reunião a fim de levarem a cabo a fundação de uma associação que viesse trazer ao gado Jersey no Brasil a faculdade de possuir um certificado genealógico universal pois o Brasil, como signatávio do Convênio de Roma, se obrigara a reconhecer como válido o certificado emitido por "apenas" uma associação, cujo livros de registro fossem de acordo com as disposições do citado convênio. Diz ainda que, tendo designado o zootecnista Jorge Nazareth Barbosa Lamy para organizar o estatuto e o regulamento, de acordo com a letra D do Protocolo de Assinatura da Convenção de Roma. Esse senhor deu, a cada um dos presentes, uma cópia da proposição do estatuto e do regulamento para serem discutidos e aprovados. As assinaturas dos participantes da fundação da ASSOCIAÇÃO DOS CRIADORES DE GADO JERSEY - ACGJ, hoje ASSOCIAÇÃO DOS CRIADORES DE GADO JERSEY DO BRASIL - ACGJB, conforme consta na primeira ata do respectivo "livro de atas", são as que seguem:


Estava fundada a ACGJB, cujos presidentes até hoje, verdadeiros TAURAS DA RAÇA JERSEY, foram os seguintes, com suas rápidas histórias a partir desta postagem:

Theodoro Eduardo Duvivier - 1938 a 1940
Francis Hime – 1940 a 1944
João Dale - 1944 a 1948
Fausto Martins - 1948 a 1952
Theodoro Eduardo Duvivier - 1952 a 1954
Euclides Aranha Neto - 1954 a 1974
Mário Lopes Leão - 1974 a 1980
Aldo Raphael Raia - 1980 a 1989
Cesar W.A.Proença – 1989 a 1992
Edgardo Hector Perez - 1992 a 1995  
Ney Borges Nogueira - 1995 a 2001
Antônio Carlos Mendes – 2001
Sebastião Cabral Filho – 2001  a 2006
Henrico Salzano - 2007 a 2012
Marcelo de P.Xavier - 2013 a 2018
Nelci Pinheiro - 2019 a 2021

THEODORO EDUARDO DUVIVIER
1938 a 1940, 1952 a 1954


“Tenho 79 anos e, como se pode notar, o gado Jersey não me fez mal”. Deixando transparecer uma ponta de irreverência, Theodoro Duvivier é hoje um homem sossegado e de fala mansa, que abandonou a criação do gado Jersey há muito tempo, mas continua interessado no assunto. “Sou fiel às coisas que gosto”, diz.


Um dos pioneiros da criação desse gado no país, e o primeiro presidente da Associação dos Criadores de Gado Jersey no Brasil (“talvez por ser um dos mais desocupados”, justifica), Theodoro Eduardo Duvivier afirma que o objetivo da criação da associação foi assegurar ao comprador, e ao próprio criador, o registro dos animais. Principalmente garantir a pureza da origem da raça. “A associação surgiu coo o órgão oficial, onde os criadores pudessem inscrever o gado puro de origem. E onde os produtos são registrados até hoje”, diz. 

Pois o primeiro animal registrado, após a unificação dos registros de gado Jersey no Brasil junto à ACGJ, em atendimento ao "tratado de Roma" determinando que, em cada país, só uma entidade pode registrar cada raça, foi BORORÓ DE JACAREPAGUÁ, da criação do presidente Theodoro Eduardo Duvivier.




O interesse pelo gado Jersey nasceu nos tempos em que o pai – Eduardo Duvivier – fundador da CCPL e um apaixonado pla pecuária – criara “um pequeno rebanho convencional” na granja que possuía em Jacarépagua (RJ). Aos poucos, o rebanho foi aumentando com os exemplares da raça Jersey adquiridos da Granja Comari, de propriedade da família Guinle, e do rebanho que Francis Hime criava em Jacarepagua.


A inauguração da sociedade foi modesta. “Alugamos uma pequena sala – que ficava na avenida Rio Branco, esquina da Sete de Setembro, no Rio”, diz Duvivier. “Ainda me lembro do nosso primeiro funcionário, sr. Rubens”.
“Encontrávamos dificuldades em manter a associação porque os recursos eram poucos”, lembra Theodoro Duvivier. Os sócios contribuíram da melhor forma. “Me lembro dos esforços de Francis Hime, do João Dale e do Carlos Guinle”.

A primeira exposição de gado Jersey, organizada pela associação em Teresópolis, foi inaugurada pelo então presidente Getúlio Vargas. Segundo Duvivier, “um grande incentivador”.

A Associação foi crescendo. “Fomos divulgando, através de exposições, vendendo produtos e acompanhando naturalmente a raça, que merecia”. Theodoro Duvivier permanceceu na presidência desde a sua inauguração, em
1938, até 1940, quando foi substituído por Francis Hime.
           
 “Depois fui me dedicar também a outros animais. E a criação da raça Nelore me pareceu a mais indicada porque havia muito trabalho a realizar”, diz Duvivier. As especificações eram precárias, ou seja, as classificações dos animais se baseavam em critérios ingênuos de identificação. A raça Nelore, por exemplo, era classificada pelo tamanho da orelha. Cada centímetro de orelha que passasse de um número determinado aumentava o valor do animal. “Evidente que não se pode classificar o animal pela orelha”, queixa-se Duvivier. Para êle, uma das causas de tanta disparidade era, principalmente, o baixo nível cultural dos criadores da raça Zebu. “Então me interessei em apurar a raça. Sempre foi esse o meu gênero de criador”.

            O pai de Theodoro Duvivier faleceu em setembro de 1965. A sua segunda esposa, dois meses depois. Foi quando êle, um advogado, resolveu abandonar a criação e vender a fazenda. “Senti muito ter de me desfazer da propriedade”. Eduardo Duvivier havia deixado muitos bens e propriedades na cidade do Rio de Janeiro. “Eu sempre achei que um fazendeiro que não mora na fazenda, e não a acompanha muito de perto, não pode ser um bom criador”. Duvivier considerou, também, o fato de já estar com 55 anos. “O mais indicado seria ficar na cidade e cuidar do patrimônio da família”.

            Mas o primeiro presidente da ACGJB não lamenta o seu desligamento. “Foram tempos muito bons. Mas é uma época passada e não sou um saudosista. Continuo acompanhando a associação”. Recentemente esteve em São Paulo para uma exposição de mais de 400 cabeças de gado.

            Theodoro Duvivier mantém muita confiança na associação e no gado Jersey. Para êle, o desenvolvimento em São Paulo é um fato normal porque, entre outros fatores, o clima é mais favorável. No Rio de Janeiro, a vida agrícola “foi indo para o interior, numa evolução natural das coisas”.

            Mas – afirma Duvivier -, a evolução do gado Jersey no Brasil ultrapassou as expectativa. E a justificativa é o próprio gado: ”As pessoas se impressionam com a produção individual de leite. Mas o que interessa é a maior produção por área, ou seja, quantos litros podem ser produzidos dentro de um hectare ou alqueire. Na mesma área que se cria o gado Jersey e o Holandês, por exemplo, eu não tenho dúvida que o animal da raça Jersey produz muito mais”. (da revista oficial da ACGJB, Galeria de Presidentes, cópia do original abaixo):



(continua na próxima postagem)



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