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| 1986, em Pouso Alegre/MG |
NOTA ESPECIAL DO AUTOR
“Conheci ANARDINO COSTA numa Expointer, não lembro bem o ano, ainda na
década de 80, quando numa roda de chimarrão composta por um grupo de jersistas
de vários estados brasileiros, ele pediu para provar: não sei se o Jorge Burck
ou o Carlos Petiz estava no comando do mate, mas o mineiro recebeu a cuia, deu
uma puxada e, imediatamente, passou-a adiante para surpresa de todos. O
costume, hoje mais divulgado entre os brasileiros não-gaúchos, é de sugar na
bomba até fazer barulho, ou seja, terminar a água. Lembro-me que o responsável
por aquele mate pegou a cuia, educadamente, e terminou de sorver seu conteúdo.
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| 1987 - Anardino em Esteio, com Sérgio Neves e Petiz |
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| 1986, na Cabanha Cascalho (do autor), tourinho de 1 ano CASCALHO HULK 8 GENERATOR TITLE, adquirido por Anardino Costa |
“Há muitos anos deixei de encontrar esse ÍDOLO BRASILEIRO DA RAÇA
JERSEY, também juiz por conhecimento, que muitas exposições gaúchas julgou. Esperava, a cada evento nacional da raça, encontrá-lo ainda sorridente e afável.
Anardino julgando em Pelotas, 1990.
“Seu falecimento recente, no dia 05 de janeiro de 2020, enluteceu a
família jersista brasileira, em especial a mineira - onde residia e criava
Jersey, e a gaúcha – que muito conviveu com este simpático e educado TAURA DA
RAÇA JERSEY. Jamais o esqueceremos".
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| 1990, em Pelotas, com Zambrano (d), Ney Ferreira (e), Jorginho, Burck e Flávio |
QUEM FOI ANARDINO COSTA?
O mineiro ANARDINO COSTA foi
considerado “o segundo criador do mundo de Jersey e o maior do Brasil” no
final da década de 80. Seu conhecido plantel, com afixo ITACAÉ, contava com
mais de 1300 cabeças da raça registradas por intermédio da JERSEYMINAS, naquela
época uma das três maiores delegadas estaduais da ACGJB, e centenas de fêmeas
de raça definida mas sem registro. Não conseguiu alcançar 2.000 Jersey,
objetivo que não cansava de citar: “ainda
por chegar”.
Nascido, criado e vivido no
município de Pouso Alegre, sul de Minas Gerais, seus pais antigos fazendeiros,
em 1956 ANARDINO começou uma pequena criação de gado Holandês com 40 matrizes. Com
muita insistência, um vizinho ofereceu-lhe 4 mestiças Jersey, raça da qual ele
nunca havia ouvido falar, despertando sua curiosidade. Adquirindo os animais,
apesar de não recomendar aos amigos que comprassem Jersey, este foi o
verdadeiro início de sua caminhada jersista.
Numa grande seca, suas Holandêsas
começaram a morrer, mas as Jersey continuavam bem. ANARDINO não teve dúvida, passando
a adquirir mais vacas Jersey, com e sem registro, e alguns touros PO, passando
a constatar a alta resistência e qualidade do leite da raça.
Com o aumento de criadores de Jersey por todo o mundo pecuário, ANARDINO creditou o desenvolvimento da raça, em Minas Gerais e no Brasil, à grande atuação de Mário Lopes Leão, ex-presidente da ACGJB responsável pela transferência de sua sede do Rio de Janeiro para São Paulo (capital), assim como a de Aldo Raia – também ex-presidente da brasileira na década de 80. “Ambos muito incentivaram os criadores a participarem, ativamente, da entidade nacional. O setor está unido, fortalecendo o desenvolvimento da raça Jersey no Brasil”, afirmava constantemente ANARDINO, admirador cada vez maior da alta qualidade no leite produzido pelas pequenas vacas e apoiador das ações de fomento da entidade nacional da raça Jersey.
Conselheiro da ACGJB em algumas gestões, e candidato à vice-presidência na chapa liderada por Vitório di San Marzanno, esse simpático mineiro via, e divulgava, as inúmeras vantagens da Jersey: “menor custo de manutenção, raça leiteira com maior facilidade de transformar pasto em leite, com rusticidade comparada aos zebuínos, comendo menos do que suas concorrentes”. Não deixava de citar que “a bezerra Jersey é criada com menos leite e concentrados e, quando eventualmente adoecem, gastam menos em medicamentos; a vaca é mais precoce, conseguindo parir de seis meses a um ano antes do que suas rivais das outras raças, tendo vida mais longa chegando, fàcilmente, aos 20 anos; no transporte se acomoda melhor devido ao seu tamanho e peso reduzidos, e suas desvantagens são poucas: no leite não são as que produzem maior quantidade, mas sim maior qualidade e lucro, e o macho não tem procura para o abate”.
Sua fazenda, BARRA DO ITACAÍ, está localizada em Cachoeira de Minas/MG, próxima de Pouso Alegre, sendo uma das suas várias propriedades nessa região. Lá manejava mais de 1.000 Jersey, sendo a sua principal fazenda que, além da produção de bezerras e bezerros, dela comercializava uma grande quantidade de leite diariamente. O nome ITACAÍ foi originado dos rios Itaí e Sapucaí, que banham a propriedade. Chegou a desativar uma de suas fazendas, com 300 ha de cultura de arroz e de milho, para criar Jersey.
Sempre atento à evolução de manejo e genética, ANARDINO iniciou cedo experiências com inseminação artificial e transferência de embriões, acreditando ser essa a saída para a melhoria do rebanho. Importou, por muitos anos, animais de alto valor genético de países como Inglaterra, Estados Unidos, Canadá e Uruguai, seus preferidos.
Mas a grande maioria de suas aquisições vieram, mesmo, do Rio Grande do Sul, estado pioneiro na criação desta notável raça, e onde sempre houve grande disponibilidade de bons animais, PO e PC, assessorado por seu grande amigo, também destacado criador e juiz, Jorge Roberto Burck (falecido em 07 de julho de 2019), seu grande e indispensável parceiro nas incursões uruguaias.
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| 1990, Anardino conversa com Jorge Burck durante julgamento em Pelotas |
Obteve nas Exposições nacionais por tres vezes a melhor progênie de pai, duas vezes melhor conjunto de vacas leiteiras, três vezes melhor úbere, mais de uma vez melhor criador e melhor expositor, e vários outros campeonatos e reservados de campeonatos. Com destaque, obteve alguns Grandes Campeonatos em São Paulo e em Minas Gerais, sendo grande sua galeria de troféus e rosetas. Nesses eventos, e noutras viagens, contava seguidamente com seu também grande amigo Willian Labaky, destacado criador e juiz paulista.
Na primeira EXPOSIÇÃO NACIONAL DA RAÇA JERSEY em Àgua Funda, 1982, sua vaca ITACAI BENGALA foi a Grande Campeã, e a recordista nacional de preço ao ser adquirida pela Fazenda Limoeiro (de Aldo Raia) por US$ 10 mil, depois sendo capa de catálogo no grande “Leilão das Pequenas Notáveis”, no Palace em São Paulo.
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| Foto provável de ITACAI BENGALA |
ALGUNS COMENTÁRIO APÓS SEU FALECIMENTO NO GRUPO RAÇA JERSEY:
De seu sobrinho, Luiz Flávio, para Willian Labaky: Grande Willian! Hoje eu trago uma triste notícia do faleciento do meu tio Anardino, um homem que deixará saudades e também grande contribuição junto à família, amigos, a Minas Gerais, e ao país com toda sua garra, dedicação, e grande coração! Sua paixão foi a criação da raça Jersey, em união com seu pai puderam contribuir muito para um crescimento exponencial da raça neste Brasil! Sua família foi muito expecial para ele, falamos de você e seu pai neste sábado, me despedi dele com uma oração e comentamos que você indicaria uma boa exposição para irmos juntos! Nada termina por aqui, ele está nas mãos de Deus e descansará em paz.
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| Anardino com o sobrinho que sempre o acompanhava, Luiz Flávio |
De Fernando Reis: Momento de tristeza para mim, começamos a criar Jersey comprando 8 novilhas do Anardino Costa na Fazenda Itacai. Um amigo, uma pessoa especial... ele foi ícone da raça, extremamente educado e habilidoso para comercializar animais. Ele parou de criar faz alguns anos, mas o filho continua criando em menor intensidade.
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| 2016, Itajubá/MG: Anardino ladeado por Fernando Reis (d), Willian Labaky e Jacarine |
Deste autor: Grande Anardino, excelente amigo, um dos melhores e o maior jersista brasileiro!! Que Deus o receba com a alegria e os conhecimentos que Anardino sempre nos propiciou. Vá em paz, meu amigo!!!
De Roberto Vicente Lopes: Nossos sentimentos pelo falecimento do Anardino, grande conhecedor e apaixonado pelo Jersey. Que o Senhor console os familiares. Tivemos bons momentos juntos, sempre em eventos da raça.
De Agostinho: Te agradeço, meu grande amigo sr.Anardino Costa, pelo aprendizado e pelos vários animais adquiridos de seu plantel, e sobretudo pelo amor à raça Jersey. Descanse em paz.
De Nelci Maynardes: Realmente hoje a raça Jersey rende suas homenagens a Anardino Costa, pessoa que conheci ràpidamente mas que conheço toda sua história em prol do Jersey, e sua importância na disseminação da raça em Minas Gerais e no Brasil. Que Deus lhe dê o merecido descanso e conforte sua família.
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| 2016, Anardino e Nelci Maynardes em Itajubá/MG |
Esta postagem está baseada em TAURAS DA RAÇA JERSEY XXXI - ANARDINO COSTA, publicada em 26 de setembro de 2018 no www.blogdojerseyrs.blogspot.com , deste mesmo autor.

















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